{"id":12879,"date":"2011-03-09T00:00:00","date_gmt":"2011-03-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dignidade-da-pobreza\/"},"modified":"2011-03-09T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-09T03:00:00","slug":"dignidade-da-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dignidade-da-pobreza\/","title":{"rendered":"Dignidade da pobreza"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Bispo de Palmares &#8211; PE<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A riqueza e a pobreza n\u00e3o se distinguem apenas por elementos econ\u00f4micos; sem d\u00favida, esses elementos constituem refer\u00eancias b\u00e1sicas, por\u00e9m h\u00e1 outros aspectos a considerar como, por exemplo, a face social, a express\u00e3o \u00e9tica, o car\u00e1ter moral e a dimens\u00e3o religiosa. Com efeito, riqueza e pobreza situam pessoas, grupos e povos em lugares e posi\u00e7\u00f5es muito diferentes, criando, em muitos casos, um verdadeiro fosso que, socialmente, os distancia. De conformidade com a concep\u00e7\u00e3o \u00e9tica que t\u00eam as pessoas, a luta pelo aumento da riqueza e o interesse pela manuten\u00e7\u00e3o da pobreza s\u00e3o considerados absolutamente normais; sem o alicerce dos valores morais, justifica-se \u201ca explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem\u201d; se faltar a dimens\u00e3o religiosa na vida das pessoas, o materialismo e o consumismo levam \u00e0 exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A interven\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos, atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas pertinentes, faz avan\u00e7ar a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o; sua omiss\u00e3o nessa mat\u00e9ria deixa marcas comprometedoras. Embora se constate, no Brasil dos \u00faltimos, um \u00edndice de crescimento da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, ainda permanece muito distoante o quadro da realidade social, de modo que muitos se encontram \u201cabaixo da linha da pobreza\u201d. No Brasil: conforme o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), \u201ca propor\u00e7\u00e3o de brasileiros em pobreza absoluta (&#8230;) \u00e9 de 28,8%. Segundo a regra adotada pelo Ipea, est\u00e3o em pobreza absoluta os membros de fam\u00edlias com rendimento m\u00e9dio por pessoa de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal.\u201d Segundo as estat\u00edsticas sociais e econ\u00f4micas, \u201cA taxa de pobreza est\u00e1 caindo desde 2003 no Brasil\u201d. Conforme relat\u00f3rio do Banco Mundial (Bird), \u201cEnquanto as desigualdades de renda se agravaram na maioria dos pa\u00edses de renda m\u00e9dia, o Brasil assistiu a avan\u00e7os dram\u00e1ticos tanto em redu\u00e7\u00e3o da pobreza quanto em distribui\u00e7\u00e3o de renda\u201d.(&#8230;) \u201cA desigualdade permanece entre as mais altas do mundo, mas os avan\u00e7os recentes mostram que nem sempre o desenvolvimento precisa vir acompanhado de desigualdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O magist\u00e9rio da Igreja tem clareza sobre o que \u00e9 a pobreza, como ensina Jo\u00e3o Paulo II: \u201cO esp\u00edrito de pobreza vale para todos e cada um necessita coloc\u00e1-lo em pr\u00e1tica, de acordo com o evangelho\u201d. Bento XVI diz o que n\u00e3o \u00e9 a pobreza: \u201c\u00c9 este ponto decisivo, que nos faz passar ao segundo aspecto: h\u00e1 uma pobreza, uma indig\u00eancia, que Deus n\u00e3o quer e que \u00e9 \u2018combatida\u2019 \u2013 como diz o tema da atual Jornada Mundial da Paz; uma pobreza que impede \u00e0s pessoas e \u00e0s fam\u00edlias de viverem segundo sua dignidade; uma pobreza que ofende a justi\u00e7a e a igualdade e que, como tal, amea\u00e7a a conviv\u00eancia pac\u00edfica. Nesta acep\u00e7\u00e3o negativa cabem tamb\u00e9m as formas de pobreza n\u00e3o material que se reencontram justamente nas sociedades ricas e progredidas: marginaliza\u00e7\u00e3o, mis\u00e9ria relacional, moral e espiritual (cf. Mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2008, 2)\u201d. Na Sagrada Escritura, veem a pobreza, diferentemente, os bons e os maus: \u201c\u00c9 boa a fortuna, quando n\u00e3o h\u00e1 pecado na consci\u00eancia; mas p\u00e9ssima \u00e9 a pobreza, na opini\u00e3o do \u00edmpio.\u201d (Eclo, 13,30) Jesus considera bem-aventurados os pobres. (cf Mt 5,3)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pobreza tem sua dignidade; h\u00e1 pobres, por convic\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m a t\u00eam porque assimilam o valor da pobreza, incorporando-a ao seu \u201cmodus vivendi\u201d. A pobreza n\u00e3o pode ser considerada t\u00e3o somente como ant\u00f4nimo de riqueza; por conseguinte, ela n\u00e3o \u00e9 definida, propriamente, como falta de dinheiro e de bens. \u00c9 claro que a face econ\u00f4mico-financeira \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o mais imediata da pobreza. Torna-se antievang\u00e9lico, em qualquer tempo e lugar, o estado de pobreza que chega ao n\u00edvel da mis\u00e9ria porque atinge a dignidade humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Genival Saraiva Bispo de Palmares &#8211; PE A riqueza e a pobreza n\u00e3o se distinguem apenas por elementos econ\u00f4micos; sem d\u00favida, esses elementos constituem refer\u00eancias b\u00e1sicas, por\u00e9m h\u00e1 outros aspectos a considerar como, por exemplo, a face social, a express\u00e3o \u00e9tica, o car\u00e1ter moral e a dimens\u00e3o religiosa. 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