{"id":12538,"date":"2010-11-12T00:00:00","date_gmt":"2010-11-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/igreja-servidora\/"},"modified":"2010-11-12T00:00:00","modified_gmt":"2010-11-12T02:00:00","slug":"igreja-servidora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/igreja-servidora\/","title":{"rendered":"Igreja servidora"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">O F\u00f3rum Nacional realizado nesta semana pelo Instituto Nacional de Altos Estudos nos trouxe a oportunidade de aprofundar a nossa presen\u00e7a para construir um Brasil desenvolvido, inclusive com oportunidade para favelas. A presen\u00e7a da Arquidiocese que traz em sua tradi\u00e7\u00e3o uma enorme quantia de trabalhos e presen\u00e7as sociais junto aos necessitados em uma \u201cmesa redonda\u201d foi a oportunidade de apresentar as nossas convic\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja no Brasil orienta-se pelas exig\u00eancias do servi\u00e7o, di\u00e1logo, an\u00fancio e testemunho. A solidariedade concretiza-se na dimens\u00e3o do servi\u00e7o. Amar \u00e9 servir. A palavra \u201cservi\u00e7o\u201d \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o da palavra grega diakonia. O \u201cservi\u00e7o\u201d sup\u00f5e o di\u00e1logo, faz acontecer o an\u00fancio e \u00e9 o testemunho concreto da vida crist\u00e3. Servi\u00e7o \u00e9 presen\u00e7a de amor, amizade e solidariedade junto aos pobres, aos que sofrem, aos doentes, aos famintos, aos encarcerados (cf. Mt 25), aos que n\u00e3o t\u00eam trabalho, aos que n\u00e3o t\u00eam teto, aos que s\u00e3o privados do cultivo correto e manual da terra. Presen\u00e7a por meio de pequenos gestos cotidianos, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de projetos de promo\u00e7\u00e3o humana, de defesa dos direitos humanos, de promo\u00e7\u00e3o da cidadania. Enfim, trata-se de defender a vida, promover a paz, alicer\u00e7ar a sociedade na justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja fundamenta a dimens\u00e3o do \u201cservi\u00e7o\u201d na a\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, a quem \u201cem todos os lugares onde entrava nas aldeias, nas cidades ou nos campos, traziam-lhe os doentes, nas pra\u00e7as, para que os curasse\u201d (cf. Mc 6,56). O servi\u00e7o se inspira nas palavras de Jesus: \u201cquem quiser ser grande, seja o servidor, e quem quiser ser o primeiro dentre v\u00f3s, seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos\u201d (cf. Mc 10,44-45). E ainda: \u201cEu estou no meio de v\u00f3s como aquele que serve!\u201d (cf. Lc 22,27). \u00c9 o servi\u00e7o constante, eficaz, desinteressado e sacrificado que faz a diferen\u00e7a em nossa prega\u00e7\u00e3o. O Evangelho ensina que a medida, ou o crit\u00e9rio do amor humano, da caridade e da solidariedade \u00e9 o amor com que Cristo amou a humanidade: \u201cdou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos tamb\u00e9m uns aos outros. Nisso reconhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos, se tiverdes amor uns pelos outros\u201d (cf. Jo 13,34-35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja Cat\u00f3lica nos dias de hoje, como desde a sua funda\u00e7\u00e3o, sempre pautou a sua a\u00e7\u00e3o social e evangelizadora, deve apostar \u2013 redobradamente \u2013 na caridade, recorda-nos o Papa Jo\u00e3o Paulo II: \u201ch\u00e1 na pessoa dos pobres uma presen\u00e7a especial de Cristo que imp\u00f5e \u00e0 Igreja uma op\u00e7\u00e3o preferencial por eles\u201d. Diz ainda: \u201cnosso mundo come\u00e7a o novo mil\u00eanio carregado com as contradi\u00e7\u00f5es de um crescimento econ\u00f4mico, cultural e tecnol\u00f3gico, que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 margem do progresso, mas a bra\u00e7os com condi\u00e7\u00f5es de vida muito inferiores ao m\u00ednimo devido \u00e0 dignidade humana. Como \u00e9 poss\u00edvel que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados m\u00e9dicos mais elementares, quem n\u00e3o tenha uma casa onde abrigar-se?\u201d. Que postura deve tomar a Igreja? \u201cDevemos procurar que os pobres se sintam, em cada comunidade crist\u00e3, como \u2018em sua casa\u2019. A caridade das obras garante uma for\u00e7a inequ\u00edvoca \u00e0 caridade das palavras.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os documentos do Magist\u00e9rio da Igreja que formam o corpo da doutrina social inspiram e legitimam a a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria da Igreja toda e de cada crist\u00e3o em favor dos trabalhadores, dos pobres, dos refugiados, das v\u00edtimas da fome, das guerras, de todo tipo de viol\u00eancia, impelindo a Igreja a ser instrumento da paz no mundo. A Doutrina Social da Igreja procura exprimir concreta e atualizadamente a pr\u00e1tica de caridade dos crist\u00e3os. Por isso, ela ajuda a nortear a n\u00f3s, cat\u00f3licos, em nosso modo de ser e de atuar na cidade. A Igreja conta com os fi\u00e9is leigos, tanto em seus grupos e comunidades, como tamb\u00e9m com a a\u00e7\u00e3o individual de cada um, para construir ou reconstruir a cidade \u00e0 luz dessa caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Presente na sociedade, a Igreja quer indicar caminhos de solidariedade aos pobres, constru\u00e7\u00e3o da cidadania e da justi\u00e7a, a primazia da \u00e9tica nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas, a defesa da vida desde o momento da concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAs pastorais sociais na miss\u00e3o evangelizadora da Igreja representam significativa participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e solid\u00e1ria. Elas s\u00e3o presen\u00e7a privilegiada e despertam maior sensibilidade e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es e aos conflitos da sociedade. Pelos seus compromissos concretos em defesa da vida e da dignidade dos pequenos, denunciam as estruturas sociais perversas que geram desigualdade e mis\u00e9ria e anunciam a justi\u00e7a do Reino\u201d (cf. Doc. CNBB 80, p. 94).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No \u00e2mbito de nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, somente no ano de 2009, atrav\u00e9s do balan\u00e7o das atividades da Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, teve mais de 2 milh\u00f5es e 501 mil pessoas pelas par\u00f3quias da cidade. A isso deve se acrescentar muitas outras a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem ser contabilizadas devido \u00e0 falta de comprovantes. Juntem-se tamb\u00e9m os atendimentos de outras entidades ligadas \u00e0 arquidiocese, como a C\u00e1ritas, o Banco da Provid\u00eancia, a Pastoral da Crian\u00e7a e outras, al\u00e9m dos trabalhos das escolas cat\u00f3licas, universidades, comunidades religiosas e grupos de leigos organizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esses atendimentos n\u00e3o s\u00e3o espor\u00e1dicos, mas fazem parte da tradi\u00e7\u00e3o da Igreja desde o seu nascimento, recordando a cria\u00e7\u00e3o do diaconato nos Atos dos Ap\u00f3stolos ou ainda o mart\u00edrio de S\u00e3o Louren\u00e7o nos tempos da Igreja Primitiva. Mais do que oferecer condi\u00e7\u00f5es de dignidade, queremos fazer a inclus\u00e3o. Que todos n\u00f3s possamos fazer acontecer o Reino de Deus, ajudando os que mais necessitam: os refugiados, os idosos e os exclu\u00eddos para que conhe\u00e7am a face misericordiosa do Cristo Redentor, na grande rede de solidariedade, que, como consequ\u00eancia da miss\u00e3o evangelizadora, constitui as comunidades e par\u00f3quias de nossa arquidiocese.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta O F\u00f3rum Nacional realizado nesta semana pelo Instituto Nacional de Altos Estudos nos trouxe a oportunidade de aprofundar a nossa presen\u00e7a para construir um Brasil desenvolvido, inclusive com oportunidade para favelas. 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