{"id":12837,"date":"2011-02-15T00:00:00","date_gmt":"2011-02-15T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-nova-lei-da-caridade\/"},"modified":"2011-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2011-02-15T02:00:00","slug":"a-nova-lei-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-nova-lei-da-caridade\/","title":{"rendered":"A nova lei da caridade"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Geraldo Majella Agnelo<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Arcebispo Em\u00e9rito de Salvador<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje ouviremos um trecho do serm\u00e3o da montanha (Mateus 5,17-37): Jesus nos prop\u00f5e a nova lei da caridade, e nos convida a uma exist\u00eancia mais radicada na f\u00e9 e no amor.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na primeira leitura (Eclesi\u00e1stico 15,15-20), um antigo s\u00e1bio de Israel prop\u00f5e algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a liberdade do homem que se exercita na possibilidade de escolher entre o bem e o mal. Ao mesmo tempo nos prop\u00f5e um convite sol\u00edcito a cumprir escolhas positivas, em harmonia com o des\u00edgnio providente de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m o ap\u00f3stolo Paulo, na segunda leitura, nos fala do des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o, recordando-nos que se realiza atrav\u00e9s \u201ca sabedoria divina, misteriosa, escondida\u201d, revelada pelo Esp\u00edrito \u00e0queles que se fazem disc\u00edpulos do Senhor Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os ap\u00f3stolos Pedro e Paulo, em suas viagens apost\u00f3licas, quando encontravam os habitantes de uma cidade,\u00a0 anunciavam n\u00e3o um evangelho escrito. O evangelho de Marco foi escrito cerca de tr\u00eas anos depois do mart\u00edrio de ambos no ano 70. Mateus e Lucas escreveram pelo ano 80 e Jo\u00e3o foi o \u00faltimo a escrever, provavelmente em torno de 95.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O estudiosos que descobriram essas datas, procuraram tamb\u00e9m compreender como nasceram os Evangelhos. Convenceram-se que existiram escritos precedentes, obra de crist\u00e3os da primeira hora que n\u00e3o chegaram at\u00e9 n\u00f3s. Havia as recorda\u00e7\u00f5es pessoais de crist\u00e3os. Alguns come\u00e7aram a escrever os \u201cditos do Senhor\u201d, algum outro os relatos das suas par\u00e1bolas, e dos seus milagres. Estas coletas v\u00e1rias, quase manuais, pequenos catecismos, serviam tamb\u00e9m para instru\u00e7\u00f5es de catec\u00famenos, isto \u00e9 daqueles que pediam o batismo, e ajudavam os batizados a aprofundarem a f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais tarde os evangelistas, utilizando tais fontes, prepararam os evangelhos. Esses tornaram-se exposi\u00e7\u00f5es completas e belas, de tal modo que os outros testos ca\u00edram em desuso e desapareceram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Continuando agora a analisar o Serm\u00e3o da Montanha, aberto com as Bem-aventuran\u00e7as, continuado com a defini\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os e da sua miss\u00e3o no mundo, Jesus disse que devemos ser \u201csal da terra e luz do mundo\u201d, e agora traz uma terceira se\u00e7\u00e3o mais ampla, hoje e domingo pr\u00f3ximo, em que Jesus apresenta a lei do Reino, o C\u00f3digo moral dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus veio para trazer a nova lei da caridade, que chamamos crist\u00e3. Jesus n\u00e3o veio abolir a lei e os profetas, mas veio mostrar a sua continuidade com o passado, e assim o seu desenvolvimento e progresso s\u00e3o verdadeira novidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus n\u00e3o \u00e9 um revolucion\u00e1rio para construir o futuro, liquidando o passado, mas o tem como ponto de partida. Ele disse: \u201cN\u00e3o vim para abolir, mas dar cumprimento \u00e0 lei\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cumprimento da lei se faz com a maior justi\u00e7a que nasce da caridade crist\u00e3, do saber-se filhos de Deus e irm\u00e3os de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os paladinos da observ\u00e2ncia da lei antiga eram os escribas e fariseus. Mas esses paravam na sua exterioridade, merecendo de Jesus a acusa\u00e7\u00e3o de hip\u00f3critas. Jesus admoesta os seus disc\u00edpulos: \u201cSe a vossa justi\u00e7a n\u00e3o superar a dos escribas e fariseus, n\u00e3o entrareis no reino dos c\u00e9us\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus passa a propor os artigos de seu novo C\u00f3digo, recorrendo \u00e0 ant\u00edteses, seis vezes, isto \u00e9 com enunciados contrapostos. \u201cOuvistes o que foi\u00a0\u00a0 aos antigos&#8230; mas eu vos digo\u201d e formula a sua nova lei, segundo o mandamento do amor fraterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Disse Jesus: \u201cOuvistes o que foi dito aos antigos: n\u00e3o matar; quem tiver\u00a0 matado v\u00e1 a julgamento. Mas eu vos digo: \u201cquem investe contra o irm\u00e3o, ser\u00e1 submetido a ju\u00edzo\u201d. Refere-se assim ao quinto mandamento e confirma a sua severidade. Em Israel ser submetido a ju\u00edzo significava para o assassino a condena\u00e7\u00e3o, e a pena era a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus estende a severidade da lei, n\u00e3o somente ao caso grav\u00edssimo do homic\u00eddio, mas tamb\u00e9m \u00e0 falta menos grave no tratar os outros, compreendendo o enraivecer-se no relacionamento com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade deve ser cumprida, Jesus pede a n\u00f3s crist\u00e3os. E o explica: \u201cQuando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e a\u00ed te lembrares que teu irm\u00e3o tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta a\u00ed diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irm\u00e3o. S\u00f3 ent\u00e3o vai apresentar a tua oferta\u201d. E assim continua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Geraldo Majella Agnelo Cardeal Arcebispo Em\u00e9rito de Salvador Hoje ouviremos um trecho do serm\u00e3o da montanha (Mateus 5,17-37): Jesus nos prop\u00f5e a nova lei da caridade, e nos convida a uma exist\u00eancia mais radicada na f\u00e9 e no amor.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12837"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12837"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12837\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}