{"id":12478,"date":"2010-11-01T00:00:00","date_gmt":"2010-11-01T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/comunhao-dos-santos\/"},"modified":"2010-11-01T00:00:00","modified_gmt":"2010-11-01T02:00:00","slug":"comunhao-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/comunhao-dos-santos\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o dos santos"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">No in\u00edcio de novembro celebramos a Solenidade de Todos os Santos e Dia dos Fi\u00e9is Defuntos. S\u00e3o celebra\u00e7\u00f5es, como a de Finados, que nos unem aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s j\u00e1 falecidos, que se encontram na casa do Pai, \u201conde existem muitas moradas\u201d, e, muitos j\u00e1 fazem parte na comunh\u00e3o dos santos da Igreja celeste como os Santos e Santas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ensino cat\u00f3lico da ora\u00e7\u00e3o que fazemos est\u00e1 unido intimamente ao dogma de suma import\u00e2ncia para compreendermos a nossa \u00edntima uni\u00e3o com os falecidos: o dogma da comunh\u00e3o dos santos. Santos, aqui compreendidos, n\u00e3o s\u00e3o apenas os santos canonizados pela Igreja pura e simplesmente, mas todos aqueles que pelo batismo juntam-se aos que creem na Palavra do Senhor Jesus (cfr. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica 958).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o termo comunh\u00e3o dos santos afirmamos a exist\u00eancia de uma \u00edntima uni\u00e3o sobrenatural entre todos os que s\u00e3o membros do Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa comunh\u00e3o est\u00e3o todos os crentes que foram incorporados pelo batismo na Igreja. Pelo nascimento da \u00e1gua e do Esp\u00edrito nos tornamos parte do corpo m\u00edstico de Cristo, Sua Igreja. Tornamos-nos nela membros, uns com os outros, enquanto comunh\u00e3o de vida na ora\u00e7\u00e3o e na liturgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos os que s\u00e3o de Cristo, est\u00e3o unidos a Cristo. A vida de cada um \u00e9 ligada de forma \u00fanica e essencial em Cristo e por Cristo, o que n\u00e3o exclui a vida sobrenatural na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ali\u00e1s, a Igreja \u00e9 essencialmente uma comunh\u00e3o dos santos, tanto entre os fi\u00e9is ainda caminhantes para a eternidade, como para os que j\u00e1 nesta se encontram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 um v\u00ednculo de amor e uma abundante e permanente troca de bens espirituais, que a todos beneficia na santidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Existe uma comunh\u00e3o espiritual que nos une a todos os batizados, aqueles que morrem na f\u00e9 e na gra\u00e7a, la\u00e7os estes que n\u00e3o se rompem com a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites, e seu poder n\u00e3o diminui nem com a dist\u00e2ncia nem com o passar do tempo. Como fruto de amor, ela \u00e9 como um feixe de luz que penetra em nossa alma e nos coloca na presen\u00e7a do Salvador. N\u00f3s, crist\u00e3os desse mundo, n\u00e3o cortamos os nossos la\u00e7os com a Igreja que j\u00e1 se encontra na presen\u00e7a do Pai, mas os que est\u00e3o l\u00e1 contam com as nossas ora\u00e7\u00f5es, como nos diz a sua palavra: os que se aproximaram \u201cda montanha de Si\u00e3o, do Deus vivo, da Jerusal\u00e9m celestial, e das mir\u00edades dos anjos\u201d, e que fazem parte da \u201cassembleia festiva dos primeiros inscritos no livro dos c\u00e9us, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.\u201d (Hb 12, 22-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde os tempos apost\u00f3licos, baseada na cren\u00e7a da unidade e do poder da ora\u00e7\u00e3o, e na comunh\u00e3o do santos, sempre aconteceu a ora\u00e7\u00e3o pelos que j\u00e1 se foram, para que estes intercedessem junto de Deus, e que eles tamb\u00e9m contassem com as nossas ora\u00e7\u00f5es, tal como contaram em vida com o nosso amor e a nossa aten\u00e7\u00e3o. Lembremo-nos, por exemplo, da extrema venera\u00e7\u00e3o pelos m\u00e1rtires j\u00e1 nos prim\u00f3rdios da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus aponta sempre para a plenitude da vida. Em toda a liturgia do Dia de Finados a Igreja quer, portanto, celebrar a vida. Lembramos a derrota do \u00faltimo inimigo (1Cor 15, 26). Viveremos no amor incompar\u00e1vel, no amor sem ego\u00edsmo, onde acontecer\u00e1 a verdadeira partilha numa comunidade sem fronteiras e barreiras humanas, que tanto insistimos em levantar nesse nosso mundo. Nossa ora\u00e7\u00e3o deve ser, sim, de agradecimento pela vida que nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s t\u00eam agora em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m, celebrar o Dia de Finados significa professar a f\u00e9, a vida e a esperan\u00e7a. Para a escurid\u00e3o da morte, que a todos angustia, temos, como crist\u00e3os, a certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A celebra\u00e7\u00e3o deve estar em torno da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que \u00e9 alimento constante na forma de viver uma f\u00e9 s\u00f3lida e que nos quer solid\u00e1rios no amor, inclusive com os falecidos. Solidariedade esta que nos compromete, quando devemos prosseguir firmes em nossa caminhada de f\u00e9, compelindo-nos na caridade para com o pr\u00f3ximo e assumindo a nossa vida, j\u00e1 aqui, pelos que sofrem e precisam de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nossa vida deve ser esse processo cont\u00ednuo no amor, e n\u00e3o caminhada para morte. Este compromisso com a vida, talvez o ideal mais perfeito da comunh\u00e3o dos santos, pode ser uma maneira concreta de sermos solid\u00e1rios com os falecidos. Portanto, essa solidariedade na vida de f\u00e9, tamb\u00e9m nos impulsiona para uma responsabilidade na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja e da vida dos homens. Os dons, os talentos recebidos devem ser fonte de gra\u00e7a e de testemunho. Isso abrange tanto a solidariedade no compartilhar os bens espirituais \u2013 comunh\u00e3o propriamente dita \u2013 como partilhar os bens materiais. A consci\u00eancia crist\u00e3 deveria ser movida por essa partilha generosa e aberta. Isso tudo nos faz, vivos e mortos, cooperadores no plano de Deus, que busca a felicidade de seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim, a comunh\u00e3o com os falecidos, atrav\u00e9s destes dias de liturgia dedicados a ora\u00e7\u00e3o por eles, deve ajudar-nos a melhor vivenciar o amor pelo pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na caridade e na comunh\u00e3o crist\u00e3 somos convidados, como cat\u00f3licos, a participar vivamente das celebra\u00e7\u00f5es e das visitas aos cemit\u00e9rios para que sejam, efetivamente, um eloquente e sincero sinal de comunh\u00e3o divina no amor, que se encerrar\u00e1 na eternidade junto \u00e0 casa do Pai. Na vida em Deus n\u00e3o haver\u00e1 mais tristeza, nem dor, nem separa\u00e7\u00e3o, nem perda, mas apenas caridade, amor. E nos esforcemos para viver no bem \u2013 como nos ensina 2Mac 12,46 \u2013 \u201cera esse um bom e religioso pensamento; eis por que ele pediu um sacrif\u00edcio expiat\u00f3rio para que os mortos fossem livres de suas faltas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta No in\u00edcio de novembro celebramos a Solenidade de Todos os Santos e Dia dos Fi\u00e9is Defuntos. 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