{"id":19724,"date":"2012-12-17T00:00:00","date_gmt":"2012-12-17T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/historia-da-cnbb-vista-desde-a-janela-das-pom\/"},"modified":"2012-12-17T00:00:00","modified_gmt":"2012-12-17T02:00:00","slug":"historia-da-cnbb-vista-desde-a-janela-das-pom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/historia-da-cnbb-vista-desde-a-janela-das-pom\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da CNBB vista desde a janela das POM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nasceu no dia 14 de Outubro de 1952. O territ\u00f3rio nacional com extens\u00e3o continental, as comunica\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, quando n\u00e3o ausentes, o n\u00famero de Arquidioceses, Dioceses e Prelazias (117 ao todo) foram fatores decisivos para a cria\u00e7\u00e3o desse organismo que, em 1952, s\u00f3 existia na Fran\u00e7a, Alemanha e Estados Unidos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O Pentecostes da CNBB<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes de completar dez anos de vida, a CNBB foi aben\u00e7oada com um poderoso Pentecostes. No dia 25 de janeiro de 1961 o papa Jo\u00e3o XXIII chamou a Roma todos os bispos cat\u00f3licos do mundo para, com eles, estudar os grandes problemas da humanidade e, possivelmente, encaminhar sua solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos quatro anos seguintes, os nossos padres conciliares brasileiros foram submetidos, tr\u00eas meses por ano, a um exigente noviciado: de manh\u00e3 sentados lado a lado com os bispos do mundo inteiro, na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, discutindo os temas propostos; de tarde na \u201cDomus Mariae\u201d escutando os pensadores mais conceituados para enriquecer e atualizar seus conhecimentos. Uma reciclagem e tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O melhor fruto do Conc\u00edlio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os frutos deste ingente trabalho foram quatro Constitui\u00e7\u00f5es, nove Decretos e tr\u00eas Declara\u00e7\u00f5es. Mas o Conc\u00edlio produziu um fruto muito mais precioso. No dia 11 de outubro de 1962, Roma recebeu 2.381 bispos isolados e mutuamente desconhecidos. No dia 8 de dezembro de 1965, a bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro devolveu ao mundo 2.386 bispos afinados, conhecedores da realidade mundial, sens\u00edveis e abertos aos problemas da Igreja toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes de sair de Roma, no final do Conc\u00edlio, os bispos do Brasil realizam sua IX Assembleia Geral, na qual foi elaborado o primeiro Plano de Pastoral de Conjunto (PPC) organizado em seis linhas de a\u00e7\u00e3o, fundamentadas nos documentos do Conc\u00edlio Vaticano II. Uma dessas \u201clinhas\u201d, a segunda, define o compromisso do episcopado brasileiro com a miss\u00e3o universal da Igreja enunciada novamente pelo Conc\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u201cDentro do Pa\u00eds e fora dele\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As Diretrizes Gerais da A\u00e7\u00e3o Pastoral da Igreja do Brasil (rebatizadas, a partir de 1995, por Diretrizes Gerais da A\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja do Brasil) e os Planos Bienais, retocados mais ou menos nas Assembleias anuais dos Bispos, disseram coisas gloriosas sobre a import\u00e2ncia, a urg\u00eancia, a conveni\u00eancia do compromisso mission\u00e1rio ad gentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Devemos &#8220;dar de nossa pobreza&#8221; projetando-nos ad gentes, al\u00e9m de nossas fronteiras (P 368). (DGAP 1978-82)<br \/>\n&#8211; Esta &#8220;tarefa especificamente mission\u00e1ria, (miss\u00e3o\u201d ad gentes) que Jesus confiou e continua cotidianamente a confiar \u00e0 sua Igreja, n\u00e3o se deve tornar uma realidade dilu\u00edda na miss\u00e3o global de todo o povo de Deus, ficando desse modo descurada ou esquecida&#8221;. (DGAP 1991-94)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; \u201cUma Igreja local n\u00e3o pode esperar atingir a plena maturidade eclesial e, s\u00f3 ent\u00e3o, come\u00e7ar a preocupar-se com a miss\u00e3o para al\u00e9m de seu territ\u00f3rio. A maturidade eclesial \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia e n\u00e3o apenas condi\u00e7\u00e3o de abertura mission\u00e1ria. Estaria condenando-se \u00e0 esterilidade a Igreja que deixasse atrofiado seu esp\u00edrito mission\u00e1rio, sob a alega\u00e7\u00e3o de que ainda n\u00e3o foram plenamente atendidas todas as necessidades locais (119). (Igreja: comunh\u00e3o e miss\u00e3o na evangeliza\u00e7\u00e3o dos povos, no mundo do trabalho, da pol\u00edtica e da cultura &#8211; Doc. 40 da CNBB).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Uma avalia\u00e7\u00e3o insuspeita<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que foi feito de t\u00e3o generosos compromissos? A resposta encontramos nas p\u00e1ginas do Comunicado Mensal, \u00f3rg\u00e3o oficial da CNBB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na XIII Assembleia Geral da CNBB (S. Paulo, 06-15.02.1973) Dom M\u00e1rio Gurgel, bispo encarregado da Linha II (Dimens\u00e3o Mission\u00e1ria) apresentou um relat\u00f3rio sobre aquela que ele chamou de \u201cdesconcertante defici\u00eancia de esp\u00edrito mission\u00e1rio\u201d no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O documento afirma: \u201cHeran\u00e7a talvez de uma c\u00f4moda depend\u00eancia espiritual de nossos irm\u00e3os mission\u00e1rios de outras terras e de um cristianismo ego\u00edsta do \u00absalva a tua alma\u00bb, o que \u00e9 certo \u00e9 que essa apatia tem conseq\u00fc\u00eancias desastrosas na Igreja do Brasil, que v\u00e3o desde o raquitismo \u00e0 aus\u00eancia do senso de co-responsabilidade no interior de nossas comunidades, bem como o desinteresse pelos nossos territ\u00f3rios de miss\u00e3o e pelas necessidades da Igreja Universal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Concretizando o diagn\u00f3stico, o bispo afirma: \u201cPoder\u00edamos apontar entre as dificuldades para sanar essa falta do esp\u00edrito mission\u00e1rio defici\u00eancias estruturais tanto da pr\u00f3pria CNBB como das Obras Pontif\u00edcias Mission\u00e1rias e falta de um relacionamento necess\u00e1rio entre as duas. Relativamente \u00e0 CNBB, o Plano de Pastoral de Conjunto previa que \u00e0 Linha 2 caberia a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, na qual \u2018devem empenhar-se todos os membros do povo de Deus, cada um segundo sua voca\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o na Igreja\u201d (Plano de Pastoral de Conjunto, p. 90). No entanto, quando a cada linha correspondia um ou mais Secretariados respons\u00e1veis por v\u00e1rios projetos nos quatro programas, \u00e0 Linha 2 cabia o Secretariado Nacional de Prelazias que, pelo pr\u00f3prio nome, era mais um servi\u00e7o \u00e0s mesmas do que um \u00f3rg\u00e3o dinamizador da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. Tanto isso \u00e9 verdade que os projetos da Linha 2 foram entregues ao Secretariado Geral (2.8) ou ao Secretariado Nacional de Catequese (3.2)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAs Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias (POM), por sua vez &#8211; sem se desconhecer o aux\u00edlio financeiro em prol das miss\u00f5es &#8211; pouco ajudaram ao desenvolvimento do esp\u00edrito mission\u00e1rio de nossos fi\u00e9is de vez que colocavam todo a \u00eanfase na arrecada\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios, inclusive com m\u00e9todos e crit\u00e9rios pouco formativos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cMas o que impedia verdadeiramente uma a\u00e7\u00e3o mais eficiente e a corre\u00e7\u00e3o das falhas citadas, era a falta de uma coordena\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os. A interpreta\u00e7\u00e3o de seu car\u00e1ter de pontif\u00edcias como isen\u00e7\u00e3o de qualquer entrave fez com que, de um lado elas se esquivassem a uma orienta\u00e7\u00e3o pastoral e de outro, os bispos se desinteressassem pelas mesmas, julgando, por vezes, indesej\u00e1veis suas campanhas nas dioceses\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cFoi tendo em vista a solu\u00e7\u00e3o desse impasse, de consequ\u00eancias pastorais muito mais s\u00e9rias do que parecem \u00e0 primeira vista, que se decidiu a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Mission\u00e1rio Nacional (COMINA), conforme pede o Moto Pr\u00f3prio Ecclesiae Sanctae (III, 11)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA proposta feita pelo bispo respons\u00e1vel pela Linha 2 em reuni\u00e3o dos Superiores Religiosos Mission\u00e1rios promovida pela Obra Pontif\u00edcia da Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9 (S. Paulo, agosto 1972) foi imediatamente acolhida\u201d. (Ver Comunicado Mensal, n. 245, fevereiro de 1973, pp. 362-364).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Poucos meses depois as POM se pronunciam:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos convencidos de que &#8220;a Igreja \u00e9, por sua natureza, mission\u00e1ria&#8221;. A consci\u00eancia desta sua missionariedade aprofunda-se cada dia mais. Entretanto, damos a esta missionariedade um sentido muitas vezes incompleto e at\u00e9 amb\u00edguo&#8230; As igrejas locais estabelecidas n\u00e3o podem limitar a sua missionariedade \u00e0 atividade evangelizadora dos que convivem na mesma comunidade e est\u00e3o longe do Cristo ou da viv\u00eancia do cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 verdade que a Miss\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m aqui, mas n\u00e3o \u00e9 verdade que seja somente aqui. Igualmente \u00e9 verdade que devemos irradiar a evangeliza\u00e7\u00e3o ao nosso redor, no lugar em que vivemos e moramos, mas n\u00e3o \u00e9 verdade que a missionariedade (seja de cada crist\u00e3o como de cada comunidade eclesial) se esgota nisto. A Igreja vive e cresce e se torna adulta na medida e que se abre \u00e0 convers\u00e3o do mundo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Devemos confessar que nem sempre sentimos e vivemos esta dimens\u00e3o da missionariedade. A Igreja no Brasil est\u00e1 fazendo grandes esfor\u00e7os para se tornar mission\u00e1ria, mas s\u00f3 internamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta dimens\u00e3o interna da sua missionariedade \u00e9 urgente e necess\u00e1ria, mas \u00e9 insuficiente, se n\u00e3o \u00e9 completada pela dimens\u00e3o universal, cat\u00f3lica. \u00c9 preciso ent\u00e3o, que a Igreja no Brasil se comprometa com a anima\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria no sentido universal, assim como se compromete com a dimens\u00e3o mission\u00e1ria local&#8230; (CNBB &#8211; Comunicado Mensal, julho de 1973, pp.956-957).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir da cria\u00e7\u00e3o do COMINA, que passou a articular e coordenar a dimens\u00e3o mission\u00e1ria no Brasil houve maior harmonia entre as v\u00e1rias for\u00e7as (POM, CNBB e CRB) engajadas nessa atividade. Uma das prioridades continua sendo a forma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de encontros, congressos e outras atividades nas dioceses e regionais, de maneira especial os cursos realizados no Centro Cultural Mission\u00e1rio (CCM). Esse dinamismo representa uma grande riqueza no esfor\u00e7o de evidenciar a verdadeira natureza e identidade mission\u00e1ria da nossa Igreja. A celebra\u00e7\u00e3o dos sessenta anos da CNBB \u00e9 uma boa ocasi\u00e3o para avaliar a caminhada feita, evidenciando serenamente acertos e desencontros. Afinal, a miss\u00e3o recebida de Jesus \u00e9 maior que qualquer um de n\u00f3s e o julgamento se far\u00e1 a partir dos frutos produzidos (Mt 7,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em><strong>Padre Camilo Pauletti &#8211; Diretor das Pontif\u00edcias Obras Mission\u00e1rias e demais coordenadores das POM<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nasceu no dia 14 de Outubro de 1952. O territ\u00f3rio nacional com extens\u00e3o continental, as comunica\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, quando n\u00e3o ausentes, o n\u00famero de Arquidioceses, Dioceses e Prelazias (117 ao todo) foram fatores decisivos para a cria\u00e7\u00e3o desse organismo que, em 1952, s\u00f3 existia na Fran\u00e7a, Alemanha e &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/historia-da-cnbb-vista-desde-a-janela-das-pom\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Hist\u00f3ria da CNBB vista desde a janela das POM<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":19725,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[762,826],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/19724"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=19724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/19724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/19725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=19724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=19724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=19724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}