{"id":12834,"date":"2011-02-14T00:00:00","date_gmt":"2011-02-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/acabou-a-devocao-ao-coracao-de-jesus\/"},"modified":"2011-02-14T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-14T02:00:00","slug":"acabou-a-devocao-ao-coracao-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/acabou-a-devocao-ao-coracao-de-jesus\/","title":{"rendered":"Acabou a devo\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o de Jesus?"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Arcebispo de Uberaba &#8211; MG<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde o Conc\u00edlio esta piedade cat\u00f3lica parece ter entrado em penumbra. Os Padres Conciliares falaram muito, mas muito mesmo, de Jesus. Mas n\u00e3o entraram na linguagem devocional e m\u00edstica, que dominou v\u00e1rios s\u00e9culos. Essa devo\u00e7\u00e3o cresceu por influ\u00eancia de santos m\u00edsticos como Santa Gertrudes, e os contemplativos da escola francesa. A express\u00e3o \u201cSagrado Cora\u00e7\u00e3o\u201d, no entanto, est\u00e1 ausente dos documentos conciliares e tamb\u00e9m do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica. Estaria extinta a piedade que nos trouxe tantos santos e santas? Ficaram sem ch\u00e3o o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 uma base de espiritualidade a in\u00fameras pessoas das nossas Par\u00f3quias? Ficaram sem ess\u00eancia motivadora tantas Congrega\u00e7\u00f5es, cujo carisma tem v\u00ednculo estreito com o \u201cCora\u00e7\u00e3o de Jesus\u201d?\u00a0 O que teria levado o Conc\u00edlio a n\u00e3o fazer uso dessa rica linguagem contemplativa?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quer nos parecer que o Conc\u00edlio evitou entrar em terrenos de quaisquer devo\u00e7\u00f5es, desenvolvidas por certas escolas de piedade, por mais ricas que fossem. Era preciso usar um linguajar que fosse entendido pelos outros crist\u00e3os, n\u00e3o cat\u00f3licos. Convinha evitar equ\u00edvocos sobre a identidade de Jesus que, nas mentes confusas, j\u00e1 correspondia a duas pessoas quando se falava de Jesus e de seu Cora\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m era necess\u00e1rio retomar um vocabul\u00e1rio estritamente b\u00edblico, que propiciasse o entendimento entre os seguidores de todas as escolas de piedade. Mas ningu\u00e9m pense que a devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o tenha ra\u00edzes b\u00edblicas. Ela est\u00e1 profundamente arraigada no cerne das Escrituras. Essa devo\u00e7\u00e3o quer dizer que Jesus se distingue pela sua miseric\u00f3rdia, e n\u00e3o pela severidade. \u201cTenho compaix\u00e3o desse povo, porque h\u00e1 tr\u00eas dias me acompanha\u201d (Mc 8, 2). Contemplando esse Cora\u00e7\u00e3o, aprendemos a amar o semelhante, e adorar o Pai Celeste. A devo\u00e7\u00e3o \u00e9 imorredoura, exatamente porque est\u00e1 visceralmente radicada nas Escrituras, e acerta em cheio a ess\u00eancia de Jesus. Talvez vamos diminuir o uso da palavra Cora\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o deixaremos de sentir que Jesus \u00e9 um Ser amoroso. \u00c9 imposs\u00edvel deixar de sentir a bondade divina quando na Eucaristia repetimos as suas santas palavras: \u201cIsto \u00e9 o meu Corpo, entregue por v\u00f3s\u201d (Lc 22, 19). Essa devo\u00e7\u00e3o \u00e9 como o Esp\u00edrito Divino: est\u00e1 suposto, embora dele n\u00e3o falemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann Arcebispo de Uberaba &#8211; MG Desde o Conc\u00edlio esta piedade cat\u00f3lica parece ter entrado em penumbra. Os Padres Conciliares falaram muito, mas muito mesmo, de Jesus. Mas n\u00e3o entraram na linguagem devocional e m\u00edstica, que dominou v\u00e1rios s\u00e9culos. 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