{"id":19461,"date":"2010-09-03T00:00:00","date_gmt":"2010-09-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/conflitos-por-agua-crescem-32-diz-cpt-1\/"},"modified":"2010-09-03T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-03T03:00:00","slug":"conflitos-por-agua-crescem-32-diz-cpt-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/conflitos-por-agua-crescem-32-diz-cpt-1\/","title":{"rendered":"\u201cConflitos por \u00e1gua crescem 32%\u201d, diz CPT"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) publicou em seu site dados parciais sobre os conflitos no campo no Brasil relativos ao per\u00edodo de janeiro a julho deste ano. Dos dados apresentados, tr\u00eas elementos chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. O primeiro foi o aumento de conflitos pela \u00e1gua em 2010; o segundo \u00e9 que mais da metade dos conflitos por terra, 54%, ocorreram no Nordeste; o terceiro \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do restante do pa\u00eds, no Sudeste e no Sul cresceram, e de forma expressiva, alguns \u00edndices de conflitos e viol\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Sudeste e no Sul, tanto em 2009, quanto em 2010, todos os estados destas Regi\u00f5es, registraram ocorr\u00eancias de trabalho escravo. O Sudeste com o aumento de ocorr\u00eancias, por\u00e9m com diminui\u00e7\u00e3o de trabalhadores envolvidos e libertados, e o Sul com a diminui\u00e7\u00e3o das ocorr\u00eancias, mas com aumento significativo no n\u00famero de trabalhadores envolvidos e libertados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Conflitos pela \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De janeiro a julho de 2010 foram registrados pela CPT, 29 conflitos pela \u00e1gua envolvendo 25.255 fam\u00edlias. N\u00famero 32% maior do que igual per\u00edodo de 2009, quando se registraram 22 conflitos envolvendo 20.458 fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em todas as Regi\u00f5es, menos no Norte, os conflitos pela \u00e1gua cresceram:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">50%, passando de 2 para 3 no Centro-Oeste;\u00a0 18,5%, indo de 7 para 9, no Nordeste;\u00a0 175%, crescendo de 4 para 11 no Sudeste; e 50%\u00a0 de 2 para 3 no Sul. No Norte foram registrados 7 conflitos em 2009, e 3 em 2010, mas cresceu em 395% o n\u00famero de fam\u00edlias envolvidas nestes conflitos. Passaram de 2.250 fam\u00edlias em 2009, para 11.150, em 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dos 29 conflitos pela \u00e1gua, 11, ou 38%, est\u00e3o relacionados com a constru\u00e7\u00e3o de barragens e ocorreram em 14 estados da Federa\u00e7\u00e3o, em 2010, quando em 2009, atingiram 13 estados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Viol\u00eancia no Sudeste e Sul<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os dados da CPT apresentam decl\u00ednio nos n\u00fameros absolutos da viol\u00eancia contra a pessoa, no per\u00edodo de janeiro a julho, de 2009 para 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo com essa queda, na Regi\u00e3o Nordeste houve aumento no n\u00famero de assassinatos, passando de 3, em 2009, para 4 em 2010. E nas regi\u00f5es Sudeste e Sul houve um aumento significativo no n\u00famero de trabalhadores presos e agredidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Sudeste o n\u00famero de trabalhadores presos passou de 3, em 2009, para 11 em 2010, aumento de 276% e o n\u00famero de agredidos passou de 4 para 15, mais 275%. Na Regi\u00e3o Sul, o n\u00famero de presos passou de 12 em 2009, para 18, em 2010 (mais 50%) e o n\u00famero de agredidos de 2, em 2009, para 20, em 2010, (mais 900%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Conflitos excessivos no Nordeste<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta regi\u00e3o do Brasil registra-se 54% dos conflitos por terra do pa\u00eds. Diferentemente do restante, o n\u00famero de conflitos por terra no Nordeste passou de 158, em 2009, para 194, em 2010. As ocorr\u00eancias de conflitos por terra passaram de 95 para 126 e o de ocupa\u00e7\u00f5es de 57, para 65. J\u00e1 o n\u00famero de acampamentos reduziu de 6, para 3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nas demais Regi\u00f5es do Brasil, os conflitos por terra, ocupa\u00e7\u00f5es e acampamentos sofreram redu\u00e7\u00e3o, em 2010, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2009. S\u00e3o 365 ocorr\u00eancias de conflitos em 2010, envolvendo 33.413 fam\u00edlias, contra 547 ocorr\u00eancias em 2009, envolvendo 47.739 fam\u00edlias. Mas, em contrapartida, os dados mostram que o n\u00famero m\u00e9dio de fam\u00edlias envolvidas em conflitos por terra, em 2010, aumentou, chegando a 94, enquanto que em 2009 a m\u00e9dia era de 87 fam\u00edlias envolvidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fam\u00edlias despejadas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diminuiu o n\u00famero de fam\u00edlias expulsas e despejadas. Em 2009, registraram-se no per\u00edodo, 16 ocorr\u00eancias de expuls\u00e3o atingindo 800 fam\u00edlias. Em 2010, s\u00e3o 10 ocorr\u00eancias, envolvendo 653 fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de fam\u00edlias despejadas pelo poder judici\u00e1rio, foram 52 ocorr\u00eancias, com despejo de 6.844 fam\u00edlias, em 2009, e 44 ocorr\u00eancias envolvendo 3.792 fam\u00edlias, em 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar do decr\u00e9scimo no n\u00famero total de a\u00e7\u00f5es de despejo, houve crescimento destes n\u00fameros na regi\u00e3o Centro-Oeste, mais 25%, passando de 4 ocorr\u00eancias, em 2009,\u00a0 para 5 em 2010;\u00a0 mais 33% no Sudeste,\u00a0 passando de 9 para 12 e mais 120% no Sul, cujos n\u00fameros passaram de 5, em 2009,\u00a0 para 11, em 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Trabalho Escravo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os n\u00fameros relativos ao trabalho escravo s\u00e3o menores no per\u00edodo de janeiro a julho de 2010. Em 2009, foram registradas 134 ocorr\u00eancias de trabalho escravo, envolvendo 4.241 trabalhadores, com a liberta\u00e7\u00e3o de 2.819.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2010, foram registradas 107 ocorr\u00eancias envolvendo 1.963 trabalhadores, dos quais 1.668 foram libertados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Houve um aumento de ocorr\u00eancias no Centro-Oeste. Passaram de 16, em 2009, com 259 trabalhadores envolvidos e libertados, para 21 ocorr\u00eancias em 2010, com a liberta\u00e7\u00e3o de 526 trabalhadores. Sobressai neste quadro o estado de Goi\u00e1s, que passou de 6 para 13 ocorr\u00eancias, passando de 259 para 490 o n\u00famero de trabalhadores libertados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Regi\u00e3o Sudeste, todos os estados apresentaram ocorr\u00eancias de trabalho escravo e o n\u00famero de ocorr\u00eancias subiu de 13 para 16, por\u00e9m com um n\u00famero significativamente menor de trabalhadores libertados (1266, em 2009 \u2013 268, em 2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na Regi\u00e3o Sul, tamb\u00e9m todos os estados apresentaram ocorr\u00eancias de trabalho escravo, mas com decr\u00e9scimo no n\u00famero de ocorr\u00eancias: 12 em 2009, 8, em 2010, ou seja, &#8211; 33%. Mas o n\u00famero de trabalhadores libertados quase triplicou: passou de 112 para 319, 184% a mais. Destaque para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul passou de 1 ocorr\u00eancia, em 2009, com quatro trabalhadores envolvidos e libertados para 2 ocorr\u00eancias, em 2010, com 29 trabalhadores envolvidos e libertados.\u00a0 Santa Catarina passou de 3 ocorr\u00eancias em 2009, para 5 em 2010, com um crescimento expressivo no n\u00famero de trabalhadores envolvidos e libertados. Passou de 38, para 223, 486% a mais que no ano anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Alagoas e Amazonas, que n\u00e3o figuravam entre os estados com trabalho escravo em 2009, aparecem em 2010. Alagoas registrou uma ocorr\u00eancia, com 20 trabalhadores envolvidos e libertados. Amazonas registrou duas ocorr\u00eancias com 13 trabalhadores envolvidos e libertados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma observa\u00e7\u00e3o importante. Estes s\u00e3o dados parciais. De diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, sobretudo do Norte, n\u00e3o nos chegaram as informa\u00e7\u00f5es completas, podendo, assim, os n\u00fameros sofrerem altera\u00e7\u00f5es expressivas ao serem incorporados novos dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outras informa\u00e7\u00f5es acesse o site da CPT, no www.cptnacional.org.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) publicou em seu site dados parciais sobre os conflitos no campo no Brasil relativos ao per\u00edodo de janeiro a julho deste ano. Dos dados apresentados, tr\u00eas elementos chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. 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