{"id":12507,"date":"2010-11-08T00:00:00","date_gmt":"2010-11-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-discurso-da-montanha\/"},"modified":"2010-11-08T00:00:00","modified_gmt":"2010-11-08T02:00:00","slug":"o-discurso-da-montanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-discurso-da-montanha\/","title":{"rendered":"O discurso da montanha"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Geraldo Majella Agnelo<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">No primeiro domingo de novembro, celebramos a festa de todos os santos. Os filhos de Deus s\u00e3o chamados \u00e0 santidade de vida aqui na terra e na vida eterna.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O discurso da montanha, Mateus 5,13-16, se abre com as bem-aventuran\u00e7as. Come\u00e7a com os pobres no esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A mentalidade moderna, como a antiga, proclama a bem-aventuran\u00e7a da riqueza. Para compreender a bem-aventuran\u00e7a da pobreza, \u00e9 necess\u00e1rio partir do Antigo Testamento e da tend\u00eancia interna do juda\u00edsmo, na qual a palavra \u201cani\u201d= pobre ou \u201canawin\u201d= pobres, al\u00e9m de sua dimens\u00e3o sociol\u00f3gica, possui uma dimens\u00e3o religioso-teol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pobre \u00e9 o homem honesto, piedoso, praticante da justi\u00e7a, que vive sob o jugo do rico, do influente e do opressor. Quem vive honestamente, praticando a justi\u00e7a e permanecendo aberto a Deus, ser\u00e1 recompensado por ele. A injusti\u00e7a e a desonestidade, em todos os seus aspectos, s\u00e3o incompat\u00edveis com a integridade requerida por Deus. Por isso, se fala de esp\u00edrito de pobreza e dos pobres na alma. A frase era freq\u00fcente nos tempos de Jesus, como fizeram ver as descobertas de Qumran. A pobreza sociol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 proclamada bem-aventurada por si mesma. Considerada em si mesma e como tal, ela seria um verdadeiro mal. A pobreza que \u00e9 chamada bem-aventurada deve ser acompanhada pela simplicidade do cora\u00e7\u00e3o, da convic\u00e7\u00e3o profunda da necessidade que o homem tem de Deus, da integridade da vida e da abertura aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil encontrar um adjetivo que exprima realmente os que s\u00e3o chamados bem-aventurados, os mansos. A \u00fanica coisa que podemos dizer \u00e9 que se trata de uma atitude muito vizinha da primeira bem-aventuran\u00e7a. A palavra \u201cmansos\u201d tem o sentido de humildes, pobres, necessitados, pequenos, que aceitam sem amargura a sua humilde condi\u00e7\u00e3o, naturalmente com a esperan\u00e7a da recompensa. A heran\u00e7a da terra \u00e9 uma express\u00e3o equivalente a receber o reino dos c\u00e9us. O pr\u00eamio n\u00e3o \u00e9 visto como coisa exclusiva do lado de l\u00e1 da vida: tem-se\u00a0 conta tamb\u00e9m do mundo presente que pode ser feito melhor com o esfor\u00e7o do homem. A vida de Jesus \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dessa bem-aventuran\u00e7a: Ele lutou contra a enfermidade, a fome e a dor, e ao mesmo tempo caminhou com seguran\u00e7a para a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A bem-aventuran\u00e7a dos aflitos deve ser compreendida partindo do pr\u00eamio que a justifica: a consola\u00e7\u00e3o. A consola\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade messi\u00e2nica, trazida pelo Messias, e abra\u00e7a toda a dor pela qual o homem tem necessidade de ser consolado: o poder da morte, do sofrimento, do pecado, utilizando a linguagem b\u00edblica. A bem-aventuran\u00e7a se ilumina na vit\u00f3ria de Jesus sobre o pecado, sobre a dor, sobre a morte e particularmente no momento da ressurrei\u00e7\u00e3o. O Deus da B\u00edblia \u00e9 o Deus da consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a, mais que uma atitude, aqui \u00e9 chamada bem aventurada a tend\u00eancia para desejar receber alguma coisa. A fome e sede, na B\u00edblia, Isaias 55,1: Salmo 42,20, indicam a tend\u00eancia para Deus e a saudade dele. Homens que procuram a justi\u00e7a, Deus a conceder\u00e1 aos que agora s\u00e3o oprimidos pela injusti\u00e7a. A recompensa n\u00e3o \u00e9 esperada somente para o momento do ju\u00edzo final. A fome e a sede de justi\u00e7a gritam para que cesse a atual injusti\u00e7a. A esperan\u00e7a se v\u00ea satisfeita unicamente na apari\u00e7\u00e3o do Messias, que \u00e9 chamado \u201cJav\u00e9-nossa-justi\u00e7a\u201d (Jeremias 23, 6; 33,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os misericordiosos. Diante de Deus, ningu\u00e9m tem consist\u00eancia por si mesmo. Sabiam tamb\u00e9m os contempor\u00e2neos de Jesus: se algu\u00e9m n\u00e3o pratica a miseric\u00f3rdia, Deus n\u00e3o usar\u00e1 miseric\u00f3rdia com ele. O Pai nosso nos ensina a perdoar como somos perdoados. Os misericordiosos s\u00e3o bem-aventurados pelo fato que a sua conduta est\u00e1 sobre a mesma linha da conduta de Deus: amor, compaix\u00e3o, perd\u00e3o, compreens\u00e3o, ajuda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os puros de cora\u00e7\u00e3o. Deus est\u00e1 aberto a quem tem as m\u00e3os e o cora\u00e7\u00e3o puros, uma pureza de vida, sem inten\u00e7\u00f5es distorcidas e inconfess\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os que trabalham pela paz entre os homens agem como Deus mesmo, porque Deus \u00e9 o Deus da paz, que oferece a reconcilia\u00e7\u00e3o ao pecador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os perseguidos por causa da justi\u00e7a: a sorte que tocou ao Mestre toca tamb\u00e9m a seus disc\u00edpulos, em todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As bem-aventuran\u00e7as proclamadas por Jesus abrem o discurso sobre o Reino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Geraldo Majella Agnelo No primeiro domingo de novembro, celebramos a festa de todos os santos. 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