{"id":13162,"date":"2009-02-15T00:00:00","date_gmt":"2009-02-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/secretario-da-cnbb-fala-sobre-a-campanha-da-fraternidade\/"},"modified":"2009-02-15T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-15T03:00:00","slug":"secretario-da-cnbb-fala-sobre-a-campanha-da-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/secretario-da-cnbb-fala-sobre-a-campanha-da-fraternidade\/","title":{"rendered":"Secret\u00e1rio da CNBB fala sobre a Campanha da Fraternidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Faltando poucos dias para a abertura da Campanha da Fraternidade (CF), o secret\u00e1rio-geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, em entrevista exclusiva \u00e0 Assessoria de Imprensa da CNBB, explica os objetivos desta Campanha que convoca a sociedade brasileira a debater o tema da Seguran\u00e7a P\u00fablica. Fala da ind\u00fastria da viol\u00eancia e do medo, al\u00e9m de apontar as a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas em favor de uma cultura de paz. Dom Dimas explica, ainda, o processo de escolha dos temas, realizado dois anos antes do lan\u00e7amento da Campanha da Fraternidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cNosso objetivo \u00e9 suscitar um debate sobre a quest\u00e3o da Seguran\u00e7a P\u00fablica e as causas da viol\u00eancia, sobre a cultura do medo, que reina em muitos lugares, e promover uma cultura da paz, em todos os \u00e2mbitos\u201d, afirma dom Dimas ao esclarecer os objetivos da Campanha da Fraternidade de 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o tema \u201cFraternidade e Seguran\u00e7a P\u00fablica\u201d, a campanha ser\u00e1 aberta no pr\u00f3ximo dia 25, Quarta-feira de Cinzas, durante a missa das 9h, no Bas\u00edlica Nacional de Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). A missa ser\u00e1 presidida pelo arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, e concelebrada por dom Dimas. Ap\u00f3s a missa, os bispos dar\u00e3o uma entrevista coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo dom Dimas, \u00e9 crescente a onda de viol\u00eancia no pa\u00eds e isso tem gerado medo na popula\u00e7\u00e3o. \u201cA ind\u00fastria do medo \u00e9 um subproduto do sentimento de inseguran\u00e7a que as pessoas t\u00eam\u201d, lembra o bispo. Entre as a\u00e7\u00f5es sugeridas pelo secret\u00e1rio-geral est\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o das chamadas Confer\u00eancias Livres de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Abaixo, a \u00edntegra da entrevista.<\/p>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: justify\">1. Dom Dimas, que motivos levaram a CNBB a escolher Seguran\u00e7a P\u00fablica como tema da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas &#8211; O tema da CF \u00e9 sempre escolhido ap\u00f3s uma mobiliza\u00e7\u00e3o das bases que coletam assinaturas nos Regionais1\u00a0 e as enviam \u00e0 CNBB defendendo temas que uma pastoral, movimento ou regional considera importante.\u00a0 Para 2009 havia mais de 20 propostas diferentes, entre as quais Seguran\u00e7a P\u00fablica, liderada pela Pastoral da Crian\u00e7a e pela Pastoral Carcer\u00e1ria. A Pastoral da Juventude e as pastorais sociais tamb\u00e9m propunham temas espec\u00edficos, mas depois decidiram pelo tema da Seguran\u00e7a P\u00fablica, facilitando a vota\u00e7\u00e3o. Esta vota\u00e7\u00e3o \u00e9 feita numa reuni\u00e3o especial do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), da qual participam n\u00e3o s\u00f3 os bispos do Conselho e os assessores [da CNBB], mas tamb\u00e9m os delegados dos Regionais para a Campanha da Fraternidade.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">2. Quais s\u00e3o os objetivos da CF 2009?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas &#8211; A CF tem como objetivo mais profundo levar \u00e0 viv\u00eancia da Quaresma, tempo forte de convers\u00e3o, em que por meio da ora\u00e7\u00e3o, do jejum, da caridade, da escuta da Palavra, da vida comunit\u00e1ria, nos preparamos para viver de maneira mais concreta a pr\u00f3pria P\u00e1scoa. A Campanha deste ano mostra a preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja com o problema da viol\u00eancia e da inseguran\u00e7a que assola a sociedade de maneira geral, nos grandes centros, no interior e no campo.\u00a0 Nosso objetivo \u00e9 suscitar um debate sobre a quest\u00e3o da Seguran\u00e7a P\u00fablica, [conhecer] as causas da viol\u00eancia e a cultura do medo que reina em muitos lugares. Queremos promover uma cultura da paz em todos os \u00e2mbitos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3. Em 1983, a Campanha da Fraternidade abordou o tema Fraternidade e Viol\u00eancia; em 2005, a promo\u00e7\u00e3o de uma cultura de paz. O que leva a Igreja a retomar tais temas em 2009?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas &#8211; De fato, o texto-base da CF deste ano retoma temas que j\u00e1 foram abordados em campanhas anteriores como \u201cFraternidade e os encarcerados\u201d; \u201cFraternidade sim, viol\u00eancia n\u00e3o\u201d; a problem\u00e1tica dos menores e do desemprego. Todos esses temas s\u00e3o recolhidos e atualizados [no texto da Campanha deste ano]. Existem certos temas [que acabam voltando] como, por exemplo, o problema ecol\u00f3gico discutido em 1979 com a campanha \u201cPreserve o que \u00e9 de todos\u201d. Essa tem\u00e1tica \u00e9 retomada nas campanhas sobre a \u00e1gua (2004) e a Amaz\u00f4nia (2007). J\u00e1 tivemos tamb\u00e9m uma CF sobre as drogas, que \u00e9 uma das causas da viol\u00eancia.\u00a0 Todos esses problemas s\u00e3o complexos e interdisciplinares, por isso \u00e9 muito importante que sejam retomados. Os jovens, por exemplo, queriam de novo uma CF sobre a juventude, j\u00e1 que a Assembl\u00e9ia dos Bispos, h\u00e1 dois anos, aprovou um documento sobre a Evangeliza\u00e7\u00e3o da Juventude. No entanto, quando eles perceberam que a Pastoral Carcer\u00e1ria e a Pastoral da Crian\u00e7a estavam se mobilizando em torno do tema da Seguran\u00e7a P\u00fablica, eles mesmos abriram m\u00e3o da sua proposta, porque t\u00eam consci\u00eancia\u00a0 de que as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia s\u00e3o os jovens.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">4. Dom Dimas, o texto-base da CF 2009 fala em conflito e viol\u00eancia. Qual a diferen\u00e7a entre esses dois atos? Como lidar com cada tipo de situa\u00e7\u00e3o?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas &#8211; Pode haver um conflito de id\u00e9ias ou de decis\u00f5es, por exemplo, no momento de uma assembleia escolher a prioridade da diocese ou da par\u00f3quia. Os conflitos podem surgir, inclusive, dentro da pr\u00f3pria casa.\u00a0 A quest\u00e3o \u00e9 a maneira como se vai resolver o conflito, se atrav\u00e9s do di\u00e1logo, buscando uma s\u00edntese, ou da for\u00e7a, da viol\u00eancia, de modo que as opini\u00f5es de uma pessoa prevale\u00e7am diante da realidade do outro. Se por conflitos entendemos diverg\u00eancias, \u00e9 evidente que ao se trabalhar juntos, eles v\u00e3o surgir. O conflito n\u00e3o precisa necessariamente levar \u00e0 viol\u00eancia. Queremos trabalhar o conflito atrav\u00e9s do di\u00e1logo. Para mediar os conflitos mais s\u00e9rios, podemos criar, no n\u00edvel de Igreja, um minist\u00e9rio e, no n\u00edvel dos poderes p\u00fablicos, uma atividade institucional. Atualmente o principal mediador de conflitos \u00e9 o juiz, o sistema judici\u00e1rio que, diante de um conflito de interesses, verifica, \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o, quem \u00e9 que tem raz\u00e3o. Existem propostas de leis para se ampliar essa media\u00e7\u00e3o de conflitos de modo que n\u00e3o apenas advogados, mas tamb\u00e9m psic\u00f3logos, te\u00f3logos, possam atuar como mediadores de conflitos, por exemplo, entre casais.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">5. E a viol\u00eancia?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas &#8211; Se a viol\u00eancia existe, ela precisa ser denunciada. A sociedade tem o direito de defender, sobretudo, aqueles que s\u00e3o mais vulner\u00e1veis. Sabemos que existe a viol\u00eancia dom\u00e9stica grav\u00edssima, sobretudo, contra a mulher e a crian\u00e7a. Existe a viol\u00eancia dos grupos do crime organizado; h\u00e1 a viol\u00eancia tanto praticada quanto sofrida por policiais; existe o racismo, viol\u00eancia simb\u00f3lica.\u00a0 Isso sem contar os abusos expl\u00edcitos no que diz respeito aos direitos humanos: tortura nas pris\u00f5es, trabalho escravo. H\u00e1 casos em que \u00e9 poss\u00edvel fazer com que essas viol\u00eancias cessem atrav\u00e9s de uma media\u00e7\u00e3o, de um trabalho de reconcilia\u00e7\u00e3o e de perd\u00e3o. H\u00e1 excelentes trabalhos como o da Pastoral Familiar, Pastoral Carcer\u00e1ria, Pastoral do Menor, que ajudam pessoas que, muitas vezes, est\u00e3o vivenciando uma verdadeira desestrutura\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e familiar. Existem outros casos, no entanto, em que \u00e9 preciso a den\u00fancia prof\u00e9tica para que a for\u00e7a da autoridade p\u00fablica se fa\u00e7a valer. A\u00ed o judici\u00e1rio e a pol\u00edcia t\u00eam mais efici\u00eancia. N\u00e3o somos contra uma a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, mas ela n\u00e3o precisa ser feita de modo a combater a viol\u00eancia com mais viol\u00eancia. Quando a viol\u00eancia existe, a postura tem de ser de defesa, sobretudo, dos inocentes e mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">6. Como lidar com a ind\u00fastria do medo?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas \u2013 H\u00e1 uma verdadeira ind\u00fastria que vai se desenvolvendo, dos alarmes, dos seguran\u00e7as particulares, dos carros blindados e at\u00e9 mesmo de certos programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o, que s\u00f3 fazem aumentar o medo. Numa cidade do interior que visitei, foram instaladas mais de mil cercas el\u00e9tricas nas casas. A ind\u00fastria do medo \u00e9 um subproduto do sentimento de inseguran\u00e7a que as pessoas t\u00eam. O que a gente tem de combater \u00e9 a viol\u00eancia e a inseguran\u00e7a. \u00c0 medida que elas s\u00e3o combatidas, essa ind\u00fastria do medo perde sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">7. Como a Igreja vai agir junto \u00e0s comunidades para trabalhar um tema t\u00e3o complexo como Seguran\u00e7a P\u00fablica?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas \u2013 Acima de tudo a Campanha da Fraternidade quer suscitar o debate para que cada comunidade levante as situa\u00e7\u00f5es de mais inseguran\u00e7a e viol\u00eancia presentes nela, questione sobre suas causas e procure se organizar para combat\u00ea-las pela raiz. Nesse sentido, a paz que queremos construir como fruto da justi\u00e7a h\u00e1 de ser resultado de um mutir\u00e3o, com a sociedade organizada atuando em parceria com as organiza\u00e7\u00f5es da Igreja e o Poder P\u00fablico para buscar solu\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO texto-base da CF, no entanto, apresenta, como sugest\u00f5es, v\u00e1rias pistas de a\u00e7\u00e3o. Algumas, evidentemente, valem para todos, como procurar conhecer a Defensoria P\u00fablica e fazer parcerias com ela para que, por exemplo, os pobres tenham um advogado que os defenda em casos de necessidade. As comunidades podem participar das confer\u00eancias municipais, estaduais e nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica, organizadas pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a que permite, ainda, a realiza\u00e7\u00e3o das chamadas Confer\u00eancias Livres. Elas podem ser organizadas por qualquer comunidade, associa\u00e7\u00e3o de moradores, condom\u00ednios. As conclus\u00f5es destas Confer\u00eancias Livres podem ser enviadas diretamente para o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, sem a necessidade de passar pela Secretaria Estadual e Municipal de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">8. Como despertar nas comunidades a responsabilidade pela Seguran\u00e7a P\u00fablica e pela promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas &#8211; Atrav\u00e9s da pr\u00f3pria din\u00e2mica da CF, que apresenta diversos subs\u00eddios. O texto-base \u00e9 apenas o texto fundamental, a partir do qual foram elaborados ourtos como celebra\u00e7\u00f5es penitenciais, via-sacra, c\u00edrculos b\u00edblicos, encontros para as fam\u00edlias, para a juventude, para as escolas. Al\u00e9m disso, o tema da CF \u00e9 apresentado no Congresso Nacional e o texto-base enviado aos deputados, ministros e outras autoridades. O tema \u00e9 discutido tamb\u00e9m nas escolas e universidades. A CF atinge desde as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, no Amazonas, at\u00e9 os condom\u00ednios das nossas grandes cidades. Nenhum outro instrumento da Igreja Cat\u00f3lica no Brasil tem uma capilaridade como essa.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">9. A Campanha da Fraternidade tem um gesto concreto que \u00e9 a Coleta da Solidariedade. Qual sua finalidade?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Dimas &#8211; O gesto concreto \u00e9 uma atividade peculiar, enquanto se trata de uma doa\u00e7\u00e3o em dinheiro feita na coleta do domingo de Ramos. Com isso \u00e9 constitu\u00eddo o Fundo Nacional de Solidariedade que financia projetos das mais diversas comunidades. Centenas de projetos, pequenos, m\u00e9dios e grandes, s\u00e3o financiados a partir desta colabora\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 outra forma de colaborar com a Campanha da Fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>1. S\u00e3o 17 os Regionais da CNBB (Norte 1 e 2; Nordeste 1, 2, 3, 4, 5; Noroeste; Oeste 1 e 2; Centro Oeste; Leste 1 e 2; Sul 1, 2, 3, 4). Alguns Regionais s\u00e3o formados por dioceses de estados vizinhos, outros por dioceses de um \u00fanico estado.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faltando poucos dias para a abertura da Campanha da Fraternidade (CF), o secret\u00e1rio-geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa, em entrevista exclusiva \u00e0 Assessoria de Imprensa da CNBB, explica os objetivos desta Campanha que convoca a sociedade brasileira a debater o tema da Seguran\u00e7a P\u00fablica. 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