{"id":12598,"date":"2008-10-31T00:00:00","date_gmt":"2008-10-31T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-dia-dos-mortos\/"},"modified":"2008-10-31T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-31T02:00:00","slug":"o-dia-dos-mortos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-dia-dos-mortos\/","title":{"rendered":"O dia dos mortos"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orlando Brandes<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">O dia de finados, \u00e9 dia de reflex\u00e3o, de saudade e de esperan\u00e7a. A morte \u00e9 ainda assunto-tabu, recalcado, silenciado. Preferimos viver como se a morte n\u00e3o existisse. Mas, na sociedade atual a morte \u00e9 tamb\u00e9m trivializada com as guerras, calamidades, eutan\u00e1sia, aborto, acidentes com aux\u00edlio da m\u00eddia. H\u00e1 os que preferem fazer da morte uma experi\u00eancia soft, \u00e9 a \u201cmorte-soft\u201d, relegada aos hospitais, funer\u00e1rias e religi\u00f5es. A\u00ed a morte \u00e9 maquiada, relativizada pelas institui\u00e7\u00f5es, chamada tamb\u00e9m de \u201cmorte digna\u201d. Muitos de n\u00f3s vivemos uma \u201cvida inaut\u00eantica\u201d, uma exist\u00eancia falsa porque n\u00e3o nos permitimos refletir e aceitar a morte.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A dura realidade \u00e9 que a morte faz parte da vida, \u00e9 o fim do curso vital, \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida em sua evolu\u00e7\u00e3o. Morrer \u00e9 uma experi\u00eancia profundamente humana. Ali\u00e1s, \u00e9 a morte que confere um certo gosto e encanto \u00e0 vida, pois se tudo fosse indefinidamente repet\u00edvel, a vida se tornaria indiferente, insossa e at\u00e9 desesperadora. E ent\u00e3o, a morte \u00e9 um bem, uma manifesta\u00e7\u00e3o da sabedoria do Criador. \u201cNada mais horr\u00edvel que um eterno-retorno\u201d (Sto Agostinho). Vemos assim que a morte n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 vida, mas ao nascimento. A vida humana ser\u00e1 sempre uma \u201cvida mortal\u201d, s\u00f3 na eternidade teremos uma \u201cvida vital\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para os que cr\u00eaem na eternidade, a morte \u00e9 porta de entrada da vida, o acesso a uma realidade superior, a posse da plenitude. Assim a morte \u00e9 um ganho, verdadeira liberta\u00e7\u00e3o, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o que livra a vida do t\u00e9dio. Por\u00e9m, do ponto de vista racional ou filos\u00f3fico, a morte repugna. Budha escreveu: \u201cO homem comum pensa com indiferen\u00e7a na morte de um estranho, com tristeza na morte de um parente e com horror na pr\u00f3pria morte\u201d. Outro pensador, Epiteto, disse: \u201cQuando morre o filho ou a mulher do pr\u00f3ximo, todos dizem: \u00e9 a lei da humanidade. Mas, quando morre o pr\u00f3prio filho ou a pr\u00f3pria mulher, o que se ouve s\u00e3o gemidos, gritos e l\u00e1grimas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus trouxe uma revolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte, transformou o \u201cpoente em nascente\u201d, Cristo \u201cmatou a morte\u201d. Bem escreveu o poeta Turoldo: \u201cmorrer \u00e9 sentir quanto \u00e9 forte o abra\u00e7o de Deus\u201d. O fim transforma-se em come\u00e7o e acontece um segundo nascimento, a ressurrei\u00e7\u00e3o. \u201cEnt\u00e3o, descansaremos e veremos. Veremos e amaremos. Amaremos e louvaremos. Eis o que haver\u00e1 no Fim que n\u00e3o ter\u00e1 fim\u201d (Sto Agostinho). A f\u00e9 nos garante que a morte n\u00e3o \u00e9 uma aniquila\u00e7\u00e3o da vida, mas uma transforma\u00e7\u00e3o. O homem vive para al\u00e9m da morte. N\u00e3o precisa reencarnar. Creio na ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e no mundo que h\u00e1 de vir. A morte ser\u00e1 ent\u00e3o a maior festa da vida porque com ela d\u00e1-se o in\u00edcio da plena realiza\u00e7\u00e3o da pessoa humana. Habitaremos com Deus com um corpo incorrupt\u00edvel, espiritual e glorioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com Santa Terezinha, todo crist\u00e3o pode dizer: \u201cN\u00e3o morro, entro na vida\u201d.\u00a0 A morte n\u00e3o \u00e9 apenas um fim, ela \u00e9 tamb\u00e9m e principalmente um come\u00e7o. \u00c9 o in\u00edcio do dia sem ocaso, da eternidade, da plenitude da vida. A vida \u00e9 imortal espiritualmente falando. Na morte chegamos a ser plenamente \u201c Teu rosto Senhor \u00e9 nossa p\u00e1tria definitiva\u201d. No c\u00e9u veremos, amaremos, louvaremos, diz Santo Agostinho. A participa\u00e7\u00e3o na vida divina faz brotar em nossos cora\u00e7\u00f5es, assombro e gratid\u00e3o. Sem f\u00e9, por\u00e9m a morte \u00e9 absurdo, inimigo, derrota, amea\u00e7a, humilha\u00e7\u00e3o, trag\u00e9dia, vazio, nada. Na f\u00e9, a morte \u00e9 irm\u00e3, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para mais vida, \u00e9 coroamento e consuma\u00e7\u00e3o; \u00e9 revela\u00e7\u00e3o e gl\u00f3ria do bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, a morte tem um valor educativo: ensina o desapego da propriedade privada, iguala e nivela todas as classes sociais, relativiza a ambi\u00e7\u00e3o e gan\u00e2ncia, ensina a fraternidade universal na fragilidade da vida, convida \u00e0 procria\u00e7\u00e3o para eternizar a vida biol\u00f3gica, rompe o apego a circuito fechado entre as pessoas mesmo no matrim\u00f4nio, leva ao supremo conhecimento de si e oportuniza a decis\u00e3o m\u00e1xima e a op\u00e7\u00e3o fundamental da pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para morrer bem, \u00e9 preciso viver fazendo o bem: \u201clevaremos a vida que levamos\u201d.\u00a0 O bem \u00e9 o passaporte para a eternidade feliz e o irm\u00e3o que ajudamos ser\u00e1 o avalista de nossa gl\u00f3ria no c\u00e9u: \u201cVinde benditos\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Orlando Brandes O dia de finados, \u00e9 dia de reflex\u00e3o, de saudade e de esperan\u00e7a. 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