{"id":16584,"date":"2016-09-20T00:00:00","date_gmt":"2016-09-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-vitimas-das-guerras-imploram-paz-diz-o-papa-francisco\/"},"modified":"2020-03-11T16:34:25","modified_gmt":"2020-03-11T19:34:25","slug":"as-vitimas-das-guerras-imploram-paz-diz-o-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-vitimas-das-guerras-imploram-paz-diz-o-papa-francisco\/","title":{"rendered":"\u201cAs v\u00edtimas das guerras imploram paz\u201d, diz o papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz fez parte do evento \u201cSede de Paz. Religi\u00f5es e Culturas em di\u00e1logo\u201d<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O papa Francisco foi hoje, dia 20, a Assis, na It\u00e1lia, para celebrar os 30 anos do hist\u00f3rico Encontro de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz, realizado no dia 27 de outubro de 1986, por iniciativa de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II. De acordo com a R\u00e1dio Vaticano, cerca de 500 l\u00edderes religiosos e personalidades da pol\u00edtica e da cultura estiveram presentes. O Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz fez parte do evento \u201cSede de Paz. Religi\u00f5es e Culturas em di\u00e1logo\u201d, promovido pela diocese de Assis, Fam\u00edlias Franciscanas e Comunidade de Santo Eg\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na ocasi\u00e3o, o papa Francisco reuniu-se com os representantes crist\u00e3os na Bas\u00edlica inferior de S\u00e3o Francisco para a ora\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica. Em sua medita\u00e7\u00e3o, o pont\u00edfice destacou que as palavras de Jesus s\u00e3o interpeladoras, pois pedem acolhimento no cora\u00e7\u00e3o e resposta com a vida. \u201cNa sua exclama\u00e7\u00e3o \u2018tenho sede\u2019, podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem \u00e9 negada a luz deste mundo, a s\u00faplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz\u201d, disse Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As v\u00edtimas das guerras \u201cque poluem os povos de \u00f3dio e a terra de armas\u201d, segundo o pont\u00edfice, imploram paz. Tamb\u00e9m o fazem aqueles que vivem sob a amea\u00e7a dos bombardeamentos ou s\u00e3o for\u00e7ados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. \u201cTodos eles s\u00e3o irm\u00e3os e irm\u00e3s do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. T\u00eam sede. Mas, frequentemente, \u00e9-lhes dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejei\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\">Encontro<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">O papa Francisco celebrou pela manh\u00e3 na capela da Casa Santa Marta e seguiu para Assis, onde chegou de helic\u00f3ptero \u00e0s 10h55. O pont\u00edfice foi de carro at\u00e9 o Sacro Convento de Assis, onde foi recebido, entre outros, pelo patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I; o patriarca S\u00edrio-ortodoxo de Antioquia Ignatius Efrem II; pelo vice-presidente da Universidade de Al-Azhar, no Egito, Abbas Schuman; pelo arcebispo de Cantu\u00e1ria e primaz da Igreja Anglicana Justin Welby; pelo rabino chefe de Roma, Riccardo di Segni, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Juntos, dirigiram-se ao Claustro de Sisto IV, onde aguardavam representantes de Igrejas e Religi\u00f5es de todo o mundo, al\u00e9m dos Bispos da \u00dambria. Francisco saudou um a um os presentes. \u00c0s 13 horas, no refeit\u00f3rio do Sacro Convento, aconteceu um almo\u00e7o comum, do qual participaram 12 refugiados provenientes de pa\u00edses em guerra, atualmente acolhidos pela Comunidade de Santo Eg\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignright size-full wp-image-30560\" style=\"float: right\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Papa-Assis-oracao_PAZ-2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"453\" \/>O encontro com os representantes crist\u00e3os na Bas\u00edlica inferior de S\u00e3o Francisco para a ora\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica ocorreu na parte da tarde, quando o papa fez sua medita\u00e7\u00e3o sobre as palavras que ressoam ao contemplar Jesus crucificado: \u201cTenho sede!\u201d. Para o pont\u00edfice a sede \u00e9, \u201cainda mais do que a fome, a necessidade extrema do ser humano, mas representa tamb\u00e9m a sua extrema mis\u00e9ria. N\u00e3o necessitamos somente de \u00e1gua, mas sobretudo de amor, \u2018elemento n\u00e3o menos essencial para se viver\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste momento de encontro foram acesas velas recordando os pa\u00edses passam por guerras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao final do evento, Francisco agradeceu aos representantes das Igrejas, Comunidades crist\u00e3s e Religi\u00f5es pela presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o. Ele lembrou que todos se encontravam reunidos em Assis como peregrinos \u00e0 procura da paz, movidos pelo desejo de testemunh\u00e1-la, sobretudo pela necessidade de rezar por ela, \u201cporque a paz \u00e9 dom de Deus e cabe a n\u00f3s invoca-la, acolh\u00ea-la e constru\u00ed-la cada dia com a sua ajuda\u201d, frisou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cSair, p\u00f4r-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: n\u00e3o s\u00e3o movimentos apenas f\u00edsicos, mas sobretudo da alma\u201d, acrescentou, \u201cs\u00e3o respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irm\u00e3os. \u00c9 Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doen\u00e7a do nosso tempo: a indiferen\u00e7a\u201d, disse o papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Leia o pronunciamento do papa aos representantes crist\u00e3os:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>&#8220;\u00c0 vista de Jesus crucificado, ressoam tamb\u00e9m para n\u00f3s as suas palavras: \u00abTenho sede!\u00bb (Jo 19, 28). A sede \u00e9, ainda mais do que a fome, a necessidade extrema do ser humano, mas representa tamb\u00e9m a sua extrema mis\u00e9ria. Assim contemplamos o mist\u00e9rio do Deus Alt\u00edssimo, que Se tornou, por miseric\u00f3rdia, miser\u00e1vel entre os homens.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>De que tem sede o Senhor? Certamente de \u00e1gua, elemento essencial para a vida; mas sobretudo de amor, elemento n\u00e3o menos essencial para se viver. Tem sede de nos dar a \u00e1gua viva do seu amor, mas tamb\u00e9m de receber o nosso amor. O profeta Jeremias expressou o comprazimento de Deus pelo nosso amor: \u00abRecordo-Me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado\u00bb (Jr 2, 2). Mas deu voz tamb\u00e9m ao sofrimento divino, quando o homem, ingrato, abandonou o amor, quando \u2013 parece dizer tamb\u00e9m hoje o Senhor \u2013 \u00abMe abandonou a Mim, nascente de \u00e1guas vivas, e construiu cisternas para si, cisternas rotas, que n\u00e3o podem reter as \u00e1guas\u00bb (Jr 2, 13). \u00c9 o drama do \u00abcora\u00e7\u00e3o \u00e1rido\u00bb, do amor n\u00e3o correspondido; um drama que se renova no Evangelho, quando, \u00e0 sede de Jesus, o homem responde com vinagre, que \u00e9 vinho estragado. Como profeticamente lamentou o salmista, \u00abderam-me (\u2026) vinagre, quando tive sede\u00bb (Sal 69\/68, 22).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u00abO Amor n\u00e3o \u00e9 amado\u00bb: tal era, segundo algumas cr\u00f3nicas, a realidade que turvava S\u00e3o Francisco de Assis. Por amor do Senhor que sofre, n\u00e3o se envergonhava de chorar e lamentar-se em voz alta (cf. Fontes Franciscanas, n. 1413). Esta mesma realidade nos deve estar a peito ao contemplarmos Deus crucificado, sedento de amor. Madre Teresa de Calcut\u00e1 quis que, nas capelas de cada comunidade, estivesse escrito perto do Crucifixo: \u00abTenho sede\u00bb. Apagar a sede de amor de Jesus na cruz, atrav\u00e9s do servi\u00e7o aos mais pobres dos pobres, foi a sua resposta. Na verdade, o Senhor \u00e9 saciado pelo nosso amor compassivo; \u00e9 consolado quando, em nome d\u2019Ele, nos inclinamos sobre as mis\u00e9rias alheias. No Ju\u00edzo, chamar\u00e1 \u00abbenditos\u00bb aqueles que deram de beber a quem tinha sede, aqueles que ofereceram amor concreto a quem estava necessitado: \u00abSempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes\u00bb (Mt 25, 40).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>As palavras de Jesus interpelam-nos, pedem acolhimento no cora\u00e7\u00e3o e resposta com a vida. Na sua exclama\u00e7\u00e3o \u00abtenho sede\u00bb, podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem \u00e9 negada a luz deste mundo, a s\u00faplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz. Imploram paz as v\u00edtimas das guerras que poluem os povos de \u00f3dio e a terra de armas; imploram paz os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que vivem sob a amea\u00e7a dos bombardeamentos ou s\u00e3o for\u00e7ados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. Todos eles s\u00e3o irm\u00e3os e irm\u00e3s do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. T\u00eam sede. Mas, frequentemente, \u00e9-lhes dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejei\u00e7\u00e3o. Quem os ouve? Quem se preocupa em responder-lhes? Deparam-se muitas vezes com o sil\u00eancio ensurdecedor da indiferen\u00e7a, o ego\u00edsmo de quem se sente incomodado, a frieza de quem apaga o seu grito de ajuda com mesma facilidade com que muda de canal na televis\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u00c0 vista de Cristo crucificado, \u00abpoder e sabedoria de Deus\u00bb (1 Cor 1, 24), n\u00f3s, crist\u00e3os, somos chamados a contemplar o mist\u00e9rio do Amor n\u00e3o amado e a derramar miseric\u00f3rdia sobre o mundo. Na cruz, \u00e1rvore de vida, o mal foi transformado em bem; tamb\u00e9m n\u00f3s, disc\u00edpulos do Crucificado, somos chamados a ser \u00ab\u00e1rvores de vida\u00bb, que absorvem a polui\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a e restituem ao mundo o oxig\u00e9nio do amor. Do lado de Cristo, na cruz, saiu \u00e1gua, s\u00edmbolo do Esp\u00edrito que d\u00e1 a vida (cf. Jo 19, 34); do mesmo modo saia de n\u00f3s, seus fi\u00e9is, compaix\u00e3o por todos os sedentos de hoje.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Como a Maria ao p\u00e9 da cruz, conceda-nos o Senhor estar unidos a Ele e pr\u00f3ximos de quem sofre. Aproximando-nos de quantos vivem hoje como crucificados e tirando a for\u00e7a de amar do Crucificado Ressuscitado, crescer\u00e3o ainda mais a harmonia e a comunh\u00e3o entre n\u00f3s. \u00abCom efeito, Ele \u00e9 a nossa paz\u00bb (Ef 2, 14), Ele que veio anunciar a paz \u00e0queles que estavam perto e aos que estavam longe (cf. Ef 2, 17). Ele nos guarde a todos no amor e nos congregue na unidade, para nos tornarmos o que Ele deseja: \u00abum s\u00f3\u00bb (Jo 17, 21)&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Com informa\u00e7\u00f5es e foto da R\u00e1dio Vaticano<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz fez parte do evento \u201cSede de Paz. 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