{"id":13239,"date":"2010-03-29T00:00:00","date_gmt":"2010-03-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quaresma-fraternidade-e-vida\/"},"modified":"2010-03-29T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-29T03:00:00","slug":"quaresma-fraternidade-e-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quaresma-fraternidade-e-vida\/","title":{"rendered":"Quaresma, fraternidade e vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O calend\u00e1rio lit\u00fargico da Igreja, no mundo cat\u00f3lico, acompanha os mist\u00e9rios do nascimento, minist\u00e9rio, paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Ao preparar a P\u00e1scoa do Senhor, celebra o tempo da Quaresma, portador de gra\u00e7as especiais para os fi\u00e9is. No ciclo da P\u00e1scoa, a Quaresma tem uma espiritualidade pr\u00f3pria que toca a consci\u00eancia dos cat\u00f3licos, chamando-os a uma continuada convers\u00e3o, e fala ao seu cora\u00e7\u00e3o, suscitando atos de miseric\u00f3rdia, justi\u00e7a e caridade que s\u00e3o alimentados pelo exerc\u00edcio da ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria. Como n\u00e3o poderia deixar de ser, o centro de toda a viv\u00eancia celebrativa da Quaresma \u00e9 Jesus Cristo que se revela na fragilidade humana, submetida \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es, que est\u00e1 presente na vida de pessoas sedentas de Deus e do sentido da exist\u00eancia, como ocorreu no seu encontro com a samaritana, que sempre \u00e9 sens\u00edvel diante dos fracassos dos outros, tal como expressou na par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, que, na transfigura\u00e7\u00e3o, em meio aos desafios transit\u00f3rios da miss\u00e3o, antecipa a Pedro, Tiago e Jo\u00e3o a experi\u00eancia definitiva da felicidade no c\u00e9u.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O per\u00edodo da Quaresma \u00e9 favor\u00e1vel para o cultivo da fraternidade e da solidariedade porque a comunh\u00e3o com Deus, necessariamente, move os crist\u00e3os na dire\u00e7\u00e3o dos seus semelhantes. O exame de consci\u00eancia e a revis\u00e3o de vida, que s\u00e3o inerentes \u00e0 espiritualidade quaresmal, apontam aos fi\u00e9is os seus erros e pecados em rela\u00e7\u00e3o a Deus e ao pr\u00f3ximo, por a\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es. Por isso, a dimens\u00e3o da fraternidade \u00e9 um elemento integrante da viv\u00eancia quaresmal. Dessa forma, al\u00e9m de debru\u00e7ar-se sobre si mesmo, o olhar crist\u00e3o de cada pessoa volta-se, igualmente, para o outro. Com efeito, a fraternidade compreende a rela\u00e7\u00e3o interpessoal que mais imediatamente evidencia a qualidade da conviv\u00eancia harmoniosa. Nesse terreno, porventura, haver\u00e1 pessoas que n\u00e3o constatem fissuras no relacionamento com seus semelhantes? Com certeza, a grande maioria as identifica, ao longo de sua hist\u00f3ria de vida, apenas como cicatrizes ou ainda como chagas abertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O cultivo da fraternidade, todavia, compreende uma perspectiva que lhe \u00e9 indissoci\u00e1vel \u2013 a coletividade. A Igreja, no Brasil, exercita essa dimens\u00e3o da fraternidade, socialmente enfocada e pastoralmente trabalhada, desde 1964, com a realiza\u00e7\u00e3o da Campanha da Fraternidade. Gra\u00e7as \u00e0 sua pedagogia, o olhar comunit\u00e1rio sobre a realidade coletiva tem um significado especial porque abre janelas de visualiza\u00e7\u00e3o, na leitura do problema levantado e, em raz\u00e3o de a\u00e7\u00f5es tra\u00e7adas, gera participa\u00e7\u00e3o, na busca de suas solu\u00e7\u00f5es. A raz\u00e3o de ser da Campanha da Fraternidade sempre foi a vida \u2013 a vida da Par\u00f3quia, da Igreja, do povo, de determinada parcela do povo, a exemplo dos encarcerados, migrantes, idosos. Na se trata apenas de uma leitura s\u00f3cio-pol\u00edtica da vida da sociedade brasileira; mas, ao se defrontar com a realidade da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deixa de s\u00ea-lo, por\u00e9m o faz com a ilumina\u00e7\u00e3o da Palavra do Evangelho. Palavra que, com a mesma potencialidade daquela semente, de que fala Jesus em suas par\u00e1bolas, continua sendo lan\u00e7ada pela Igreja no ch\u00e3o concreto das comunidades crist\u00e3s e no \u00e2mbito de uma sociedade que tem estratos reconhecidamente marcados pela seculariza\u00e7\u00e3o que, assim, ficam indiferentes ou se revelam avessos ao an\u00fancio da Boa Nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este ano, o tema da CF \u2013 \u201cFraternidade e Vida\u201d &#8211; e o lema \u2013 \u201cN\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro\u201d (Mt 6,24) \u2013 p\u00f5em em relevo a necessidade de uma economia que esteja a servi\u00e7o da vida coletiva, dado que o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 altamente concentrador de renda e, portanto, segregador. O dinheiro, se sempre o foi, constitui hoje o par\u00e2metro gra\u00fado de uma economia que distancia pessoas, grupos e na\u00e7\u00f5es. Enquanto isso, a coleta da Campanha da Fraternidade, provavelmente considerado um gesto min\u00fasculo, ap\u00f3ia iniciativas concretas de economia solid\u00e1ria em muitas comunidades brasileiras. Com certeza, uma vis\u00e3o crist\u00e3 e uma pr\u00e1tica cidad\u00e3 podem dar um endere\u00e7o solid\u00e1rio \u00e0 economia que faz parte do cotidiano humano.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O calend\u00e1rio lit\u00fargico da Igreja, no mundo cat\u00f3lico, acompanha os mist\u00e9rios do nascimento, minist\u00e9rio, paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Ao preparar a P\u00e1scoa do Senhor, celebra o tempo da Quaresma, portador de gra\u00e7as especiais para os fi\u00e9is. No ciclo da P\u00e1scoa, a Quaresma tem uma espiritualidade pr\u00f3pria que toca a consci\u00eancia dos cat\u00f3licos, &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quaresma-fraternidade-e-vida\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Quaresma, fraternidade e vida<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[759,760],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/13239"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=13239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/13239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=13239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=13239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=13239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}