{"id":12696,"date":"2010-12-24T00:00:00","date_gmt":"2010-12-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/natal-jesus-no-meio-de-nos\/"},"modified":"2010-12-24T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-24T02:00:00","slug":"natal-jesus-no-meio-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/natal-jesus-no-meio-de-nos\/","title":{"rendered":"Natal, Jesus no meio de n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: right\"><strong><em>Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist.<br \/>Arcebispo de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro<br \/><\/em><\/strong><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cE o Verbo se fez carne e habitou entre n\u00f3s e n\u00f3s vimos a sua gl\u00f3ria\u201d (Jo 1,14). Estas palavras, tiradas do Pr\u00f3logo de S\u00e3o Jo\u00e3o, resumem de modo estupendo o que chamamos de Encarna\u00e7\u00e3o: o fato de o Filho eterno do Pai, Deus vindo de Deus, Luz vinda da Luz, ter-se feito homem e vivido nossa vida humana. Trata-se do mist\u00e9rio celebrado pela Igreja de modo especial no santo Natal.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s cremos que o Filho eterno \u00e9 Deus e existe eternamente (cf. Jo 1,1s; 17,5), pleno, infinito, feliz. E, por nosso amor, para nos elevar \u00e0 comunh\u00e3o com o Pai no Esp\u00edrito Santo, gratuitamente, assumiu a nossa condi\u00e7\u00e3o humana!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com palavras comoventes, S\u00e3o Pedro Cris\u00f3logo, Bispo de Ravena, no s\u00e9culo IV, ensina: \u201cTalvez dir\u00e1s: \u2018Que necessidade para um Deus de nascer? Sua pot\u00eancia criadora n\u00e3o lhe basta? \u2019 Que necessidade? Eis: nascendo, Deus devia refazer aquela natureza que Ele tinha modelado por sua a\u00e7\u00e3o criadora. De fato, aquela natureza que tinha sido criada para gerar para a vida, gerava para a morte. O pecado do primeiro homem, tendo mortalmente ferido a natureza, esta, em vez de ser princ\u00edpio de vida tornou-se origem de morte. Foi ent\u00e3o o grande motivo do nascimento que levou o Cristo a nascer, a fim de que o nascimento do Criador procurasse a cura da natureza e aquela cura desse a vida aos filhos de Ad\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mas, concretamente, que podemos dizer de Jesus de Nazar\u00e9, o Filho eterno, feito realmente homem no seio de Maria Virgem? Eis o que diz a verdadeira f\u00e9: Jesus \u00e9 a segunda Pessoa da Trindade Santa. No entanto, sem deixar sua natureza divina, assumiu a nossa natureza humana, limitada, sujeita ao crescimento, ao envelhecimento, \u00e0 morte. \u201cSua natureza divina aparece eclipsada, escondida nos evangelhos, pois Nosso Senhor, tendo a forma de Deus, assumiu a forma de Servo\u201d (Fl 2,5s), fazendo-se realmente homem. \u00c9 um mist\u00e9rio profundo e belo: o Filho eterno do Pai viveu em tudo a nossa condi\u00e7\u00e3o humana, menos o pecado! Na sua natureza divina, jamais deixou o Pai; na sua natureza humana, viveu em tudo nossa condi\u00e7\u00e3o; na sua natureza divina \u00e9 infinito, na sua natureza humana foi reclinado na manjedoura e no sepulcro. <\/p>\n<p>A antiga liturgia das G\u00e1lias dizia assim: \u201cAquele que deu forma a todas as coisas recebe a forma de escravo; Aquele que era Deus \u00e9 gerado na carne; eis que Ele \u00e9 envolvido em panos, Aquele que era adorado no firmamento; e eis que repousa numa manjedoura Aquele que reinava no c\u00e9u\u201d. E uma outra ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Igreja antiga exclamava: \u201cEle estava deitado, envolvido em panos e brilhava entre as estrelas; em sua carne, ele estava envolvido em panos, em sua divindade ele era servido pelos Anjos; ele repousava numa manjedoura, mas seu poder agia nos c\u00e9us\u201d. E a pr\u00f3pria liturgia nossa, latina, canta no dia do Natal: \u201cO Criador do mundo um corpo vil tomou; a carne salva a carne: n\u00e3o perca os que criou! Pres\u00e9pio n\u00e3o despreza \u2013 que palhas t\u00e3o suaves! De leite quis nutrir-se o que alimenta as aves!\u201d<br \/>Nenhum de n\u00f3s caminha sozinho, j\u00e1 que tudo quanto \u00e9 realmente humano foi assumido por Jesus, foi tocado pelo Filho de Deus feito homem! Que mist\u00e9rio t\u00e3o profundo! O tempo foi tocado pela eternidade, a hist\u00f3ria foi visitada pela gl\u00f3ria, o homem foi assumido por Deus!<\/p>\n<p>Nos passos, no semblante, nos gestos e nas op\u00e7\u00f5es de Jesus de Nazar\u00e9 n\u00f3s podemos descobrir o que Deus quer de n\u00f3s; podemos aprender o que Deus sonhou para a humanidade; podemos contemplar o que \u00e9 ser realmente humano segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus! Jesus \u00e9 o que todos os seres humanos devem ser: totalmente abertos para o Pai, totalmente em paz consigo mesmos, com os outros, com a cria\u00e7\u00e3o toda, totalmente livres, a ponto de dar a vida por amor! Isso mesmo: o Filho fez-se homem para que pud\u00e9ssemos aprender o que significa realmente ser humano! Somos humanos de verdade na medida em que nos parecemos com Jesus de Nazar\u00e9! Tudo isso s\u00e3o aspectos do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o; tudo isso \u00e9 gra\u00e7a do santo Natal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist.Arcebispo de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro \u201cE o Verbo se fez carne e habitou entre n\u00f3s e n\u00f3s vimos a sua gl\u00f3ria\u201d (Jo 1,14). 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