{"id":12802,"date":"2011-02-08T00:00:00","date_gmt":"2011-02-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/atuacao-da-fe\/"},"modified":"2011-02-08T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-08T02:00:00","slug":"atuacao-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/atuacao-da-fe\/","title":{"rendered":"Atua\u00e7\u00e3o da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Bispo de Palmares<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Escrevendo aos tessalonicenses, escreve S\u00e3o Paulo: \u201cDiante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atua\u00e7\u00e3o da vossa f\u00e9, o esfor\u00e7o da vossa caridade e a firmeza da vossa esperan\u00e7a em nosso Senhor Jesus Cristo.\u201d (1Ts 1,3) A f\u00e9 dos tessalonicenses \u201cpropagou-se por toda a parte.\u201d (1Ts 3,8) Essa f\u00e9 \u201ctem um car\u00e1ter eminentemente ativo e eficiente, vital\u201d. Na verdade, a f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 ativa, enquanto suscita nas pessoas uma aut\u00eantica comunh\u00e3o com Deus e as move, solidariamente, na rela\u00e7\u00e3o com seus semelhantes, independentemente de sua condi\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os primeiros crist\u00e3os, conforme a narra\u00e7\u00e3o dos Atos dos Ap\u00f3stolos, al\u00e9m da f\u00e9 em Cristo, revelada em sua participa\u00e7\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o, na escuta do ensinamento dos ap\u00f3stolos, na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o, \u201ctinham tudo em comum, dividiam seus bens com alegria\u201d, repartiam o p\u00e3o, serviam os mais necessitados, (cf At 2,42-47; 4,32-37. S\u00e3o Tiago ensina que a f\u00e9 \u00e9 ativa, por natureza; por isso, deve traduzir-se em obras. Seu ensinamento \u00e9 enf\u00e1tico: \u201cAssim como o corpo sem o esp\u00edrito \u00e9 morto, assim tamb\u00e9m a f\u00e9, sem as obras, \u00e9 morta.\u201d (Tg 2,26) Na exegese dessa palavra de Tiago, a tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, Edi\u00e7\u00e3o da CNBB, explica: \u201cAs a\u00e7\u00f5es s\u00e3o a vida de nossa f\u00e9; sem elas, a f\u00e9 \u00e9 um cad\u00e1ver.\u201dSem essa face da visibilidade do servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo, do respeito \u00e0 sua dignidade, da pr\u00e1tica da justi\u00e7a, a f\u00e9 crist\u00e3 assume um car\u00e1ter intimista e subjetivista, sentindo-se realizada a pessoa, por estar em comunh\u00e3o com Deus, naquela forma que lhe parece a mais pura, por lhe dar gratifica\u00e7\u00e3o espiritual. \u00c9 uma f\u00e9 que lhe basta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A f\u00e9 \u00e9 sempre definida como uma ades\u00e3o a Deus, que se fundamenta na sua palavra e nas suas obras; \u00e9 uma ades\u00e3o incondicional a Deus, n\u00e3o prevalecendo, portanto, os crit\u00e9rios da raz\u00e3o e da l\u00f3gica humanas. \u00c9 muita antiga a discuss\u00e3o entre f\u00e9 e raz\u00e3o, em meios acad\u00eamicos e na literatura; nos meios eclesi\u00e1sticos, al\u00e9m de pertinente, a discuss\u00e3o \u00e9 alimentada e estimulada. O magist\u00e9rio da Igreja, notadamente, tem enfatizado a import\u00e2ncia dessa discuss\u00e3o, dando a sua contribui\u00e7\u00e3o como palavra orientadora, em muitos de seus documentos; desse assunto, interessaram-se fil\u00f3sofos e te\u00f3logos de todos os tempos. \u201cUma das sistematiza\u00e7\u00f5es mais consistentes da rela\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e raz\u00e3o encontra-se na grandiosa obra de Santo Tom\u00e1s de Aquino. O Aquinate viu bem que, sendo Deus, ao mesmo tempo, o criador da ordem racional e o autor da f\u00e9, n\u00e3o poderia haver contradi\u00e7\u00e3o de iure entre ambas, preservadas as devidas distin\u00e7\u00f5es.\u201d Embora n\u00e3o sendo objeto de defini\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria, o magist\u00e9rio ordin\u00e1rio de Jo\u00e3o Paulo II e Bento XVI cont\u00eam ilumina\u00e7\u00f5es para a exata compreens\u00e3o do campo pr\u00f3prio da f\u00e9 e da raz\u00e3o e das suas rela\u00e7\u00f5es. Jo\u00e3o Paulo II inicia sua Enc\u00edclica \u201cFides et Ratio\u201d, afirmando: \u201cA f\u00e9 e a raz\u00e3o (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o esp\u00edrito humano se eleva para a contempla\u00e7\u00e3o da verdade. Foi Deus quem colocou no cora\u00e7\u00e3o do homem o desejo de conhecer a verdade e, em \u00faltima an\u00e1lise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar tamb\u00e9m \u00e0 verdade plena sobre si pr\u00f3prio.\u201d Por sua vez, Bento XVI tem insistido muito nesse assunto, ao defrontar-se com o mundo da p\u00f3s-modernidade que se distancia de valores humanos e espirituais que civiliza\u00e7\u00f5es vivenciaram e incorporaram ao seu \u201cmodus vivendi\u201d e ao \u201cmodus credendi\u201d. Esse assunto, muito presente em encontros com pessoas do mundo da ci\u00eancia e da tecnologia, tamb\u00e9m tem sido abordado por ele em sua catequese pastoral: \u201cSua f\u00e9 se traduz em obras ou n\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cTiago e Paulo est\u00e3o de acordo sobre a necessidade das \u2018obras\u2019, entendidas como \u2018atividades que se baseiam na f\u00e9\u2019, de modo particular a caridade para com os necessitados.\u201d Em sua segunda Carta aos tessalonicenses, S\u00e3o Paulo pede a Deus que \u201ctorne ativa a vossa f\u00e9.\u201d (2Ts 1,11) O magist\u00e9rio da Igreja orienta o crist\u00e3o para que a atua\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9 tenha esse mesmo perfil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Genival Saraiva Bispo de Palmares Escrevendo aos tessalonicenses, escreve S\u00e3o Paulo: \u201cDiante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atua\u00e7\u00e3o da vossa f\u00e9, o esfor\u00e7o da vossa caridade e a firmeza da vossa esperan\u00e7a em nosso Senhor Jesus Cristo.\u201d (1Ts 1,3) A f\u00e9 dos tessalonicenses \u201cpropagou-se por toda a parte.\u201d (1Ts 3,8) Essa &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/atuacao-da-fe\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Atua\u00e7\u00e3o da f\u00e9<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12802"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12802"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12802\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}