{"id":13093,"date":"2009-12-08T00:00:00","date_gmt":"2009-12-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/economia-e-fraternidade\/"},"modified":"2009-12-08T00:00:00","modified_gmt":"2009-12-08T02:00:00","slug":"economia-e-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/economia-e-fraternidade\/","title":{"rendered":"Economia e fraternidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Em 2010, o tema da Campanha da Fraternidade (CF-2010) ser\u00e1 \u201ceconomia e vida\u201d e o lema, \u201cv\u00f3s n\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d (Mt 6,24). Promovida<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">todos os anos pela Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, desta vez, ser\u00e1 por iniciativa ecum\u00eanica do Conselho Nacional de Igrejas Crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A \u201cfraternidade\u201d \u00e9 express\u00e3o de uma antropologia segundo a qual os seres humanos, no fundo, s\u00e3o todos irm\u00e3os, membros de uma \u00fanica fam\u00edlia humana, com dignidade e direitos fundamentais comuns. Decorre da\u00ed, como consequ\u00eancia \u00e9tica, que esta dignidade deve ser reconhecida em cada ser humano e seus direitos fundamentais, respeitados e promovidos por todos. O que vale para um, vale para todos. Esta tamb\u00e9m \u00e9 a base da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na vis\u00e3o crist\u00e3, dizemos ainda que todos os seres humanos s\u00e3o filhos queridos do mesmo Deus; por isso, enquanto membros da fam\u00edlia de Deus, eles devem relacionar-se como verdadeiros irm\u00e3os, n\u00e3o importando as diferen\u00e7as de ra\u00e7a, povo, na\u00e7\u00e3o, cultura ou condi\u00e7\u00e3o social. E, por isso mesmo, toda ofensa ou desrespeito ao pr\u00f3ximo, assim como sua exclus\u00e3o do acesso aos bens necess\u00e1rios \u00e0 vida digna, tamb\u00e9m s\u00e3o ofensa a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na CF-2010, a atividade econ\u00f4mica \u00e9 o \u00e2mbito fundamental para a promo\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio da fraternidade. O tema tem ineg\u00e1vel pertin\u00eancia e atualidade. Quem duvida que \u00e9, justamente, nesse campo de a\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es humanas que acontecem as viola\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, e mesmo, as nega\u00e7\u00f5es mais flagrantes da fraternidade? Mas tamb\u00e9m \u00e9 no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que se apresentam as oportunidades mais concretas para viver de modo efetivo a fraternidade. E mais: As amea\u00e7as cada vez mais evidentes contra a vida humana e, de modo geral, contra a vida na Terra, tamb\u00e9m est\u00e3o relacionadas diretamente com causas econ\u00f4micas; como n\u00e3o podia deixar de ser, a preven\u00e7\u00e3o desses riscos depende da reorienta\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas \u2013 decis\u00e3o dif\u00edcil de ser tomada, quer para os comportamentos pessoais, quer para a pol\u00edtica econ\u00f4mica nacional e global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A recente crise financeira e econ\u00f4mica demonstrou mais uma vez que a economia sem crit\u00e9rios \u00e9ticos, ou com crit\u00e9rios equivocados, n\u00e3o tem bases s\u00f3lidas e suas conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o a pobreza e o sofrimento de muitas pessoas, grupos e de inteiros povos. A atividade econ\u00f4mica, que tem como objetivo supremo, em vez do suprimento das necessidades b\u00e1sicas do ser humano, o lucro a qualquer pre\u00e7o e o ac\u00famulo sempre maior de bens, gera\u00a0 multid\u00f5es de famintos, deixados \u00e0 margem do grande giro econ\u00f4mico, exclu\u00eddos do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m disso, a l\u00f3gica econ\u00f4mica que privilegia a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de sup\u00e9rfluos tamb\u00e9m se torna uma grave amea\u00e7a \u00e0 sustentabilidade da vida no planeta Terra. O aquecimento global, a polui\u00e7\u00e3o do ar, das \u00e1guas e do solo, a corrida para a posse e a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos recursos naturais, at\u00e9 \u00e0 sua exaust\u00e3o, deixam evidentes os riscos para o futuro da nossa casa comum. Do ponto de vista social, as massas de empobrecidos, que migram para regi\u00f5es mais pr\u00f3speras do mundo, s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia da atividade econ\u00f4mica desenvolvida por d\u00e9cadas, sem a preocupa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica com a solidariedade e a justi\u00e7a econ\u00f4mica global. Mais que em outros tempos, hoje ca\u00edmos na conta de que somos todos interdependentes; nossos benef\u00edcios tamb\u00e9m devem estender-se a todos, para que os males de outros n\u00e3o venham a ser nossos males tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O papa Bento XVI, na sua mais recente enc\u00edclica \u2013 Caritas in veritate (A Caridade na Verdade), recordou de maneira magistral um princ\u00edpio antigo da Doutrina Social da Igreja, que continua atual\u00edssimo na era da globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica: o progresso dos povos s\u00f3 ser\u00e1 aut\u00eantico se tiver em conta o bem\u00a0 de todas as pessoas e da pessoa toda. Para alcan\u00e7ar isso, ser\u00e1 necess\u00e1ria uma aten\u00e7\u00e3o sempre maior aos crit\u00e9rios da justi\u00e7a social, da equidade e da solidariedade, para que os benef\u00edcios econ\u00f4micos sejam efetivamente estendidos a todos. E teremos todos que aprender a viver de maneira mais s\u00f3bria, superando certo modo predat\u00f3rio de interagir com o pr\u00f3ximo e com a natureza, assimilando sempre mais a \u00e9tica do cuidado: Se formos todos bons cuidadores da natureza, ela ainda continuar\u00e1 a nos sustentar por muito tempo. Os rumos da economia n\u00e3o podem ficar entregues apenas \u00e0 l\u00f3gica do mercado, orientada pelo apetite do lucro a qualquer custo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O lema da CF-2010 \u00e9 um dito do Evangelho, no qual Jesus adverte contra o apego ao dinheiro, que pode tornar-se um empecilho para acolher de cora\u00e7\u00e3o livre e desimpedido o reino de Deus: este \u00e9 o bem supremo para o ser humano. \u201cN\u00e3o podeis servir a dois senhores porque, ou odiareis a um e amareis ao outro; ou vos apegareis a um e desprezareis ao outro. V\u00f3s n\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d (Lc 16,13). O amor servil ao dinheiro chama-se avareza e pode transformar-se em verdadeira idolatria, levando o homem a sacrificar tudo, mesmo os valores \u00e9ticos, a sa\u00fade e a pr\u00f3pria dignidade, para acumular bens. \u201cQue proveito traz isso ao homem? Acaso pode o dinheiro comprar a vida eterna?\u201d &#8211; pergunta Jesus. A idolatria do dinheiro cega e torna insens\u00edvel o cora\u00e7\u00e3o humano diante das necessidades e sofrimentos do pr\u00f3ximo. E tamb\u00e9m d\u00e1 certa sensa\u00e7\u00e3o de onipot\u00eancia, que faz passar por cima da Lei de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A CF-2010 abordar\u00e1 a quest\u00e3o econ\u00f4mica de maneira n\u00e3o acad\u00eamica e, de certa forma, provocadora, a partir do olhar dos menos beneficiados pelas teorias econ\u00f4micas convencionais e de crit\u00e9rios que, apesar de esquecidos, s\u00e3o determinantes para alcan\u00e7ar os objetivos priorit\u00e1rios da economia: P\u00e3o na mesa, casa, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e oportunidades de vida digna para todos os membros da fam\u00edlia humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2010, o tema da Campanha da Fraternidade (CF-2010) ser\u00e1 \u201ceconomia e vida\u201d e o lema, \u201cv\u00f3s n\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d (Mt 6,24). 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