{"id":12734,"date":"2011-01-07T00:00:00","date_gmt":"2011-01-07T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-vinde-enfim-eterno-deus-1\/"},"modified":"2011-01-07T00:00:00","modified_gmt":"2011-01-07T02:00:00","slug":"o-vinde-enfim-eterno-deus-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-vinde-enfim-eterno-deus-1\/","title":{"rendered":"\u00d3 vinde, enfim, eterno Deus!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 10pt\"><strong><em>Cardeal Dom Odilo P. Scherer<br \/>Arcebispo de S\u00e3o Paulo<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por estes dias, a Igreja faz a novena lit\u00fargica do Natal, preparando a celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor. A novena \u00e9 muito bonita e precisa ser mais valorizada na liturgia, com a participa\u00e7\u00e3o do povo; cada dia \u00e9 marcado por uma ant\u00edfona, iniciando com a exclama\u00e7\u00e3o \u201coh\u201d, que expressa a admira\u00e7\u00e3o diante daquilo que Deus fez e faz, como tamb\u00e9m o desejo de conhecer mais a obra de Deus e de ser por ela agraciados.<br \/>Essas ant\u00edfonas aparecem na introdu\u00e7\u00e3o ao Evangelho de cada dia e nos revelam um lado meio esquecido da nossa f\u00e9 e religiosidade: o espanto sagrado, a maravilha diante da grandeza, profundidade, largueza e beleza do mist\u00e9rio de Deus, que nos envolve, bem como as atitudes espont\u00e2neas, que da\u00ed decorrem: louvor, adora\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o sem palavras, desejo de entrar mais fundo no \u201cMist\u00e9rio Santo\u201d, de se deixar tocar e envolver por ele.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez, na tentativa de explicar e compreender, queremos enquadrar nos limites estreitos da nossa racionalidade a Realidade primeira, que n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 raz\u00e3o, mas excede tudo o que, racionalmente, possamos dizer dela. Quando a preocupa\u00e7\u00e3o, diante do fato religioso, \u00e9 unilateralmente racional, acaba-se caindo na aridez e na atrofia religiosa, na ang\u00fastia pessimista e asfixiante, ou no moralismo, que reduz a resultados pr\u00e1ticos e verific\u00e1veis a rea\u00e7\u00e3o diante do Mist\u00e9rio insond\u00e1vel; ou ent\u00e3o, vem a tenta\u00e7\u00e3o da magia, a vontade de dominar e de se apossar do Mist\u00e9rio, para coloc\u00e1-lo debaixo do nosso controle e manipular seu uso em fun\u00e7\u00e3o de nossas decis\u00f5es ou desejos. A magia, nas suas variadas express\u00f5es, \u00e9 uma forma bastante primitiva de religiosidade que, no entanto, tamb\u00e9m est\u00e1 presente amplamente hoje, nas camadas intelectualizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Advento nos coloca diante do Mist\u00e9rio do Deus que vem e manifesta, de maneira surpreendente seu des\u00edgnio de amor e miseric\u00f3rdia para com a humanidade; quem poderia imaginar que Deus, em vez de enviar um anjo de fogo, para combater o mal e fulminar tudo o que se op\u00f5e a seus des\u00edgnios, enviaria ao mundo seu Filho, nascido pequena crian\u00e7a? Que o Filho de Deus quisesse experimentar em tudo a nossa fr\u00e1gil e prec\u00e1ria condi\u00e7\u00e3o humana? Que o desejo de salva\u00e7\u00e3o t\u00e3o presente no cora\u00e7\u00e3o humano e manifestado em todas as religi\u00f5es e culturas dos povos tivesse uma tal resposta de Deus?! Que os sinais da salva\u00e7\u00e3o anunciados pelos profetas e experimentados nas contradi\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria do Povo de Deus, tivessem uma realiza\u00e7\u00e3o t\u00e3o surpreendente?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maravilhas, sim! O Senhor fez conosco maravilhas, santo \u00e9 seu nome! Por isso, exclamamos, com a Liturgia: \u201c\u00d3 sabedoria do Alt\u00edssimo, que tudo determina com do\u00e7ura e com vigor; oh, vem nos ensinar o caminho da prud\u00eancia!\u201d (dia 17.12); Oh, guia de Israel, que no Sinai orientastes a Mois\u00e9s, oh, vinde redimir-nos com bra\u00e7o estendido!\u201d (dia 18.12). \u00b4\u201dOh, Emanuel, sois nosso rei e orientador, vinde salvar-nos, oh Senhor, nosso Deus!\u201d (21.12). \u201cOh, rei e Senhor das na\u00e7\u00f5es e pedra angular da Igreja, vinde salvar o homem e a mulher, que um dia formastes do barro!\u201d (dia 23.12). E a Liturgia est\u00e1 cheia de outras exclama\u00e7\u00f5es de maravilha e louvor, de dor, desejo e gratid\u00e3o. Como deveria estar cheia a vida de quem cr\u00ea profundamente em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O papa Bento XVI j\u00e1 repetiu em diversas ocasi\u00f5es que a nossa experi\u00eancia religiosa crist\u00e3 n\u00e3o decorre de um grande ideal \u00e9tico, por belo e elevado que seja, nem de conclus\u00f5es racionalmente bem elaboradas, mas do encontro com uma pessoa real, um Tu que nos surpreende, arrebata, fascina, envolve. Esta pessoa \u00e9 Deus, Mist\u00e9rio grande e insond\u00e1vel e, ao mesmo tempo, um Tu pessoal, que se volta para n\u00f3s e nos conhece pelo nome; e \u00e9 Jesus Cristo, \u201crosto humano de Deus e rosto divino do homem\u201d, que tornou pr\u00f3ximo e humano o Mist\u00e9rio Alt\u00edssimo; t\u00e3o humano e t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s, que s\u00f3 as crian\u00e7as e os que se parecem com elas s\u00e3o capazes de acolh\u00ea-lo e de se maravilhar, os olhos arregalados e o cora\u00e7\u00e3o transbordante de alegria: \u201choje vimos coisas maravilhosas!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nossa f\u00e9 crist\u00e3 cat\u00f3lica \u00e9, certamente, traduzida em doutrina e preceitos morais, que expressam de forma coerente e harm\u00f4nica a compreens\u00e3o que temos e as atitudes que conv\u00e9m diante do Sublime, que nos envolve. Mas tamb\u00e9m \u00e9 rito, m\u00edstica, poesia; \u00e9 m\u00fasica, arte, encantamento; \u00e9 adora\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o, louvor e busca de captar e traduzir o belo e amoroso daquilo que cremos e esperamos. \u00c9 dor e arrependimento, \u00e9 conforto e esperan\u00e7a. \u00c9 experi\u00eancia pessoal do amor de Deus, \u00e9 emo\u00e7\u00e3o e alegria. \u00c9 cultura e rito social, que expandem esta experi\u00eancia interior e pessoal para os modos de viver e conviver, em express\u00f5es simb\u00f3licas como as que s\u00e3o abundantes neste tempo de Advento e Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00d3 sublime Mist\u00e9rio! O res mirabilis! \u201cNa verdade, \u00e9 justo e necess\u00e1rio, \u00e9 nosso dever e salva\u00e7\u00e3o dar-vos gra\u00e7as sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso!\u201d (Pref\u00e1cio do Natal 2). Na noite do Natal, a Igreja reza, agradecida: \u201choje o c\u00e9u e a terra trocam seus dons\u201d: a terra entrega ao c\u00e9u o que tem de mais importante, nossa pobre humanidade, assumida pelo Filho de Deus; e o c\u00e9u entrega \u00e0 terra o que tem de mais precioso: o pr\u00f3prio Filho \u00fanico do Pai eterno. \u201cDai-nos participar da divindade daquele que uniu a si a nossa humanidade!\u201d (Ora\u00e7\u00e3o sobre as oferendas). Cessem as palavras. Comece a contempla\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Dom Odilo P. SchererArcebispo de S\u00e3o Paulo Por estes dias, a Igreja faz a novena lit\u00fargica do Natal, preparando a celebra\u00e7\u00e3o do Natal do Senhor. 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