{"id":12969,"date":"2011-04-01T00:00:00","date_gmt":"2011-04-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quem-sabe-faz-a-hora-nao-espera-acontecer\/"},"modified":"2011-04-01T00:00:00","modified_gmt":"2011-04-01T03:00:00","slug":"quem-sabe-faz-a-hora-nao-espera-acontecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quem-sabe-faz-a-hora-nao-espera-acontecer\/","title":{"rendered":"Quem sabe, faz a hora: n\u00e3o espera acontecer!"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Dom Redovino Rizzardo, cs<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Bispo de Dourados &#8211; MS<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A can\u00e7\u00e3o de Geraldo Vandr\u00e9 apareceu em 1968, mas 42 anos depois, em Dourados, ela teve uma reinterpreta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de tr\u00eas eventos altamente significativos.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro deles aconteceu no dia 21 de fevereiro de 2011, quando foi implantado o \u201cObservat\u00f3rio Social de Dourados\u201d. Ele integra a rede \u201cObservat\u00f3rio Social do Brasil\u201d, presente em mais de 100 cidades, destinado a p\u00f4r nas m\u00e3os do povo instrumentos que lhe possibilitem vigiar e aprimorar a atua\u00e7\u00e3o do poder executivo, legislativo e judici\u00e1rio. Presente ao ato, dei o meu recado a quem me entrevistou: \u00abO Observat\u00f3rio Social vem ao encontro de uma necessidade h\u00e1 muito esperada pelo povo. Votar n\u00e3o \u00e9 suficiente; \u00e9 preciso continuar participando: acompanhando e fiscalizando o que se refere \u00e0 gest\u00e3o da coisa p\u00fablica\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A funda\u00e7\u00e3o do \u201cObservat\u00f3rio Social\u201d foi seguida de mais duas iniciativas semelhantes. No dia 25, os \u00edndios de Dourados implantaram o \u201cObservat\u00f3rio de Direitos Ind\u00edgenas do Mato Grosso do Sul\u201d (ODIN). Com a finalidade de promover os interesses culturais, jur\u00eddicos e econ\u00f4micos dos povos ind\u00edgenas, o novo organismo conta com a participa\u00e7\u00e3o de advogados, lideran\u00e7as pol\u00edticas, associa\u00e7\u00f5es culturais, professores e acad\u00eamicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com o advogado e seu primeiro presidente, Wilson Matos da Silva, o ODIN Nacional j\u00e1 existe h\u00e1 dois anos, e tem sua sede em Bras\u00edlia: \u00abO ODIN do Mato Grosso do Sul quer ser o elo nas quest\u00f5es que envolvem disputas por terras no Estado, que, muitas vezes, resultam na criminaliza\u00e7\u00e3o de l\u00edderes ind\u00edgenas\u00bb. Para ele, \u00e9 toda a sociedade brasileira que precisa se comprometer com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, para que seja assegurado aos \u00edndios o respeito \u00e0 pluralidade e a seus costumes, usos, linguagem e cren\u00e7as: \u00abPara tanto, \u00e9 necess\u00e1rio que a sociedade conhe\u00e7a os povos ind\u00edgenas; \u00e9 o que pretende fazer o Observat\u00f3rio de Dourados, contribuindo para a harmonia entre as partes\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A data de 8 de mar\u00e7o assinala o dia internacional da mulher. A forma encontrada por um grupo de mulheres ind\u00edgenas de Dourados para celebrar a efem\u00e9ride foi inovadora. No dia 5 de mar\u00e7o, a imprensa local publicou a seguinte not\u00edcia: \u00abAs mulheres da Reserva Ind\u00edgena de Dourados se uniram para dar um ponto final \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 viol\u00eancia que cercam as aldeias. M\u00e3es, mulheres de todas as idades, elas querem aprender uma profiss\u00e3o e se tornar empreendedoras. Para isso, est\u00e3o adequando a cultura local para atender o mercado de trabalho fora da Reserva. A funda\u00e7\u00e3o da \u201cAssocia\u00e7\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas de Dourados\u201d (AMID) foi o pontap\u00e9 inicial. Atrav\u00e9s de parcerias, a Associa\u00e7\u00e3o leva cursos profissionalizantes \u00e0s \u00edndias. Muitas delas j\u00e1 querem montar o seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esclarecedoras as raz\u00f5es que motivaram as mulheres, assim sintetizadas por uma delas: \u00abA mulher ind\u00edgena n\u00e3o quer continuar dependente. Queremos trabalhar e conseguir dinheiro para manter nossa fam\u00edlia, sem doa\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m. Queremos dignidade!\u00bb. Outra colega da associa\u00e7\u00e3o completou a dose: \u00abNossa cultura nos leva a ensinar os filhos a trabalhar desde cedo, ajudando o pai ou a m\u00e3e na lavoura e na comercializa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 produzido na aldeia ou fora dela. Infelizmente, a lei diz que crian\u00e7a n\u00e3o pode trabalhar. O que sobra para elas? Muitas acabam nas drogas, na prostitui\u00e7\u00e3o e na bebida\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o posso negar: fazia anos que eu esperava por essas iniciativas na sociedade douradense e, sobretudo, na comunidade ind\u00edgena. Se o \u201cObservat\u00f3rio Social de Dourados\u201d veio despertar nos cidad\u00e3os uma for\u00e7a e um compromisso h\u00e1 tempo adormecidos, as associa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas expressam o grito de liberta\u00e7\u00e3o de um povo que j\u00e1 n\u00e3o suporta um assistencialismo do Estado, cujo objetivo mais ou menos oculto parece ser mant\u00ea-lo distante e alheio ao desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estou convencido que, para preservar uma cultura t\u00e3o rica em valores humanos como \u00e9 a ind\u00edgena, ser\u00e1 necess\u00e1rio partir para novas formas de subsist\u00eancia, que ofere\u00e7am aos \u00edndios os benesses indispens\u00e1veis de uma sociedade organizada, tais como a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a moradia, o lazer e a seguran\u00e7a. Mas nada disso acontecer\u00e1 \u2013 e a pr\u00f3pria demarca\u00e7\u00e3o de terras n\u00e3o passar\u00e1 de ilus\u00e3o e fal\u00e1cia \u2013 se a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas n\u00e3o for acompanhada pela oferta de trabalho digno e de sal\u00e1rio justo para todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Redovino Rizzardo, cs Bispo de Dourados &#8211; MS A can\u00e7\u00e3o de Geraldo Vandr\u00e9 apareceu em 1968, mas 42 anos depois, em Dourados, ela teve uma reinterpreta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de tr\u00eas eventos altamente significativos.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12969"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}