{"id":12621,"date":"2010-11-26T00:00:00","date_gmt":"2010-11-26T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-astronomo-cego\/"},"modified":"2010-11-26T00:00:00","modified_gmt":"2010-11-26T02:00:00","slug":"o-astronomo-cego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-astronomo-cego\/","title":{"rendered":"O astr\u00f4nomo cego"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">O meu amigo e eu vimos na sombra do templo um homem cego, sentado no ch\u00e3o e afastado de todos. O meu amigo apontou para ele e falou: &#8211; Aquele \u00e9 o homem mais s\u00e1bio da terra. Deixei o amigo e fui aproximar-me do cego saudando-o. Assim come\u00e7amos a falar. Ap\u00f3s algumas formalidades eu disse:<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Desculpe a minha indiscri\u00e7\u00e3o: h\u00e1 quanto tempo o senhor \u00e9 cego?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Desde quando nasci \u2013 respondeu.-<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; E qual \u00e9 o caminho da sabedoria que est\u00e1 percorrendo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele disse: &#8211; Sou astr\u00f4nomo.\u00a0 E levando a m\u00e3o ao peito disse: &#8211; Eu fico perscrutando estes s\u00f3is, estas luas, estas estrelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Emprestei esta hist\u00f3ria de Kahlil Gibran para introduzir o tempo lit\u00fargico do Advento, que se inicia, e comentar um pouco o evangelho deste primeiro domingo. O cego era \u201castr\u00f4nomo\u201d, evidentemente, n\u00e3o dos astros do firmamento, que n\u00e3o podia enxergar, mas daquelas gal\u00e1xias que, sem d\u00favida alguma, existem dentro de cada um de n\u00f3s. Para poder enxerg\u00e1-las, por\u00e9m, precisamos olhar-nos no profundo. Nesse caso os olhos n\u00e3o servem, nem bons e nem doentes. At\u00e9 um cego pode olhar dentro de si, porque conseguimos ver alguma coisa dentro de n\u00f3s somente se tivermos o desejo de refletir e\u00a0 vontade de entender. Trabalho nada f\u00e1cil, convenhamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vivemos numa sociedade onde as apar\u00eancias t\u00eam mais valor do que a realidade, onde ficamos cada vez mais fascinados pela exterioridade, e raramente temos tempo para interiorizar as nossas experi\u00eancias. Muitos de n\u00f3s vivem sempre atarefados; o fazer \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o da vida deles. Outros enchem a cabe\u00e7a de imagens e de sons, sabem tudo sobre o que passa na televis\u00e3o, da vida dos famosos, dos \u00faltimos sucessos da m\u00fasica, mas conhecem muito pouco sobre a vida deles. Por fim, existem aqueles que por alguma raz\u00e3o teriam tempo para refletir, mas n\u00e3o foram acostumados a pensar, acham cansativo e, afinal, in\u00fatil, porque n\u00e3o d\u00e1 dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dizer isso \u00e9 a mesma coisa que dizer que estamos vivendo superficialmente. N\u00e3o percebemos nada, ou quase, do que est\u00e1 acontecendo. O mesmo ocorreu no tempo de No\u00e9, diz Jesus, no evangelho deste domingo. \u201cTodos comiam e bebiam, casavam-se e se davam em casamento\u201d, trabalhavam no campo, mo\u00edam o trigo no moinho. Talvez achassem que tudo ia ficar sempre igual, repetitivo e mon\u00f3tono. Foram surpreendidos pelo dil\u00favio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus nos lembra a precariedade da vida n\u00e3o para nos amedrontar, mas para nos dizer a verdade e nos convidar a buscar um sentido mais profundo naquilo que fazemos e dizemos. Ficar atentos e vigilantes n\u00e3o significa ter medo, e sim prestar aten\u00e7\u00e3o ao que acontece; aprender a refletir, a ter esp\u00edrito cr\u00edtico, a questionar. O mais perigoso n\u00e3o \u00e9 ser roubados por um ladr\u00e3o que nos pegou desprevenidos. O pior \u00e9 ser surpreendidos pelos acontecimentos da vida e n\u00e3o saber o porqu\u00ea. Com isso, n\u00e3o quero dizer que teremos sempre a resposta para tudo. Continuaremos a ser limitados nas possibilidades e na compreens\u00e3o, mas, ao menos, poderemos escolher o rumo da nossa vida com responsabilidade. Estaremos conscientes da nossa miss\u00e3o na vida, na fam\u00edlia, na sociedade. A nossa vida ter\u00e1 um sentido. Talvez em lugar de deixar acontecer, faremos acontecer as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por exemplo, alguns devem ter deixado de participar da Igreja simplesmente por n\u00e3o saber mais o porqu\u00ea o estavam fazendo. O costume n\u00e3o satisfazia mais. Ao inv\u00e9s de buscar de novo o sentido, desistiram. Como se o n\u00e3o responder \u00e0s perguntas da vida fosse uma resposta. Com certeza ficou o vazio, porque as ocupa\u00e7\u00f5es ajudam o tempo a passar, mas n\u00e3o satisfazem o nosso cora\u00e7\u00e3o, que anseia sempre por algo de maior e mais bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Devemos procurar a luz onde ela est\u00e1. Encontr\u00e1-la-emos dentro de n\u00f3s aprendendo a ouvir a voz da nossa consci\u00eancia, a escutar o clamor dos pequenos, a reconhecer o mal tamb\u00e9m quando aparece atraente ou disfar\u00e7ado de bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O tempo antes do Natal \u00e9 um tempo precioso. Reaviva em n\u00f3s o desejo de algo e de Algu\u00e9m que esperamos, mesmo sem saber, porque \u00e9 a Luz da vida, \u00e9 a Palavra que explica e convence. Natal n\u00e3o pode ser somente luz de fora, pelas ruas e pelas pra\u00e7as, deve ser luz de dentro da nossa vida. L\u00e1 \u00e9 o lugar da verdadeira Luz que nunca se apaga. Se a deixarmos entrar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Jos\u00e9 Conti O meu amigo e eu vimos na sombra do templo um homem cego, sentado no ch\u00e3o e afastado de todos. O meu amigo apontou para ele e falou: &#8211; Aquele \u00e9 o homem mais s\u00e1bio da terra. Deixei o amigo e fui aproximar-me do cego saudando-o. Assim come\u00e7amos a falar. 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