{"id":13881,"date":"2008-10-24T00:00:00","date_gmt":"2008-10-24T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/manchetes-da-biblia\/"},"modified":"2020-03-11T16:25:34","modified_gmt":"2020-03-11T19:25:34","slug":"manchetes-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/manchetes-da-biblia\/","title":{"rendered":"Manchetes da B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Neste domingo termina em Roma o S\u00ednodo sobre a Palavra de Deus. Pelo n\u00famero de peritos convidados, fica evidente a provoca\u00e7\u00e3o para um renovado interesse pela B\u00edblia, uma colet\u00e2nea de escritos que recolhem dois mil\u00eanios, de Abra\u00e3o ao primeiro s\u00e9culo de nossa era, que servem de paradigma para toda a humanidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sua mensagem continua v\u00e1lida. Mas sua natureza de texto escrito a partir de viv\u00eancias concretas, coloca sempre de novo a necessidade de transpor estas experi\u00eancias para os novos contextos que a hist\u00f3ria vai engendrando. Disto decorre ao mesmo tempo a perman\u00eancia da B\u00edblia como \u201csignificante\u201d estruturado, portador de um \u201csignificado\u201d que precisa ser deduzido e atualizado, para usar palavras da moderna ling\u00fc\u00edstica. \u00c9 o permanente desafio da correta \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0 da B\u00edblia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Anos atr\u00e1s, nos bons tempos da aprendizagem escolar a partir do \u201clivro-texto\u201d, era preciso \u201cpassar de livro\u201d. A Igreja n\u00e3o precisa \u201cpassar de livro\u201d! Ela pode ficar os s\u00e9culos todos com o mesmo livro, escrito em parceria \u00fanica de Deus com os meandros da hist\u00f3ria humana..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em sua forma final, a mensagem da B\u00edblia \u00e9 apresentada como \u201cBoa Not\u00edcia\u201d, \u201cBoa Nova\u201d, um \u201cEvangelho\u201d, como ficou cunhada a palavra t\u00edpica para se referir \u00e0 mensagem de Jesus de Nazar\u00e9. Antes de apresentar o \u201cnotici\u00e1rio\u201d, sempre conv\u00e9m destacar as manchetes centrais, que atraem a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Percorrendo a B\u00edblia, identificamos logo algumas destas \u201cmanchetes\u201d, que ajudam a situar o conjunto da mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A primeira delas \u00e9 a respeito de Deus e do relacionamento especial que ele estabeleceu com seu povo: \u201cEscuta, Israel, o Senhor \u00e9 o teu Deus, um s\u00f3 \u00e9 o Senhor\u201d (Dt 6,4). S\u00e3o palavras muito densas. Cont\u00eam ao mesmo tempo a afirma\u00e7\u00e3o do senhorio de Deus sobre seu povo, e a enf\u00e1tica declara\u00e7\u00e3o de sua unicidade. \u00c9 a passagem mais lembrada pela espiritualidade hebraica, na famosa express\u00e3o retomada com freq\u00fc\u00eancia nos salmos: \u201cshem\u00e1, Israel, o Senhor \u00e9 o teu Deus, um \u00e9 o Senhor!\u201d, reafirmada sem rodeios por Jesus (Mc 12,29)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A\u00ed encontramos a contribui\u00e7\u00e3o religiosa mais importante do povo hebreu. A ele devemos a clara consci\u00eancia do moteismo, indispens\u00e1vel para balizar corretamente toda a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica a respeito de Deus. Bastaria isto para sermos eternamente agradecidos aos nossos \u201cirm\u00e3os maiores\u201d, os judeus. Historicamente eles se identificam com esta nobre causa da afirma\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca da unicidade de Deus, que abre caminho para a correta compreens\u00e3o do seu mist\u00e9rio, refletido na sua cria\u00e7\u00e3o, e revelado por sua iniciativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em decorr\u00eancia desta afirma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, segue a outra \u201cmanchete\u201d, de ordem \u00e9tica, o \u201cmandamento\u201d do amor total a este Deus \u00fanico e exclusivo: \u201cPortanto, amar\u00e1s o Senhor, teu Deus, com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com toda a tua for\u00e7a\u201d (Dt 6,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A estas duas manchetes conv\u00e9m logo acrescentar a terceira, que liga o amor a Deus com o amor ao pr\u00f3ximo: \u201cAmar\u00e1s o pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d. Quando perguntado pelos fariseus sobre o \u201cprimeiro\u201d mandamento, Jesus sempre fazia quest\u00e3o de lembrar que havia um \u201csegundo\u201d, que inclusive comprovava a veracidade do primeiro (Mt 22,38).\u00a0 E acrescentava: \u201cDestes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas\u201d (Mt 22,40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois, vieram as \u201cmanchetes\u201d decorrentes da \u201cBoa Nova\u201d anunciada por Jesus. Ele colocou a si pr\u00f3prio como refer\u00eancia para o amor ao pr\u00f3ximo. E fez quest\u00e3o de ressaltar: \u201ceste \u00e9 o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos tenho amado\u201d (Jo 13,34). Amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo fazia parte da antiga lei. Amar o pr\u00f3ximo como Jesus amou, faz parte do Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, outra \u201cmanchete\u201d que pode ser colocada nesta perspectiva de evolu\u00e7\u00e3o da mensagem b\u00edblica, \u00e9 aquela que o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o nos apresenta: \u201cDeus \u00e9 amor, e quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele\u201d (1Jo 4,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como robustos varais, estas \u201cmanchetes\u201d permitem desdobrar todas as p\u00e1ginas da B\u00edblia, e estend\u00ea-las ao sol da compreens\u00e3o humana.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Luiz Dem\u00e9trio Valentini<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo termina em Roma o S\u00ednodo sobre a Palavra de Deus. 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