{"id":17975,"date":"2012-08-08T00:00:00","date_gmt":"2012-08-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/publicados-criterios-para-a-participacao-politica-dos-cristaos\/"},"modified":"2020-03-11T16:48:34","modified_gmt":"2020-03-11T19:48:34","slug":"publicados-criterios-para-a-participacao-politica-dos-cristaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/publicados-criterios-para-a-participacao-politica-dos-cristaos\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o para a Vida e a Fam\u00edlia divulga crit\u00e9rios para a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos crist\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">As elei\u00e7\u00f5es municipais se aproximam e, com elas, um dos mais importante exerc\u00edcio de cidadania, o voto. Por isso a Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Vida e a Fam\u00edlia, a partir da orienta\u00e7\u00e3o apresentada pela Doutrina Social da Igreja, apresenta aos membros das fam\u00edlias brasileiras, em especial as cat\u00f3licas, alguns crit\u00e9rios de vida e fam\u00edlia na escolha dos candidatos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir da tarefa espec\u00edfica de orientar os crist\u00e3os para julgar a situa\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica no qual est\u00e3o inseridos, no texto a seguir composto pelo presidente da Comiss\u00e3o, dom Jo\u00e3o Carlos Petrini, bispo de Cama\u00e7ari (BA), s\u00e3o descritos crit\u00e9rios para a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos crist\u00e3os, necess\u00e1rios para a escolha dos candidatos para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Leia o texto na \u00edntegra:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"text-decoration: underline\"><strong>Elei\u00e7\u00f5es Municipais &#8211; 2012<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>1. A promo\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A fam\u00edlia \u00e9 o primeiro lugar no qual a pessoa tem a possibilidade de crescer, realiza sua humanidade, encontra terreno para o seu pleno desenvolvimento. A fam\u00edlia nasce da liberdade das pessoas e corresponde ao des\u00edgnio de Deus. O amor humano, vivido na plena reciprocidade de afetos e de responsabilidade, alcan\u00e7a sua plenitude quando se funda no sacramento do matrim\u00f4nio e d\u00e1 vida a um v\u00ednculo entre o homem e a mulher que se amam, que tem dimens\u00e3o p\u00fablica, est\u00e1vel, fiel, \u00e9 aberto a gerar vida e a acolh\u00ea-la, protegido pela indissolubilidade, alimentado pela presen\u00e7a de Jesus Cristo morto e ressuscitado. A fam\u00edlia expressa a maior coopera\u00e7\u00e3o entre os sexos e entre as gera\u00e7\u00f5es, pois seus membros vivem o dom sincero de si at\u00e9 com sacrif\u00edcio pr\u00f3prio para o bem do outro, imitando Jesus que se doa a n\u00f3s at\u00e9 o fim, experimentando a mais intensa comunh\u00e3o entre pessoas, conforme a imagem da Sant\u00edssima Trindade. Por isso, a fam\u00edlia difunde no seu interior e ao seu redor um clima de cuidados e de solidariedade, constituindo assim o maior recurso para a pessoa e para a sociedade. A Igreja se preocupa com a forte tend\u00eancia da cultura atual que n\u00e3o mais valoriza o dom de si para o bem do outro, antes, d\u00e1 o privil\u00e9gio ao bem estar individual, at\u00e9 mesmo com sacrif\u00edcio de outros, como documenta a decis\u00e3o do STF que privilegia o bem estar da m\u00e3e, sacrificando a vida do seu beb\u00ea portador de anencefalia. Esta tend\u00eancia transborda os limites jur\u00eddicos, torna-se mentalidade comum e est\u00e1 na origem da maioria dos conflitos familiares, das agress\u00f5es, das viol\u00eancias, do descaso. A fam\u00edlia constroi um estilo de vida que promove a solidariedade e a paz, e isto \u00e9 de interesse\u00a0 de toda a sociedade. Por isso, ela merece ser protegida e n\u00e3o descaracterizada pelo Estado como acontece quando qualquer uni\u00e3o com base afetiva \u00e9 a ela equiparada, mesmo faltando as caracter\u00edsticas que a identificam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>2. A liberdade de educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 o princ\u00edpio que afirma a liberdade dos pais de educarem os filhos na vis\u00e3o que, a seu ju\u00edzo, mais desenvolve a pessoa humana. Trata-se da defesa da liberdade para todos. Todos t\u00eam o direito de fazer crescer os filhos dentro de uma determinada vis\u00e3o que cont\u00e9m una riqueza de valores, de cultura e de perspectivas de desenvolvi\u00acmento. Quando escolas p\u00fablicas ou privadas se arrogam o direito de dar uma \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d contr\u00e1ria aos interesses dos pais, como no caso de equ\u00edvocas orienta\u00e7\u00f5es no campo da sexualidade, os pais t\u00eam o direito garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o e o dever de reivindicar com todos os meios legais que que seja respeitada a educa\u00e7\u00e3o que eles querem para seus filhos. Os cat\u00f3-licos, defendendo a liberdade de educa\u00e7\u00e3o prestam servi\u00e7o a todos os pais. Trata-se de uma luta pela afirma\u00e7\u00e3o e pelo desenvolvimento de uma identidade cultural que constitui, juntamente com outras identidades, o tecido do povo. O verdadeiro pluralismo democr\u00e1tico consiste na conviv\u00eancia de v\u00e1rias identidades culturais, no respeito pela diversidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>3. A liberdade religiosa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 a s\u00edntese de todas as liberdades e afirma o Estado laico como verdadeiramente democr\u00e1tico quando respeita todas as identidades, sem o vi\u00e9s autorit\u00e1rio que quer eliminar algumas. Quando essa liberdade \u00e9 reconhecida, a pessoa \u00e9 respeitada em sua prioridade. \u00c9 um princ\u00edpio que garante \u00e0 pessoa a possibilidade de seguir o caminho que considera mais oportuno para realizar seu destino. Por isso a Igreja se empenha pela liberdade de todas as experi\u00eancias religiosas. Um Estado que reconhece a liberdade religiosa, defende todas as outras liberdades, porque respeita o que d\u00e1 sentido \u00e0 vida do outro. No contexto da liberdade religiosa, torna-se de fundamental import\u00e2ncia o ensino religioso nas escolas p\u00fablicas. Os adolescentes constituem o segmento da popula\u00e7\u00e3o que vive em mais alto risco, pois eles se encontram numa situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o est\u00e3o mais sob a autoridade dos pais e ainda n\u00e3o disp\u00f5em de maturidade suficiente para orientar autonomamente suas vidas para o bem. A aus\u00eancia de grandes ideais e valores os deixa vulner\u00e1veis a propostas portadoras de destrui\u00e7\u00e3o e morte. O ensino religioso \u00e9 o caminho para que sejam ajudados a crescer tendo metas e objetivos positivos para a exist\u00eancia e a elaborar um projeto de vida construtivo de sua pessoa e do bem para a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>4. Os princ\u00edpios de solidariedade e de subsidiariedade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O princ\u00edpio de solidariedade fomenta uma cultura na qual as pessoas, as fam\u00edlias as associa\u00e7\u00f5es, o mercado e Estado ficam atentos aos desfavorecidos e cooperam entre si para atender suas necessidades. Desde a Rerum novarum at\u00e9 a Centesimus annus e a Caritas in Veritate, o ju\u00edzo da Igreja \u00e9 que a aten\u00e7\u00e3o de toda a sociedade esteja voltada para oferecer oportunidades de trabalho e fontes de subsist\u00eancia a pessoas e grupos menos favorecidos, numa aut\u00eantica op\u00e7\u00e3o preferencial aos pobres. Os documentos da Igreja afirmam que fortalecer a solidariedade e agir de acordo com ela \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o do Estado (cf. Laborem exercens, n\u00b0 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O princ\u00edpio de subsidiariedade foi expresso claramente na Quadrag\u00e9simo anno, de Pio XII (1931). Afirma-se que o estado deve respeitar as compet\u00eancias priorit\u00e1rias das pessoas, das fam\u00edlias e dos grupos intermedi\u00e1rios. Uma realidade maior (o Estado) n\u00e3o pode se substituir ao que deve e ao que pode fazer uma realidade menor (as fam\u00edlias e agrega\u00e7\u00f5es sociais intermedi\u00e1rias, outros organismos). Ao lado da fam\u00edlia, desenvolvem-se agrega\u00e7\u00f5es e entidades intermedi\u00e1rias, por exemplo, as associa\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias; trata-se de conjuntos de pessoas e fam\u00edlias que t\u00eam em comum uma vis\u00e3o da realidade e objetivos concretos. A sociedade n\u00e3o \u00e9 feita de gente an\u00f4nima, mas de pessoas que enfrentaram junto desafios, calamidades, quer naturais, quer sociais e pol\u00edticas (inunda\u00e7\u00f5es, secas, mis\u00e9ria e fome, restri\u00e7\u00f5es das liberdades democr\u00e1ticas) que t\u00eam la\u00e7os de cultura, de religi\u00e3o, com valores e metas partilhados que remetem \u00e0 experi\u00eancia de povo, configuram o pertencer ao povo. Se uma coisa pode ser feita pela fam\u00edlia ou por esses corpos intermedi\u00e1rios, o Estado n\u00e3o deve se colocar no lugar deles e, ao mesmo tempo, deve subsidiar esses grupos para que sejam facilitados em suas responsabilidades. Este princ\u00edpio \u00e9 a maior garantia contra toda forma de totalitarismo. O princ\u00edpio de subsidiariedade \u00e9 contr\u00e1rio tanto ao estatalismo (o Estado sabe tudo, faz tudo, resolve tudo) quanto ao Estado liberal que n\u00e3o se ineteressa em cuidar das necessidades do povo. O princ\u00edpio da subsidiariedade valoriza a criatividade, a comunh\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o das pessoas. Na Doutrina Social da Igreja, a fun\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 de promover o &#8220;Bem Comum&#8221; oferecendo os meios para o desenvolvimento das pes\u00acsoas e das agrega\u00e7\u00f5es sociais que nascem das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com estas observa\u00e7\u00f5es indicamos alguns pontos de reflex\u00e3o e conduta para n\u00e3o ficarmos passivos diante das circunst\u00e2ncias sociais e pol\u00edticas e para julgarmos, segundo a Doutrina Social da Igreja, o que est\u00e1 acontecendo na realidade brasileira. O fazer pol\u00edtica n\u00e3o come\u00e7a quando se entra nas quest\u00f5es partid\u00e1rias ou t\u00e9cnico-f\u00efnanceiras, mas quando se vive de acordo com valores e crit\u00e9rios que nascem da experi\u00eancia de pertencer ao Ideal e a um povo concreto, alternativos aos interesses do mercado e aos jogos de poder do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Vida e a Fam\u00edlia convida todas as fam\u00edlias a votarem em candidatos que comungam e promovem a vida e a fam\u00edlia, e ainda, incentiva o empenho de todos na aplica\u00e7\u00e3o da Lei 9.840, de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o eleitoral, bem como da Lei da Ficha Limpa, que pro\u00edbe a candidatura de quem j\u00e1 foi condenado, em primeira inst\u00e2ncia, por um colegiado, ou que tenha renunciado a seu mandato para escapar de puni\u00e7\u00f5es. O Brasil que queremos \u00e9 feito de cidad\u00e3os que se empenham pela justi\u00e7a e fraternidade. Como fam\u00edlias dos filhos de Deus e com as b\u00ean\u00e7\u00e3o da Sagrada Fam\u00edlia, fa\u00e7amos das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es um grande momento de promo\u00e7\u00e3o da vida e da fam\u00edlia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es municipais se aproximam e, com elas, um dos mais importante exerc\u00edcio de cidadania, o voto. 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