{"id":16975,"date":"2014-01-08T00:00:00","date_gmt":"2014-01-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-criancas\/"},"modified":"2014-01-08T00:00:00","modified_gmt":"2014-01-08T02:00:00","slug":"as-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-criancas\/","title":{"rendered":"As crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Algum tempo atr\u00e1s tive a oportunidade de passar uma semana em Genebra, a convite do ACNUR, o \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas encarregado dos refugiados. O assunto envolvia, por extens\u00e3o, o problema das migra\u00e7\u00f5es, e a Pastoral dos Migrantes se fazia presente.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Observando a cidade, alguns detalhes chamavam a aten\u00e7\u00e3o. Pra\u00e7as bonitas, ruas limpas, tr\u00e2nsito disciplinado, aus\u00eancia total de pedintes, t\u00e3o freq\u00fcentes em nossas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas uma coisa estranhava em demasia. N\u00e3o se via crian\u00e7a alguma, parecia uma cidade s\u00f3 para adultos. Intrigado, perguntei a um cidad\u00e3o como ele imaginava a Su\u00ed\u00e7a da\u00ed a 50 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Percebendo a inten\u00e7\u00e3o da pergunta, como resposta simplesmente me fez uma ressalva. Disse ele que, antes de perguntar como ser\u00e1 a Su\u00ed\u00e7a, era preciso perguntar de quem seria a Su\u00ed\u00e7a daqui a 50 anos. . Pois, pelo visto, faltariam herdeiros para tanta riqueza que o pa\u00eds ostentava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem crian\u00e7as n\u00e3o existe futuro, e o presente perde o melhor de suas motiva\u00e7\u00f5es. Neste dia em que sociedade celebra o dia das crian\u00e7as, conv\u00e9m pensar na sua import\u00e2ncia, e nas salutares interpela\u00e7\u00f5es que elas nos fazem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O assunto merece ser tratado com equil\u00edbrio e responsabilidade. Em sua recente enc\u00edclica \u201cC\u00e1ritas in Veritate\u201d, sobre a situa\u00e7\u00e3o mundial, ao abordar a quest\u00e3o do baixo crescimento demogr\u00e1fico, Bento 16 reconhece que \u201c\u00e9 for\u00e7oso prestar aten\u00e7\u00e3o a uma procria\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel\u201d. Ao mesmo tempo, alerta que a dr\u00e1stica diminui\u00e7\u00e3o da natalidade revela o que ele identifica como \u201csitua\u00e7\u00f5es que apresentam sintomas de escassa confian\u00e7a no futuro e de cansa\u00e7o moral\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em outras palavras, um pa\u00eds com escasso \u00edndice de natalidade \u00e9 sintoma de escassa vitalidade e de pouco futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As estat\u00edsticas no Brasil come\u00e7am a preocupar. No Brasil a diminui\u00e7\u00e3o da natalidade foi r\u00e1pida e dr\u00e1stica, revelando, inclusive, sinais de press\u00f5es indevidas e eticamente question\u00e1veis, como as campanhas que redundaram em esteriliza\u00e7\u00e3o em massa de mulheres pobres e inadvertidas das conseq\u00fc\u00eancias da interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica em que se viam envolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pelas recentes informa\u00e7\u00f5es, o \u00edndice de natalidade no Brasil atinge hoje 1.7 por casal, sinalizando, portanto, uma tend\u00eancia \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 n\u00e3o se concretiza agora porque o fato vem acompanhado de uma r\u00e1pida ascens\u00e3o da m\u00e9dia de vida da popula\u00e7\u00e3o. Mas, continuando esta tend\u00eancia, em 2.035 o Brasil entraria em decl\u00ednio de sua popula\u00e7\u00e3o, numa triste perspectiva de termos mais \u00f3bitos do que nascimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste contexto, cresce de significado o Dia das Crian\u00e7as. Elas merecem bem mais do que um dia. Elas podem nos alertar para uma urgente retomada de motiva\u00e7\u00f5es e de apoio \u00e0s fam\u00edlias, em vista de um salutar est\u00edmulo para uma \u201cabertura \u00e0 vida\u201d, como nos recomenda com insist\u00eancia a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 muito sintom\u00e1tico o apre\u00e7o que Cristo demonstra, no Evangelho, para com as crian\u00e7as. Continua soando com for\u00e7a seu pedido, e sua advert\u00eancia: \u201cDeixai vir a mim as crian\u00e7as, pois delas \u00e9 o Reino de Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cristo sempre fazia apelo para o reencontro dos valores, dos princ\u00edpios, em vista de crit\u00e9rios a guiarem a vida com coer\u00eancia. Ele colocava a crian\u00e7as como refer\u00eancia pr\u00e1tica e motivadora da vida. O Dia das Crian\u00e7as \u00e9 de festa para elas, e de reflex\u00e3o para os adultos. Enquanto \u00e9 tempo, aprendamos as li\u00e7\u00f5es que elas nos transmitem, na sua simplicidade, mas tamb\u00e9m na sua pureza e autenticidade de vida.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Luiz Dem\u00e9trio Valentini<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algum tempo atr\u00e1s tive a oportunidade de passar uma semana em Genebra, a convite do ACNUR, o \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas encarregado dos refugiados. 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