{"id":19489,"date":"2011-10-26T00:00:00","date_gmt":"2011-10-26T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cpt-divulga-carta-do-encontro-nacional-de-formacao\/"},"modified":"2011-10-26T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-26T02:00:00","slug":"cpt-divulga-carta-do-encontro-nacional-de-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cpt-divulga-carta-do-encontro-nacional-de-formacao\/","title":{"rendered":"CPT divulga Carta do Encontro Nacional de Forma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Carta Final do Encontro Nacional de Forma\u00e7\u00e3o da CPT, realizado entre os dias 17 e 20 de outubro, aprovada na reuni\u00e3o do Conselho Nacional da Pastoral da Terra, aponta os desafios na nova conjuntura e reafirma o compromisso da CPT com &#8220;uma espiritualidade centrada no seguimento radical de Jesus&#8221; e com a luta dos povos do campo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leia a \u00edntegra do Documento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Carta de Hidrol\u00e2ndia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEis que fa\u00e7o novas todas as coisas\u201d (Apocalipse 21,5)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, reunida nos dias 17 a 20 de outubro de 2011, com a presen\u00e7a de 52 agentes de todo o Brasil, em seu tradicional Encontro Nacional de Forma\u00e7\u00e3o, em Hidrol\u00e2ndia-GO, desta vez com o tema \u201cEcologismo dos pobres e Ecofeminismo\u201d, e em Conselho Nacional, a seguir nos dias 21 e 22, em Goi\u00e2nia-GO, compartilha a experi\u00eancia e os sentimentos que significaram estes dias intensos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Analisamos a conjuntura nacional e global, a partir do campo nas regi\u00f5es em que exercemos o nosso servi\u00e7o pastoral. Questionamo-nos sobre os desafios que deveriam ser incorporados na \u00fanica e irrenunci\u00e1vel bandeira do campesinato e dos povos do campo: a luta pela terra e pelos territ\u00f3rios, contra o latif\u00fandio e a propriedade absoluta da terra, secular entrave para a constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o justa e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um discernimento renovado nos interpelou a assumirmos a ecologia, a partir das pr\u00e1ticas e das resist\u00eancias dos pobres, das mulheres e dos povos, desmistificando o falso mito da sustentabilidade e desmascarando a domina\u00e7\u00e3o patriarcal, desde sempre aliada ao \u201cprogresso\u201d capitalista e \u00e0 \u201cordem\u201d do Estado. Uma domina\u00e7\u00e3o traduzida cotidianamente no machismo enraizado em nossas rela\u00e7\u00f5es humanas, interpessoais e sociais, a oprimir a mulher, at\u00e9 com viol\u00eancias, e a desfigurar nossa humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acolhemos a mensagem que Dom Pedro Casald\u00e1liga \u2013 nosso Pedro do Araguaia &#8211; enviou aos mission\u00e1rios e mission\u00e1rias do CIMI \u2013 Conselho Indigenista Mission\u00e1rio, reunidos em Assembleia Nacional, neste m\u00eas de outubro. O profundo sil\u00eancio em que ressoaram suas palavras expressou a convic\u00e7\u00e3o un\u00e2nime de que sua palavra prof\u00e9tica \u00e9 um apelo urgente e inadi\u00e1vel tamb\u00e9m para n\u00f3s da CPT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cDevemos abrir os olhos, abrir o cora\u00e7\u00e3o e assumir a hora.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(Pedro Casald\u00e1liga)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A hora \u00e9 o tempo extremo e desafiador deste hoje em que o avan\u00e7o dos empreendimentos do capital, num processo impressionante de reprimariza\u00e7\u00e3o da economia brasileira, amea\u00e7a como nunca antes as pessoas, as comunidades e o meio ambiente: a grilagem ocultada ou legalizada da terra, as transposi\u00e7\u00f5es de \u00e1guas, o aumento exponencial das mineradoras em todo territ\u00f3rio nacional, a expans\u00e3o dos monocultivos e da pecu\u00e1ria, a destrui\u00e7\u00e3o ilegal ou legalizada das florestas, do cerrado e da caatinga, os transg\u00eanicos e os agrot\u00f3xicos, e a insist\u00eancia insana em priorizar matrizes energ\u00e9ticas que destroem o ambiente e o clima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Estado, atrav\u00e9s do PAC (Plano de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) tornou-se o articulador e o financiador do capital nacional e transnacional. Ref\u00e9m da ideologia do crescimentismo, alimenta fartamente grandes obras, infenso \u00e0s den\u00fancias de superfaturamento e graves impactos s\u00f3cio-ambientais. Submeteu a pol\u00edtica \u00e0 economia e esta \u00e9 reduzida \u00e0s oportunidades moment\u00e2neas do mercado global. A imposi\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, de interesse exclusivo de algumas corpora\u00e7\u00f5es empresariais, ao rev\u00e9s do bem social e ambiental e da vontade popular, \u00e9 s\u00f3 o exemplo recente mais gritante. Os governos, de quaisquer siglas e coaliz\u00f5es partid\u00e1rias, reiteram o processo in\u00edquo do controle desagregador das iniciativas camponesas, da criminaliza\u00e7\u00e3o de seus movimentos e lideran\u00e7as, da perpetua\u00e7\u00e3o da impunidade, da defesa do latif\u00fandio, sacramentados pela \u00faltima e decisiva palavra de um Poder Judici\u00e1rio corporativista, aliado blindado das elites olig\u00e1rquicas e dos interesses capitalistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cN\u00e3o deixar cair a profecia&#8230; Sejamos conscientes. Sejamos cr\u00edticos e autocr\u00edticos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(PedroCasald\u00e1liga)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">T\u00eam sido tomados de assalto terra e territ\u00f3rios, espa\u00e7os vitais para as comunidades camponesas se organizarem e se reproduzirem com seu modo pr\u00f3prio de vida, seus valores humanos, econ\u00f4micos, sociais, culturais e religiosos. \u00d3rg\u00e3os como MDA, INCRA, IBAMA e cong\u00eaneres, operadores das pol\u00edticas para o campo, cumprem papel cada vez mais marginal em rela\u00e7\u00e3o ao eixo central da pol\u00edtica agr\u00e1rio-agr\u00edcola devotada \u00e0 expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio de exporta\u00e7\u00e3o. A este tamb\u00e9m se submetem as altera\u00e7\u00f5es no C\u00f3digo Florestal e todo o aparato legal dedicado ao meio-ambiente, sob a falaciosa fachada de benef\u00edcio aos agricultores familiares, \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, \u201ccapitalismo verde\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Estado, por omiss\u00e3o ou coniv\u00eancia, tem exposto a sociedade brasileira a uma situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 de barb\u00e1rie, de que s\u00e3o evid\u00eancias os assassinatos impunes no campo e a mortandade na cidade, em especial de jovens e negros. A grilagem sistem\u00e1tica e aceita pelo Estado tem tornado a terra sonho de poucos e colocado o valor da propriedade concentrada acima da vida humana e do meio-ambiente. Alegados avan\u00e7os democr\u00e1ticos dos \u00faltimos anos n\u00e3o acrescentaram nada \u00e0 solu\u00e7\u00e3o deste n\u00f3 estrutural da sociedade brasileira, antes o refor\u00e7ou, j\u00e1 que a pol\u00edtica tem sido de anti-reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O crescimentismo econ\u00f4mico, potencializado pela crise global tornada oportunidade de expans\u00e3o do neg\u00f3cio de bens prim\u00e1rios, ainda que potencialize tamb\u00e9m a inclus\u00e3o social pelo aumento da renda e do consumo, n\u00e3o se apresenta como uma estrat\u00e9gia soberana de longo prazo. A necessidade de multiplica\u00e7\u00e3o e aumento das pol\u00edticas sociais compensat\u00f3rias, ao lado da perpetua\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de favorecimento dos ricos, sinaliza que o sistema de expropria\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o estruturais se aprofunda, n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tem futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cPode falhar tudo, menos a esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(Pedro Casald\u00e1liga)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se de um lado aumenta a viol\u00eancia do latif\u00fandio, do agroneg\u00f3cio e do Estado, do outro persiste a resist\u00eancia e h\u00e1 lutas organizadas e articuladas de camponeses, ind\u00edgenas, quilombolas, extrativistas e outros, que enfrentam o sistema e reivindicam terra e territ\u00f3rios. Aprendem, na luta, que n\u00e3o se confia neste Estado e que a Constitui\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00f5es, no que lhes beneficiam, s\u00e3o no mais das vezes letra morta. Aprendem que n\u00e3o ser\u00e1 este Estado que dar\u00e1 as respostas aos desafios maiores postos pelos povos do campo e pela sociedade toda. Os camponeses conseguem organizar assentamentos, implementam novas formas de rela\u00e7\u00e3o com a terra e nos processos produtivos, reafirmam e reinventam caminhos coletivos e solid\u00e1rios de viver e n\u00e3o abandonam o projeto da democratiza\u00e7\u00e3o da terra, atrav\u00e9s de uma reforma agr\u00e1ria digna deste nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse enfrentamento incessante no campo convoca a CPT a renovar o seu compromisso de contribuir com a forma\u00e7\u00e3o, a articula\u00e7\u00e3o, a mobiliza\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es populares do campo, para que tamb\u00e9m os camponeses e as camponesas sejam protagonistas das transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias da sociedade brasileira e mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A hora exige mudan\u00e7as radicais do nosso jeito de ser, de viver e de estruturar a vida. Uma nova maneira de organizar a \u201ccasa e o mundo\u201d (em grego, \u00f3ikos): a reprodu\u00e7\u00e3o material da vida (economia), o trato com a natureza (ecologia) e as rela\u00e7\u00f5es sociais (ecumenismo). No Brasil e no mundo, trasbordam as ruas do povo indignado e desejoso de democracia real. Seu grito evidencia a derrocada da estatocracia, servi\u00e7al do capital, falsa democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A n\u00f3s da CPT, a hora exige uma espiritualidade centrada no seguimento radical de Jesus, que o nosso testemunho a servi\u00e7o do Reino de Deus incorpore o grito das ruas e dos campos e construa rela\u00e7\u00f5es novas entre mulheres e homens e com a Cria\u00e7\u00e3o. Somos chamados a desconstruir a teia hier\u00e1rquica que coisifica e inferioriza a natureza, as mulheres, os pobres, os negros, os ind\u00edgenas, as minorias e os camponeses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A alian\u00e7a dos povos da terra nos impulsiona para a perspectiva de um ecumenismo novo e extenso (macroecumenismo), em que a B\u00edblia, lida e vivida a partir dos pobres e do conflito, dialoga com as teologias afro-descendentes e dos povos origin\u00e1rios de nossa Am\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ser\u00e1 uma dura luta para superar, tamb\u00e9m, o patriarcalismo que domina as rela\u00e7\u00f5es humanas na fam\u00edlia, na sociedade, no Estado e nas Igrejas. Mas \u00e9 um caminho necess\u00e1rio, poss\u00edvel e urgente. Como foi o de Francisco e Clara de Assis e, em nossos dias, o de Pedro do Araguaia. Desde sua consagra\u00e7\u00e3o como bispo, 40 anos atr\u00e1s, ele nos prova que \u00e9 poss\u00edvel converter-se a uma Igreja-Comunh\u00e3o, que n\u00e3o pactua com \u201cas for\u00e7as do latif\u00fandio e da marginaliza\u00e7\u00e3o social\u201d, como proclamava sua primeira carta pastoral, em outubro de 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim seja para a CPT tamb\u00e9m!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Goi\u00e2nia 22 de outubro de 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Conselho Nacional da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Final do Encontro Nacional de Forma\u00e7\u00e3o da CPT, realizado entre os dias 17 e 20 de outubro, aprovada na reuni\u00e3o do Conselho Nacional da Pastoral da Terra, aponta os desafios na nova conjuntura e reafirma o compromisso da CPT com &#8220;uma espiritualidade centrada no seguimento radical de Jesus&#8221; e com a luta dos povos &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cpt-divulga-carta-do-encontro-nacional-de-formacao\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">CPT divulga Carta do Encontro Nacional de Forma\u00e7\u00e3o<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":19490,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[814,762],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/19489"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=19489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/19489\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/19490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=19489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=19489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=19489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}