{"id":12713,"date":"2010-12-31T00:00:00","date_gmt":"2010-12-31T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/so-o-tempo-entende\/"},"modified":"2010-12-31T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-31T02:00:00","slug":"so-o-tempo-entende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/so-o-tempo-entende\/","title":{"rendered":"S\u00f3 o tempo entende"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: right\"><strong><em>Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/em><\/strong><br \/><strong><em>Bispo de Macap\u00e1 &#8211; AP<\/em><\/strong><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"> Era uma vez uma linda ilha, onde moravam muitos sentimentos. Um dia avisaram a todos os moradores dessa ilha que ia haver uma enchente e a ilha seria inundada. O Amor, preocupado, cuidou para que todos os sentimentos se salvassem. Ele gritava:<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Fujam todos! A ilha ser\u00e1 inundada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos correram e pegaram os seus barquinhos para irem a um morro mais alto. S\u00f3 o Amor n\u00e3o se apressou, queria ficar mais um pouco em sua ilha. Quando j\u00e1 estava quase se afogando, correu para pedir ajuda. Estava passando a Riqueza, e o Amor disse:<br \/> &#8211; Riqueza, leve-me com voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ela respondeu: &#8211; N\u00e3o posso, meu barco est\u00e1 cheio de ouro e prata e voc\u00ea n\u00e3o vai caber. Passou ent\u00e3o a Vaidade, e o Amor pediu:<br \/> &#8211; Oh, Vaidade, me leve com voc\u00ea!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Vaidade respondeu:<br \/> \u2013 N\u00e3o posso, voc\u00ea vai sujar o meu barco! -. Logo atr\u00e1s vinha a Tristeza.<br \/> \u2013 Tristeza, posso ir com voc\u00ea? <br \/> &#8211; Ah!&#8230;Amor, estou t\u00e3o triste que prefiro ir sozinha. Passou tamb\u00e9m a Alegria, mas estava t\u00e3o alegre que nem ouviu o Amor chamar por ela. J\u00e1 desesperado, achando que ia ficar s\u00f3, o Amor come\u00e7ou a chorar. Passou ent\u00e3o um barquinho, onde estava um velhinho que gritou:<br \/> &#8211; Sobe, Amor, que eu te levo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Amor ficou t\u00e3o radiante de felicidade, que at\u00e9 se esqueceu de perguntar o nome do velhinho. Chegando ao morro onde estavam os sentimentos, o Amor perguntou \u00e0 Sabedoria:<br \/>&#8211; Quem era o velhinho que me trouxe? <br \/> &#8211; O Tempo \u2013 respondeu a Sabedoria.<br \/> \u2013 O Tempo?! \u2013 continuou o Amor \u2013 Mas por que s\u00f3 o Tempo me trouxe aqui? <br \/>\u2013 A Sabedoria finalizou: &#8211; Porque s\u00f3 o Tempo \u00e9 capaz de ajudar a entender um grande Amor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A moral da historinha \u00e9 muito simples. Se \u00e9 verdade que o tempo cura todas as feridas, porque nos faz esquecer coisas e pessoas, ou, ao menos, as afasta cada vez mais de n\u00f3s, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que o tempo valoriza o amor. Amor passageiro \u00e9 amor fraco. Talvez at\u00e9 de mentira, de fazer de conta. Veio, mas foi embora logo. Nada ou quase ficou. O amor verdadeiro desafia o tempo, n\u00e3o enfraquece, n\u00e3o desiste, n\u00e3o decepciona. Com certeza muda com o passar do tempo, mas nunca deixa de ser o que \u00e9: um grande amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chegando ao final do ano, todos olhamos um pouco para tr\u00e1s. O tempo passou para todos e com a mesma rapidez. Para alguns, muito atarefados, voou; para outros, menos afobados, demorou a passar. Para os cansados da rotina, foi insuport\u00e1vel; para os curiosos, sempre atr\u00e1s de novidade, n\u00e3o foi suficiente. Para todos reservou surpresas: horas alegres e horas tristes; horas de t\u00e9dio e horas de ansiedade; horas de \u00e2nimo e horas de des\u00e2nimo. Para todos foi um desafio: continuar a amar e a fazer o bem. Com certeza fomos tentados a desistir de amar, de ajudar os outros, de dar aten\u00e7\u00e3o a quem depois, talvez, falar\u00e1 mal de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso um grande amor somente ser\u00e1 reconhecido pelo tempo. Porque \u00e9 ao longo do tempo que sobrev\u00eam as tempestades da vida. A casa constru\u00edda sobre a areia cai, mas a casa constru\u00edda sobre a pedra resiste a ventos e procelas. Tamb\u00e9m os acontecimentos do ano velho, alegres ou tristes, j\u00e1 passaram e n\u00e3o voltam mais. O amor de circunst\u00e2ncia ou de oportunidade se dissolveu. O amor verdadeiro n\u00e3o: sofreu, apanhou, chorou, mas n\u00e3o desistiu de amar aqueles com quem se comprometeu. Assim, no final do ano velho, cada um de n\u00f3s pode fazer o balan\u00e7o de quanto procurou amar, de quanto perdeu a chance de amar e de quanto amor, talvez, desprezou. Se tiver \u201csobras\u201d de amor, fique feliz: valeu!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Come\u00e7ando o ano novo, temos uma nova oportunidade de tempo de vida. Como ser\u00e1? Saberemos us\u00e1-lo para amar e ser amados mais? Nestes dias, penso sobretudo nas nossas fam\u00edlias. Quantas iniciaram e j\u00e1 acabaram ao longo do ano que passou. Outras deixaram para depois e ter\u00e3o que decidir se mudar para continuar a acreditar no amor ou se, de vez, jogar\u00e3o tudo fora. Penso tamb\u00e9m em tantas pessoas doentes, acamadas ou no fundo de uma rede, dependendo das m\u00e3os e dos cuidados dos outros. Elas, \u00e0s vezes, d\u00e3o muito trabalho, mas nos amam tamb\u00e9m porque, sem dizer nada, lembram-nos a fragilidade e as limita\u00e7\u00f5es da nossa vida. A paci\u00eancia delas \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o viva, que joga \u00e1gua fria sobre o fogo do orgulho e das ilus\u00f5es de quem se acha imortal e poderoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No in\u00edcio do novo ano, fa\u00e7amos planos, mas que sejam projetos de amor. N\u00e3o simplesmente de ego\u00edsmo, de autoafirma\u00e7\u00e3o e de sucesso pessoal. O tempo da vida nos \u00e9 dado para construir e semear o amor. Todo tempo \u00e9 bom e serve para isso. Minutos, horas, dias e anos&#8230; Se s\u00f3 o tempo revela um grande amor, \u00e9 verdade tamb\u00e9m que um verdadeiro amor desafia o tempo, nunca morre, porque \u00e9 dom de Deus, \u00e9 um pouco dEle mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Jos\u00e9 ContiBispo de Macap\u00e1 &#8211; AP Era uma vez uma linda ilha, onde moravam muitos sentimentos. Um dia avisaram a todos os moradores dessa ilha que ia haver uma enchente e a ilha seria inundada. 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