{"id":19540,"date":"2014-12-11T00:00:00","date_gmt":"2014-12-11T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/em-mensagem-ao-dia-da-paz-papa-francisco-fala-das-formas-de-escravidao\/"},"modified":"2014-12-11T00:00:00","modified_gmt":"2014-12-11T02:00:00","slug":"em-mensagem-ao-dia-da-paz-papa-francisco-fala-das-formas-de-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/em-mensagem-ao-dia-da-paz-papa-francisco-fala-das-formas-de-escravidao\/","title":{"rendered":"&#8220;J\u00e1 n\u00e3o escravos, mas irm\u00e3os&#8221; \u00e9 o tema da Mensagem para o Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\" align=\"center\"><span style=\"line-height: 1.3em\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Por ocasi\u00e3o do Dia Mundial da Paz, celebrado em 1\u00ba de janeiro de 2015, o papa Francisco enviou mensagem em que prop\u00f5e reflex\u00e3o sobre os conflitos e guerras ideol\u00f3gicas entre as religi\u00f5es e pa\u00edses, chamando aten\u00e7\u00e3o para a necessidade do di\u00e1logo e da paz. O papa alerta, ainda, para as diferentes formas de escravid\u00e3o existentes no mundo e que \u00e9 preciso \u201cconsiderar todos os homens, \u2018j\u00e1 n\u00e3o escravos, mas irm\u00e3os\u2019.<\/span><\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\" align=\"center\"><span style=\"line-height: 1.3em\">Ao final da mensagem, Francisco convoca os crist\u00e3os para que sejam \u201cart\u00edfices da globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperan\u00e7a e lev\u00e1-los a retomar, com coragem, o caminho atrav\u00e9s dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas m\u00e3os\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Confira, abaixo, a \u00edntegra da mensagem:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>MENSAGEM DO SANTO PADRE\u00a0<\/strong><strong>FRANCISCO<\/strong><br \/>\n<strong>PARA A CELEBRA\u00c7\u00c3O DO <\/strong><strong>XLVIII DIA MUNDIAL DA PAZ<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">1\u00ba DE JANEIRO DE 2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>J\u00c1 N\u00c3O ESCRAVOS, MAS IRM\u00c3OS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1. No in\u00edcio de um novo ano, que acolhemos como uma gra\u00e7a e um dom de Deus para a humanidade, desejo dirigir, a cada homem e mulher, bem como a todos os povos e na\u00e7\u00f5es do mundo, aos chefes de Estado e de Governo e aos respons\u00e1veis das v\u00e1rias religi\u00f5es, os meus ardentes votos de paz, que acompanho com a minha ora\u00e7\u00e3o a fim de que cessem as guerras, os conflitos e os in\u00fameros sofrimentos provocados quer pela m\u00e3o do homem quer por velhas e novas epidemias e pelos efeitos devastadores das calamidades naturais. Rezo de modo particular para que, respondendo \u00e0 nossa voca\u00e7\u00e3o comum de colaborar com Deus e com todas as pessoas de boa vontade para a promo\u00e7\u00e3o da conc\u00f3rdia e da paz no mundo, saibamos resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de nos comportarmos de forma n\u00e3o digna da nossa humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1, na minha mensagem para o 1\u00ba de Janeiro passado, fazia notar que \u00abo anseio de uma vida plena (\u2026) cont\u00e9m uma aspira\u00e7\u00e3o irreprim\u00edvel de fraternidade, impelindo \u00e0 comunh\u00e3o com os outros, em quem n\u00e3o encontramos inimigos ou concorrentes, mas irm\u00e3os que devemos acolher e abra\u00e7ar\u00bb.[1] Sendo o homem um ser relacional, destinado a realizar-se no contexto de rela\u00e7\u00f5es interpessoais inspiradas pela justi\u00e7a e a caridade, \u00e9 fundamental para o seu desenvolvimento que sejam reconhecidas e respeitadas a sua dignidade, liberdade e autonomia. Infelizmente, o flagelo generalizado da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunh\u00e3o e a voca\u00e7\u00e3o a tecer rela\u00e7\u00f5es interpessoais marcadas pelo respeito, a justi\u00e7a e a caridade. Tal fen\u00f4meno abomin\u00e1vel, que leva a espezinhar os direitos fundamentais do outro e a aniquilar a sua liberdade e dignidade, assume m\u00faltiplas formas sobre as quais desejo deter-me, brevemente, para que, \u00e0 luz da Palavra de Deus, possamos considerar todos os homens, \u00abj\u00e1 n\u00e3o escravos, mas irm\u00e3os\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00c0 escuta do projeto de Deus para a humanidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2. O tema, que escolhi para esta mensagem, inspira-se na Carta de S\u00e3o Paulo a Filemon; nela, o Ap\u00f3stolo pede ao seu colaborador para acolher On\u00e9simo, que antes era escravo do pr\u00f3prio Filemon mas agora tornou-se crist\u00e3o, merecendo por isso mesmo, segundo Paulo, ser considerado um irm\u00e3o. Escreve o Ap\u00f3stolo dos gentios: \u00abEle foi afastado por breve tempo, a fim de que o recebas para sempre, n\u00e3o j\u00e1 como escravo, mas muito mais do que um escravo, como irm\u00e3o querido\u00bb (Flm 15-16). Tornando-se crist\u00e3o, On\u00e9simo passou a ser irm\u00e3o de Filemon. Deste modo, a convers\u00e3o a Cristo, o in\u00edcio de uma vida de discipulado em Cristo constitui um novo nascimento (cf. 2 Cor 5, 17; 1 Ped 1, 3), que regenera a fraternidade como v\u00ednculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Lemos, no livro do G\u00eanesis (cf. 1, 27-28), que Deus criou o ser humano como homem e mulher e aben\u00e7oou-os para que crescessem e se multiplicassem: a Ad\u00e3o e Eva, f\u00ea-los pais, que, no cumprimento da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para ser fecundos e multiplicar-se, geraram a primeira fraternidade: a de Caim e Abel. Sa\u00eddos do mesmo ventre, Caim e Abel s\u00e3o irm\u00e3os e, por isso, t\u00eam a mesma origem, natureza e dignidade de seus pais, criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, apesar de os irm\u00e3os estarem ligados por nascimento e possu\u00edrem a mesma natureza e a mesma dignidade, a fraternidade exprime tamb\u00e9m a multiplicidade e a diferen\u00e7a que existe entre eles. Por conseguinte, como irm\u00e3os e irm\u00e3s, todas as pessoas est\u00e3o, por natureza, relacionadas umas com as outras, cada qual com a pr\u00f3pria especificidade e todas partilhando a mesma origem, natureza e dignidade. Em virtude disso, a fraternidade constitui a rede de rela\u00e7\u00f5es fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia humana criada por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Infelizmente, entre a primeira cria\u00e7\u00e3o narrada no livro do G\u00eanesis e o novo nascimento em Cristo \u2013 que torna, os crentes, irm\u00e3os e irm\u00e3s do \u00abprimog\u00eanito de muitos irm\u00e3os\u00bb (Rom 8, 29) \u2013, existe a realidade negativa do pecado, que interrompe tantas vezes a nossa fraternidade de criaturas e deforma continuamente a beleza e nobreza de sermos irm\u00e3os e irm\u00e3s da mesma fam\u00edlia humana. Caim n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o suporta o seu irm\u00e3o Abel, mas mata-o por inveja, cometendo o primeiro fratric\u00eddio. \u00abO assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejei\u00e7\u00e3o radical da voca\u00e7\u00e3o a ser irm\u00e3os. A sua hist\u00f3ria (cf. Gen 4, 1-16) p\u00f5e em evid\u00eancia o dif\u00edcil dever, a que todos os homens s\u00e3o chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros\u00bb.[2]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m na hist\u00f3ria da fam\u00edlia de No\u00e9 e seus filhos (cf. Gen 9, 18-27), \u00e9 a falta de piedade de Caim para com seu pai, No\u00e9, que impele este a amaldi\u00e7oar o filho irreverente e a aben\u00e7oar os outros que o tinham honrado, dando assim lugar a uma desigualdade entre irm\u00e3os nascidos do mesmo ventre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na narra\u00e7\u00e3o das origens da fam\u00edlia humana, o pecado de afastamento de Deus, da figura do pai e do irm\u00e3o torna-se uma express\u00e3o da recusa da comunh\u00e3o e traduz-se na cultura da servid\u00e3o (cf. Gen 9, 25-27), com as consequ\u00eancias da\u00ed resultantes que se prolongam de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o: rejei\u00e7\u00e3o do outro, maus-tratos \u00e0s pessoas, viola\u00e7\u00e3o da dignidade e dos direitos fundamentais, institucionaliza\u00e7\u00e3o de desigualdades. Daqui se v\u00ea a necessidade de uma convers\u00e3o cont\u00ednua \u00e0 Alian\u00e7a levada \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o pela obla\u00e7\u00e3o de Cristo na cruz, confiantes de que, \u00abonde abundou o pecado, superabundou a gra\u00e7a (\u2026) por Jesus Cristo\u00bb (Rom 5, 20.21). Ele, o Filho amado (cf. Mt 3, 17), veio para revelar o amor do Pai pela humanidade. Todo aquele que escuta o Evangelho e acolhe o seu apelo \u00e0 convers\u00e3o, torna-se, para Jesus, \u00abirm\u00e3o, irm\u00e3 e m\u00e3e\u00bb (Mt 12, 50) e, consequentemente, filho adotivo de seu Pai (cf. Ef 1, 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, os seres humanos n\u00e3o se tornam crist\u00e3os, filhos do Pai e irm\u00e3os em Cristo por imposi\u00e7\u00e3o divina, isto \u00e9, sem o exerc\u00edcio da liberdade pessoal, sem se converterem livremente a Cristo. Ser filho de Deus requer que primeiro se abrace o imperativo da convers\u00e3o: \u00abConvertei-vos \u2013 dizia Pedro no dia de Pentecostes \u2013 e pe\u00e7a cada um o batismo em nome de Jesus Cristo, para a remiss\u00e3o dos seus pecados; recebereis, ent\u00e3o, o dom do Esp\u00edrito Santo\u00bb (Act 2, 38). Todos aqueles que responderam com a f\u00e9 e a vida \u00e0quela prega\u00e7\u00e3o de Pedro, entraram na fraternidade da primeira comunidade crist\u00e3 (cf. 1 Ped 2, 17; Act 1, 15.16; 6, 3; 15, 23): judeus e gregos, escravos e homens livres (cf. 1 Cor 12, 13; Gal 3, 28), cuja diversidade de origem e estado social n\u00e3o diminui a dignidade de cada um, nem exclui ningu\u00e9m do povo de Deus. Por isso, a comunidade crist\u00e3 \u00e9 o lugar da comunh\u00e3o vivida no amor entre os irm\u00e3os (cf. Rom 12, 10; 1 Tes 4, 9; Heb 13, 1; 1 Ped 1, 22; 2 Ped 1, 7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo isto prova como a Boa Nova de Jesus Cristo \u2013 por meio de Quem Deus \u00abrenova todas as coisas\u00bb (Ap 21, 5)[3] \u2013 \u00e9 capaz de redimir tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es entre os homens, incluindo a rela\u00e7\u00e3o entre um escravo e o seu senhor, pondo em evid\u00eancia aquilo que ambos t\u00eam em comum: a filia\u00e7\u00e3o adotiva e o v\u00ednculo de fraternidade em Cristo. O pr\u00f3prio Jesus disse aos seus disc\u00edpulos: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos, visto que um servo n\u00e3o est\u00e1 ao corrente do que faz o seu senhor; mas a v\u00f3s chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai\u00bb (Jo 15, 15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>As m\u00faltiplas faces da escravatura, ontem e hoje<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3. Desde tempos imemoriais, as diferentes sociedades humanas conhecem o fen\u00f4meno da sujei\u00e7\u00e3o do homem pelo homem. Houve per\u00edodos na hist\u00f3ria da humanidade em que a institui\u00e7\u00e3o da escravatura era geralmente admitida e regulamentada pelo direito. Este estabelecia quem nascia livre e quem, pelo contr\u00e1rio, nascia escravo, bem como as condi\u00e7\u00f5es em que a pessoa, nascida livre, podia perder a sua liberdade ou recuper\u00e1-la. Por outras palavras, o pr\u00f3prio direito admitia que algumas pessoas podiam ou deviam ser consideradas propriedade de outra pessoa, a qual podia dispor livremente delas; o escravo podia ser vendido e comprado, cedido e adquirido como se fosse uma mercadoria qualquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje, na sequ\u00eancia de uma evolu\u00e7\u00e3o positiva da consci\u00eancia da humanidade, a escravatura \u2013 delito de lesa humanidade[4] \u2013 foi formalmente abolida no mundo. O direito de cada pessoa n\u00e3o ser mantida em estado de escravid\u00e3o ou servid\u00e3o foi reconhecido, no direito internacional, como norma inderrog\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, apesar de a comunidade internacional ter adotado numerosos acordos para p\u00f4r termo \u00e0 escravatura em todas as suas formas e ter lan\u00e7ado diversas estrat\u00e9gias para combater este fen\u00f4meno, ainda hoje milh\u00f5es de pessoas \u2013 crian\u00e7as, homens e mulheres de todas as idades \u2013 s\u00e3o privadas da liberdade e constrangidas a viver em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s da escravatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Penso em tantos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo menores, escravizados nos mais diversos sectores, a n\u00edvel formal e informal, desde o trabalho dom\u00e9stico ao trabalho agr\u00edcola, da ind\u00fastria manufatureira \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, tanto nos pa\u00edses onde a legisla\u00e7\u00e3o do trabalho n\u00e3o est\u00e1 conforme \u00e0s normas e padr\u00f5es m\u00ednimos internacionais, como \u2013 ainda que ilegalmente \u2013 naqueles cuja legisla\u00e7\u00e3o protege o trabalhador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Penso tamb\u00e9m nas condi\u00e7\u00f5es de vida de muitos migrantes que, ao longo do seu trajeto dram\u00e1tico, padecem a fome, s\u00e3o privados da liberdade, despojados dos seus bens ou abusados f\u00edsica e sexualmente. Penso em tantos deles que, chegados ao destino depois de uma viagem dur\u00edssima e dominada pelo medo e a inseguran\u00e7a, ficam detidos em condi\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes desumanas. Penso em tantos deles que diversas circunst\u00e2ncias sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas impelem a passar \u00e0 clandestinidade, e naqueles que, para permanecer na legalidade, aceitam viver e trabalhar em condi\u00e7\u00f5es indignas, especialmente quando as legisla\u00e7\u00f5es nacionais criam ou permitem uma depend\u00eancia estrutural do trabalhador migrante em rela\u00e7\u00e3o ao dador de trabalho como, por exemplo, condicionando a legalidade da estadia ao contrato de trabalho&#8230; Sim! Penso no \u00abtrabalho escravo\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Penso nas pessoas obrigadas a prostitu\u00edrem-se, entre as quais se contam muitos menores, e nas escravas e escravos sexuais; nas mulheres for\u00e7adas a casar-se, quer as que s\u00e3o vendidas para casamento quer as que s\u00e3o deixadas em sucess\u00e3o a um familiar por morte do marido, sem que tenham o direito de dar ou n\u00e3o o pr\u00f3prio consentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o posso deixar de pensar a quantos, menores e adultos, s\u00e3o objeto de tr\u00e1fico e comercializa\u00e7\u00e3o para remo\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, para ser recrutados como soldados, para servir de pedintes, para atividades ilegais como a produ\u00e7\u00e3o ou venda de drogas, ou para formas disfar\u00e7adas de ado\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Penso, enfim, em todos aqueles que s\u00e3o raptados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas, servindo os seus objetivos como combatentes ou, especialmente no que diz respeito \u00e0s meninas e mulheres, como escravas sexuais. Muitos deles desaparecem, alguns s\u00e3o vendidos v\u00e1rias vezes, torturados, mutilados ou mortos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Algumas causas profundas da escravatura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4. Hoje como ontem, na raiz da escravatura, est\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objeto. Quando o pecado corrompe o cora\u00e7\u00e3o do homem e o afasta do seu Criador e dos seus semelhantes, estes deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irm\u00e3os e irm\u00e3s em humanidade, passando a ser vistos como objetos. Com a for\u00e7a, o engano, a coa\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou psicol\u00f3gica, a pessoa humana \u2013 criada \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus \u2013 \u00e9 privada da liberdade, mercantilizada, reduzida a propriedade de algu\u00e9m; \u00e9 tratada como meio, e n\u00e3o como fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Juntamente com esta causa ontol\u00f3gica \u2013 a rejei\u00e7\u00e3o da humanidade no outro \u2013, h\u00e1 outras causas que concorrem para se explicar as formas atuais de escravatura. Entre elas, penso em primeiro lugar na pobreza, no subdesenvolvimento e na exclus\u00e3o, especialmente quando os tr\u00eas se aliam com a falta de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ou com uma realidade caracterizada por escassas, se n\u00e3o mesmo inexistentes, oportunidades de emprego. N\u00e3o raro, as v\u00edtimas de tr\u00e1fico e servid\u00e3o s\u00e3o pessoas que procuravam uma forma de sair da condi\u00e7\u00e3o de pobreza extrema e, dando cr\u00e9dito a falsas promessas de trabalho, ca\u00edram nas m\u00e3os das redes criminosas que gerem o tr\u00e1fico de seres humanos. Estas redes utilizam habilmente as tecnologias inform\u00e1ticas modernas para atrair jovens e adolescentes de todos os cantos do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre as causas da escravatura, deve ser inclu\u00edda tamb\u00e9m a corrup\u00e7\u00e3o daqueles que, para enriquecer, est\u00e3o dispostos a tudo. Na realidade, a servid\u00e3o e o tr\u00e1fico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o dos intermedi\u00e1rios, de alguns membros das for\u00e7as da pol\u00edcia, de outros atores do Estado ou de variadas institui\u00e7\u00f5es, civis e militares. \u00abIsto acontece quando, no centro de um sistema econ\u00f4mico, est\u00e1 o deus dinheiro, e n\u00e3o o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de cada sistema social ou econ\u00f4mico, deve estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o dominador do universo. Quando a pessoa \u00e9 deslocada e chega o deus dinheiro, d\u00e1-se esta invers\u00e3o de valores\u00bb.[5]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outras causas da escravid\u00e3o s\u00e3o os conflitos armados, as viol\u00eancias, a criminalidade e o terrorismo. H\u00e1 in\u00fameras pessoas raptadas para ser vendidas, recrutadas como combatentes ou exploradas sexualmente, enquanto outras se v\u00eaem obrigadas a emigrar, deixando tudo o que possuem: terra, casa, propriedades e mesmo os familiares. Estas \u00faltimas, impelidas a procurar uma alternativa a t\u00e3o terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es, mesmo \u00e0 custa da pr\u00f3pria dignidade e sobreviv\u00eancia, arriscam-se assim a entrar naquele c\u00edrculo vicioso que as torna presa da mis\u00e9ria, da corrup\u00e7\u00e3o e das suas consequ\u00eancias perniciosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Um compromisso comum para vencer a escravatura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5. Quando se observa o fen\u00f4meno do com\u00e9rcio de pessoas, do tr\u00e1fico ilegal de migrantes e de outras faces conhecidas e desconhecidas da escravid\u00e3o, fica-se frequentemente com a impress\u00e3o de que o mesmo tem lugar no meio da indiferen\u00e7a geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem negar que isto seja, infelizmente, verdade em grande parte, apraz-me mencionar o enorme trabalho que muitas congrega\u00e7\u00f5es religiosas, especialmente femininas, realizam silenciosamente, h\u00e1 tantos anos, a favor das v\u00edtimas. Tais institutos atuam em contextos dif\u00edceis, por vezes dominados pela viol\u00eancia, procurando quebrar as cadeias invis\u00edveis que mant\u00eam as v\u00edtimas presas aos seus traficantes e exploradores; cadeias, cujos elos s\u00e3o feitos n\u00e3o s\u00f3 de subtis mecanismos psicol\u00f3gicos que tornam as v\u00edtimas dependentes dos seus algozes, atrav\u00e9s de chantagem e amea\u00e7a a eles e aos seus entes queridos, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de meios materiais, como a apreens\u00e3o dos documentos de identidade e a viol\u00eancia f\u00edsica. A atividade das congrega\u00e7\u00f5es religiosas est\u00e1 articulada a tr\u00eas n\u00edveis principais: o socorro \u00e0s v\u00edtimas, a sua reabilita\u00e7\u00e3o sob o perfil psicol\u00f3gico e formativo e a sua reintegra\u00e7\u00e3o na sociedade de destino ou de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este trabalho imenso, que requer coragem, paci\u00eancia e perseveran\u00e7a, merece o aplauso da Igreja inteira e da sociedade. Naturalmente o aplauso, por si s\u00f3, n\u00e3o basta para se p\u00f4r termo ao flagelo da explora\u00e7\u00e3o da pessoa humana. Faz falta tamb\u00e9m um tr\u00edplice empenho a n\u00edvel institucional: preven\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas e a\u00e7\u00e3o judicial contra os respons\u00e1veis. Al\u00e9m disso, assim como as organiza\u00e7\u00f5es criminosas usam redes globais para alcan\u00e7ar os seus objetivos, assim tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o para vencer este fen\u00f4meno requer um esfor\u00e7o comum e igualmente global por parte dos diferentes atores que comp\u00f5em a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os Estados deveriam vigiar para que as respectivas legisla\u00e7\u00f5es nacionais sobre as migra\u00e7\u00f5es, o trabalho, as ado\u00e7\u00f5es, a transfer\u00eancia das empresas e a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos feitos por meio da explora\u00e7\u00e3o do trabalho sejam efetivamente respeitadoras da dignidade da pessoa. S\u00e3o necess\u00e1rias leis justas, centradas na pessoa humana, que defendam os seus direitos fundamentais e, se violados, os recuperem reabilitando quem \u00e9 v\u00edtima e assegurando a sua incolumidade, como s\u00e3o necess\u00e1rios tamb\u00e9m mecanismos eficazes de controle da correta aplica\u00e7\u00e3o de tais normas, que n\u00e3o deixem espa\u00e7o \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 impunidade. \u00c9 preciso ainda que seja reconhecido o papel da mulher na sociedade, intervindo tamb\u00e9m no plano cultural e da comunica\u00e7\u00e3o para se obter os resultados esperados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As organiza\u00e7\u00f5es intergovernamentais s\u00e3o chamadas, no respeito pelo princ\u00edpio da subsidiariedade, a implementar iniciativas coordenadas para combater as redes transnacionais do crime organizado que gerem o mercado de pessoas humanas e o tr\u00e1fico ilegal dos migrantes. Torna-se necess\u00e1ria uma coopera\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios n\u00edveis, que englobe as institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, bem como as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e do mundo empresarial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com efeito, as empresas[6] t\u00eam o dever n\u00e3o s\u00f3 de garantir aos seus empregados condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas e sal\u00e1rios adequados, mas tamb\u00e9m de vigiar para que n\u00e3o tenham lugar, nas cadeias de distribui\u00e7\u00e3o, formas de servid\u00e3o ou tr\u00e1fico de pessoas humanas. A par da responsabilidade social da empresa, aparece depois a responsabilidade social do consumidor. Na realidade, cada pessoa deveria ter consci\u00eancia de que \u00abcomprar \u00e9 sempre um ato moral, para al\u00e9m de econ\u00f4mico\u00bb.[7]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, por sua vez, t\u00eam o dever de sensibilizar e estimular as consci\u00eancias sobre os passos necess\u00e1rios para combater e erradicar a cultura da servid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos \u00faltimos anos, a Santa S\u00e9, acolhendo o grito de sofrimento das v\u00edtimas do tr\u00e1fico e a voz das congrega\u00e7\u00f5es religiosas que as acompanham rumo \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o, multiplicou os apelos \u00e0 comunidade internacional pedindo que os diversos atores unam os seus esfor\u00e7os e cooperem para acabar com este flagelo.[8] Al\u00e9m disso, foram organizados alguns encontros com a finalidade de dar visibilidade ao fen\u00f4meno do tr\u00e1fico de pessoas e facilitar a colabora\u00e7\u00e3o entre os diferentes atores, incluindo peritos do mundo acad\u00eamico e das organiza\u00e7\u00f5es internacionais, for\u00e7as da pol\u00edcia dos diferentes pa\u00edses de origem, tr\u00e2nsito e destino dos migrantes, e representantes dos grupos eclesiais comprometidos em favor das v\u00edtimas. Espero que este empenho continue e se reforce nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Globalizar a fraternidade, n\u00e3o a escravid\u00e3o nem a indiferen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">6. Na sua atividade de \u00abproclama\u00e7\u00e3o da verdade do amor de Cristo na sociedade\u00bb,[9] a Igreja n\u00e3o cessa de se empenhar em a\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter caritativo guiada pela verdade sobre o homem. Ela tem o dever de mostrar a todos o caminho da convers\u00e3o, que induz a voltar os olhos para o pr\u00f3ximo, a ver no outro \u2013 seja ele quem for \u2013 um irm\u00e3o e uma irm\u00e3 em humanidade, a reconhecer a sua dignidade intr\u00ednseca na verdade e na liberdade, como nos ensina a hist\u00f3ria de Josefina Bakhita, a Santa origin\u00e1ria da regi\u00e3o do Darfur, no Sud\u00e3o. Raptada por traficantes de escravos e vendida a patr\u00f5es desalmados desde a idade de nove anos, haveria de tornar-se, depois de dolorosas vicissitudes, \u00abuma livre filha de Deus\u00bb mediante a f\u00e9 vivida na consagra\u00e7\u00e3o religiosa e no servi\u00e7o aos outros, especialmente aos pequenos e fracos. Esta Santa, que viveu a cavalo entre os s\u00e9culos XIX e XX, \u00e9 tamb\u00e9m hoje testemunha exemplar de esperan\u00e7a[10] para as numerosas v\u00edtimas da escravatura e pode apoiar os esfor\u00e7os de quantos se dedicam \u00e0 luta contra esta \u00abferida no corpo da humanidade contempor\u00e2nea, uma chaga na carne de Cristo\u00bb.[11]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta perspectiva, desejo convidar cada um, segundo a respectiva miss\u00e3o e responsabilidades particulares, a realizar gestos de fraternidade a bem de quantos s\u00e3o mantidos em estado de servid\u00e3o. Perguntemo-nos, enquanto comunidade e indiv\u00edduo, como nos sentimos interpelados quando, na vida quotidiana, nos encontramos ou lidamos com pessoas que poderiam ser v\u00edtimas do tr\u00e1fico de seres humanos ou, quando temos de comprar, se escolhemos produtos que poderiam razoavelmente resultar da explora\u00e7\u00e3o de outras pessoas. H\u00e1 alguns de n\u00f3s que, por indiferen\u00e7a, porque distra\u00eddos com as preocupa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, ou por raz\u00f5es econ\u00f4micas, fecham os olhos. Outros, pelo contr\u00e1rio, optam por fazer algo de positivo, comprometendo-se nas associa\u00e7\u00f5es da sociedade civil ou praticando no dia-a-dia pequenos gestos como dirigir uma palavra, trocar um cumprimento, dizer \u00abbom dia\u00bb ou oferecer um sorriso; estes gestos, que t\u00eam imenso valor e n\u00e3o nos custam nada, podem dar esperan\u00e7a, abrir estradas, mudar a vida a uma pessoa que tateia na invisibilidade e mudar tamb\u00e9m a nossa vida face a esta realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos de reconhecer que estamos perante um fen\u00f4meno mundial que excede as compet\u00eancias de uma \u00fanica comunidade ou na\u00e7\u00e3o. Para venc\u00ea-lo, \u00e9 preciso uma mobiliza\u00e7\u00e3o de dimens\u00f5es compar\u00e1veis \u00e0s do pr\u00f3prio fen\u00f4meno. Por esta raz\u00e3o, lan\u00e7o um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos n\u00edveis das institui\u00e7\u00f5es, s\u00e3o testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravid\u00e3o contempor\u00e2nea, para que n\u00e3o se tornem c\u00famplices deste mal, n\u00e3o afastem o olhar \u00e0 vista dos sofrimentos de seus irm\u00e3os e irm\u00e3s em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo,[12] o Qual Se torna vis\u00edvel atrav\u00e9s dos rostos inumer\u00e1veis daqueles a quem Ele mesmo chama os \u00abmeus irm\u00e3os mais pequeninos\u00bb (Mt 25, 40.45).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabemos que Deus perguntar\u00e1 a cada um de n\u00f3s: Que fizeste do teu irm\u00e3o? (cf. Gen 4, 9-10). A globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a, que hoje pesa sobre a vida de tantas irm\u00e3s e de tantos irm\u00e3os, requer de todos n\u00f3s que nos fa\u00e7amos art\u00edfices de uma globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperan\u00e7a e lev\u00e1-los a retomar, com coragem, o caminho atrav\u00e9s dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vaticano, 8 de Dezembro de 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">FRANCISCUS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n[1] N. 1.<\/p>\n<p>[2] Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2014, 2.<\/p>\n<p>[3] Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 11.<\/p>\n<p>[4] Cf. Discurso \u00e0 Delega\u00e7\u00e3o internacional da Associa\u00e7\u00e3o de Direito Penal (23 de Outubro de 2014): L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 30\/X\/2014), 9.<\/p>\n<p>[5] Discurso aos participantes no Encontro mundial dos Movimentos Populares (28 de Outubro de 2014): L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 06\/XI\/2014), 9.<\/p>\n<p>[6] Cf. Pontif\u00edcio Conselho \u00abJusti\u00e7a e Paz\u00bb, La vocazione del leader d\u2019impresa. Una riflessione (Mil\u00e3o e Roma, 2013).<\/p>\n<p>[7] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 66.<\/p>\n<p>[8] Cf. Mensagem ao Senhor Guy Rydes, Director-Geral da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, por ocasi\u00e3o da 103\u00aa sess\u00e3o da Confer\u00eancia da O.I.T. (22 de Maio de 2014): L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 05\/VI\/2014), 7.<\/p>\n<p>[9] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 5.<\/p>\n<p>[10] \u00abMediante o conhecimento desta esperan\u00e7a, ela estava \u201credimida\u201d, j\u00e1 n\u00e3o se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Ef\u00e9sios que, antes, estavam sem esperan\u00e7a e sem Deus no mundo: sem esperan\u00e7a porque sem Deus\u00bb ( Bento XVI, Carta enc. Spe salvi, 3).<\/p>\n<p>[11] Discurso aos participantes na II Confer\u00eancia Internacional \u00ab Combating Human Trafficking: Church and Law Enforcement in partnership\u00bb (10 de Abril de 2014): L\u2019Osservatore Romano (ed. portuguesa de 17\/IV\/2014), 8; cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 270.<\/p>\n<p>[12] Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 24; 270.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o do Dia Mundial da Paz, celebrado em 1\u00ba de janeiro de 2015, o papa Francisco enviou mensagem em que prop\u00f5e reflex\u00e3o sobre os conflitos e guerras ideol\u00f3gicas entre as religi\u00f5es e pa\u00edses, chamando aten\u00e7\u00e3o para a necessidade do di\u00e1logo e da paz. 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