{"id":12592,"date":"2009-01-12T00:00:00","date_gmt":"2009-01-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/secularizacao\/"},"modified":"2009-01-12T00:00:00","modified_gmt":"2009-01-12T02:00:00","slug":"secularizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/secularizacao\/","title":{"rendered":"Seculariza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orlando Brandes<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Seculariza\u00e7\u00e3o significa viver sem Deus, sem religi\u00e3o, porque s\u00e9culo significa mundo. Seculariza\u00e7\u00e3o \u00e9 um estilo de vida, uma cultura, um jeito de viver, sem f\u00e9, sem Deus, sem a dimens\u00e3o espiritual da vida. Viver no mundo, no s\u00e9culo e sem transcend\u00eancia. A medida de tudo \u00e9 o pr\u00f3prio homem, a raz\u00e3o humana. A isso chamamos de antropocentrismo. A pol\u00edtica, a ci\u00eancia, a economia, expulsaram a religi\u00e3o. Deus, al\u00e9m de in\u00fatil, virou um estorvo para o homem secularizado. Ele n\u00e3o passa de uma proje\u00e7\u00e3o do homem fraco e doentio. A seculariza\u00e7\u00e3o \u00e9 a indiferen\u00e7a religiosa. Vive-se como se Deus n\u00e3o existisse. O homem inventou Deus e agora o ignora e descarta. O lugar de Deus \u00e9 o ex\u00edlio.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A seculariza\u00e7\u00e3o eclipsou a Deus, mas criou \u00eddolos vorazes que devoram tudo. A depreda\u00e7\u00e3o do meio ambiente \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia do ego\u00edsmo globalizado e sem \u00e9tica que provocou tamb\u00e9m a atual crise econ\u00f4mica e financeira. Nossa realidade est\u00e1 constru\u00edda sobre areia. A soberba da raz\u00e3o, a atrofia espiritual, o culto est\u00e9ril do individualismo, o vazio do cora\u00e7\u00e3o, o endeusamento do dinheiro, do sexo e do poder s\u00e3o rostos do \u201cimp\u00e9rio do mal\u201d e da queda da atual civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ronda por a\u00ed a cultura da morte sob o manto do terrorismo e da viol\u00eancia, e agora, da morte do ser humano eliminado no uso de c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias, que na pr\u00e1tica, leva \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o do aborto. N\u00e3o s\u00f3 se pratica o mal, mas tenta-se justific\u00e1-lo e transform\u00e1-lo em bem e em express\u00e3o de progresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Seculariza\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 um estilo de vida sem Deus que imp\u00f5e modelos e crit\u00e9rios consumistas, cujos resultados s\u00e3o: a droga, o fracasso familiar, a erotiza\u00e7\u00e3o da vida, a pr\u00e1tica generalizada da corrup\u00e7\u00e3o, a banaliza\u00e7\u00e3o da vida do feto e do idoso. A fome n\u00e3o foi exorcizada e aparecem novas pobrezas. Vivemos numa situa\u00e7\u00e3o de \u201ciniq\u00fcidade social\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pr\u00f3pria seculariza\u00e7\u00e3o faz surgir uma \u201cnova religiosidade selvagem\u201d, envolvida com interesses financeiros, exorcismos exploradores, atitudes extravagantes, guerras santas, como dizia Sto. Agostinho: \u201ca necessidade \u00e9 m\u00e3e de todas as coisas\u201d. Cresceram as religi\u00f5es, mas n\u00e3o cresceu o amor a Deus, ao pr\u00f3ximo e a transforma\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ap\u00f3stolo Paulo escreve que se vivemos sem Deus, vivemos sem esperan\u00e7a. Estamos no \u201cs\u00e9culo do medo\u201d, ref\u00e9ns da depress\u00e3o e do vazio existencial. Uma vida sem amor e sem sentido, \u00e9 uma pris\u00e3o. Esta realidade faz explodir a industria do divertimento, do armamento, dos desejos insaci\u00e1veis, das necessidades desnecess\u00e1rias, da l\u00f3gica da for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A seculariza\u00e7\u00e3o acaba deixando no ser humano a saudade de Deus, do amor do Pai, da miseric\u00f3rdia do Filho, do desejo e da fome da verdade e do bem. Render-se ao amor de Deus \u00e9 o caminho de uma nova cultura, marcada pela teologia da beleza, pela express\u00e3o da alegria e pela espiritualidade da esperan\u00e7a: \u201cConvertei-vos e vivereis\u201d. Voltar para Deus equivale a reconstruir a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d. Oxal\u00e1, a miseric\u00f3rdia divina, com sua benevol\u00eancia, paci\u00eancia e providencia, nos alcance um cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e para termos atitudes filiais com Deus e fraternas com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A seculariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o respeita um dado estrutural do pr\u00f3prio homem que \u00e9 a religiosidade, o desejo de Deus, a necessidade do sentido, da verdade e do absoluto. Na realidade o ser humano \u00e9 mais espiritual que material. \u00c9 um ser de esperan\u00e7a. Construir um mundo sem Deus, \u00e9 constru\u00ed-lo contra o homem. O mist\u00e9rio e a f\u00e9 s\u00e3o fundamentos para a exist\u00eancia. Ajudam a pensar e alargam o alcance da raz\u00e3o. Quando a dimens\u00e3o religiosa n\u00e3o \u00e9 resolvida ou foi desrespeitada, a fome de sentido da vida e as perguntas existenciais ficam sem resposta. No lugar da ora\u00e7\u00e3o, da medita\u00e7\u00e3o, da adora\u00e7\u00e3o aparece o vazio, farra, \u00e1lcool, drogas etc. O homem \u00e9 um ser religioso. Portanto, \u00e9 quest\u00e3o de justi\u00e7a o ensino religioso e a liberdade religiosa. A seculariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o constr\u00f3i o verdadeiro humanismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Orlando Brandes Seculariza\u00e7\u00e3o significa viver sem Deus, sem religi\u00e3o, porque s\u00e9culo significa mundo. Seculariza\u00e7\u00e3o \u00e9 um estilo de vida, uma cultura, um jeito de viver, sem f\u00e9, sem Deus, sem a dimens\u00e3o espiritual da vida. Viver no mundo, no s\u00e9culo e sem transcend\u00eancia. A medida de tudo \u00e9 o pr\u00f3prio homem, a raz\u00e3o humana. &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/secularizacao\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Seculariza\u00e7\u00e3o<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12592"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12592"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12592\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12592"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12592"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12592"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}