{"id":16996,"date":"2012-08-20T00:00:00","date_gmt":"2012-08-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/queriam-calar-igreja-e-estudantes-1\/"},"modified":"2012-08-20T00:00:00","modified_gmt":"2012-08-20T03:00:00","slug":"queriam-calar-igreja-e-estudantes-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/queriam-calar-igreja-e-estudantes-1\/","title":{"rendered":"\u201cQueriam calar Igreja e estudantes\u201d, afirma assessor em evento no Recife"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O assessor da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) padre Jos\u00e9 Ernanne Pinheiro declarou\u00a0 no dia 17 de agosto, em sess\u00e3o p\u00fablica da Comiss\u00e3o Estadual da Mem\u00f3ria e Verdade Dom Helder C\u00e2mara, no audit\u00f3rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), que o assassinato do padre Henrique, em maio de 1969, foi uma tentativa da repress\u00e3o de calar os dois segmentos mais atuantes da sociedade pernambucana naquele momento: a Igreja Cat\u00f3lica e o movimento estudantil. Na \u00e9poca, o padre Ernanne era o vig\u00e1rio-geral da Arquidiocese de Olinda e Recife e acompanhou todos os ataques e a press\u00e3o sofrida por dom Helder e seus principais assessores e amigos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte do padre Henrique era um ataque indireto a dom Helder. Al\u00e9m disso, Henrique cuidava da Pastoral da Juventude e tinha muita influ\u00eancia entre os estudantes, o que tamb\u00e9m incomodava. N\u00e3o tenho nomes para acusar por esse fato, mas est\u00e1 claro que se tratou de um crime pol\u00edtico\u201d, avaliou padre Ernanne. Para o religioso, a Comiss\u00e3o da Verdade cumpre uma tarefa primordial dentro do processo de registro hist\u00f3rico brasileiro. \u201cAs pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es precisam conhecer seus her\u00f3is. Esperamos que essa comiss\u00e3o, a nacional e as demais que est\u00e3o surgindo nos outros Estados contribuam para isso\u201d, frisou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em seu depoimento, padre Ernanne esclareceu que dentro da pr\u00f3pria Igreja Cat\u00f3lica existiam correntes adversas e que bispos e padres colaboraram com a repress\u00e3o. \u201cEm Pernambuco, sob o comando de dom Helder nos posicionamos ao lado da democracia e dos exclu\u00eddos\u201d, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para o advogado Pedro Eurico, relator do caso Padre Henrique na comiss\u00e3o, o depoimento refor\u00e7ou o entendimento de que v\u00e1rios setores da sociedade pernambucana sujaram as m\u00e3os de sangue durante a ditadura. \u201cN\u00e3o era apenas a Pol\u00edcia e as For\u00e7as Armadas que estavam na vanguarda desse movimento. Muitos civis se engajaram na repress\u00e3o e se beneficiaram disso posteriormente\u201d, concluiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O presidente da comiss\u00e3o, Fernando Coelho, afirmou que o depoimento trouxe elementos importantes para a investiga\u00e7\u00e3o. \u201cFicamos honrados com a presen\u00e7a do padre Ernanne, pela clareza de suas ideias e pela contextualiza\u00e7\u00e3o do momento hist\u00f3rico que eles nos trouxe\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-15884\" style=\"float: left\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/padre_atonio_cadaver.jpg\" alt=\"padre_atonio_cadaver\" width=\"172\" height=\"240\" \/>A comiss\u00e3o resolveu adiar, do dia 23 para dia 30 deste m\u00eas, o depoimento do ex-major da PM de Pernambuco Jos\u00e9 Ferreira dos Anjos. Os integrantes da comiss\u00e3o querem mais tempo para se preparar para ouvir o ex-militar, considerado uma das fontes mais ricas sobre o per\u00edodo da ditadura no Estado. Ferreira foi recrutado dentro da PM pelo 4\u00ba Ex\u00e9rcito e atuou diretamente na repress\u00e3o aos opositores do golpe militar de 1964. Sobre a import\u00e2ncia das informa\u00e7\u00f5es guardadas pelo ex-major, o advogado Humberto Vieira de Melo, membro da comiss\u00e3o, foi enf\u00e1tico. \u201cBasta que ele repita o que nos disse na sess\u00e3o reservada\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leia na \u00edntegra o depoimento do padre Jos\u00e9 Ernanne, sobre o trucidamento do padre Antonio Henrique Pereira Neto, na Comiss\u00e3o da Verdade e da Mem\u00f3ria Dom Helder Camara, em Pernambuco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Exmo. Sr Dr. Fernando Coelho, presidente da Comiss\u00e3o,<br \/>\nExmo. Sr. Dr. Pedro Eurico, relator do caso Padre Henrique na Comiss\u00e3o,<br \/>\nDemais membros da Comiss\u00e3o da Verdade e da Mem\u00f3ria,<br \/>\nMeus Senhores e minhas Senhoras,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Meu depoimento perante esta significativa Comiss\u00e3o \u00e9 eclesial. No per\u00edodo, eu exercia o cargo de Vig\u00e1rio Episcopal dos Leigos na Arquidiocese de Olinda Recife e como tal fui nomeado pelo arcebispo Dom Helder Camara, na missa de corpo presente, o sucessor do padre Henrique para dar continuidade aos trabalhos da Pastoral de juventude. Vou tentar organizar minha reflex\u00e3o em cinco partes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1.\u00a0\u00a0 \u00a0Quem era o Padre Henrique e como realizava o trabalho pastoral;<br \/>\n2.\u00a0\u00a0 \u00a0O contexto da Igreja em Olinda e Recife no per\u00edodo;<br \/>\n3.\u00a0\u00a0 \u00a0O b\u00e1rbaro trucidamento do padre Ant\u00f4nio Henrique;<br \/>\n4.\u00a0\u00a0 \u00a0A morte do padre Antonio Henrique e a Igreja de Olinda e Recife;<br \/>\n5.\u00a0\u00a0 \u00a0As repercuss\u00f5es do trucidamento do padre e perguntas consequentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>1. Quem era Padre Ant\u00f4nio Henrique Pereira Neto e seu trabalho pastoral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nasceu no Recife aos 28 de outubro de 1940. Fez sua forma\u00e7\u00e3o sacerdotal em Olinda, Jo\u00e3o Pessoa, com estudos de psicologia nos Estados Unidos. Foi ordenado sacerdote aos 25\/12\/1965, poucos dias ap\u00f3s o t\u00e9rmino do Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde os tempos de Semin\u00e1rio, manifestava uma voca\u00e7\u00e3o para trabalhar com a juventude. V\u00e1rios grupos de secundaristas e universit\u00e1rios recebiam sua orienta\u00e7\u00e3o. Henrique defendia uma proposta metodol\u00f3gica baseada no seguinte princ\u00edpio: o final do curso m\u00e9dio e o in\u00edcio do curso universit\u00e1rio \u00e9 um momento prop\u00edcio para ajudar os jovens a se encaminhar para a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Padre Henrique j\u00e1 tinha a experi\u00eancia da Juventude Estudantil Cat\u00f3lica (JEC); mas para melhor se preparar para sua miss\u00e3o, participava de encontros de pastoral de juventude a n\u00edvel regional, nacional e latino-americano. Para fundamentar cada vez mais seus pressupostos apost\u00f3licos, dedicava bastante tempo aos estudos, sobretudo das Sagradas Escrituras e da Liturgia. Como respons\u00e1vel da Pastoral da Juventude da Arquidiocese reservava suas tardes para atender os jovens que o procuravam para conversar e discutir temas de interesse juvenil no pr\u00f3prio pr\u00e9dio do secret\u00e1rio arquidiocesano \u2013 o Juvenato Dom Vital. Tamb\u00e9m atendia no Col\u00e9gio Marista do Centro, em parceria com os irm\u00e3os maristas no trabalho de forma\u00e7\u00e3o dos jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Solicitei ajuda para o meu depoimento a membros dos grupos acompanhados pelo padre Henrique, perguntando: como funcionava a metodologia do grupo e qual o papel do Padre Henrique no relacionamento com os jovens. Recebi um depoimento esclarecedor, atrav\u00e9s de Lav\u00ednia Lins, ap\u00f3s trocar ideias com outros\/as colegas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c&#8230;\u00c9ramos naquela \u00e9poca, amigos e conhecidos, (alguns filhos de pais que eram amigos), que se encontravam para conversar, \u201cpaquerar\u201d,\u00a0 formar banda de m\u00fasica (\u201cconjunto\u201d, na \u00e9poca), organizar quadrilhas no S\u00e3o Jo\u00e3o. Henrique (assim gostava de ser chamado) havia aparecido por ali porque \u201cum dos jovens estava tendo problemas com os pais\u201d\u00a0 e ele intermediava di\u00e1logos entre eles. Os meninos ent\u00e3o come\u00e7aram a se encontrar com ele (Henrique) com regularidade. As meninas souberam e se interessaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Passamos a nos reunir \u00e0s 3\u00aa feiras \u00e0 noite, para conversas (a \u201creuni\u00e3o\u201d) e domingos \u00e0 tarde para a missa e debates.\u00a0 \u00c0s vezes os pais iam \u00e0 reuni\u00e3o e um di\u00e1logo entre gera\u00e7\u00f5es era mediado por ele. Com cada um de n\u00f3s Henrique estabelecia uma rela\u00e7\u00e3o pessoal, de intimidade e conhecimento. Chegou a aplicar alguns testes psicol\u00f3gicos (como o desenho de \u00e1rvore e da fam\u00edlia) buscando aproximar-se, saber mais sobre cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sua postura era de aceita\u00e7\u00e3o (t\u00e3o importante nesta idade) e sua linguagem era a nossa. Era jovem tamb\u00e9m. Favorecia as rela\u00e7\u00f5es e a exposi\u00e7\u00e3o sadia de cada um no grupo. Nossas vozes eram ouvidas e repercutiam. Sent\u00edamos pertencendo a algo que n\u00f3s mesmos cri\u00e1vamos. Era com este sentimento que est\u00e1vamos sendo direcionados, de forma muito inteligente, a n\u00e3o nos envolver com \u00e1lcool e drogas e a repensar temas que nos cercavam, como: as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, com outras gera\u00e7\u00f5es, temas sociais como\u00a0 a prostitui\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao mesmo tempo nos oferecia a Igreja Cat\u00f3lica, n\u00e3o apenas na viv\u00eancia dos encontros, mas atrav\u00e9s de uma missa descontra\u00edda, onde se tocava viol\u00e3o e cantava. Cada etapa era explicada. A missa\u00a0 agora\u00a0 era \u201cprazerosa\u201d. Um clima de informalidade e participa\u00e7\u00e3o, incluindo as nossas realidades na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o. Tudo era muito real e pr\u00f3ximo, assim como as rela\u00e7\u00f5es que se estabeleciam com amizades\u00a0 que duram at\u00e9 hoje, apesar da dist\u00e2ncia, namoros que evolu\u00edram para casamentos que se mant\u00eam.\u00a0 Henrique nos mostrava uma forma nova de nos relacionar conosco mesmos, com o outro, com o mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>2. O contexto da Igreja em Olinda e Recife\u00a0 no per\u00edodo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Padre Henrique assimilou com carinho as perspectivas da Igreja do Conc\u00edlio Vaticano II, em clima de di\u00e1logo com o mundo, em clima de ecumenismo. Era um jovem que vivia a primavera da Igreja em renova\u00e7\u00e3o. E a nomea\u00e7\u00e3o inesperada de Dom H\u00e9lder Camara para o Recife, exatamente nesse per\u00edodo, lhe era providencial e tornou-se para o nosso jovem padre um modelo a imitar e uma corresponsabilidade a exercer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dois fatores significativos acentuavam a import\u00e2ncia primordial da presen\u00e7a de Dom Helder no Nordeste do Brasil no momento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0 O recente golpe militar de 31 de mar\u00e7o de 1964;<br \/>\n&#8211;\u00a0\u00a0 O Conc\u00edlio Vaticano II em pujante evolu\u00e7\u00e3o na perspectiva de renovar a Igreja e melhor servir no mundo atual (duas sess\u00f5es tinham acontecido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante do regime militar, eram j\u00e1 conhecidas suas posi\u00e7\u00f5es, tanto pela atua\u00e7\u00e3o na cidade do Rio de Janeiro como em n\u00edvel nacional &#8211; em defesa dos direitos dos pobres, da democracia e da liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante o Conc\u00edlio Vaticano II, exercendo, no per\u00edodo, a miss\u00e3o de Secret\u00e1rio Geral da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lhe foi oferecida a possibilidade de ser, em breve, mission\u00e1rio do mundo, como peregrino da justi\u00e7a e da paz, o que,\u00a0 de fato, aconteceu e o exerceu com maestria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Construiu imediatamente um relacionamento especial de amizade durante o Conc\u00edlio com os Bispos que tinham maior sensibilidade para a problem\u00e1tica do ent\u00e3o chamado \u201cTerceiro Mundo\u201d. Neste contexto, surge o famoso grupo de Bispos, provenientes de todos os Continentes, que se encontrava para refletir sobre a miss\u00e3o da Igreja junto aos pobres e a necessidade da Igreja ser sinal do Cristo pobre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estes fatores hist\u00f3ricos tornavam Dom H\u00e9lder um homem de caracter\u00edsticas excepcionais para assumir o pastoreio numa regi\u00e3o sofrida como o Nordeste, numa cidade cheia de contrastes sociais como o Recife, num momento pol\u00edtico espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Helder\u00a0 assumia o seu pastoreio a 12 dias do golpe militar de 1964. A cidade do Recife era palco de numerosas pris\u00f5es, ex\u00edlios, por motivos pol\u00edticos. O\u00a0 medo invadia a popula\u00e7\u00e3o. Havia um clima de sobressalto. A cada momento poderia haver novas pris\u00f5es, novos pichamentos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom H\u00e9lder, logo na mensagem de chegada, abre o cora\u00e7\u00e3o aos seus diocesanos, procurando desarmar os esp\u00edritos.\u00a0 Fez uma sauda\u00e7\u00e3o ao povo, ao seu povo, logo ao chegar ao Recife, permeada de liberdade evang\u00e9lica, embebida de sabor prof\u00e9tico \u2013 an\u00fancio e den\u00fancia, de teor mission\u00e1rio. Apresenta-se como o bispo de todos ao explicitar sua postura pessoal e suas prioridades: \u201dNingu\u00e9m se escandalize quando me vir frequentando criaturas tidas como indignas e pecadoras. Quem n\u00e3o \u00e9 pecador? Quem pode jogar a primeira pedra? Nosso Senhor, acusado de andar com publicanos e almo\u00e7ar com pecadores, respondeu que justamente os doentes \u00e9 que precisam de m\u00e9dico. Ningu\u00e9m se espante me vendo com criaturas tidas como envolventes e perigosas, da esquerda ou da direita, da situa\u00e7\u00e3o ou da oposi\u00e7\u00e3o, antirreformistas ou reformistas, antirrevolucion\u00e1rias ou revolucion\u00e1rias, tidas como de boa ou de m\u00e1 f\u00e9. Ningu\u00e9m pretenda prender-me a um grupo, ligar-me a um partido, tendo como amigos os seus amigos e querendo que eu adote as suas inimizades. Minha porta e meu cora\u00e7\u00e3o estar\u00e3o abertos a todos, absolutamente a todos. Cristo morreu por todos os homens: a ningu\u00e9m devo excluir do di\u00e1logo fraterno\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>3. O b\u00e1rbaro trucidamento do Padre Antonio Henrique<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Padre Ant\u00f4nio Henrique foi formado na escola do seu Pastor Dom Helder. Tamb\u00e9m era fruto tanto da renova\u00e7\u00e3o da Igreja em pleno Conc\u00edlio Vaticano II como fruto do compromisso com o mundo estudantil, ainda em ebuli\u00e7\u00e3o, contra a ditadura militar. Henrique tinha consci\u00eancia de que corria risco. Estava comprometido com as causas dos estudantes universit\u00e1rios, ainda muito politizados, e fazia seu trabalho pastoral em sintonia com a dimens\u00e3o prof\u00e9tica da Arquidiocese com cont\u00ednuas den\u00fancias contra as arbitrariedades da ditadura milita; isto o levava a viver em\u00a0 vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Seu b\u00e1rbaro trucidamento aconteceu no dia 27 de maio de 1969.\u00a0 Na tarde do dia 26 de maio ainda recebeu v\u00e1rios jovens no Juvenato. Por volta das 19 horas saiu para uma reuni\u00e3o no bairro de Parnamirim, onde permaneceu com os jovens acompanhados dos seus pais, at\u00e9 \u00e0s 22,30 horas. Conforme depoimento do grupo de Lav\u00ednia Lins j\u00e1 citado, ap\u00f3s a \u00faltima reuni\u00e3o quando o Padre Henrique entrou num carro desconhecido:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cNosso \u00faltimo encontro se deu para que os pais e os filhos pudessem discutir tendo Henrique\u00a0 como intermediador. O clima era agrad\u00e1vel e seguro. Sa\u00ed com meus pais e no Largo do Parnamirim, avistei Henrique pela \u00faltima vez. Passamos de carro e tentei acenar para ele. Sem nos ver, entrava numa \u201crural\u201d\u00a0 verde e branca, me parece. Dois homens estavam fora do carro, de porta aberta, junto com ele. Outro dirigia. Depois\u00a0 foi apenas a not\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na manh\u00e3 seguinte, as autoridades eclesi\u00e1sticas foram advertidas de que havia um corpo num capinzal ao lado da Universidade, reconhecido como o corpo do padre Henrique. Fora transportado para o necrot\u00e9rio p\u00fablico onde Dom Helder logo acorreu. Outros padres, inclusive Dom Bas\u00edlio Penido, o abade do mosteiro de S\u00e3o Bento, m\u00e9dico, tamb\u00e9m se aproximaram e a\u00ed permaneceram at\u00e9 a conclus\u00e3o da necropsia. O sacerdote tinha sido amarrado, arrastado, recebeu tr\u00eas tiros na cabe\u00e7a e algumas torturas; todos os golpes atingiram exclusivamente a cabe\u00e7a e o pesco\u00e7o, conforme atesta o pr\u00f3prio Dom Bas\u00edlio Penido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O corpo foi velado na matriz do Espinheiro, onde aconteceram duas celebra\u00e7\u00f5es \u2013 uma \u00e0s 21 horas do mesmo dia e outra na manh\u00e3 seguinte antes de partir para o cemit\u00e9rio. Nesse contexto, foi divulgada uma nota do Governo Colegiado da Arquidiocese, expressando a dor da arquidiocese, o sofrimento dos jovens em plena como\u00e7\u00e3o, dos familiares perplexos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como a Igreja local n\u00e3o dispunha de meios de comunica\u00e7\u00e3o vi\u00e1veis para divulgar o acontecimento e a imprensa local estava sob censura, o texto da Nota, ap\u00f3s pronunciada, foi mimeografado e\u00a0 distribu\u00edda pelas par\u00f3quias, pelos col\u00e9gios e universidades, fato que fez acorrer uma\u00a0 grande quantidade de pessoas\u00a0 para a celebra\u00e7\u00e3o e, logo depois,\u00a0 para o enterro. A Nota foi redigida e discutida com a participa\u00e7\u00e3o de 40 padres, v\u00e1rios deles membros do Conselho Presbiteral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Nota do Governo Colegiado da Arquidiocese de Olinda e Recife :<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1.\u00a0\u00a0 \u00a0Cumprimos o pesaroso dever de comunicar o b\u00e1rbaro trucidamento do padre Ant\u00f4nio Henrique Pereira Neto, cometido na noite anterior, 26 de maio, nesta cidade do Recife;<br \/>\n2.\u00a0\u00a0 \u00a0Aos 29 anos de idade e 3 anos de sacerdote, o padre Henrique dedicou a vida ao apostolado da juventude, trabalhando sobretudo com os universit\u00e1rios. At\u00e9 \u00e0s 22,30 horas de ontem, segundo o testemunho de um grupo de casais, esteve reunido, em Parnamirim, com pais e filhos, na tentativa que lhe era t\u00e3o cara, de aproximar gera\u00e7\u00f5es;<br \/>\n3.\u00a0\u00a0 \u00a0O que h\u00e1 de particularmente grave no presente crime, al\u00e9m dos requintes de perversidade de que se reveste (a v\u00edtima foi amarrada, golpeada no pesco\u00e7o e recebeu tr\u00eas tiros na cabe\u00e7a) \u00e9 a certeza pr\u00e1tica de que o atentado brutal se prende a uma s\u00e9rie pr\u00e9-estabelecida e objeto de amea\u00e7as e avisos;<br \/>\n4.\u00a0\u00a0 \u00a0Houve, primeiro, amea\u00e7as escritas em Edif\u00edcios, acompanhadas por vezes, de disparos de armas de fogo. O Pal\u00e1cio de Manguinho recebeu numerosas inscri\u00e7\u00f5es. A Sede do Secretariado Arquidiocesano e Regional nordeste II foi alvejado. A resid\u00eancia do Arcebispo, na igreja das Fronteiras, alvejada e pichada.<br \/>\n5.\u00a0\u00a0 \u00a0Vieram, depois, amea\u00e7as telef\u00f4nicas, com o an\u00fancio de que j\u00e1 estavam escolhidas as pr\u00f3ximas v\u00edtimas. A primeira foi o estudante C\u00e2ndido Pinto de Melo, quartanista de engenharia, presidente da Uni\u00e3o dos Estudantes de Pernambuco. Acha-se inutilizado, com a medula seccionada. A segunda foi um jovem sacerdote, cujo crime exclusivo consistiu em exercer apostolado entre os estudantes.<br \/>\n6.\u00a0\u00a0 \u00a0Como crist\u00e3os, e a exemplo de Cristo e do proto-m\u00e1rtir Santo Estevam, pedimos a Deus perd\u00e3o para os assassinos, repetindo a palavra do mestre: \u201cEles n\u00e3o sabem o que fazem\u201d.<br \/>\nMas julgamo-nos no direito e no dever de erguer um clamor para que ao menos, n\u00e3o prossiga o trabalho sinistro deste novo esquadr\u00e3o da morte.<br \/>\n7.\u00a0\u00a0 \u00a0Que o holocausto do padre Ant\u00f4nio Henrique obtenha de Deus a gra\u00e7a da continua\u00e7\u00e3o do trabalho pelo qual doou a vida e a convers\u00e3o dos seus algozes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Recife, 27 de maio de 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">+Dom Helder, arcebispo de Olinda e Recife,<br \/>\n+Dom Jos\u00e9 Lamartine, Bispo Auxiliar e Vig\u00e1rio Geral,<br \/>\nMonsenhor Isnaldo Fonseca, Vig\u00e1rio Episcopal,<br \/>\nMonsenhor Arnaldo Cabral, Vig\u00e1rio Episcopal,<br \/>\nMons Ernanne Pinheiro, Vig\u00e1rio Episcopal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O percurso da Igreja do Espinheiro em dire\u00e7\u00e3o ao cemit\u00e9rio, sobretudo na Avenida Caxang\u00e1, parecia um campo de guerra. O cortejo f\u00fanebre foi crescendo em popula\u00e7\u00e3o durante a caminhada; contou com a presen\u00e7a de mais ou menos 8 mil pessoas. Tamb\u00e9m aconteceram alguns incidentes desagrad\u00e1veis. Invas\u00e3o do cortejo por policiais para prender personalidades como o deputado federal cassado Oswaldo Lima Filho presente ao enterro e a invas\u00e3o do cortejo para mandar tirar as faixas conduzidas pelas lideran\u00e7as estudantis: \u201dOs militares mataram Padre Henrique\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O enterro aconteceu no cemit\u00e9rio da V\u00e1rzea, a pedido da fam\u00edlia.\u00a0 L\u00e1 chegando, o recinto estava totalmente cercado por for\u00e7as militares, o que impedia qualquer manifesta\u00e7\u00e3o. Era plano dos estudantes expressarem sua indigna\u00e7\u00e3o juvenil diante do que eles estavam presenciando, o que Dom Helder tinha evitado que acontecesse no interior da Igreja do Espinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Helder acompanhou com muita un\u00e7\u00e3o todo o cortejo e foi perspicaz em perceber o quadro \u00e0 chegada do cemit\u00e9rio. Procurando evitar poss\u00edveis confrontos, subiu numa cadeira, acenou para a popula\u00e7\u00e3o com um len\u00e7o branco em sinal de paz, rezou um Pai Nosso com a popula\u00e7\u00e3o, deu uma ben\u00e7\u00e3o e solicitou que todos se retirassem em sil\u00eancio. Um sil\u00eancio piedoso, mas extremamente gritante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>4. A morte do padre Antonio Henrique\u00a0 e a Igreja de Olinda e Recife<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A missa de 7\u00ba. dia foi o momento forte para a assimila\u00e7\u00e3o do tr\u00e1gico ocorrido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Arquidiocese, tentando evitar fatos indesej\u00e1veis, preferiu descentralizar a celebra\u00e7\u00e3o; preparou um texto lit\u00fargico unificado para orienta\u00e7\u00e3o de todas as par\u00f3quias e centros religiosos. Foi a ocasi\u00e3o para oferecer os crit\u00e9rios crist\u00e3os para avaliar o tr\u00e1gico acontecimento. Sua introdu\u00e7\u00e3o dizia o seguinte: \u201cMeus irm\u00e3os, h\u00e1 sete dias precisamente Ant\u00f4nio Henrique, presb\u00edtero da Igreja de Deus no Recife, foi trucidado por causa do Evangelho de Jesus Cristo. Reunidos, hoje aqui, n\u00e3o s\u00e3o pensamentos de \u00f3dio ou de vingan\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 a sede de mais sangue que nos movem e nos irmanam. S\u00e3o pensamentos de paz. Paz que brota da f\u00e9. F\u00e9 que fala mais alto do que a perversidade dos maus. F\u00e9, que nos diz que padre Antonio Henrique est\u00e1 com Jesus, no Reino dos vivos. F\u00e9 que nos faz apreciar a import\u00e2ncia do seu holocausto e ouvir os apelos de Deus a continuarmos o trabalho que\u00a0 padre Henrique come\u00e7ou. Imploremos a miseric\u00f3rdia de Deus sobre todos n\u00f3s, que vivemos esta hora triste e angustiante; sobre a fam\u00edlia do padre Henrique; sobre o mundo que mata aqueles que lhe anunciam a verdadeira paz; sobre os assassinos do padre Antonio Henrique\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na missa de 30\u00ba. dia, a homilia de Dom Helder amplia a reflex\u00e3o numa leitura religiosa do tr\u00e1gico acontecimento em sua rela\u00e7\u00e3o com o momento pol\u00edtico. Come\u00e7ou a Homilia com uma\u00a0 pergunta: \u201cO que diria o nosso Padre Henrique se Deus lhe permitisse que ele mesmo pregasse a homilia desta Missa? Que pondera\u00e7\u00f5es teria a fazer, que sugest\u00f5es a apresentar, falando-nos de junto de Deus, onde nossa f\u00e9 espera que ele se ache? Salvo engano, come\u00e7aria repetindo a palavra de Nosso Senhor, em sua paix\u00e3o:\u201dN\u00e3o choreis sobre mim, mas sobre v\u00f3s e vossos filhos\u201d (Lc 23,28)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E apresenta \u201cApelo que chega da eternidade\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; da eternidade, de junto de Deus, ele apela para todos os que acusam a Igreja no Nordeste, de subvers\u00e3o e comunismo. Comparem o que estamos pregando em nossa regi\u00e3o com o Ensino Social da Igreja, ainda recentemente expresso por Paulo VI em Genebra: estamos rigorosamente dentro da \u201cPopulorum Progressio\u201d e das conclusos de Medellin;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; da eternidade, de junto de Deus, ele pede aos Governantes que, sem perda de tempo, partam para a reforma de base e, de modo particular, para a reforma agr\u00e1ria. Mas adverte que ser\u00e1 imposs\u00edvel qualquer mudan\u00e7a aut\u00eantica de estrutura atrav\u00e9s de reforma conduzida de cima para baixo. Ou o Povo participa como agente de mudan\u00e7a, ou n\u00e3o haver\u00e1 promo\u00e7\u00e3o humana e social;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; da eternidade, de junto de Deus, ele pede aos Respons\u00e1veis pela ordem p\u00fablica que, quanto antes, terminem as medidas de exce\u00e7\u00e3o que est\u00e3o tornando imposs\u00edvel o uso de processos democr\u00e1ticos da parte dos cidad\u00e3os em geral, e especialmente dos estudantes, e dos trabalhadores. A situa\u00e7\u00e3o presente cria clima prop\u00edcio a arbitrariedades, e abusos, a crimes (e n\u00e3o seria dif\u00edcil apontar casos, de que s\u00e3o tristes exemplos os esquadr\u00f5es da morte). A situa\u00e7\u00e3o presente impele os mais impacientes para a clandestinidade, a radicaliza\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estas afirma\u00e7\u00f5es do nosso Arcebispo Dom Helder Camara levam-nos a considerar que a morte do padre Henrique, por motiva\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-pol\u00edticas, mas com convic\u00e7\u00f5es crist\u00e3s s\u00f3lidas, n\u00e3o era uma exce\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. Est\u00e1vamos rodeados de densa nuvem de testemunhos de f\u00e9 (cf. carta aos Hebreus 12,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos anos das ditaduras na Am\u00e9rica Latina foram publicadas muitas reflex\u00f5es sobre o conceito de mart\u00edrio, valorizando os que tombaram numa luta pela democracia, em busca da justi\u00e7a, motivados pela f\u00e9, sabendo que poderiam pagar com a vida sua doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O padre jesuita Karl Rahner, considerado o grande te\u00f3logo do s\u00e9culo XX, fala sobre a necessidade de amplia\u00e7\u00e3o do conceito cl\u00e1ssico de mart\u00edrio. Prop\u00f5e que o termo mart\u00edrio seja aplicado tanto para a morte suportada pela f\u00e9 como pela morte que tem sua origem num compromisso e numa luta ativa, assumidos pela mesma f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>5. As repercuss\u00f5es do trucidamento do padre\u00a0 e perguntas consequentes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja local de Olinda e Recife n\u00e3o ficou isolada nesse sofrido\u00a0 momento. Recebeu solidariedades diversas e significativas do Brasil e do exterior. Confortadora para todos, mas sobretudo para Dom Helder, foi a visita imediata\u00a0 do Secret\u00e1rio Geral da CNBB, Dom Alo\u00edsio Lorscheider.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chegaram Mensagens do Santo Padre Paulo VI, do Secret\u00e1rio de Estado do Vaticano, da Presid\u00eancia do CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano), da Nunciatura Apost\u00f3lica e tantas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Governador do Estado da \u00e9poca, Sr. Nilo Coelho, nomeou uma Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito e entregou sua presid\u00eancia ao Magistrado, juiz da 11\u00aa. Vara, o Dr. Alo\u00edsio Xavier e para desempenhar as fun\u00e7\u00f5es de Procurador nomeou o Dr. Rorinildo da Rocha Le\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Logo no dia 11 de junho de 1969, o Dr. Alo\u00edsio Xavier, segundo publicou o jornal Di\u00e1rio de Pernambuco, deu um excelente testemunho em favor da conduta do sacerdote, afirmando com palavras claras e incisivas que valeu como uma resposta a todas as insinua\u00e7\u00f5es veiculadas por \u00f3rg\u00e3os da imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Convidado a depor sobre o assassinato do Padre Ant\u00f4nio Henrique, na Comiss\u00e3o Judici\u00e1ria, em abril de 1975, Dom Helder solicitou a anexa\u00e7\u00e3o aos autos do processo sua declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele relembra em detalhes os acontecimentos de maio de 1969, a nota do Governo Colegiado da Arquidiocese, o caminhar da Comiss\u00e3o Judici\u00e1ria, as fases do processo e repete perguntas publicadas em Nota, no dia 29 de Agosto de 1969, fazendo s\u00e9rias considera\u00e7\u00f5es (importante de serem explicitadas mesmo se algumas j\u00e1 atendidas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fala Dom Helder na sua declara\u00e7\u00e3o: \u201cComo esquecer a coincid\u00eancia de, poucas horas antes do que ocorreu a C\u00e2ndido Melo, ter sido alvejado o Juvenato Dom Vital (local em que trabalhava o padre Antonio Henrique), havendo os assaltantes \u2013 segundo depoimento de duas testemunhas citadas no Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Judici\u00e1ria &#8211; (parte final do item V), disparado suas armas, aos gritos de CCC? Como esquecer que, segundo o mesmo Relat\u00f3rio, no mesmo item, foi o CCC quem amea\u00e7ou o Padre Henrique pelo telefone?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A nota continuava perguntando: \u201cPorque n\u00e3o se faz uma devassa em regra sobre este famigerado CCC? Como e quando foi organizado? Quem o financia e quem o dirige? Quem s\u00e3o os seus s\u00f3cios? Onde tem sua sede? Quais os objetivos e quais os feitos desta vers\u00e3o do Ku-Klux-Kan? Houve interesse efetivo em apurar a passagem do CCC pela Universidade Rural? E pela Universidade Cat\u00f3lica? E pelos Diret\u00f3rios Acad\u00eamicos da Escola de Engenharia e da antiga Faculdade de Filosofia, ambas da Universidade Federal de Pernambuco? E pela resid\u00eancia do Arcebispo, duas vezes alvejada e objeto de inscri\u00e7\u00f5es com amea\u00e7as? E pelo Pal\u00e1cio de Manguinho? Quais os resultados do Inqu\u00e9rito sobre o alvejamento do Juvenato Dom Vital onde funcionam a C\u00faria Arquidiocesana e os Secretariados Arquidiocesanos e do Regional da CNBB?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por que voltar ao caso neste momento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A indigna\u00e7\u00e3o \u00e9tica dos brasileiros\/as e, em especial, dos pernambucanos\/as, exige que fato como esse agora relatado seja conhecido, refletido e avaliado para que nunca mais volte a acontecer no nosso pa\u00eds \u2013 Nunca Mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao mesmo tempo, \u00e9 sumamente importante as novas gera\u00e7\u00f5es conhecerem seus verdadeiros her\u00f3is \u2013 os que deram a vida na busca de mais vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E numa leitura crist\u00e3, repetimos o que diziam os primeiros crist\u00e3os: \u201cO sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 semente de novos Crist\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Est\u00e1 de parab\u00e9ns a Comiss\u00e3o da Verdade e da Mem\u00f3ria de Pernambuco!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">Recife, 16 de agosto de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Padre Jos\u00e9 Ernanne Pinheiro,<br \/>\nAssessor da CNBB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assessor da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) padre Jos\u00e9 Ernanne Pinheiro declarou\u00a0 no dia 17 de agosto, em sess\u00e3o p\u00fablica da Comiss\u00e3o Estadual da Mem\u00f3ria e Verdade Dom Helder C\u00e2mara, no audit\u00f3rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), que o assassinato do padre Henrique, em maio de 1969, foi uma tentativa &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/queriam-calar-igreja-e-estudantes-1\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">\u201cQueriam calar Igreja e estudantes\u201d, afirma assessor em evento no Recife<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":16997,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[869],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/16996"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=16996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/16996\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/16997"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=16996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=16996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=16996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}