{"id":13426,"date":"2012-07-10T00:00:00","date_gmt":"2012-07-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/morre-o-fundador-da-campanha-da-fraternidade\/"},"modified":"2012-07-10T00:00:00","modified_gmt":"2012-07-10T03:00:00","slug":"morre-o-fundador-da-campanha-da-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/morre-o-fundador-da-campanha-da-fraternidade\/","title":{"rendered":"Morre o fundador da Campanha da Fraternidade"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u201c<\/strong>Dom Eug\u00eanio Sales foi o grande respons\u00e1vel pela exist\u00eancia da Campanha da Fraternidade\u201d, afirma padre Jos\u00e9 Adalberto Vanzella, doutor em Teologia, secret\u00e1rio executivo do regional nordeste 5 da CNBB. Artigo seu sobre o tema foi enviado \u00e0 sede da Confer\u00eancia em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Padre Vanzella lembra que para compreender a participa\u00e7\u00e3o de Dom Eug\u00eanio na campanha da Fraternidade da CNBB, \u201cprecisamos conhecer o processo hist\u00f3rico que possibilitou o surgimento da referida campanha. Este processo iniciou-se na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Durante a Segunda Guerra Mundial, Natal foi escolhida pelos Estados Unidos como lugar estrat\u00e9gico para comandar as tropas que lutavam no norte da \u00c1frica e, no final de 1941, a cidade, que tinha menos de 60.000 habitantes, recebeu 20.000 soldados norte americanos, o que gerou uma grande desordem social. O crescimento da cidade foi vertiginoso, de modo que, em 1950, a sua popula\u00e7\u00e3o era de 103.215 habitantes, o que significou um crescimento populacional de 84,18% em uma d\u00e9cada. Se esse \u00edndice de crescimento fosse mantido, Natal seria hoje pelo menos quatro vezes mais populosa e uma das cinco maiores cidades do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">O crescimento referido por padre Vanzella, no artigo, \u201cveio acompanhado de s\u00e9rios problemas que desafiaram a Igreja. Quem respondeu inicialmente aos desafios foi a A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica que, a partir de 1945, deixa de ter apenas objetivos religiosos e mission\u00e1rios para se preocupar tamb\u00e9m com os problemas sociais, o que acontece com a realiza\u00e7\u00e3o da Primeira Semana da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica. O assistente eclesi\u00e1stico das Senhoras da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica de Natal era o padre Nivaldo Monte. Ainda em 1945, o padre Eug\u00eanio de Ara\u00fajo Sales, diretor espiritual do Semin\u00e1rio Menor S\u00e3o Pedro, de Natal, criou a Juventude Masculina Cat\u00f3lica, e logo associou-se ao padre Nivaldo Monte na tarefa de responder aos desafios sociais da cidade de Natal. O resultado dessa uni\u00e3o foi o estabelecimento de reuni\u00f5es mensais, a partir de 1948, para discuss\u00e3o dos assuntos sendo que, aos poucos, todo o clero de Natal envolveu-se com a quest\u00e3o. O resultado dessas reuni\u00f5es foi o surgimento do Movimento de Natal, que tem como refer\u00eancia de seu surgimento o ano de 1948, com a\u00e7\u00f5es sociais em diferentes frentes<sup>\u201d.<\/sup><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 1961, segundo padre Vanzella, a C\u00e1ritas Brasileira idealizou uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da institui\u00e7\u00e3o, buscando autonomia financeira para a pr\u00e1tica da solidariedade. Era uma campanha de coleta que deveria acontecer no tempo da quaresma colhendo os frutos do jejum e da penit\u00eancia. Essa atividade foi chamada <em>Campanha da Fraternidade<\/em> e realizada, pela primeira vez, na Quaresma de 1962, em Natal (RN), a pedido do ent\u00e3o Administrador Apost\u00f3lico Sede Plena, dom Eug\u00eanio de Ara\u00fajo Sales, que havia sido nomeado bispo auxiliar em 1954 e, em 1962, assumiu a dire\u00e7\u00e3o da Arquidiocese. A iniciativa contou com ades\u00e3o de outras tr\u00eas dioceses e apoio financeiro dos bispos norte-americanos. No ano seguinte, dezesseis dioceses do Nordeste realizaram a Campanha, sendo que o local onde ela obteve maior sucesso foi a Arquidiocese de Fortaleza, principalmente por causa do est\u00edmulo, apoio e comprometimento do seu arcebispo, dom Jos\u00e9 de Medeiros Delgado.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEm 1963, na cidade de Nisia Floresta, quatro religiosas da Congrega\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria de Jesus Crucificado realizaram, \u00e0 luz do Conc\u00edlio Vaticano II que estava em andamento, uma experi\u00eancia de inser\u00e7\u00e3o, indo morar na par\u00f3quia que era sede vacante e atuando como verdadeiras vig\u00e1rias, inseridas tamb\u00e9m no contexto da Arquidiocese de Natal. Ao constatar a p\u00e9ssima condi\u00e7\u00e3o de vida do povo e a necessidade de uma a\u00e7\u00e3o mais efetiva de solidariedade, criaram a Marcha da Solidariedade, caminhada a p\u00e9 passando de casa em casa recolhendo doa\u00e7\u00f5es para a solidariedade\u201d, escreve padre Vanzella. \u201cEsta caminhada usava de todos os recursos dispon\u00edveis como carro de som, faixas, cartazes, etc., e todos os meios de locomo\u00e7\u00e3o e acontecia na semana que precedia o Domingo de Ramos, terminando no domingo. Nesta caminhada, arrecadavam todos os tipos de doa\u00e7\u00f5es, como roupas, utens\u00edlios dom\u00e9sticos, alimentos, rem\u00e9dios e, principalmente, produtos da agricultura local como o coco, mandioca, ab\u00f3bora, etc. Alguns produtos eram distribu\u00eddos diretamente e outros comercializados nas feiras livres da regi\u00e3o. Com os recursos angariados, eram comprados objetos que respondiam \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o como alimentos, redes, roupas, panelas, etc., que as irm\u00e3s distribu\u00edam para as pessoas carentes nas suas pr\u00f3prias casas. A comunidade que mais participou desta atividade em N\u00edsia Floresta foi a de Timb\u00f3, distante cinco quil\u00f4metros da sede, onde estive presidindo a Eucaristia e fiz uma reuni\u00e3o com os moradores que narraram fatos do in\u00edcio da Campanha da Fraternidade e pediram explica\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o atual da referida Campanha\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">No artigo, padre Vanzella lembra que \u201cdurante o desenvolvimento do Conc\u00edlio Vaticano II, o Cardeal Suenens fez um discurso, no final da primeira sess\u00e3o, que gerou uma discuss\u00e3o entre o episcopado brasileiro sobre a realiza\u00e7\u00e3o de uma campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos para a a\u00e7\u00e3o social. A consequ\u00eancia dessa discuss\u00e3o foi que, durante uma reuni\u00e3o dos Bispos do Brasil, na casa <em>Domus Mariae<\/em> em Roma, que aconteceu em outubro de 1963, foi aprovada a realiza\u00e7\u00e3o da Campanha da Fraternidade em \u00e2mbito nacional, seguindo o modelo que acontecia no Estado do Rio Grande do Norte\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir das decis\u00f5es desta reuni\u00e3o, segundo o texto do padre Vanzella, \u201cDom Helder C\u00e2mara, Secret\u00e1rio-Geral da CNBB, escreveu uma circular a todos os bispos do Brasil, datada de 26 de dezembro de 1963, que ficou conhecida como \u00b4certid\u00e3o de nascimento da Campanha da Fraternidade\u00b4 na qual coloca os seus princ\u00edpios fundamentais: \u00b4Excel\u00eancia: \u00c9, provavelmente, do seu conhecimento o plano de uma Campanha Nacional, na linha de coletas que s\u00e3o feitas na Alemanha Cat\u00f3lica. Embora ainda estejamos estudando com t\u00e9cnicos em publicidade o lan\u00e7amento desta promo\u00e7\u00e3o, permita a confian\u00e7a fraterna de enviar-lhe o primeiro esbo\u00e7o do que est\u00e1 ocorrendo como sugest\u00e3o. Por favor, envie-nos uma primeira rea\u00e7\u00e3o urgente: a) Em tese, a ideia lhe agrada? b) A Diocese de V. Excia. aderir\u00e1 \u00e0 Campanha? c) Que impress\u00e3o lhe causa o material remetido? Tem sugest\u00f5es a apresentar? Aguardo suas instru\u00e7\u00f5es e suas ordens o amigo em Jesus Cristo\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA cria\u00e7\u00e3o da Campanha da Fraternidade, no Rio Grande do Norte, n\u00e3o foi um ato isolado na vida de Dom Eug\u00eanio, mesmo porque este ato foi um avan\u00e7o num processo que ele vinha desenvolvendo h\u00e1 anos. Todos esses fatos nos mostram como a caridade moveu o seu cora\u00e7\u00e3o, assim como a sua sensibilidade em rela\u00e7\u00e3o ao sofrimento humano, que se mostrou presente em toda a sua vida como, principalmente nos trabalhos que ele realizou em Salvador e no Rio de Janeiro\u201d, conclui padre Vanzella.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDom Eug\u00eanio Sales foi o grande respons\u00e1vel pela exist\u00eancia da Campanha da Fraternidade\u201d, afirma padre Jos\u00e9 Adalberto Vanzella, doutor em Teologia, secret\u00e1rio executivo do regional nordeste 5 da CNBB. 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