{"id":12789,"date":"2010-12-21T00:00:00","date_gmt":"2010-12-21T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/natal-humanizacao-e-divinizacao\/"},"modified":"2010-12-21T00:00:00","modified_gmt":"2010-12-21T02:00:00","slug":"natal-humanizacao-e-divinizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/natal-humanizacao-e-divinizacao\/","title":{"rendered":"Natal: humaniza\u00e7\u00e3o e diviniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Bispo de Palmares &#8211; PE<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A celebra\u00e7\u00e3o do Natal sempre d\u00e1 ao ser humano uma oportunidade de fazer uma profunda reflex\u00e3o a respeito da sua condi\u00e7\u00e3o e da sua voca\u00e7\u00e3o. A condi\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o tem em si a raz\u00e3o de sua exist\u00eancia e sua voca\u00e7\u00e3o tampouco encontra uma explica\u00e7\u00e3o em si mesma. Com efeito, a pessoa humana \u00e9 relacional, perante Deus e frente aos seus semelhantes. Embora a filosofia e a sociologia considerem o ser humano social, por natureza, as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas acontecem por raz\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m das express\u00f5es sociais. Na verdade, o esp\u00edrito greg\u00e1rio entre os seres irracionais e a natureza social das pessoas t\u00eam a marca de Deus. De fato, ao criar o primeiro homem e a primeira mulher, conforme o G\u00eanesis, Deus colocou neles a nota distintiva da semelhan\u00e7a e o germe do relacionamento e da conviv\u00eancia. Desde o tempo do para\u00edso terrestre, mesmo ofuscado pela a\u00e7\u00e3o do pecado, persistiu o tra\u00e7o de Deus na vida humana, por isso, o G\u00eanesis, ao se referir \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do homem e da mulher, os v\u00ea como imagem e semelhan\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todavia, essa condi\u00e7\u00e3o de imagem e semelhan\u00e7a adquiriu, ontol\u00f3gica e teologicamente, sua express\u00e3o mais significativa e mais profunda com a encarna\u00e7\u00e3o de Cristo porque Ele se tornou um de n\u00f3s. Por isso, o Natal \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o da humaniza\u00e7\u00e3o de Cristo. Com sua encarna\u00e7\u00e3o e nascimento, Cristo passou a viver a condi\u00e7\u00e3o humana de qualquer crian\u00e7a, adolescente, jovem e adulto. Desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria da Igreja e da teologia, houve leituras err\u00f4neas a respeito de Cristo e de sua natureza. \u201cO grande Concilio de Calced\u00f4nia, no ano 451 da era crist\u00e3, afirmou que Jesus \u00e9 verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, e que suas duas naturezas s\u00e3o assim unidas, sem mistura, confus\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o ou divis\u00e3o, cada natureza retendo seus pr\u00f3prios atributos. A humanidade real de Jesus tem sido atacada principalmente em dois aspectos. A Igreja primitiva teve de lutar contra a heresia do docetismo, a qual ensinava que Jesus n\u00e3o tinha um corpo f\u00edsico real ou uma verdadeira natureza humana. Essa doutrina argumentava que Jesus apenas \u2018parecia\u2019 ter um corpo, mas na realidade ele era uma esp\u00e9cie de ser fantasmag\u00f3rico. Justamente contra isso, Jo\u00e3o declarou veementemente que aquele que negasse que Jesus realmente se manifestou na carne era do Anticristo. A outra grande heresia que a Igreja rejeitou foi a heresia do monofisismo, a qual argumentava que Jesus n\u00e3o tinha duas naturezas, mas apenas uma. Essa natureza \u00fanica n\u00e3o era totalmente divina nem totalmente humana, mas um misto de ambas. Essa natureza era chamada \u2018teantr\u00f3pica\u2019. A heresia do monofisismo defende uma natureza humana deificada ou uma natureza divina humanizada.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus, que se tornou um de n\u00f3s, cumpriu-se a promessa de sua humaniza\u00e7\u00e3o, conforme a profecia de Isa\u00edas: \u201cEis que a jovem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um filho e lhe por\u00e1 o nome de Emanuel.\u201d (Is 7,14) Na Carta aos Filipenses, S\u00e3o Paulo aprofunda esse tema da humaniza\u00e7\u00e3o de Cristo: \u201cEle, existindo em forma divina, n\u00e3o se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente at\u00e9 a morte \u2013 e morte de cruz!\u201d (Fl 2,6-8)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao humanizar-se, Cristo eleva o ser humano \u00e0 dignidade divina que jamais alcan\u00e7aria por seus m\u00e9ritos. Num de seus serm\u00f5es, o Papa S\u00e3o Le\u00e3o Magno (s\u00e9c. V) ensina a esse respeito: \u201cToma consci\u00eancia, \u00f3 crist\u00e3o, da tua dignidade. E j\u00e1 que participas da natureza divina, n\u00e3o voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condi\u00e7\u00e3o.\u201d A voca\u00e7\u00e3o \u00e0 diviniza\u00e7\u00e3o engrandece, sobremaneira, a pessoa humana, e, ao mesmo tempo, a responsabiliza, enormemente, porque deve corresponder \u00e0s suas exig\u00eancias, mediante uma ilibada conduta de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Genival Saraiva Bispo de Palmares &#8211; PE A celebra\u00e7\u00e3o do Natal sempre d\u00e1 ao ser humano uma oportunidade de fazer uma profunda reflex\u00e3o a respeito da sua condi\u00e7\u00e3o e da sua voca\u00e7\u00e3o. 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