{"id":15166,"date":"2012-06-20T00:00:00","date_gmt":"2012-06-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cardeal-scherer-discursa-na-rio20\/"},"modified":"2012-06-20T00:00:00","modified_gmt":"2012-06-20T03:00:00","slug":"cardeal-scherer-discursa-na-rio20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cardeal-scherer-discursa-na-rio20\/","title":{"rendered":"Cardeal Scherer discursa na Rio+20"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">No Rio de Janeiro para a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Rio+20, o cardeal dom Odilo Scherer, legado pontif\u00edcio e chefe da Delega\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9, discursou nesta ter\u00e7a-feira, 19 de junho, em um evento paralelo \u00e0 Rio+20, sobre Agricultura e Sociedades sustent\u00e1veis: seguran\u00e7a alimentar, terra e solidariedade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<p>O evento foi uma iniciativa da C\u00e1ritas Internacional, CIDSE e organiza\u00e7\u00e3o Franciscana Internacional. Tamb\u00e9m participaram do evento o arcebispo de Dioulasso, em Burkina Fasso, dom Paul Yembuado Ou\u00e9draogo, e o observador permanente da Santa S\u00e9 na ONU, arcebispo Francis Chullikatt.<\/p>\n<p>Em seu discurso, o cardeal ressaltou que \u201ca centralidade da pessoa humana no Princ\u00edpio 1\u00ba da Confer\u00eancia de 1992 \u00e9 um lembrete de que o desenvolvimento sustent\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ado atrav\u00e9s do desenvolvimento econ\u00f4mico, ambiental ou pol\u00edtico isoladamente, mas antes, e acima de tudo, deve ser medido pela sua capacidade de promover e salvaguardar a dignidade da pessoa humana\u201d.<\/p>\n<p>Dom Odilo recordou a responsabilidade da sociedade para com o meio ambiente e ressaltou, por\u00e9m, que n\u00e3o se pode tirar a dignidade humana e nem deixar de lado o direito a vida \u201ca centralidade da pessoa humana requer que a sociedade me\u00e7a o progresso econ\u00f4mico sobretudo pela capacidade de promover a pessoa humana. Isso requer que a \u00e9tica n\u00e3o seja separada das tomadas de decis\u00f5es econ\u00f4micas, mas sim que seja reconhecida\u201d.<\/p>\n<p>Ao finalizar seu discurso, o arcebispo refor\u00e7ou que a Santa S\u00e9 tem procurado \u201cpromover um desfecho que respeite a dignidade da pessoa humana\u201d, e que o maior recurso do planeta \u00e9 o ser humano. E este est\u00e1 \u201cno centro do desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra do discurso, em tradu\u00e7\u00e3o cedida pela Arquidiocese de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><strong>Pontos de discuss\u00e3o de Sua Emin\u00eancia, Cardeal Scherer<\/strong><br \/>\n<strong>AGRICULTURA &amp; SOCIEDADES SUSTENT\u00c1VEIS: Seguran\u00e7a alimentar, Terra e Solidariedade<\/strong><\/div>\n<p><em>Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<br \/>\nRio de Janeiro<br \/>\nCentro de Confer\u00eancia<\/em><\/p>\n<p>Excel\u00eancias, Senhoras e Senhores,<\/p>\n<p>\u00c9 uma honra e um grande prazer estar aqui hoje como enviado Especial de Sua Santidade o Papa Bento XVI \u00e0 Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Primeiramente, gostaria de agradecer Sua Excel\u00eancia Arcebispo Francis Chullikatt por sua dedica\u00e7\u00e3o permanente, tanto nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, quanto nesta Confer\u00eancia.<\/p>\n<p>Ainda, gostaria de agradecer Sua Excel\u00eancia Arcebispo Paul Ouedraogo, Senhora Gisele Henriques, Senhora Cristina Dos Anjoys e Senhora Maria Elena Aradas por terem se juntado a n\u00f3s neste dia. O trabalho, a n\u00edvel base, da CARITAS Internationalis, CIDSE e da\u00a0 Franciscans International, \u00e9 uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a promo\u00e7\u00e3o do ser humano centrado no desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Vinte anos atr\u00e1s, l\u00edderes do mundo vieram para o Rio de Janeiro para estabelecer um novo modelo e estrutura para promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Nessa reuni\u00e3o, eles reconheceram que, na da promo\u00e7\u00e3o de uma nova e mais justa parceria para o desenvolvimento sustent\u00e1vel, o princ\u00edpio b\u00e1sico que deve orientar o desenvolvimento global exige colocar a pessoa humana no centro das preocupa\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. A centralidade da pessoa humana no Princ\u00edpio 1 da Confer\u00eancia de 1992 \u00e9 um lembrete de que o desenvolvimento sustent\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ado atrav\u00e9s do desenvolvimento econ\u00f4mico, ambiental ou pol\u00edtico isoladamente, mas antes, e acima de tudo, deve ser medido pela sua capacidade de promover e salvaguardar a dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>Agora, vinte anos depois, n\u00f3s continuamos a ver as consequ\u00eancias para o desenvolvimento humano quando a pessoa humana n\u00e3o \u00e9 colocada no centro desenvolvimento pol\u00edtico, ambiental ou social, mas \u00e9 bastante colocado \u00e0 sua merc\u00ea. A cont\u00ednua promo\u00e7\u00e3o das abordagens neo-malthusianas para o desenvolvimento, que veem o ser humano como obst\u00e1culo para o desenvolvimento, em vez de um benef\u00edcio para este, levou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de programas que promovem a destrui\u00e7\u00e3o da vida humana e desenvolveu uma cultura hostil \u00e0 vida. Os efeitos de uma abordagem n\u00e3o centrada no ser humano pode ser verificada no envelhecimento de comunidades ao redor do mundo hoje e nos milh\u00f5es de \u00f3rf\u00e3os que nunca tiveram a aportunidade de nascer e cujas contribui\u00e7\u00f5es graduais para o nosso planeta, portanto, ficar\u00e3o para sempre em falta.<\/p>\n<p>A centralidade da pessoa humana requer que a sociedade me\u00e7a o progresso econ\u00f4mico sobretudo pela capacidade de promover a pessoa humana. Isso requer que a \u00e9tica n\u00e3o seja separada das tomadas de decis\u00f5es econ\u00f4micas, mas sim que seja reconhecida. A \u00e9tica da justi\u00e7a e da solidariedade serve como a funda\u00e7\u00e3o de uma efici\u00eancia social e econ\u00f4mica, crucial para reparar injusti\u00e7as e reformar institui\u00e7\u00f5es fundadas para perpetuar a pobreza, o subdesenvolvimento e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, permitindo a todos o direito de participar na vida econ\u00f4mica para o progresso de suas comunidades e sociedades. Quando a dimens\u00e3o \u00e9tica \u00e9 negligenciada na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas, podemos facilmente ver os efeitos desumanizantes e desestabilizantes resultantes de um crescimento econ\u00f4mico realizado \u00e0 custa do detrimento dos seres humanos.<\/p>\n<p>A atual crise financeira e econ\u00f4mica atesta os perigos do desenvolvimento econ\u00f4mico que desdenha imperativos \u00e9ticos e morais e demonstra que o interesse pr\u00f3prio e a gan\u00e2ncia apenas fomentam o agravamento da desigualdade social e da divis\u00e3o. A consequ\u00eancia de uma ordem econ\u00f4mica ambivalente com os imperativos morais e \u00e9ticos pode ser visto nos rostos das mulheres e homens desempregados que lutam para sustentar suas fam\u00edlias, na agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica crescente que assola o mundo, enquanto os l\u00edderes pol\u00edticos tentam estabilizar a sistemas econ\u00f4micos, na brutalmente verificada nas vidas dos mais pobres da sociedade, cujos filhos morrem de fome ou sucumbidos por doen\u00e7as facilmente trat\u00e1veis e controladas. Estas realidades emergem onde as pol\u00edticas econ\u00f4micas n\u00e3o conseguem reconhecer o v\u00ednculo essencial entre a moralidade e a vida econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A centralidade da pessoa humana no desenvolvimento sustent\u00e1vel deve orientar n\u00e3o s\u00f3 o trabalho dos gestores pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m do setor privado. Embora o desenvolvimento da riqueza seja um objetivo da economia, a cria\u00e7\u00e3o de riqueza deve se concentrar no progresso em qualidade e da moralidade, e n\u00e3o apenas na quantidade de riqueza gerada. Quando a acumula\u00e7\u00e3o de riqueza for valorizada como um bem social em si, ciclos insustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o e consumo v\u00e3o continuar a provocar o esgotamento inexor\u00e1vel de recursos, deixando as pessoas e as comunidades ansiosas por uma felicidade aut\u00eantica. O que \u00e9 necess\u00e1rio, antes, \u00e9 o meio para a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento humano integral, que reconhece que o real desenvolvimento solicita mais que o simples desenvolvimento econ\u00f4mico, social ou pol\u00edticos, mas exige, acima de tudo, que o desenvolvimento da pessoa humana seja mantido na frente e no centro de tudo.<\/p>\n<p>A enc\u00edclica do Papa Bento XVI, Caritas in veritate, elabora as necessidades da promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento integral, a fim de estimular o verdadeiro desenvolvimento humano e, portanto, o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Tal desenvolvimento integral requer o reconhecimento que abordagens puramente institucionais para o desenvolvimento n\u00e3o podem ser suficientes para o genu\u00edno desenvolvimento, mas que cada membro individual da sociedade \u00e9 dotado de uma atitude vocacional que livremente assume a responsabilidade, na genu\u00edna solidariedade para com o outro e toda cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O reconhecimento de uma dimens\u00e3o \u00e9tica para o desenvolvimento n\u00e3o se limita apenas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de riqueza, mas tamb\u00e9m \u00e9 relevante para o nosso papel como administradores da cria\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o somos chamados para subjugar e dominar a cria\u00e7\u00e3o (cf. Gn 1:28) sem refer\u00eancia a quaisquer crit\u00e9rios determinados . Em vez disso, estamos a exercer este mandato numa gest\u00e3o respons\u00e1vel da cria\u00e7\u00e3o para o florescimento da gera\u00e7\u00e3o atual e as futuras gera\u00e7\u00f5es. Isso requer o reconhecimento de uma responsabilidade primordial para com o meio ambiente para a melhora de o nosso futuro e que de todo o planeta.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o adequada da cria\u00e7\u00e3o reconhece a importante contribui\u00e7\u00e3o que a ci\u00eancia e a tecnologia trazem para a prote\u00e7\u00e3o ambiental e fornece os recursos necess\u00e1rios para a sobreviv\u00eancia humana. No entanto, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e cient\u00edficos devem ser sempre prudentes e respons\u00e1veis, para que seus reais objetivos sejam servir toda a humanidade. Os avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos n\u00e3o podem, portanto, tornarem-se um novo meio para a cria\u00e7\u00e3o de barreiras para os pobres, nem podem ser permitir provocar novos, longos e duradouros detrimentos que ferem o delicado equil\u00edbrio de v\u00e1rios ecossistemas nossos.<\/p>\n<p>O direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel continua a ser dois dos mais elementares direitos humanos que ainda n\u00e3o foram cumpridos em tantas partes do nosso planeta. Os avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos certamente tornaram poss\u00edveis que toda a comunidade internacional pudesse se beneficiar da generosidade de cria\u00e7\u00e3o para o bem de toda a humanidade, mas milh\u00f5es de pessoas ainda vivem sem esses direitos mais b\u00e1sicos. Uma ordem internacional mais eficaz requer mais solidariedade e maior responsabiliza\u00e7\u00e3o perante os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, especialmente os mais necessitados. As crian\u00e7as que passam fome e morrem de disenteria s\u00e3o nossas crian\u00e7as: isso n\u00e3o \u00e9 problema local, mas \u00e9 um problema que requer que toda a comunidade internacional se una para trabalhar para cumprir o mais b\u00e1sico dos direitos humanos.<\/p>\n<p>O progresso tecnol\u00f3gico, cient\u00edfico e humano tornou-se de vital import\u00e2ncia se quisermos abordar a seguran\u00e7a alimentar e a promo\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas saud\u00e1veis e boa gest\u00e3o da terra.\u00a0 Como o Papa Bento XVI tem sublinhado recentemente, \u201ca fome n\u00e3o \u00e9 muito dependente da falta de coisas materiais como na escassez de recursos sociais\u201d. Para resolver esta falta de recursos sociais \u00e9 imperativo m\u00e1ximo que os l\u00edderes da sociedade tomem as medidas necess\u00e1rias para resolver as causas estruturais da inseguran\u00e7a alimentar e promovam um maior investimento no desenvolvimento agr\u00edcola nos pa\u00edses pobres.<\/p>\n<p>Com o acesso maior e mais equitativo \u00e0s mercadorias e \u00e0s tecnologias agr\u00e1rias, como a irriga\u00e7\u00e3o e o eficiente armazenamento e transporte de mercadorias e de transporte e a remo\u00e7\u00e3o de programas do mercado distorcidos, podemos fazer uma contribui\u00e7\u00e3o substancial para a resolu\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar\u00a0 e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>No desenvolvimento de tais pol\u00edticas, temos de assegurar que a coopera\u00e7\u00e3o, em conformidade com o princ\u00edpio da subsidiariedade, oriente nossos esfor\u00e7os para garantir estas escolhas das comunidades locais e precisam ser tratadas de forma adequada e tidas em considera\u00e7\u00e3o. Assim, a agricultura, a assist\u00eancia ao desenvolvimento e os programas de reforma agr\u00e1ria n\u00e3o deveriam ser implementados de cima para baixo, mas deveriam sim ativamente ser levados em considera\u00e7\u00e3o e cooperar com as comunidades locais.<\/p>\n<p>Um dos primeiros passos a serem tomados no tratamento a reforma agr\u00e1ria \u00e9 resolver a falta de direitos de terra e propriedade por marginalizados dentro da sociedade. A crescente concentra\u00e7\u00e3o da propriedade da terra e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola por poucos apresentam uma obriga\u00e7\u00e3o moral para os l\u00edderes pol\u00edticos e sociais para encontrar meios equitativos e justos para uma reforma agr\u00e1ria em longo prazo. Em particular, maiores investimentos em agricultura familiar e pequenas propriedade proporcionam uma oportunidade \u00fanica, tanto para apoiar a fam\u00edlia e quanto para apoiar um futuro mais sustent\u00e1vel para a agricultura em longo prazo.<\/p>\n<p>O destino universal dos bens da terra tamb\u00e9m se aplica \u00e0 \u00e1gua, esse elemento vital, essencial para nossa sobreviv\u00eancia e para a agricultura. A Sagrada Escritura tem tamb\u00e9m a \u00e1gua como um s\u00edmbolo de vida, sustento e purifica\u00e7\u00e3o. Por sua pr\u00f3pria natureza, a \u00e1gua nunca pode ser tratada como mais uma mercadoria, mas deve sim ser reconhecida como um direito inalien\u00e1vel de ser compartilhada em solidariedade e generosidade com os outros. A \u00e1gua \u00e9 um bem p\u00fablico, o que significa que \u00e9 da responsabilidade da lideran\u00e7a pol\u00edtica garantir que todas as pessoas tenham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, especialmente os pobres. O descumprimento de obriga\u00e7\u00f5es tais resultados em sofrimento, conflitos e doen\u00e7as e, portanto, prejudica o direito inerente \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Ao redor do mundo, graves problemas ecol\u00f3gicos e humanos exigem uma mudan\u00e7a fundamental no estilo de vida se quisermos ser melhores administradores da cria\u00e7\u00e3o e promover uma mais justa comunh\u00e3o econ\u00f4mica internacional. M\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, portanto, demandam an\u00e1lise atenta para garantir o direito a alimentos suficientes, saud\u00e1vel e nutritiva e \u00e1gua, e para alcan\u00e7ar esse direito, de forma a reconhecer as nossas obriga\u00e7\u00f5es de proteger o meio ambiente como uma heran\u00e7a compartilhada para as gera\u00e7\u00f5es atuais e futuras.<\/p>\n<p>Isto exige romper com o longo ciclo de mais de consumo e produ\u00e7\u00e3o, de pobreza e de degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Aqui, devemos reconhecer que todas as decis\u00f5es econ\u00f4micas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es morais que exigem de n\u00f3s redescobrir os valores de longa data da sobriedade, da temperan\u00e7a e auto-disciplina. Um mundo no qual os ricos consomem uma percentagem esmagadora de recursos humanos e naturais \u00e9 escandaloso e chama para uma renovada disposi\u00e7\u00e3o para se tornar mais consciente da interdepend\u00eancia de todos os habitantes da terra. A aut\u00eantica solidariedade global deve motivar indiv\u00edduos e l\u00edderes pol\u00edticos a reavaliar suas escolhas de estilo de vida, a fim de fazer escolhas que promovam a dignidade humana e a solidariedade global. A este respeito, devemos reconhecer o papel fundamental que a fam\u00edlia desempenha na aprendizagem e ensino dos valores necess\u00e1rios para se formarem cidad\u00e3os respons\u00e1veis que fazem escolher respons\u00e1veis de estilo de vida.<\/p>\n<p>Antes de concluir, eu gostaria de tocar em algumas das preocupa\u00e7\u00f5es constantes da Santa S\u00e9 no processo de negocia\u00e7\u00f5es. Enquanto a Santa S\u00e9 tem procurado promover um desfecho que respeite a dignidade da pessoa humana, n\u00f3s continuamos a ver algumas delega\u00e7\u00f5es tentando promover estas quest\u00f5es como &#8220;din\u00e2mica populacional&#8221; ou &#8220;direitos reprodutivos&#8221;, como uma forma de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Estas propostas s\u00e3o baseadas em uma no\u00e7\u00e3o errada de que o desenvolvimento sustent\u00e1vel e a prote\u00e7\u00e3o ambiental s\u00f3 podem ser alcan\u00e7ados atrav\u00e9s da garantia de que haja menos pessoas em nosso planeta. Sublinhada por uma hermen\u00eautica da suspeita que fere profundamente a solidariedade humana, tal ideologia levou a um alarmante destrui\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia e, fundamentalmente, priva o planeta de seu maior recurso, a pessoa humana, que est\u00e1 no centro do desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um grande volume de trabalho continua em busca um olhar para o futuro consciente, ciente que o documento resultante \u00e9 de responsabilidade de todos os pa\u00edses. Os esfor\u00e7os para assegurar que os pa\u00edses em desenvolvimento tenham acesso \u00e0 t\u00e3o necess\u00e1ria amig\u00e1vel tecnologia ecol\u00f3gica, e financeira para a transi\u00e7\u00e3o para um futuro mais sustent\u00e1vel s\u00e3o apenas dois dos muitos exemplos em que uma maior solidariedade entre pa\u00edses em desenvolvimento e nas economias desenvolvidas \u00e9 necess\u00e1ria, se quisermos fazer uma diferen\u00e7a duradoura no mundo. Da mesma forma, maior solidariedade \u00e9 necess\u00e1ria para promover o acesso a empregos decentes e cuidados b\u00e1sicos de sa\u00fade, bem como os direitos dos migrantes. Essa \u00e9 a nossa esperan\u00e7a, que o texto final do documento seja satisfat\u00f3rio na abordagem destas quest\u00f5es para que possa ser dito de contribuir para o bem-estar material e espiritual de todas as pessoas, suas fam\u00edlias e suas comunidades.<\/p>\n<p>Obrigado.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><strong>Cardeal Odilo Scherer<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: center\"><em>Arcebispo de S\u00e3o Paulo<\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: center\"><em>Legado Pontif\u00edcio para a Confer\u00eancia Rio+20<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Rio de Janeiro para a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Rio+20, o cardeal dom Odilo Scherer, legado pontif\u00edcio e chefe da Delega\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9, discursou nesta ter\u00e7a-feira, 19 de junho, em um evento paralelo \u00e0 Rio+20, sobre Agricultura e Sociedades sustent\u00e1veis: seguran\u00e7a alimentar, terra e solidariedade.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":2223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[1],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/15166"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=15166"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/15166\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/2223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=15166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=15166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=15166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}