{"id":13030,"date":"2011-04-18T00:00:00","date_gmt":"2011-04-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/questao-ecologica-questao-moral-1\/"},"modified":"2011-04-18T00:00:00","modified_gmt":"2011-04-18T03:00:00","slug":"questao-ecologica-questao-moral-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/questao-ecologica-questao-moral-1\/","title":{"rendered":"Quest\u00e3o ecol\u00f3gica, quest\u00e3o moral"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Card. Odilo P. Scherer<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right\">Arcebispo de S\u00e3o Paulo &#8211; SP<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Sempre mais nos damos conta de quanto o nosso planeta \u00e9 precioso e \u00fanico no universo. Sem excluir que possa haver vida em algum outro lugar na imensid\u00e3o do cosmo, o certo \u00e9 que, com todo o seu potencial para esquadrinhar o espa\u00e7o sideral, os estudiosos ainda n\u00e3o conseguiram detectar nada que se pare\u00e7a com a vida no nosso Planeta Azul; nem mesmo com suas formas mais elementares.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Terra \u00e9 a casa da vida, o espa\u00e7o privilegiado que abriga uma diversidade enorme de seres vivos. Ela \u00e9 o condom\u00ednio da fam\u00edlia humana, com suas ra\u00e7as, povos e culturas diferentes; lentamente, e com certa relut\u00e2ncia, vamos aprendendo que ningu\u00e9m \u00e9 dono absoluto de peda\u00e7o algum desse globo e que todos fazem parte de uma imensa comunidade humana, que tem tanto em comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos s\u00e3o respons\u00e1veis por todos nesta comunidade e o bem de cada um s\u00f3 ser\u00e1 completo, se tamb\u00e9m for o bem de todos os demais; da mesma forma, o mal de um, \u00e9 o mal de todos. Comum deve ser tamb\u00e9m o zelo para que este condom\u00ednio n\u00e3o seja descuidado e tornado inabit\u00e1vel com o passar do tempo. Est\u00e1 em jogo o bem de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Embora a quest\u00e3o ambiental entre, aos poucos, nas preocupa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, ainda estamos longe de ter alcan\u00e7ado uma consci\u00eancia coletiva que seja capaz de frear os estragos causados pela interven\u00e7\u00e3o humana na natureza; no \u00e2mbito dos comportamentos individuais, h\u00e1 muito que fazer para que o zelo pelo ambiente se torne habitual e cultural; no campo das decis\u00f5es pol\u00edticas, em todos os n\u00edveis, est\u00e1 dif\u00edcil chegar a consensos que levem plenamente a s\u00e9rio a quest\u00e3o ambiental; de fato, procura-se salvar, geralmente, mais os interesses imediatos e particulares do que a sustentabilidade, a m\u00e9dio e longo prazo, desta casa comum que nos abriga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja cat\u00f3lica, no Brasil, atrav\u00e9s da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), j\u00e1 pela 3\u00aa. vez, realiza a Campanha da Fraternidade sobre a ecologia.\u00a0 Neste ano, o assunto \u00e9 abordado de maneira ampla, com o tema \u201cfraternidade e vida no Planeta\u201d. Chama-se a aten\u00e7\u00e3o para o fen\u00f4meno de aquecimento global, as causas que o provocam e as consequ\u00eancias que poder\u00e1 trazer, ou j\u00e1 vai tendo; mostra-se, sobretudo, que o comprometimento das condi\u00e7\u00f5es ambientais para o futuro da vida na Terra n\u00e3o tem, geralmente, sua causa em fen\u00f4menos espont\u00e2neos da din\u00e2mica do universo, mas em a\u00e7\u00f5es do homem, que interferem no equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. Tais interven\u00e7\u00f5es foram aceleradas, sobretudo, pelo sistema industrial e os modelos econ\u00f4micos adotados a partir dos \u00faltimos 3 s\u00e9culos. A comunidade humana est\u00e1 cuidando mal da natureza, dela exigindo mais que ela pode dar, destruindo a pr\u00f3pria casa, pouco a pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vamos deixar correr, fazendo de conta que o problema n\u00e3o existe, ou que \u00e9 s\u00f3 dos outros? Manter o mesmo ritmo de consumo e de interfer\u00eancia na natureza, sem nos importar com as consequ\u00eancias? Num condom\u00ednio, quando aparecem problemas e riscos, \u00e9 normal que todos os cond\u00f4minos se re\u00fanam e decidam sobre o qu\u00ea fazer, pois o bem de todos est\u00e1 relacionado intimamente com o bem do pr\u00f3prio condom\u00ednio. N\u00e3o deveria ser diferente com nosso Planeta: descuidar da Terra faz mal a todos; cuidar bem da Terra \u00e9 bom para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O papa Jo\u00e3o Paulo II advertiu que a quest\u00e3o ecol\u00f3gica representa um problema moral, cujas implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o, basicamente, duas: a solidariedade para com os pobres e o direito das futuras gera\u00e7\u00f5es. De fato, os maiores prejudicados com a deteriora\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o, e o ser\u00e3o ainda mais no futuro, os pobres do mundo, os mais fracos e desprotegidos da fam\u00edlia humana. E n\u00e3o \u00e9 moralmente honesto viver e agir apenas pensando em si, sem levar em conta o bem dos membros mais fr\u00e1geis da fam\u00edlia. Por outro lado, esta \u00e9 uma quest\u00e3o de respeito e de justi\u00e7a para com as gera\u00e7\u00f5es futuras, que habitar\u00e3o este Planeta depois de n\u00f3s. Em que estado deixaremos este condom\u00ednio para nossos p\u00f3steros? A quest\u00e3o ecol\u00f3gica demanda com urg\u00eancia uma nova consci\u00eancia solid\u00e1ria. O zelo pelo Planeta \u00e9 um desafio moral, que a humanidade precisa enfrentar com pol\u00edticas adequadas de conviv\u00eancia e de intera\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel com a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Recentemente, na enc\u00edclica Caritas in Veritate (32), o papa Bento XVI apontou para a necessidade de uma revis\u00e3o profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e do sentido da economia e seus objetivos, para corrigir disfun\u00e7\u00f5es e deturpa\u00e7\u00f5es, que t\u00eam implica\u00e7\u00e3o direta na deteriora\u00e7\u00e3o do ambiente da vida na Terra. Por outro lado, n\u00e3o menos necess\u00e1ria \u00e9 uma renova\u00e7\u00e3o cultural, para redescobrir os valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir o futuro melhor para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para os crist\u00e3os e para os crentes em Deus, de modo geral, h\u00e1 um motivo a mais para tratar a natureza com profundo respeito e responsabilidade: ela \u00e9 d\u00e1diva do Criador para todas as suas criaturas, n\u00e3o, certamente, para que a depredem e destruam, mas para que dela vivam e louvem a Deus. De modo especial, o ser humano foi feito \u201czelador do jardim\u201d e colaborador inteligente e respons\u00e1vel no cuidado pela obra de Deus. Tratar mal a d\u00e1diva \u00e9 desprezar e ofender o doador; e a vontade de pot\u00eancia absoluta do homem sobre a natureza \u00e9 irrespons\u00e1vel, pois introduz a desordem no mundo; as consequ\u00eancias s\u00f3 podem ser desastrosas, como aquelas que j\u00e1 constatamos e lamentamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade deste ano \u00e9 um convite \u00e0 reflex\u00e3o e \u00e0 a\u00e7\u00e3o para manter acolhedora e viv\u00edvel para todos nossa preciosa casa no universo. Tamb\u00e9m para aqueles que a ocupar\u00e3o depois de n\u00f3s. \u00c9 quest\u00e3o moral; quest\u00e3o de fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Artigo publicado em O ESTADO DE S\u00c3O PAULO, Ed. de 12.02.2011<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Card. Odilo P. Scherer Arcebispo de S\u00e3o Paulo &#8211; SP Sempre mais nos damos conta de quanto o nosso planeta \u00e9 precioso e \u00fanico no universo. 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