{"id":12950,"date":"2011-03-28T00:00:00","date_gmt":"2011-03-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/coracao-de-pedra-coracao-de-carne\/"},"modified":"2011-03-28T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-28T03:00:00","slug":"coracao-de-pedra-coracao-de-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/coracao-de-pedra-coracao-de-carne\/","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00e3o de pedra, cora\u00e7\u00e3o de carne"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Bispo de Palmares &#8211; PE<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">O per\u00edodo da Quaresma, que a Igreja vivencia como prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa, \u00e9 um tempo favor\u00e1vel para que as pessoas se vejam, em seu estado de indiferen\u00e7a ou identifica\u00e7\u00e3o, diante de Deus e de seus semelhantes. Por sua natureza, a Quaresma propicia aos crist\u00e3os a oportunidade de se colocarem em atitude de vigil\u00e2ncia, ora\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o; a caminhada quaresmal deve vislumbrar uma mudan\u00e7a de conduta nas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, bem como uma mudan\u00e7a de atitude em sua comunh\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O profeta Ezequiel, cuja palavra a Igreja proclama nas celebra\u00e7\u00f5es penitenciais da Quaresma, utiliza a express\u00e3o \u201ccora\u00e7\u00e3o de pedra\u201d e \u201ccora\u00e7\u00e3o de carne\u201d, ao se referir \u00e0 indiferen\u00e7a ou \u00e0 sensibilidade que as pessoas manifestam, em seu modo de agir, diante do pr\u00f3ximo, o que, por si, j\u00e1 revela a sua proximidade ou a sua dist\u00e2ncia de Deus. \u201cEu vos darei um cora\u00e7\u00e3o novo e porei em v\u00f3s um esp\u00edrito novo. Removerei de vosso corpo o cora\u00e7\u00e3o de pedra e vos darei um cora\u00e7\u00e3o de carne. Porei em v\u00f3s o meu esp\u00edrito e farei com que andeis segundo minhas leis e cuideis de observar meus preceitos, habitareis na terra que dei a vossos pais. Sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus.\u201d (Ez 36,26-28) O cora\u00e7\u00e3o de pedra e o cora\u00e7\u00e3o de carne t\u00eam linguagens diferentes, obviamente; s\u00e3o muitas e grandes as diferen\u00e7as entre algu\u00e9m que tem cora\u00e7\u00e3o de pedra e outrem que tem cora\u00e7\u00e3o de carne. Deus \u00e9 o primeiro a identificar essas diferen\u00e7as, por\u00e9m as pessoas as percebem, no mundo das rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As marcas do cora\u00e7\u00e3o de pedra s\u00e3o vis\u00edveis na vida das pessoas porque, normalmente, ferem a justi\u00e7a que \u00e9 vista no plano religioso, como virtude, e na esfera social como valor fundamental que norteia as rela\u00e7\u00f5es pessoais e institucionais. O indiv\u00edduo que tem um cora\u00e7\u00e3o de pedra \u00e9 sempre um injusto. S\u00e3o in\u00fameras as situa\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, em raz\u00e3o da perversidade praticada, como a autoridade prepotente que age com arbitrariedade; o \u201cassassino de aluguel\u201d e o mandante do crime, para os quais a vida n\u00e3o tem o m\u00ednimo valor; o agiota explorador que suga o sangue de quem est\u00e1 economicamente desestruturado; o corrupto esperto que causa um incalcul\u00e1vel preju\u00edzo social; o ped\u00f3filo, com rosto de amigo, que vitima inocentes; o filho insens\u00edvel que deixa os pais em situa\u00e7\u00e3o de abandono. H\u00e1 muitas outras express\u00f5es desse cora\u00e7\u00e3o de pedra no mundo das pessoas. Em qualquer situa\u00e7\u00e3o ou circunst\u00e2ncia, quem tem cora\u00e7\u00e3o de pedra desvia-se dos caminhos retos de Deus e envereda pelas estradas tortuosas da maldade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra \u00e9 a linguagem do cora\u00e7\u00e3o de carne. Falar de cora\u00e7\u00e3o de carne \u00e9 falar de humaniza\u00e7\u00e3o, solidariedade, fraternidade, voluntariado, comunidade, verdade, respeito, dignidade, \u00e9tica, espiritualidade e muitos outros valores que d\u00e3o sentido \u00e0 vida e \u00e0 conviv\u00eancia. O cora\u00e7\u00e3o de carne sempre coloca o ser humano, positivamente, numa perspectiva de abertura, ao se relacionar com seus semelhantes. Nada ao seu redor lhe \u00e9 indiferente, notadamente, quando encontra dificuldades e necessidades na vida de pessoas que entram em sua hist\u00f3ria, permanente ou episodicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O profeta Joel, por sua vez, fala da mudan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o, como elemento de convers\u00e3o ao Senhor e ao pr\u00f3ximo: \u201cRasgai vossos cora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o as roupas! Voltai para o Senhor vosso Deus, pois ele \u00e9 bom e cheio de miseric\u00f3rdia.\u201d (Jl 2,13) O rito exterior de rasgar as roupas, como se fazia, diz pouco quando n\u00e3o acompanhado da mudan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o. Rasgar o cora\u00e7\u00e3o implica em mudan\u00e7a de sentimento, palavra e atitude, perante Deus e a comunidade. A Quaresma \u00e9 um tempo oportuno para que os crist\u00e3os mudem seu cora\u00e7\u00e3o de pedra em cora\u00e7\u00e3o de carne.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Genival Saraiva Bispo de Palmares &#8211; PE O per\u00edodo da Quaresma, que a Igreja vivencia como prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa, \u00e9 um tempo favor\u00e1vel para que as pessoas se vejam, em seu estado de indiferen\u00e7a ou identifica\u00e7\u00e3o, diante de Deus e de seus semelhantes. Por sua natureza, a Quaresma propicia aos crist\u00e3os a oportunidade &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/coracao-de-pedra-coracao-de-carne\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Cora\u00e7\u00e3o de pedra, cora\u00e7\u00e3o de carne<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12950"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12950"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12950\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}