{"id":12680,"date":"2010-12-17T00:00:00","date_gmt":"2010-12-17T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pe-edson-os-desafios-de-uma-utopia\/"},"modified":"2010-12-17T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-17T02:00:00","slug":"pe-edson-os-desafios-de-uma-utopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pe-edson-os-desafios-de-uma-utopia\/","title":{"rendered":"Pe. \u00c9dson, os desafios de uma utopia"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Redovino Rizzardo<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 um ano, na madrugada do dia 19 de dezembro de 2009, em Dourados, falecia o Pe. \u00c9dson Nogueira Lima, uma das figuras mais representativas dentre os primeiros padres que se formaram na Diocese de Dourados e no Estado do Mato Grosso do Sul. Apesar de aparentar uma idade mais avan\u00e7ada devido \u00e0s doen\u00e7as que o molestavam h\u00e1 v\u00e1rios anos, a morte o alcan\u00e7ou muito cedo, quando completava 45 anos, seis meses e 18 dias.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nasceu no dia 1\u00ba de junho de 1964. Aos 27 anos, no dia 26 de dezembro de 1991, tornou-se o primeiro seminarista diocesano a receber a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal de Dom Alberto F\u00f6rst, com quem se sentiu sempre muito pr\u00f3ximo. Por coincid\u00eancia, foi tamb\u00e9m o primeiro sacerdote do clero de Dourados a falecer. Atuou em v\u00e1rias par\u00f3quias, mas onde seu trabalho pastoral mais se destacou foi na coordena\u00e7\u00e3o diocesana de pastoral. Nos dez anos em que levou adiante esse servi\u00e7o, conseguiu imprimir na Igreja de Dourados e do Mato Grosso do Sul a dimens\u00e3o social que sempre o caracterizou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse foi o aspecto que mais impressionou seus amigos e admiradores, como demonstra o convite preparado pelo Comit\u00ea de Defesa Popular de Dourados para a missa de 7\u00ba dia: \u00abMais que um benem\u00e9rito sacerdote, ele foi um grande companheiro e l\u00edder dos movimentos populares organizados em Dourados. Nessa cidade, \u00c9dson, como era conhecido por todos, ajudou a articular v\u00e1rios \u201cGritos dos Exclu\u00eddos\u201d. Era um incans\u00e1vel defensor dos pobres e dos direitos humanos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De minha parte, eu n\u00e3o separaria dimens\u00f5es que se complementam mutuamente. Se o \u00c9dson conseguiu influenciar segmentos consider\u00e1veis da sociedade douradense, era porque se serviu de sua condi\u00e7\u00e3o de sacerdote para congregar ao seu redor homens de boa vontade que acreditavam que \u201cum outro mundo era poss\u00edvel\u201d. Mas, em parte, o Comit\u00ea tinha raz\u00e3o: diante da corrup\u00e7\u00e3o generalizada que dominava a sociedade brasileira, o Pe. \u00c9dson pensou que o caminho mais curto seria optar por uma agremia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, tornando-se o conselheiro de todas as horas, a quem recorriam, nos momentos de aperto, in\u00fameras autoridades da cidade e do Estado. Talvez tenha sido por isso que algu\u00e9m, no dia de seu funeral, se sentiu no dever de colocar sobre o seu peito, no ata\u00fade em que jazia, o distintivo desse partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Evidentemente, essa sua defini\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica \u2013 que, para ele, significava uma op\u00e7\u00e3o pelos exclu\u00eddos e marginalizados \u2013 lhe trouxe in\u00fameras incompreens\u00f5es e amarguras, tanto dentro da Igreja como na sociedade. Custava-se aceitar o que considerava um retrocesso na caminhada eclesial, depois dos avan\u00e7os fomentados pela teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Parecia-lhe que, ultimamente, a Igreja corria o risco de se voltar mais para si mesma do que para o mundo, mais para a fidelidade \u00e0s normas lit\u00fargicas do que para os graves problemas da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, a sua maior decep\u00e7\u00e3o aconteceu precisamente no campo de a\u00e7\u00e3o que mais valorizava: a pol\u00edtica. Seu ideal de vida foi sempre unir f\u00e9 e pol\u00edtica. Se verdadeira, a f\u00e9 deve renovar a pol\u00edtica. Em sua ingenuidade \u2013 que seus formadores lhe apontavam desde os anos de semin\u00e1rio \u2013, ele acreditava que o Brasil seria diferente se o seu partido tomasse o poder. Mas, ante a corrup\u00e7\u00e3o generalizada que percebia nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, n\u00e3o conseguia esconder a frustra\u00e7\u00e3o que o abatia, apesar de manter sempre aceso um paviozinho de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por natureza, o Pe. \u00c9dson era aberto e paciente, ecum\u00eanico e tolerante, um jeito de ser que o levava a uma grande facilidade de relacionamento com todo tipo de pessoas, inclusive com empres\u00e1rios e fazendeiros. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, carregava em sua carne as tens\u00f5es e divis\u00f5es que detectava nas pessoas que o cercavam. Nesse sentido, n\u00e3o se pode afirmar que o seu fim prematuro tenha acontecido por vontade expl\u00edcita de Deus. O que aconteceu foi uma \u201cmorte anunciada\u201d, provocada pela fraqueza que atinge a todos os seres humanos. Contudo, os conflitos e as perip\u00e9cias da utopia que sustentou o Pe. \u00c9dson \u2013 bem como as v\u00e1rias doen\u00e7as que o acometeram nos \u00faltimos anos \u2013, o ajudaram a entender que a sociedade justa e solid\u00e1ria que buscava, come\u00e7a pela convers\u00e3o individual, j\u00e1 que a hist\u00f3ria da humanidade n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o reflexo do que acontece no interior de cada pessoa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Redovino Rizzardo H\u00e1 um ano, na madrugada do dia 19 de dezembro de 2009, em Dourados, falecia o Pe. \u00c9dson Nogueira Lima, uma das figuras mais representativas dentre os primeiros padres que se formaram na Diocese de Dourados e no Estado do Mato Grosso do Sul. 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