{"id":19493,"date":"2011-12-12T00:00:00","date_gmt":"2011-12-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cpt-denuncia-injustica-em-desapropriacao-no-rio-de-janeiro\/"},"modified":"2011-12-12T00:00:00","modified_gmt":"2011-12-12T02:00:00","slug":"cpt-denuncia-injustica-em-desapropriacao-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cpt-denuncia-injustica-em-desapropriacao-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"CPT denuncia injusti\u00e7a em desapropria\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra emitiu nota p\u00fablica na qual faz den\u00fancia contra desapropria\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias que vivem no interior do estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eis a nota:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CPT vem a p\u00fablico denunciar a desapropria\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias das comunidades \u00c1gua Preta, Barra do Jacar\u00e9, Sabonete, Cazumb\u00e1, Campo da Praia, Bajuru, Quixaba, Azeitona, Capela S\u00e3o Pedro e A\u00e7u, do 5\u00ba Distrito, do munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra, RJ. Para darem lugar \u00e0s obras do Complexo Industrial, ligado ao Superporto do A\u00e7u, do bilion\u00e1rio brasileiro, Eike Batista, as fam\u00edlias destas comunidades s\u00e3o pressionadas a abandonarem suas \u00e1reas onde muitas delas nasceram e t\u00eam suas ra\u00edzes mais profundas. Al\u00e9m de sofrerem agress\u00f5es.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nMais uma vez o poder p\u00fablico ap\u00f3ia os interesses do capital que se sobrep\u00f5em aos interesses dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nO Superporto do A\u00e7u \u00e9 um empreendimento log\u00edstico da empresa LLX. Trata-se do maior investimento em infraestrutura portu\u00e1ria das Am\u00e9ricas. Sua constru\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em outubro de 2007 e sua opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para o primeiro semestre de 2012. O empreendimento foi idealizado prevendo a integra\u00e7\u00e3o com minas de min\u00e9rio de ferro de Minas Gerais, a ser transportado at\u00e9 o porto por um mineroduto de 525 km de extens\u00e3o. A concep\u00e7\u00e3o do Superporto \u00e9 o de um porto-ind\u00fastria, desenvolvendo diversos empreendimentos em paralelo ao porto propriamente dito, como estaleiro, usinas termoel\u00e9tricas, etc. Mais de 66 empresas demonstraram interesse em se instalar neste complexo industrial. Este megaempreendimento est\u00e1 sendo propagandeado como uma obra dentro das mais avan\u00e7adas do mundo, e que vai ampliar imensamente a capacidade exportadora do Brasil.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nMas o que n\u00e3o \u00e9 divulgado \u00e9 que para a instala\u00e7\u00e3o de todo este complexo de empresas, v\u00e3o ter que ser desalojadas familias de pescadores e de\u00a0 pequenos agricultores, que podem chegar a 1.500 fam\u00edlias. A proposta do megaempreendimento foi abra\u00e7ada pela prefeitura de S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra e do estado do Rio de Janeiro. Um Decreto Estadual 41.915\/2009, desapropria como de interesse p\u00fablico uma \u00e1rea de 7.200 hectares, atrav\u00e9s da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), para dar espa\u00e7o ao condom\u00ednio industrial previsto no projeto.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nTodas as estrat\u00e9gias est\u00e3o sendo usadas para retirar as fam\u00edlias da \u00e1rea, entre compra de \u00e1rea, mudan\u00e7a de local, e outras. Algumas venderam suas propriedades para a Codin. Outras negociaram com a companhia sua transfer\u00eancia para a Vila da Terra, um projeto para alojar as fam\u00edlias retiradas, mas n\u00e3o receberam at\u00e9 hoje a indeniza\u00e7\u00e3o combinada. Por\u00e9m, um grupo significativo de fam\u00edlias, em torno a 800, resistem na terra e nela querem permanecer, por isso sofrem todo tipo de press\u00e3o e de amea\u00e7as para deixarem suas \u00e1reas. Placas s\u00e3o fincadas nos s\u00edtios, cercas mudam os limites das propriedades, restingas s\u00e3o derrubadas. Como diz um campon\u00eas: \u201cSeremos expulsos de nossa terra, querem arrancar nossa hist\u00f3ria de dentro da gente. Na mesma hora que entram derrubam tudo, cercam, n\u00e3o deixam vida ali, querem que esque\u00e7amos tudo que vivemos aqui.\u201d.\u00a0 A pol\u00edcia tem sido muitas vezes arbitr\u00e1ria e truculenta. Contra os que ainda teimam em resistir h\u00e1 um mandado de despejo que pode ser executado a qualquer hora.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nDiante disso, os agricultores t\u00eam realizado diversas manifesta\u00e7\u00f5es, bloqueado a estrada de acesso \u00e0s obras do superporto, participado de audi\u00eancias p\u00fablicas na tentativa de garantirem o direito a permanecer na terra.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\u00c0s fam\u00edlias atingidas por este megaprojeto, a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CPT quer expressar seu apoio. \u00c9 uma luta das propor\u00e7\u00f5es da de Davi e Golias. Mas acreditem na for\u00e7a dos pequenos, da sua uni\u00e3o e persist\u00eancia.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\n\u00c0s autoridades, a quem interessa o chamado \u201cdesenvolvimento econ\u00f4mico\u201d acima da vida, da cultura e da hist\u00f3ria das comunidades camponesas, queremos lembrar que, como na vis\u00e3o de Daniel, todos os imp\u00e9rios t\u00eam os p\u00e9s de barro e podem ruir num instante e tornar \u201ctudo como se fosse palha ao final da colheita\u201d (Dn 2, 31-35). Quando o mundo todo se debate com as tr\u00e1gicas consequ\u00eancias do aquecimento global, e toma consci\u00eancia da finitude dos bens naturais e da necessidade de preserv\u00e1-los, nossos governantes ainda apostam em projetos e propostas alicer\u00e7adas em vis\u00f5es j\u00e1 caducas de um desenvolvimento ilimitado.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nA agricultura familiar e camponesa que ajuda a manter o equil\u00edbrio da vida deveria merecer todo o apoio e n\u00e3o ser jogada ao lixo da hist\u00f3ria. \u00c9 hora de se adequar ao momento presente e repensar o modelo de desenvolvimento!<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nGoi\u00e2nia, 9 de dezembro de 2011.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nCoordena\u00e7\u00e3o Nacional da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\nMaiores informa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Viviane Ramiro (CPT Rio de Janeiro) \u2013 (27) 9976-5147<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Carolina de C\u00e1ssia (CPT Rio de Janeiro) \u2013 (22) 9925-0981<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra emitiu nota p\u00fablica na qual faz den\u00fancia contra desapropria\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias que vivem no interior do estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":19494,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[814,762],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/19493"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=19493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/19493\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/19494"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=19493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=19493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=19493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}