{"id":12564,"date":"2009-10-26T00:00:00","date_gmt":"2009-10-26T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-individualismo\/"},"modified":"2009-10-26T00:00:00","modified_gmt":"2009-10-26T02:00:00","slug":"o-individualismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-individualismo\/","title":{"rendered":"O Individualismo"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orlando Brandes<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje confundimos pessoa, indiv\u00edduo, personalismo e individualismo. Nossa cultura est\u00e1 marcada pela supremacia do individualismo, em detrimento do altru\u00edsmo e do personalismo. O outro, o pr\u00f3ximo, o semelhante, o irm\u00e3o, o diferente, o necessitado s\u00e3o colocados em segundo lugar e at\u00e9 descartados. O individualismo globalizado se expressa na absolutiza\u00e7\u00e3o do ter, do poder e do prazer. Os outros s\u00e3o perdedores, descart\u00e1veis, sobrantes, exclu\u00eddos. Vejamos alguns aspectos do individualismo hoje.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. A arbitrariedade. O individualismo se manifesta na arbitrariedade que \u00e9 uma atitude de poder, de julgamento, de superioridade, de centralidade, de domina\u00e7\u00e3o. Quando a arbitrariedade significa desobedi\u00eancia, rebeldia, orgulho, entram em crise valores \u00e9ticos, religiosos, sociais e a justifica\u00e7\u00e3o dos interesses pessoais, caem as institui\u00e7\u00f5es, a objetividade, o bom senso e o respeito pela verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2. O bem material. A pessoa individualista desvaloriza o bem comum, a justi\u00e7a social, a compaix\u00e3o. O dinheiro, a ambi\u00e7\u00e3o, a gan\u00e2ncia, o lucro \u00e9 o que interessa. O ter mais vence o \u201cser mais\u201d. Cresce a indiferen\u00e7a pelo outro. A competi\u00e7\u00e3o, a corrup\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o dos bens aumenta a desigualdade social. Quem cai no individualismo, torna-se insens\u00edvel, cego, escravo de c\u00e1lculos e ambi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pergunta se os outros est\u00e3o bem e n\u00e3o se interessa em ser bom para os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3. A satisfa\u00e7\u00e3o er\u00f3tica. O erotismo \u00e9 filho leg\u00edtimo do ego\u00edsmo individualista, do amor desordenado de si mesmo, do prazer imediato e sem compromisso, que hoje se caracteriza pela orgasmomania e orgasmolatria, balb\u00fardia sexual. O machismo tem muito de ego\u00edsmo e erotismo. Acontece no erotismo a centraliza\u00e7\u00e3o do ego e a subjuga\u00e7\u00e3o do outro, afirma\u00e7\u00e3o de si e a nega\u00e7\u00e3o do outro. A espiral do erotismo abre as portas ao alcoolismo, \u00e0s drogas e ao vazio existencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4. A legitima\u00e7\u00e3o dos desejos. O consumismo, atrav\u00e9s da propaganda, trabalha com os desejos. Ora cria desejos, ora os agu\u00e7a. Somos escravos de desejos desordenados. O mercado excita os desejos das crian\u00e7as, jovens e adultos e os legitima como felicidade, bem-estar, auto-realiza\u00e7\u00e3o e auto-proje\u00e7\u00e3o. Promete mundos maravilhosos, messi\u00e2nicos, ef\u00eameros e eficazes. A vida \u00e9 vivida como um espet\u00e1culo, uma satisfa\u00e7\u00e3o de desejos e sensa\u00e7\u00f5es, e curti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5. A imposi\u00e7\u00e3o dos direitos individuais. Eu quero, eu sei, eu desejo, eu tenho direito, eu decido, eu mando. \u00c9 a defesa arbitr\u00e1ria de direitos individuais sem compromisso \u00e9tico, religioso, jur\u00eddico, social. N\u00e3o podemos ser prisioneiros das modas do momento e ferir a verdade, o bem, a justi\u00e7a defendendo direitos individuais de modo arbitr\u00e1rio como por exemplo, o aborto, a eutan\u00e1sia, a clonagem etc. quem quer ser o \u00fanico produtor de si mesmo acaba degradando-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">6. A auto-sufici\u00eancia. Consiste em viver sem Deus, sem mandamentos, sem a fam\u00edlia, sem o matrim\u00f4nio e sem a comunh\u00e3o com os outros, sem os valores objetivos. \u00c9 a indiferen\u00e7a pelos outros, pelas institui\u00e7\u00f5es, pelas normas, num narcisismo sem limites. O auto-suficiente \u00e9 folgado, agressivo, independente, onipotente com grande risco de tornar-se delinq\u00fcente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">7. A independ\u00eancia. O individualismo \u00e9 egolatria, autonomia, solid\u00e3o, rebeldia. Os conflitos da independ\u00eancia come\u00e7am em casa, no namoro, na escola e no estilo de vida liberal, independente, permissivo. A pessoa pautada pela independ\u00eancia, assume atitudes de arrog\u00e2ncia, arbritariedade, indiferen\u00e7a, antipatia e agressividade. Chega a ser anti-social e contestadora das realidades objetivas da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">8. O ego\u00edsmo. A centraliza\u00e7\u00e3o de si, o egocentrismo \u00e9 um dos piores recalques da humanidade. Quando socializado, o ego\u00edsmo tem o nome de lucro, sucesso, consumismo, livre escolha. O que vem primeiro s\u00e3o as divers\u00f5es, a curti\u00e7\u00e3o, o imediato, a est\u00e9tica, a dimens\u00e3o l\u00fadica da vida. O importante \u00e9 o agora, o espet\u00e1culo, as distra\u00e7\u00f5es, o corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ego\u00edsmo globalizado gera \u201cpovos da opul\u00eancia e povos da indig\u00eancia\u201d, alarga as desigualdades entre ricos e pobres, o imp\u00e9rio do mercado e a iniq\u00fcidade social. O ego\u00edsmo \u00e9 o caminho do abismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Orlando Brandes Hoje confundimos pessoa, indiv\u00edduo, personalismo e individualismo. Nossa cultura est\u00e1 marcada pela supremacia do individualismo, em detrimento do altru\u00edsmo e do personalismo. O outro, o pr\u00f3ximo, o semelhante, o irm\u00e3o, o diferente, o necessitado s\u00e3o colocados em segundo lugar e at\u00e9 descartados. O individualismo globalizado se expressa na absolutiza\u00e7\u00e3o do ter, do &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-individualismo\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O Individualismo<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12564"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12564\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}