{"id":16539,"date":"2008-07-28T00:00:00","date_gmt":"2008-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/religiosidade-e-cultura-popular\/"},"modified":"2020-03-11T16:34:35","modified_gmt":"2020-03-11T19:34:35","slug":"religiosidade-e-cultura-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/religiosidade-e-cultura-popular\/","title":{"rendered":"Religiosidade e cultura popular"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 exclusividade do ocidente, mas \u00e9 muito acentuada a presen\u00e7a da religi\u00e3o, como tal, e, em particular, do cristianismo na vida cultural do povo. Isso \u00e9 claramente vis\u00edvel no continente latino-americano. No Brasil, ao olharmos, por exemplo, a realidade do Nordeste, essa constata\u00e7\u00e3o salta aos olhos, de imediato. A hist\u00f3ria da regi\u00e3o registra esse fato, com uma nota muito constante e generalizada.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitas express\u00f5es culturais que est\u00e3o muito presentes na hist\u00f3ria do Nordeste t\u00eam ra\u00edzes nitidamente religiosas. As festas populares evidenciam isso, de maneira especial, no calend\u00e1rio junino; mas esse fen\u00f4meno tamb\u00e9m est\u00e1 presente em outros momentos do ano civil e lit\u00fargico, como per\u00edodo quaresmal, pascal, natalino e festas de padroeiro. Esse dado revela que a pr\u00e1tica religiosa, uma realidade que se situa no plano da f\u00e9, se tornou um fator de alimenta\u00e7\u00e3o da vida do povo, em aspectos ligados ao seu cotidiano ou a momentos festivos, felizes, tristes, preocupantes e esperan\u00e7osos de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na verdade, esse \u00e9 um fato hist\u00f3rico entre n\u00f3s. Por exemplo, em outros continentes, no passado, as carpideiras, \u201cuma profiss\u00e3o feminina\u201d, choravam, mediante pagamento, \u201cpara o defunto alheio, sem nenhum sentimento, grau de parentesco ou amizade.\u201d Entre n\u00f3s, as mulheres cantavam as \u201cincelen\u00e7as\u201d, movidas pela f\u00e9: \u201cAlma bendita\/por quem est\u00e1 esperando\/por uma incelen\u00e7a\/que n\u00f3s tamos cantando. (&#8230;) Oh! Meu Pai eu vou pr\u00f4 c\u00e9u\/um anjo vai me levando\/do mundo vou me esquecendo\/ meus pecados vou lembrando\/e na presen\u00e7a de Deus\/eu vou agora chegando.\u201d. Dessa maneira, diante da tristeza causada pela morte, encontramos, na melodia triste e na letra marcada pelo sentimento doloroso, a gratuidade da solidariedade religiosa por parte de pessoas que n\u00e3o estavam ligadas, necessariamente, \u00e0 fam\u00edlia. Por outro lado, basta nos fixarmos no per\u00edodo junino, identificamos a alegria, com uma variedade de express\u00f5es religiosas e culturais, come\u00e7ando pela mem\u00f3ria dos Santos da devo\u00e7\u00e3o popular \u2013 Santo Ant\u00f4nio, S\u00e3o Jo\u00e3o Batista e S\u00e3o Pedro. Com devo\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a, o povo canta: \u201cAi S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Jo\u00e3o do Carneirinho\/Voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o bonzinho\/Fale com S\u00e3o Jos\u00e9, fale l\u00e1 com S\u00e3o Jos\u00e9\/Pe\u00e7a Pra ele me ajudar\/Pe\u00e7a pra meu milho d\u00e1 20 espiga em cada p\u00e9.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse sentido, muitos elementos da cultura popular t\u00eam um substrato religioso. Reconhecidamente, h\u00e1 um esfor\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o, pela via cultural, de pr\u00e1ticas que, no passado, eram vividas como express\u00e3o de f\u00e9; sem d\u00favida, h\u00e1 um valor nesse trabalho de preserva\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os culturais que revelam a \u00edndole religiosa do povo. Nesse sentido, o Documento de Aparecida, escrito pelos Bispos Latino-americanos, em maio de 2007, fala da \u201cf\u00e9 j\u00e1 presente na religiosidade popular.\u201d Em sua a\u00e7\u00e3o pastoral, a Igreja redescobre o valor da religiosidade popular ainda muito forte na vida das comunidades, realidade que se manifesta de muitas maneiras, muito embora a sua alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja f\u00e1cil, diante das marcas da modernidade e da seculariza\u00e7\u00e3o. Todavia, apesar dessas for\u00e7as contr\u00e1rias, h\u00e1 aspectos da religiosidade popular, como romarias, prociss\u00f5es, caminhadas penitenciais e outras linguagens que revelam a viv\u00eancia religiosa que est\u00e1 contida nesses e em muitos outros atos de f\u00e9 individual e coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante dessa realidade, o Documento de Aparecida afirma: \u201c&#8230; \u00e9 necess\u00e1rio cuidar do tesouro da religiosidade popular de nossos povos\u201d. A Igreja faz isso em sua catequese e liturgia, mas tamb\u00e9m mediante outras formas de realizar sua miss\u00e3o de anunciar o Reino de Deus.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva de Fran\u00e7a<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 exclusividade do ocidente, mas \u00e9 muito acentuada a presen\u00e7a da religi\u00e3o, como tal, e, em particular, do cristianismo na vida cultural do povo. 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