{"id":12632,"date":"2010-11-30T00:00:00","date_gmt":"2010-11-30T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/humanizar-a-sexualidade\/"},"modified":"2010-11-30T00:00:00","modified_gmt":"2010-11-30T02:00:00","slug":"humanizar-a-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/humanizar-a-sexualidade\/","title":{"rendered":"Humanizar a sexualidade"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Filippo Santoro<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois da apresenta\u00e7\u00e3o de trechos do \u00faltimo livro do Papa Bento XVI \u201dLuz do Mundo. O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos. Uma conversa do Papa com Peter Seewald\u201d (Livraria Editora Vaticana), se levantaram muitos coment\u00e1rios na imprensa indicando uma mudan\u00e7a no ensinamento da Igreja sobre a moral sexual.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Papa neste livro, no final do XI cap\u00edtulo, reafirma a posi\u00e7\u00e3o da Igreja na perspectiva de n\u00e3o banalizar a sexualidade reduzindo tudo \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de preservativos sem a devida \u00eanfase numa s\u00e9ria campanha educativa. O Papa afirma: \u201cn\u00e3o se pode resolver o problema com a distribui\u00e7\u00e3o de preservativos. \u00c9 preciso fazer muito mais. Temos de estar pr\u00f3ximos das pessoas, orient\u00e1-las, ajud\u00e1-las; e isso quer antes, quer depois de uma doen\u00e7a. Efetivamente, acontece que, onde quer que algu\u00e9m queira obter preservativos, eles existem. S\u00f3 que isso, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve o assunto. Tem de se fazer mais\u201d. E acrescenta que tamb\u00e9m fora da vis\u00e3o da Igreja \u201dDesenvolveu-se, entretanto, precisamente no dom\u00ednio secular, a chamada teoria&#8230; que defende \u2018Abstin\u00eancia \u2013 Fidelidade \u2013 Preservativo\u2019, sendo que o preservativo s\u00f3 deve ser entendido como uma alternativa quando os outros dois n\u00e3o resultam. Ou seja, a mera fixa\u00e7\u00e3o no preservativo significa uma banaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade, e \u00e9 precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas j\u00e1 n\u00e3o encontram na sexualidade a express\u00e3o do seu amor, mas antes e apenas uma esp\u00e9cie de droga que administram a si pr\u00f3prias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O objetivo da entrevista do Papa \u00e9 superar uma vis\u00e3o puramente mec\u00e2nica da sexualidade e abrir a uma vis\u00e3o mais humana que comporta a doa\u00e7\u00e3o \u00e0 vida do outro e n\u00e3o apenas uma droga para uma satisfa\u00e7\u00e3o narcisista de si. Trata-se de ampliar a afetividade e n\u00e3o de frustr\u00e1-la ou reduzi-la. \u201d\u00c9 por isso que o combate contra a banaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade tamb\u00e9m faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver sobre o ser humano na sua totalidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim o Papa se coloca na perspectiva da valoriza\u00e7\u00e3o da sexualidade humana como express\u00e3o de amor, responsabilidade e dom de si e n\u00e3o como redu\u00e7\u00e3o do outro a objeto. Isso aprofunda e n\u00e3o reforma o ensinamento moral da Igreja. Quando a pr\u00e1tica sexual representa um efetivo risco para a vida do outro, e somente neste caso excepcional, o uso do preservativo, reduzindo o risco do contagio, \u00e9 um primeiro ato de responsabilidade, um primeiro passo para uma sexualidade mais humana..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cPode haver casos pontuais, justificados, como, por exemplo, a utiliza\u00e7\u00e3o do preservativo por um prostituto, em que a utiliza\u00e7\u00e3o do preservativo possa ser um primeiro passo&#8230;, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consci\u00eancia de que nem tudo \u00e9 permitido e que n\u00e3o se pode fazer tudo o que se quer. N\u00e3o \u00e9, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infec\u00e7\u00e3o por HIV. Essa tem, realmente, de residir na humaniza\u00e7\u00e3o da sexualidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o estamos diante de nenhuma revolu\u00e7\u00e3o na vis\u00e3o da moral crist\u00e3, mas sim diante de um aprofundamento do valor da sexualidade e do valor pleno da vida, que nasce do respeito da dignidade humana. O horizonte do Papa \u00e9 muito maior que a pura quest\u00e3o do preservativo. Como afirmou o jornalista Peter Seewald o Papa neste livro tem como perspectiva \u201co futuro do planeta\u201d. Durante a apresenta\u00e7\u00e3o do texto no Vaticano o jornalista afirma \u201cNosso livro evoca a sobreviv\u00eancia do planeta que est\u00e1 amea\u00e7ado; o Papa lan\u00e7a um apelo \u00e0 humanidade, nosso mundo est\u00e1 no transe do colapso e a metade dos jornalistas s\u00f3 se interessa pela quest\u00e3o do preservativo\u201d. A quest\u00e3o de fundo \u00e9: \u201ca sexualidade tem algo a ver com o amor? Trata-se da responsabilidade da sexualidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O centro da mensagem do Papa nesta entrevista \u00e9 uma proposta de esperan\u00e7a para a humanidade que tem um horizonte grande e quer oferecer uma luz para o presente e o destino das pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Filippo Santoro Depois da apresenta\u00e7\u00e3o de trechos do \u00faltimo livro do Papa Bento XVI \u201dLuz do Mundo. O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos. 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