{"id":16636,"date":"2009-08-03T00:00:00","date_gmt":"2009-08-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/abusos-persistem\/"},"modified":"2009-08-03T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-03T03:00:00","slug":"abusos-persistem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/abusos-persistem\/","title":{"rendered":"Abusos persistem"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Durante a sess\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, em outubro\u00a0 de 1963, a maioria dos Padres novos (entre os quais eu me encontrava), procurou aplicar na pr\u00e1tica o que se aprovava em Roma. N\u00f3s l\u00edamos no jornal hoje, o que tinha sido votado pelos Bispos, a respeito da Liturgia, e amanh\u00e3 j\u00e1 aplic\u00e1vamos. Era uma grande falta de preparo disciplinar. N\u00e3o esper\u00e1vamos a aprova\u00e7\u00e3o do Papa , nem a promulga\u00e7\u00e3o da \u201cSacrossanctum Concilium\u201d, nem muito menos a sua regulamenta\u00e7\u00e3o. Posso, no entanto, garantir que faz\u00edamos isso, n\u00e3o movidos pela m\u00e1 f\u00e9.\u00a0 Naquela \u00e9poca vigia uma esp\u00e9cie de \u201cv\u00e1cuo\u201d de regras claras. Em assuntos de Liturgia, tudo se considerava em fase de experi\u00eancia. Quase todo celebrante se considerava habilitado para inovar, criar, mudar e acrescentar. N\u00e3o sem raz\u00e3o, muitos fi\u00e9is manifestavam o seu descontentamento, e a sua estranheza. Depois de melhores estudos, aos poucos a disciplina tornou a vigorar. Descobrimos, sim, que a criatividade \u00e9 muito importante, para haver boas celebra\u00e7\u00f5es. Mas para o bem dos fi\u00e9is, foi preciso reconhecer que as regras, os ritos estabelecidos, precisavam ser rigorosamente observados. O rito n\u00e3o pode ficar \u00e0 merc\u00ea da vontade do celebrante, sobretudo quando se trata da Missa.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas resqu\u00edcios daquela indisciplina p\u00f3s-conciliar, ainda sobrevivem. Apesar de o Conc\u00edlio ter determinado que \u201cregular a sagrada Liturgia compete unicamente \u00e0 autoridade da Igreja, a qual reside na S\u00e9 Apost\u00f3lica&#8230;\u201d (SC 22, \u00a7 1), muitos ainda ultrapassam sua pr\u00f3pria autoridade. Fazem Leigos rezarem partes da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica (n\u00e3o entenderam que as An\u00e1foras s\u00e3o uma ora\u00e7\u00e3o presidencial); dizem \u201caben\u00e7oe-nos o Deus todo-poderoso\u201d ( n\u00e3o sabem que fazem as vezes de Cristo cabe\u00e7a, que em seu nome aben\u00e7oa os fi\u00e9is);\u00a0 fazem shows de pirotecnia que n\u00e3o fazem parte da celebra\u00e7\u00e3o (em vez de celebrar a Cristo, celebram-se a si mesmos); n\u00e3o usam o missal, \u201cinventando\u201d ora\u00e7\u00f5es de sua pr\u00f3pria lavra (esquecem-se at\u00e9 de invocar o Esp\u00edrito Santo);\u00a0 n\u00e3o usam as vestes lit\u00fargicas prescritas pela Igreja (desprezam o que pede o Papa, mas obrigam os fi\u00e9is a aceitar suas inven\u00e7\u00f5es); ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o interrompem a Missa para abrir espa\u00e7o \u00e0 adora\u00e7\u00e3o ao SSmo (esta s\u00f3 tem lugar fora da celebra\u00e7\u00e3o). \u00c9 muito melhor celebrar como pede a Santa Igreja. S\u00f3 assim est\u00e1 garantida a verdadeira piedade, o sagrado, enfim o mist\u00e9rio divino.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a sess\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, em outubro\u00a0 de 1963, a maioria dos Padres novos (entre os quais eu me encontrava), procurou aplicar na pr\u00e1tica o que se aprovava em Roma. N\u00f3s l\u00edamos no jornal hoje, o que tinha sido votado pelos Bispos, a respeito da Liturgia, e amanh\u00e3 j\u00e1 aplic\u00e1vamos. 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