{"id":19473,"date":"2011-04-19T00:00:00","date_gmt":"2011-04-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/relatorio-da-cpt-aponta-aumento-de-conflitos-no-campo-em-2010\/"},"modified":"2011-04-19T00:00:00","modified_gmt":"2011-04-19T03:00:00","slug":"relatorio-da-cpt-aponta-aumento-de-conflitos-no-campo-em-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/relatorio-da-cpt-aponta-aumento-de-conflitos-no-campo-em-2010\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio da CPT aponta aumento de conflitos no campo em 2010"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) lan\u00e7ou, na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira, 19, na sede da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Bras\u00edlia, o Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2010. O material relata em 181 p\u00e1ginas o aumento dos conflitos em 2010. O texto discorre ainda sobre viol\u00eancias sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras rurais e suas comunidades e pelos povos tradicionais, em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os dados contemplam tr\u00eas grandes \u00e1reas: conflitos de terra (853), trabalhistas (242) e pela \u00e1gua (87) al\u00e9m de mais 4 relativos a outras quest\u00f5es, fazendo um total de 1.186 conflitos no campo. Em 2009, os dados apontavam 1.184 . O relat\u00f3rio detalha esses n\u00fameros mostrando onde houve crescimento em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior em determinadas \u00e1reas. Assim, em 2010, houve 638 ocorr\u00eancias de conflitos por causa de terra contra 528 no ano anterior. Foram registratos 204 casos de trabalho escravo, em 2010. Nesse caso, houve uma queda de 36 casos em rela\u00e7\u00e3o a 2009, que registrou 240. Os dados mais alarmantes s\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos conflitos pela \u00e1gua. Foram 87 em 2010, o dobro em rela\u00e7\u00e3o a 2009, que registrou 45 conflitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Relat\u00f3rio da CPT aponta ainda que 65% dos conflitos em 2010 ficaram distribu\u00eddos, principalmente, pelos estados do Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Tocantins. Por regi\u00f5es, o maior n\u00famero de conflitos por terra est\u00e1 no Nordeste (43,7%). Os conflitos por \u00e1gua, por sua vez, cresceu 93,3% em 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante o lan\u00e7amento o presidente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, dom Ladislau Biernaski, agradeceu aos presentes e disse que o relat\u00f3rio \u201c\u00e9 um trabalho de muitos codificado em Goi\u00e2nia (sede nacional)\u201d. Segundo dom Ladislau, o trabalho \u00e9 \u201cuma refer\u00eancia sobre quest\u00f5es da terra no Brasil e que muitas universidades utilizam para fins de pesquisa\u201d. Dom Biernaski ainda sublinhou que falta muito trabalho at\u00e9 a Reforma Agr\u00e1ria realmente acontecer no Brasil. \u201cQueremos dizer que na terra ainda n\u00e3o existe paz porque esta terra ainda n\u00e3o \u00e9 bem repartida e a Reforma Agr\u00e1ria ainda n\u00e3o saiu do papel\u201d, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-9372\" style=\"float: left\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/ariovaldoumbelino.jpg\" alt=\"ariovaldoumbelino\" width=\"200\" height=\"200\" \/>Para o professor titular da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Ariosvaldo Umbelino de Oliveira, o relat\u00f3rio da CPT cresceu e ganhou e espa\u00e7o e hoje \u00e9 mais que um registro dos conflitos no Brasil. \u201cO relat\u00f3rio anual da CPT sobre conflitos no campo passou com o tempo de mero registro de conflitos para um documento de estudo de muito cr\u00e9dito em nosso pa\u00eds\u201d, sublinhou Umbelino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sobre os dados do Relat\u00f3rio, o professor afirmou que, infelizmente s\u00e3o n\u00fameros que continuar\u00e3o a crescer no pa\u00eds por falta de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a solu\u00e7\u00e3o de conflitos no Brasil. \u201cEssa barb\u00e1rie no campo n\u00e3o vai ser reduzida porque infelizmente h\u00e1 uma disputa entre grileiros, popula\u00e7\u00f5es tradicionais que o pa\u00eds fecha os olhos\u201d, disse o pesquisador. \u201c350 milh\u00f5es de hectares de terras no Brasil n\u00e3o pertencem a quem as cercou, por isso, a viol\u00eancia continuar\u00e1\u201d, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-9373\" style=\"float: left\" title=\"Eden Magalh\u00e3es - CIMI\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/edenmagalhaes_cimi.jpg\" alt=\"edenmagalhaes_cimi\" width=\"200\" height=\"200\" \/>O representante da dire\u00e7\u00e3o nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Evandro Nesello, frisou que o relat\u00f3rio da CPT aponta 16 viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e que, essas viola\u00e7\u00f5es acontecem porque as empresas privadas, no caso as construtoras de hidrel\u00e9tricas no pa\u00eds n\u00e3o respeita as leis trabalhistas e imp\u00f5e aos oper\u00e1rios situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. \u201cA maioria dessas empresas n\u00e3o respeitam a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e colocam os oper\u00e1rios em situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o. Em v\u00e1rias hidrel\u00e9tricas se constata isso que tem se agravado porque impera nas obras tamb\u00e9m drogas e prostitui\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Secret\u00e1rio Executivo do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi), \u00c9den Magalh\u00e3es, afirmou que os conflitos presentes no <img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-9374\" style=\"float: left\" title=\"Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/domtomasbalduino_cpt.jpg\" alt=\"domtomasbalduino_cpt\" width=\"200\" height=\"200\" \/>relat\u00f3rio da CPT tamb\u00e9m contempla os povos ind\u00edgenas. \u201cS\u00e3o 500 projetos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) que afetam hoje milhares de povos ind\u00edgenas \u00e9 uma agress\u00e3o sem tamanho que o Cimi tem olhado e lutado na defesa dos ind\u00edgenas de v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds\u201d, defendeu \u00c9den.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA CPT trabalha para levantar os ca\u00eddos e para colocar em evid\u00eancia os conflitos que o Governo tenta esconder\u201d, comemorou mais uma edi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada do Relat\u00f3rio Conflitos no Campo, o conselheiro permanente da CPT, dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno. Segundo ele, h\u00e1 dois inimigos da divulga\u00e7\u00e3o desses dados para a sociedade. \u201cO Estado e o Poder Econ\u00f4mico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" size-full wp-image-9375\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/comparacaoconflitos_cpt.jpg\" alt=\"comparacaoconflitos_cpt\" width=\"555\" height=\"582\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) lan\u00e7ou, na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira, 19, na sede da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Bras\u00edlia, o Relat\u00f3rio Conflitos no Campo Brasil 2010. O material relata em 181 p\u00e1ginas o aumento dos conflitos em 2010. 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