{"id":12805,"date":"2011-02-08T00:00:00","date_gmt":"2011-02-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-complexo-do-alemao\/"},"modified":"2011-02-08T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-08T02:00:00","slug":"o-complexo-do-alemao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-complexo-do-alemao\/","title":{"rendered":"O Complexo do Alem\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Arcebispo de Sorocaba<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Era Irland\u00eas o personagem que deu nome ao Complexo do Alem\u00e3o. Em torno do morro da Penha, est\u00e3o vivas e atuantes, sete par\u00f3quias da Igreja Cat\u00f3lica e presentes centenas de pequenos templos pentecostais. \u00c9ramos perto de 100 bispos que, participando de um curso de atualiza\u00e7\u00e3o para bispos, promovido pela Arquidiocese do Rio, tivemos a oportunidade de visitar a Comunidade de Nossa Senhora Aparecida, no cora\u00e7\u00e3o do complexo do Alem\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">L\u00e1 oramos com o povo pobre, humilde e fiel, assistimos uma bela apresenta\u00e7\u00e3o de cerca de 20 violinistas, crian\u00e7as e adolescentes do bairro, bem como ouvimos os depoimentos de uma jovem e de um casal sobre sua experi\u00eancia de viver a paz em um contexto de conflito e de inseguran\u00e7a. Antes, naturalmente, tivemos uma exposi\u00e7\u00e3o sobre a geografia do Complexo do Alem\u00e3o e sobre a situa\u00e7\u00e3o vivida por seus moradores, ref\u00e9ns, ora dos traficantes, ora da chamada \u201cmil\u00edcia organizada\u201d, t\u00e3o opressora quanto os primeiros. O expositor descreveu o clima de terror imposto pelo tr\u00e1fico organizado \u00e1 popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Estado n\u00e3o conseguia se fazer presente. O tr\u00e1fico governava as favelas. Acontecia inclusive de traficantes coagirem pais de fam\u00edlia a cederem suas filhas para stisfazerem suas paix\u00f5es desregradas. A Igreja da Penha, t\u00e3o linda, j\u00e1 n\u00e3o era mais procurada por devotos porque os traficantes ransformaram-na em territ\u00f3rio pr\u00f3prio. Os traficantes se enriqueciam pelo com\u00e9rcio das drogas. As mil\u00edcias, ao expulsarem os traficantes, se valiam do disfarce da justi\u00e7a para se enriquecerem com pesadas taxas sobre a distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, de \u00e1gua e de outros servi\u00e7os. Era a mesma opress\u00e3o, organizada por ex-policiais, muitas vezes com apoio de elementos ligados \u00e0s for\u00e7as do Estado. A popula\u00e7\u00e3o, agora, vive um momento de al\u00edvio com a presen\u00e7a das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado. Ouvi, entretanto, que a fuga dos traficantes, em parte, foi facilitada por elementos da pr\u00f3pria pol\u00edcia, comprometidos historicamente com os l\u00edderes do tr\u00e1fico. Ouvi tamb\u00e9m que uma solu\u00e7\u00e3o definitiva do problema depende da forma\u00e7\u00e3o de um quadro de pol\u00edcia novo, preparado tamb\u00e9m do ponto de vista \u00e9tico para t\u00e3o dif\u00edcil tarefa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, sem d\u00favida, o povo vive uma situa\u00e7\u00e3o nova, feita de muita esperan\u00e7a. A pergunta esperan\u00e7osa dos moradores \u00e9 esta: a paz veio para ficar definitivamente? Veio por causa de n\u00f3s ou das olimp\u00edadas? E n\u00f3s nos perguntamos: e as outras comunidades pobres e oprimidas espalhadas por esse Brasil afora? O N\u00fancio Apost\u00f3lico Dom Lorenzo Baldisseri esteve tamb\u00e9m presente. Na ocasi\u00e3o fez uma apresenta\u00e7\u00e3o ao piano onde deliciou-nos, e ao povo presente, com Vivaldi, Vila Lobos, Chopin e outros. Chamou-me a aten\u00e7\u00e3o a exibi\u00e7\u00e3o do grupo de crian\u00e7as e pr\u00e9-adolesentes com seus vilolinos. A arte medra tamb\u00e9m no meio dos pobres. Basta dar-lhes chance. E resgata a dignidade dos orpimidos. Eram crian\u00e7as felizes a encantar-nos com a beleza de sua arte. Esse grupo \u00e9 parte de um projeto, se n\u00e3o me engano de uma ONG, com o apoio da Igrja, que foi implantado na regi\u00e3o atingindo v\u00e1rias comunidades. E fico a me perguntar: quando nosso pa\u00eds vai investir preferencialmente em educa\u00e7\u00e3o, oferecendo o que h\u00e1 de melhor em mat\u00e9ria de ensino e de cultura nos bairros mais pobres de nossas cidades, no pa\u00eds inteiro? A felicidade de um povo n\u00e3o se constr\u00f3i, em primeiro lugar, pelo aumento da renda \u201cper capta\u201d, ou seja, n\u00e3o basta o mero desenvovimento econ\u00f4mico, pois o ser humano vive de valores tais como a arte, a religi\u00e3o, a solidariedade, a comunh\u00e3o. Recentemente a Universidade Cat\u00f3lica da \u00c1frica Oriental em parceria com o Movimento dos focolares realizou em Nair\u00f3bi, de 26 a 28 de janeiro a Confer\u00eancia Internacional sobre Economia com o tema \u201cEconomia de Comunh\u00e3o, um novo paradigma para o desenvolvimento africano\u201d. Como explicaram os organizadores, o encontro refeltiu sobre como &#8220;o povo africano precisa urgentemente, por um lado, de uma cultura empreendedora e de desenvolvimento econ\u00f4mico e, por outro, de um modelo econ\u00f4mico que n\u00e3o destrua a comunidade e a comunh\u00e3o, consideradas grandes valores em sua cultura&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com a centro-africana Genevi\u00e8ve Sanze, membro da Comiss\u00e3o Internacional sobre a Economia de Comunh\u00e3o, &#8220;a experi\u00eancia da Economia de Comunh\u00e3o nos faz entender que n\u00e3o se pode sair das cadeias da indig\u00eancia apenas com dinheiro, nem com a redistribui\u00e7\u00e3o das riquezas ou com a constru\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos, nem tampouco com o aumento das rela\u00e7\u00f5es comerciais entre o norte e o sul&#8221;.\u00a0 E acrescenta: &#8220;Ser\u00e1 poss\u00edvel sair destas cadeias quando formos capazes de construir verdadeiras e profundas rela\u00e7\u00f5es humanas entre pessoas diferentes, mas ao mesmo tempo iguais; quando conseguirmos compreender que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma pessoa no mundo t\u00e3o pobre, que n\u00e3o possa significar um dom para outra. Nesse momento, o mundo ver\u00e1 florescer a fraternidade e a comunh\u00e3o.&#8221; A educa\u00e7\u00e3o para a comunh\u00e3o e para a solidariedade aliada \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da cultura e da capacidade do pr\u00f3prio povo \u00e9 o segredo de um desenvolvimento aut\u00eantico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues Arcebispo de Sorocaba Era Irland\u00eas o personagem que deu nome ao Complexo do Alem\u00e3o. Em torno do morro da Penha, est\u00e3o vivas e atuantes, sete par\u00f3quias da Igreja Cat\u00f3lica e presentes centenas de pequenos templos pentecostais. \u00c9ramos perto de 100 bispos que, participando de um curso de atualiza\u00e7\u00e3o para &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-complexo-do-alemao\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O Complexo do Alem\u00e3o<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12805"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12805\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}