{"id":16869,"date":"2009-11-20T00:00:00","date_gmt":"2009-11-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/iv-seminario-nacional-de-mulheres-negras-e-saude\/"},"modified":"2020-03-11T20:50:21","modified_gmt":"2020-03-11T23:50:21","slug":"iv-seminario-nacional-de-mulheres-negras-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/iv-seminario-nacional-de-mulheres-negras-e-saude\/","title":{"rendered":"IV Seminario Nacional de Mulheres Negras e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u201cN\u00e3o quero ser voc\u00ea, quero ser eu, sem imita\u00e7\u00f5es ou limita\u00e7\u00f5es, sou preta resist\u00eancia!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(Grupo Kanaombo)<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>No ano de 2004 nasce a Rede de Mulheres Negras do Paran\u00e1 e em sua base est\u00e1 uma das pautas importantes de sua miss\u00e3o que \u00e9 o semin\u00e1rio de mulheres negras e sa\u00fade. Esse evento aconteceu nos dias 13 a 15 de novembro de 2009, estiveram reunidas mais de 250 mulheres negras no Hotel Paran\u00e1 Su\u00edte em Curitiba, mulheres negras vindas de 15 estados brasileiros para a realiza\u00e7\u00e3o do IV Semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA noite n\u00e3o adormece nos olhos das mulheres (Concei\u00e7\u00e3o Evaristo)\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O evento teve in\u00edcio com a programa\u00e7\u00e3o de oficinas, na tarde de sexta feira, com as seguintes tem\u00e1ticas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. Seguran\u00e7a alimentar e nutricional e mulheres negras<\/p>\n<p>2. Hist\u00f3ria do feminismo e mulheres negras<\/p>\n<p>3. Religi\u00e3o de matriz africana e sa\u00fade<\/p>\n<p>4. Educa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico racial e g\u00eanero-orienta\u00e7\u00e3o sexual na educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>5. Racismo e auto-estima<\/p>\n<p>6. Jovens Negras e Vulnerabilidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c0s 19 horas, o evento teve sua abertura solene com a apresenta\u00e7\u00e3o do grupo afro kanaombo, a dan\u00e7a, a poesia, a arte afro brasileira, em seguida a fala de autoridades presentes seguida de uma mesa redonda com o tema: As pol\u00edticas Publicas e as Mulheres Negras: Avan\u00e7os e Desafios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No s\u00e1bado \u00e0s 8 horas apresentou &#8211; se o filme: Eu mulher negra, seguida de v\u00e1rias mesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">a) Direitos humanos a conquistar: universalidade, integralidade\u00a0 e direito \u00e0 equidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">b) Sa\u00fade da mulher negra e mortalidade materna<\/p>\n<p>c) Mulheres Negras e viol\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">d) AIDS e racismo, as interfaces da vulnerabilidade<\/p>\n<p>e) Jovens negras e vulnerabilidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foram mesas riqu\u00edssimas de participa\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, com profissionais negras que est\u00e3o atuando no SUS, na comunica\u00e7\u00e3o, na educa\u00e7\u00e3o, na pol\u00edtica e na seguran\u00e7a P\u00fablica com enfoque nas quest\u00f5es \u00e9tnicos raciais.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado a noite houve o lan\u00e7amento do livro Quilombolas saud\u00e1veis\u00a0 publicado por uma equipe de profissionais da Rede de Mulheres Negras do PR. Destaco aqui a participa\u00e7\u00e3o das representa\u00e7\u00f5es das v\u00e1rias comunidades quilombolas do Paran\u00e1 e representa\u00e7\u00e3o dos estados do Amap\u00e1 e Rond\u00f4nia nesse evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No domingo continuou-se com as mesas redondas com\u00a0 temas:<\/p>\n<p>a) Racismo e sa\u00fade mental<\/p>\n<p>b) Anemia falciforme no Brasil e no Paran\u00e1<\/p>\n<p>c) Mulheres negras e comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>d) Sa\u00fade e saneamento nas comunidades quilombolas<\/p>\n<p>e) A\u00e7\u00f5es, controle social e a implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica integral de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>f) Apresenta\u00e7\u00e3o de pesquisa na quest\u00e3o afro brasileira\/ trabalhos, experi\u00eancias e pesquisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Falas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O espa\u00e7o de luta pelo direito a sa\u00fade das mulheres \u00e9 uma conquista. O movimento est\u00e1 em movimento e a busca \u00e9 para todas as pessoas que querem se libertar. Em\u00a0 2004 foi criado a pol\u00edtica para a popula\u00e7\u00e3o negra, existem seis secretarias\u00a0 sob a coordena\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio federal da sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Brasil tem a 4\u00aa popula\u00e7\u00e3o encarcerada do mundo, com 229 679 mil negros entre 18 a 29 anos e com baixa escolaridade. Existe um grupo preferencial, alvo do sistema,\u00a0 que s\u00e3o os negros. Isso \u00e9 impactante! Os Estados Unidos est\u00e1 importando um sistema prisional desumano para os pa\u00edses pobres, entre eles est\u00e1 o Brasil. \u00c9 uma pol\u00edtica de exterm\u00ednio. As mulheres negras est\u00e3o morrendo no sistema prisional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 18 de mar\u00e7o de 2004 foi criado o pacto nacional pela redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna neonatal. Causas de morte materna: anemia falciforme, hipertens\u00e3o arterial\/ hemorragia\/ complica\u00e7\u00e3o decorrente de aborto realizado em condi\u00e7\u00f5es inseguras\/ infec\u00e7\u00e3o p\u00f3s parto\/ parto ces\u00e1ria (cirurgia de grande porte. O que fazer? Pr\u00e9 natal, educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade, cria\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de preven\u00e7\u00e3o de parto normal, diminui\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas intervencionistas, e outras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Morrem 13,4 mulheres brancas de eclampsia e 43,92 mulheres negras. Morrem 7,62 mulheres brancas que praticam o aborto e 25,23 mulheres negras. \u00c8 um genoc\u00eddio que atinge a popula\u00e7\u00e3o jovem negra. Essas mortes acontecem nos hospitais, onde as mulheres est\u00e3o internadas, mal cuidadas ou esquecidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu me escondia pra n\u00e3o morrer, hoje eu me mostro pra viver!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A bandeira dos portadores de HIV\/ DST\/ AIDS. (esteve presente algumas mulheres soropositivas que deram seu depoimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra na sa\u00fade \u00e9 invis\u00edvel,\u00a0 porque nos formul\u00e1rios de sa\u00fade\u00a0 n\u00e3o aparece o quesito ra\u00e7a\/ cor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A maior derrota de uma m\u00e3e \u00e9 perder um filho. Os locais de crime s\u00e3o execu\u00e7\u00e3o. Os jovens usam a noia &#8211; borra do craque e morrem mais r\u00e1pido. S\u00e3o assassinados 3.05,85% de jovens assassinados. Todos os negros nasceram para ser Barak Obama, a sociedade n\u00e3o d\u00e1 chance, a pol\u00edcia n\u00e3o d\u00e1 chance, o estado n\u00e3o d\u00e1 chance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O povo negro tem alta capacidade de enfrentamento, tiraram nosso sobrenome, nossas fam\u00edlias. \u00c8 uma Hist\u00f3ria de resist\u00eancia. Somos mais sofridos, mais injusti\u00e7ados, somos mais alegres. Como pode ser mais sofrido e mais alegre? Essa \u00e9 a capacidade de transformar dor em alegria &#8211; \u00e9 a capacidade de resili\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A sociedade naturalizou a l\u00f3gica racista, sexista minimizando a dor do negro e da negra. A mulher negra n\u00e3o \u00e9 resistente por natureza, minimizaram a dor dessas mulheres, com esse mito de que as mulheres negras s\u00e3o mais resistentes biologicamente. Usam essa ideologia, tirando o direito da mulher negra ser anestesiada na hora do parto. Essa \u00e9 uma das formas de discrimina\u00e7\u00e3o e de racismo contra as mulheres negras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cPrecisamos enegrecer a pol\u00edtica brasileira!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que igualdade \u00e9 essa num pa\u00eds campe\u00e3o da desigualdade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Irm\u00e3 Silvana Sampaio Gomes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o quero ser voc\u00ea, quero ser eu, sem imita\u00e7\u00f5es ou limita\u00e7\u00f5es, sou preta resist\u00eancia!\u201d (Grupo Kanaombo)<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[848,841],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/16869"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=16869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/16869\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=16869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=16869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=16869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}