{"id":12594,"date":"2009-01-12T00:00:00","date_gmt":"2009-01-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-ditaduras-da-modernidade\/"},"modified":"2009-01-12T00:00:00","modified_gmt":"2009-01-12T02:00:00","slug":"as-ditaduras-da-modernidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-ditaduras-da-modernidade\/","title":{"rendered":"As ditaduras da modernidade"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orlando Brandes<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Acultura hodierna privilegia o individualismo que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que subjetividade. As tradi\u00e7\u00f5es, normas e institui\u00e7\u00f5es entram em crise. A dignidade da pessoa n\u00e3o se confunde com subjetivismo, muito menos com arbitrariedade. Nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a de sermos irm\u00e3os para n\u00e3o morrermos como loucos. Vejamos algumas das ditaduras da modernidade.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1.\u00a0\u00a0\u00a0 A ditadura do relativismo.\u00a0 A express\u00e3o \u00e9 de Bento XVI. A filosofia do relativismo, inverte valores, torna bem o que \u00e9 mal, cultua o ego, os gostos, os desejos, as satisfa\u00e7\u00f5es e o bem-estar individual. Nega os valores absolutos, a \u00e9tica, as certezas, os rumos, as seguran\u00e7as. H\u00e1 uma \u201csoberba filos\u00f3fica\u201d que leva cada um julgar-se absolutamente dono de suas decis\u00f5es, aceitando cada vez menos as orienta\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. Imp\u00f5e-se o clima de permissividade e sensualidade na l\u00f3gica do individualismo. N\u00e3o podemos sacrificar a verdade objetiva, nem as normas \u00e9ticas universais, para sermos escravos do relativismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2.\u00a0\u00a0\u00a0 A ditadura do esteticismo. Pessoas morrem por obedi\u00eancia ao esteticismo, ao culto do corpo esbelto, magro, bem ao gosto do figurino da moda consumista. Morre-se em cirurgias pl\u00e1sticas, lipoaspira\u00e7\u00e3o e jejum das pessoas escravizadas pelas regras e leis do \u201ctipo modelo\u201d. Como sofrem e at\u00e9 s\u00e3o exclu\u00eddas as pessoas que n\u00e3o correspondem \u00e0s medidas de um corpo atraente. Todos querem ser magros e malham o corpo sob o comando da escraviza\u00e7\u00e3o da moda. Morre-se por causa da ditadura da magreza. Cuidar do corpo \u00e9 um dever e a beleza \u00e9 reflexo de Deus, mas o esteticismo \u00e9 um engano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3.\u00a0\u00a0\u00a0 A ditadura da cultura homoer\u00f3tica. As pessoas homossexuais devem ser respeitadas. Os assassinatos de pessoas gays \u00e9 uma exarceba\u00e7\u00e3o do machismo, da discrimina\u00e7\u00e3o e do abuso do preconceito. Todavia, a Proposta de Lei contra a homofobia, assim como est\u00e1 hoje em discuss\u00e3o, \u00e9 um revanchismo exagerado. Que as pessoas com orienta\u00e7\u00e3o sexual homoerotica t\u00eam direito \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e ao contrato civil, \u00e9 uma coisa. Outra coisa, \u00e9 o despotismo vigente no projeto contra a homofobia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4.\u00a0\u00a0\u00a0 A ditadura filiarcal. O centro da fam\u00edlia moderna hoje s\u00e3o os filhos. Crescem endeusados, sem limites e com poucos valores. Tornam-se onipotentes e depois delinq\u00fcentes. Os pais passam a ser ref\u00e9ns de suas crian\u00e7as egoc\u00eantricas. Elas determinam o que comer, o que vestir, onde passear, o que comprar. S\u00e3o duplamente vitimas, do consumismo e filiarcalismo. O centro da fam\u00edlia \u00e9 o casal, n\u00e3o as crian\u00e7as. Elas precisam do referencial paterno e materno. Crian\u00e7a folgada, crescer\u00e1 descentrada, e dificilmente aceitar\u00e1 a disciplina, os limites e os valores objetivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5.\u00a0\u00a0\u00a0 A ditadura do consumismo. A ideologia do bem-estar leva \u00e0 busca da satisfa\u00e7\u00e3o imediata, do desejo de consumo, da cria\u00e7\u00e3o de necessidades desnecess\u00e1rias. A avidez do mercado descontrola o desejo das crian\u00e7as, jovens e adultos. Legitima-se que os desejos se tornem felicidade. Os pobres s\u00e3o perdedores, explorados, exclu\u00eddos, sup\u00e9rfluos e descart\u00e1veis. A desigualdade social \u00e9 uma iniq\u00fcidade que precisa ser superada. O consumismo nos trouxe a depreda\u00e7\u00e3o da natureza, a desigualdade cada vez maior entre ricos e pobres, a ru\u00edna dos valores, as doen\u00e7as t\u00edpicas da modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">6.\u00a0\u00a0\u00a0 A ditadura do individualismo. Eu quero, eu sei, eu decido, s\u00e3o express\u00f5es do individualismo, da autonomia quando n\u00e3o da arbitrariedade subjetivista. A cultura do individualismo confunde individualidade com subjetivismo. Para satisfazer os desejos dos indiv\u00edduos temos a cultura do ter, a civiliza\u00e7\u00e3o do consumo, a \u00e9tica do agrad\u00e1vel, o aumento do narcisismo que resumimos na palavra \u201chiperindividualismo\u201d. A ditadura do individualismo rompe com a \u00e9tica, com a fam\u00edlia, a religi\u00e3o, as institui\u00e7\u00f5es, as responsabilidades. Acontece ent\u00e3o a privatiza\u00e7\u00e3o da f\u00e9, a fragmenta\u00e7\u00e3o da vida, a relativiza\u00e7\u00e3o dos valores. O bem, a verdade, a liberdade e o amor nos convocam \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e0 fraternidade superando a eleva\u00e7\u00e3o do ego e seu endeusamento. Somos criaturas, precisamos dos outros, comunh\u00e3o \u00e9 nossa voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Orlando Brandes Acultura hodierna privilegia o individualismo que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que subjetividade. As tradi\u00e7\u00f5es, normas e institui\u00e7\u00f5es entram em crise. A dignidade da pessoa n\u00e3o se confunde com subjetivismo, muito menos com arbitrariedade. Nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a de sermos irm\u00e3os para n\u00e3o morrermos como loucos. 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