{"id":12762,"date":"2011-01-21T00:00:00","date_gmt":"2011-01-21T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-feridas-abertas\/"},"modified":"2011-01-21T00:00:00","modified_gmt":"2011-01-21T02:00:00","slug":"as-feridas-abertas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-feridas-abertas\/","title":{"rendered":"As Feridas Abertas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 10pt\"><strong><em>Dom Filippo Santoro<br \/>Bispo de Petrpolis (RJ)<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A realidade desta cat\u00e1strofe \u00e9 mais dura do que aparece nas imagens da TV e na imprensa. A destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica como se um terremoto tivesse passado no Vale de Cuiab\u00e1 em Petr\u00f3polis, em S\u00e3o Jos\u00e9 do Vale do Rio Preto, Areal, em Teres\u00f3polis (Caleme, Campo Grande, Pessegueiros, Cruzeiro, Santa Rita, Bonsucesso, Vieira) e Nova Friburgo. Mais de 750 pessoas, at\u00e9 este momento,\u00a0 perderam a vida. Muitos s\u00e3o os desabrigados e os desalojados e a natureza ficou destru\u00edda.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As analises mais imediatas acusam a ocupa\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel das encostas e a falta de planejamento urbano para a moradia de pessoas pobres que moram em lugares de risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 evidente tamb\u00e9m a agress\u00e3o \u00e0 natureza ao longo dos anos. Estamos diante do maior desastre ocorrido na hist\u00f3ria do Brasil. Mas estas observa\u00e7\u00f5es n\u00e3o nos consolam nem nos satisfazem. \u00c9 f\u00e1cil identificar os r\u00e9us do momento e ficar com a consci\u00eancia acomodada, voltando \u00e0 rotina quotidiana sem uma verdadeira mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O drama \u00e9 mais a fundo e nos coloca diante do mist\u00e9rio da nossa exist\u00eancia e da nossa fragilidade, do limite e do mal. O drama nos sacode, provoca a solidariedade e levanta as perguntas mais radicais que a nossa sociedade normalmente censura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante o desastre todas as igrejas e igrejinhas da regi\u00e3o ficaram de p\u00e9, mesmo sendo invadidas pela lama. \u00c9 um sinal simples da cruz de Cristo que vive no meio do drama dos homens participando do seu sofrimento. Com efeito, Jesus entrou no abismo da morte tornando-se companheiro de todos os que perdem a vida, abrindo as portas da esperan\u00e7a. \u00c9 preciso mesmo algu\u00e9m que entre no \u00e2mago da morte e da vida para sustentar a esperan\u00e7a; e este \u00e9 Jesus nosso Salvador, morto e ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cNem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as pot\u00eancias, nem a altura, nem a profundeza, nem outra criatura qualquer ser\u00e1 capaz de nos separar do amor de Deus que est\u00e1 no Cristo Jesus, nosso Senhor\u201d (Romanos 8, 38-39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na noite, na lama, na chuva Ele n\u00e3o nos abandona. Na ferida dolorosa destes dias Ele est\u00e1 presente como balsamo de infinito amor que sustenta a disponibilidade a servir e o \u00edmpeto grandioso da solidariedade que se est\u00e1 manifestando nestes dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Visitando os sobreviventes desta regi\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel a sua f\u00e9 que sustenta a dor e acolhe a ajuda generosa de amigos e desconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma igreja, perto de S\u00e3o Jos\u00e9\u00a0 do Vale do Rio Preto, foi invadida pela \u00e1gua que havia chegado ate o sacr\u00e1rio; um jovem ministro da Eucaristia foi nadando, recuperou o Sant\u00edssimo e segurando-o com uma m\u00e3o, enquanto com a outra nadava, o colocou em salvo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Junto com a gra\u00e7a de Deus \u00e9 necess\u00e1ria a nossa iniciativa em reconhecer o Senhor e em trabalhar na solidariedade com todos, sem discriminar ningu\u00e9m, dando um novo sentido \u00e0 normalidade da vida. O dever da reconstru\u00e7\u00e3o cabe a todos n\u00f3s em parceria com o Estado e os poderes p\u00fablicos para prevenir outros desastres e providenciar um planejamento urbano respons\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, a ferida dos mortos quem a curar\u00e1? Exatamente esta ferida \u00e9 abra\u00e7ada pelo amor de Cristo que vive no sacr\u00e1rio como no seu corpo que \u00e9 a Igreja e nos ensina a deixar-nos tocar pelos fatos, a ser solid\u00e1rios, a anunciar a sua presen\u00e7a. Seria triste deixar-se arrastar pela avalanche da rotina e virar a p\u00e1gina, talvez esperando o pr\u00f3ximo carnaval! A grande prova\u00e7\u00e3o destes dias nos ensina a reconstruir as cidades devastadas e a retomar com um significado novo o quotidiano, especialmente quando os holofotes ser\u00e3o apagados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Filippo SantoroBispo de Petrpolis (RJ) A realidade desta cat\u00e1strofe \u00e9 mais dura do que aparece nas imagens da TV e na imprensa. 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