{"id":12745,"date":"2011-01-12T00:00:00","date_gmt":"2011-01-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/diversidade-sexual\/"},"modified":"2011-01-12T00:00:00","modified_gmt":"2011-01-12T02:00:00","slug":"diversidade-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/diversidade-sexual\/","title":{"rendered":"Diversidade sexual"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 10pt\"><strong><em>Dom Eduardo Benes<br \/>Arcebispo de Sorocaba (SP)<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Come\u00e7o a presente reflex\u00e3o com duas cita\u00e7\u00f5es. A primeira: \u201cquem nunca meteu a m\u00e3o em alguma namorada\u201d, foi mais ou menos esta a declara\u00e7\u00e3o de Bruno, ent\u00e3o goleiro do Flamengo, para defender seu colega Adriano, acusado na ocasi\u00e3o de viol\u00eancia contra sua namorada. A segunda: \u201cquem n\u00e3o teve uma namoradinha que teve que abortar\u201d, esta do governador do Rio, S\u00e9rgio Cabral, governador do Rio.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Passo agora \u00e0 considera\u00e7\u00e3o sobre algumas afirma\u00e7\u00f5es do Dr. Dr\u00e1uzio Varela em artigo, publicado na Imprensa local sobre \u201cViol\u00eancia contra homossexuais\u201d. A tese de fundo \u00e9 que a frequ\u00eancia dos fatos constitui o costume e o costume institui o direito. Assim: \u201cN\u00e3o h\u00e1 descri\u00e7\u00e3o de civiliza\u00e7\u00e3o alguma que n\u00e3o fa\u00e7a refer\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constata\u00e7\u00e3o, ainda hoje esse tipo de comportamento \u00e9 chamado de antinatural\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Imagine leitor (a), a amplia\u00e7\u00e3o desse argumento aplicado \u00e0 pedofilia e aos outros crimes em geral. Logo a seguir o Dr. Dr\u00e1uzio coloca em cheque o conceito de lei natural: \u201cos que assim julgam partem do princ\u00edpio de que a natureza (ou Deus) criou \u00f3rg\u00e3os sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que n\u00e3o envolva p\u00eanis e vagina vai contra ela (ou Ele)\u201d. Logo depois amplia seu racioc\u00ednio voltando ao princ\u00edpio de que os costumes se justificam por si mesmos, colocando no mesmo patamar de dignidade o beijo er\u00f3tico e o sexo anal entre heterossexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 claro que o sentido maior da exist\u00eancia de haver macho e f\u00eamea nas esp\u00e9cies animais, com p\u00eanis e vagina, \u00e9 a procria\u00e7\u00e3o. Criado que fui na \u201cro\u00e7a\u201d, pude observar que o \u201ccostume\u201d dos irracionais &#8211; porco, gado, equinos, caprinos e outros, &#8211; \u00e9 de s\u00f3 \u201cfazerem sexo\u201d quando a f\u00eamea entra em cio, que \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica ligada \u00e0 matura\u00e7\u00e3o do \u00f3vulo na f\u00eamea. Nunca vi um par de irracionais do mesmo sexo, machos ou f\u00eameas, em real coito e, muito menos em uni\u00e3o est\u00e1vel. Um casal de humanos, que tenha vivido uma vida sexual digna, em sincero amor, se gerou filhos, haver\u00e1 de dizer que o melhor que o sexo lhes ofereceu foi a gra\u00e7a dos filhos e de uma amizade consolidada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este, &#8211; o aprofundamento do amor e a consolida\u00e7\u00e3o da amizade -, constitui tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o fundamental da viv\u00eancia matrimonial de modo a justificar a vida sexual tamb\u00e9m de pessoas eventualmente est\u00e9reis. N\u00e3o deixar\u00e1, entretanto, de ser fecundo o amor de um casal nessas condi\u00e7\u00f5es, porque os dois poder\u00e3o adotar filhos ou se empenhar no servi\u00e7o \u00e0 comunidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 necess\u00e1rio ainda afirmar que, mesmo na vida matrimonial, a viv\u00eancia sexual deve respeitar o sentido da sexualidade humana, no que deve ser levada tamb\u00e9m em conta a anatomia do sexo. O amor e o respeito devem estar presentes nesse que constitui o mais envolvente dos abra\u00e7os entre um homem e uma mulher. Se a busca do prazer, mesmo pactuado, for a raz\u00e3o primeira da rela\u00e7\u00e3o, ou seja, se a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o for presidida por uma amor sincero, haver\u00e1 nela um vazio de dignidade que progressivamente levar\u00e1 ao esvaziamento a uni\u00e3o do casal. N\u00e3o \u00e9 por acaso que se multiplicam os div\u00f3rcios nessa cultura hedonista, onde os costumes, mesmo os maus costumes, se tornam direitos. O argumento de que se constatou, em \u201cmuitas\u201d esp\u00e9cies animais, pr\u00e1ticas homossexuais \u00e9 in\u00fatil, pois carece de maior esclarecimento. As exce\u00e7\u00f5es, sobretudo as do mundo dos bichos, n\u00e3o podem servir para justificar as pr\u00e1ticas humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A fidelidade dos casais de cisnes, embora n\u00e3o constitua argumento a favor da indissolubilidade do matrim\u00f4nio, \u00e9 um belo s\u00edmbolo do significado do amor que une um casal. Por fim, o Dr. Dr\u00e1uzio deixa escapar, em seu artigo, uma pitada de bom senso, ao afirmar: \u201cN\u00e3o sejamos rid\u00edculos, quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida j\u00e1 \u00e9 dura para os heterossexuais, imagine para os outros.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O adjetivo \u201cdominante\u201d \u00e9 desnecess\u00e1rio, por insinuar que a quest\u00e3o \u00e9 meramente cultural. Estou de acordo que a homossexualidade \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o sobre a qual a pessoa quase sempre n\u00e3o tem responsabilidade Outra coisa, entretanto, \u00e9 o homossexualismo. Este se refere ao comportamento sexual vivido. A moral crist\u00e3 prop\u00f5e como forma humanizante de lidar com a sexualidade a virtude da castidade pela qual o sexo se inscreve no horizonte do amor. Nesse sentido seria discrimina\u00e7\u00e3o considerar a pessoa com tend\u00eancia homossexual incapaz de autodom\u00ednio, reduzindo-a \u00e0 sua pr\u00f3pria tend\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O respeito e o amor \u00e0s pessoas com configura\u00e7\u00e3o homossexual, qualquer que seja sua condi\u00e7\u00e3o existencial, s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para a paz na fam\u00edlia e na sociedade. Ajud\u00e1-las a se integrarem com dignidade na vida da Igreja e da sociedade \u00e9 nossa miss\u00e3o de pastores. Mas \u00e9 nossa miss\u00e3o tamb\u00e9m ensinar que matrim\u00f4nio \u00e9 a uni\u00e3o est\u00e1vel entre homem e mulher a quem, por primeiro, cabe a miss\u00e3o de gerar e educar os filhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Eduardo BenesArcebispo de Sorocaba (SP) Come\u00e7o a presente reflex\u00e3o com duas cita\u00e7\u00f5es. A primeira: \u201cquem nunca meteu a m\u00e3o em alguma namorada\u201d, foi mais ou menos esta a declara\u00e7\u00e3o de Bruno, ent\u00e3o goleiro do Flamengo, para defender seu colega Adriano, acusado na ocasi\u00e3o de viol\u00eancia contra sua namorada. 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