{"id":12796,"date":"2011-02-04T00:00:00","date_gmt":"2011-02-04T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-celebridade-e-fragil\/"},"modified":"2011-02-04T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-04T02:00:00","slug":"a-celebridade-e-fragil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-celebridade-e-fragil\/","title":{"rendered":"A celebridade \u00e9 fr\u00e1gil"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Pode parecer um desprop\u00f3sito a abordagem conjunta sobre celebridade e doen\u00e7a. Particularmente quando se pensa na pessoa c\u00e9lebre como algu\u00e9m com pot\u00eancia de for\u00e7a, seja f\u00edsica, esportiva, art\u00edstica ou pol\u00edtica &#8211; condi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 fragilidade do doente. No entanto, a condi\u00e7\u00e3o humana pode hospedar, num tempo ou noutro, cedo ou tarde, for\u00e7a e fraqueza. O ap\u00f3stolo Paulo, na primeira carta que escreveu aos Cor\u00edntios (cap\u00edtulo s\u00e9timo), adverte: \u201cOs que choram vivam como se n\u00e3o chorassem, e os que est\u00e3o alegres como se n\u00e3o estivessem alegres; os que fazem compras como se n\u00e3o estivessem adquirindo coisa alguma, e os que tiram proveito do mundo como se n\u00e3o aproveitassem. Pois a figura deste mundo passa\u201d. Essa advert\u00eancia paulina projeta luzes sobre a realidade da esp\u00e9cie humana, tanto na for\u00e7a quanto na fraqueza. Ningu\u00e9m \u00e9 poderoso sempre, possui tudo sempre, tem for\u00e7a f\u00edsica sempre. E mais, ningu\u00e9m est\u00e1 imune ao sofrimento e \u00e0 dor, seja na pr\u00f3pria vida, na fam\u00edlia ou nas institui\u00e7\u00f5es que frequenta. Nem os amigos est\u00e3o imunes. Essa verdade, que constantemente deve ser considerada, devolve cada um \u00e0 realidade da sua condi\u00e7\u00e3o de ser humano. Pela for\u00e7a da sabedoria, demove do orgulho e da soberba, al\u00e9m de corrigir o cora\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia de toda indiferen\u00e7a causadora da falta de solidariedade, que impede a igualdade e perpetua as discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A considera\u00e7\u00e3o da fraqueza que se hospeda no ser humano, seja no enfermo, no pobre, no outro que pode menos, tem sido ofuscada, ilusoriamente, pela apela\u00e7\u00e3o das disputas e apegos pelo poder. N\u00e3o menos, e de modo imoral, seduzindo multid\u00f5es e tirando, como ca\u00e7a-n\u00edqueis, o seu dinheiro, por meio de espet\u00e1culos question\u00e1veis, como \u00e9 o caso do Big Brother. Na verdade, sob o apan\u00e1gio do poder e dos momentos de celebridade, mesmo com a exposi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio corpo, da privacidade e dos desejos escondidos de ter e poder mais, o que se oferece em tal espet\u00e1culo \u00e9 digno de l\u00e1stima. Assiste-se a um show que mostra a fragilidade humana, a falta de valores e do sentido de dignidade e respeito. Voltar o olhar para quem precisa, especialmente, o doente contracenando com a condi\u00e7\u00e3o de celebridade, \u00e9 um exerc\u00edcio educativo, oportuno na vida de qualquer um. Seja para os jovens de modo a n\u00e3o viverem na ilus\u00e3o e chegarem despreparados ao lugar e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o que todos chegam, ou os adultos, no auge da ascens\u00e3o e conquistas, para que o orgulho e a soberba n\u00e3o os derrubem, com celeridade inusitada, dos postos e fun\u00e7\u00f5es de um momento glorioso e passageiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o por acaso havia o costume de, no momento glorioso das entroniza\u00e7\u00f5es reais, entre louros, coroas e ova\u00e7\u00f5es, apresentar a l\u00e1pide da celebridade com a inscri\u00e7\u00e3o, \u201cAqui jaz\u201d. Isso para indicar o lugar de sua sepultura e sua condi\u00e7\u00e3o final, que n\u00e3o ser\u00e1 definitiva &#8211; em termos de condena\u00e7\u00e3o &#8211; para aqueles que praticam o bem, s\u00e3o misericordiosos, humildes e depositam a confian\u00e7a em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A prop\u00f3sito, o Papa Bento 16 cita, em bela mensagem para o Dia Mundial do Doente, em 11 de fevereiro, dia de Nossa Senhora de Lourdes, o que disse o ap\u00f3stolo Pedro (1\u00aa Carta 2,24): \u201cPelas suas chagas fostes curados\u201d. Isso, para reavivar na mem\u00f3ria de todos que o Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou. Suas chagas s\u00e3o o sinal da reden\u00e7\u00e3o, do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o, uma prova para a f\u00e9 de todos os disc\u00edpulos. O Papa dirige-se aos doentes e sofredores relembrando que \u201c\u00e9 justamente atrav\u00e9s das chagas de Cristo que podemos ver, com olhos de esperan\u00e7a, todos os males que afligem a humanidade. Ressuscitando, o Senhor n\u00e3o tirou o sofrimento e o mal do mundo, mas os extirpou pela raiz. \u00c0 prepot\u00eancia do mal op\u00f4s a onipot\u00eancia do seu amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta semana que antecede o Dia Mundial do Doente vale acolher o convite para olhar os enfermos no hospital, em casa, nos asilos, casas de repouso ou nas cl\u00ednicas e abrigos. Que crian\u00e7as, jovens, adultos e velhos, com rever\u00eancia traduzida em gestos de solidariedade, ofertas e presen\u00e7a consoladora, sejam um apelo para que haja mais investimentos em sa\u00fade, com boas estruturas m\u00e9dicas para todos, em especial os mais pobres e sofredores. Vale lembrar as palavras de Cristo para o ju\u00edzo final, ao falar da garantia para a participa\u00e7\u00e3o no Reino de Deus: \u201cEstive doente e me visitastes\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte Pode parecer um desprop\u00f3sito a abordagem conjunta sobre celebridade e doen\u00e7a. Particularmente quando se pensa na pessoa c\u00e9lebre como algu\u00e9m com pot\u00eancia de for\u00e7a, seja f\u00edsica, esportiva, art\u00edstica ou pol\u00edtica &#8211; condi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 fragilidade do doente. 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