{"id":19881,"date":"2010-05-15T00:00:00","date_gmt":"2010-05-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/mensagem-ao-povo-de-deus-sobre-as-comunidades-eclesiais-de-base\/"},"modified":"2010-05-15T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-15T03:00:00","slug":"mensagem-ao-povo-de-deus-sobre-as-comunidades-eclesiais-de-base","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/mensagem-ao-povo-de-deus-sobre-as-comunidades-eclesiais-de-base\/","title":{"rendered":"Mensagem ao povo de Deus sobre as Comunidades Eclesiais de Base"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cAs Comunidades Eclesiais de Base\u201d, diz\u00edamos em 1982, constituem \u201cem nosso pa\u00eds, uma realidade que expressa um dos tra\u00e7os mais din\u00e2micos da vida da Igreja (&#8230;)\u201d (Comunidades Eclesiais de Base na Igreja do Brasil, CNBB, doc. 25,1). Ap\u00f3s a Confer\u00eancia de Aparecida (2007) e o 12\u00ba Intereclesial (Porto Velho-2009), queremos oferecer a todos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s uma mensagem de anima\u00e7\u00e3o, embora breve, para a caminhada de nossas CEBs.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Queremos reafirmar que elas continuam sendo um \u201csinal da vitalidade da Igreja\u201d (RM 51). Os disc\u00edpulos e as disc\u00edpulas de Cristo nelas se re\u00fanem para uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de rela\u00e7\u00f5es mais fraternas, para celebrar os mist\u00e9rios crist\u00e3os em sua vida e para assumir o compromisso de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. Al\u00e9m disso, como afirma Medell\u00edn, as comunidades de base s\u00e3o \u201co primeiro e fundamental n\u00facleo eclesial (&#8230;), c\u00e9lula inicial da estrutura eclesial e foco de evangeliza\u00e7\u00e3o e, atualmente, fator primordial da promo\u00e7\u00e3o humana (&#8230;)\u201d (Medell\u00edn 15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso, \u201cComo pastores, atentos \u00e0 vida da Igreja em nossa sociedade, queremos olh\u00e1-las com carinho, estar \u00e0 sua escuta e tentar descobrir atrav\u00e9s de sua vida, t\u00e3o intimamente ligada \u00e0 hist\u00f3ria do povo no qual elas est\u00e3o inseridas, o caminho que se abre diante delas para o futuro\u201d. (CNBB 25,5)<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Os desafios postos \u00e0s CEBs hoje: a sociabilidade b\u00e1sica no clima cultural contempor\u00e2neo<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Com as grandes mudan\u00e7as que est\u00e3o acontecendo no mundo inteiro e em nosso pa\u00eds, as CEBs enfrentam hoje novos desafios: numa sociedade globalizada e urbanizada, como viver em comunidade? Nascidas num contexto ainda em grande parte rural, ser\u00e3o capazes de se adaptar aos centros urbanos, que t\u00eam um ritmo de vida diferente e s\u00e3o caracterizados por uma realidade plural? Dentro desse contexto, h\u00e1 outro desafio: como transmitir \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es as experi\u00eancias e valores das gera\u00e7\u00f5es anteriores, inclusive a f\u00e9 e o modo de viv\u00ea-la? S\u00f3 uma Igreja com diferentes jeitos de viver a mesma F\u00e9 ser\u00e1 capaz de dialogar relevantemente com a sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O s\u00e9culo XX foi, sem d\u00favida, o s\u00e9culo da globaliza\u00e7\u00e3o. Suas consequ\u00eancias para a vida cotidiana s\u00e3o tantas que hoje se fala que o mundo vive n\u00e3o mais uma \u00e9poca de mudan\u00e7as, mas \u201cuma mudan\u00e7a de \u00e9poca, cujo n\u00edvel mais profundo \u00e9 o cultural\u201d (DAp 44). De fato, \u201ca ci\u00eancia e a t\u00e9cnica quando colocadas exclusivamente a servi\u00e7o do mercado (&#8230;) criam uma nova vis\u00e3o da realidade\u201d (DAp 45), mas isso n\u00e3o significa um passo em dire\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento integral proposto pela enc\u00edclica Populorum progressio e reafirmado pelo Papa Bento XVI em Caritas in Veritate, porque a l\u00f3gica do mercado corr\u00f3i a estrutura de sociabilidade b\u00e1sica que se expressa nas rela\u00e7\u00f5es de tipo comunit\u00e1rio. \u00c0 medida que ele avan\u00e7a, expulsa as rela\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade e introduz rela\u00e7\u00f5es de competi\u00e7\u00e3o nas quais o mais forte \u00e9 quem leva vantagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desta forma, \u00e9 preciso valorizar as experi\u00eancias de sociabilidade b\u00e1sica: as rela\u00e7\u00f5es fundadas na gratuidade que se expressa na din\u00e2mica de oferecer-receber-retribuir. O cultivo da reciprocidade tem como espa\u00e7o primeiro aquele onde a vizinhan\u00e7a territorial \u00e9 importante para a vida cotidiana, como em \u00e1reas rurais, bairros de periferia e favelas. \u00c9 a solidariedade entre vizinhos \u2013 melhor dizendo, entre vizinhas \u2013 que assegura o cuidado com crian\u00e7as, idosos e doentes, por exemplo. N\u00e3o por acaso, esses espa\u00e7os perif\u00e9ricos favorecem o desenvolvimento de associa\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a e movimentos que reivindicam melhorias de equipamento urbano, bem como das pr\u00f3prias Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). S\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de reciprocidade que, promovendo a solidariedade que \u00e9 a for\u00e7a dos pobres e pequenos, permite que se diga que &#8220;gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudan\u00e7as extraordin\u00e1rias&#8221;.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">O percurso hist\u00f3rico das CEBs no Brasil<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A experi\u00eancia das CEBs n\u00e3o surgiu de um planejamento pr\u00e9vio, mas de um impulso renovador, como um sopro do Esp\u00edrito, j\u00e1 presente na Igreja no Brasil. Esse impulso renovador se manifesta de forma crescente nos anos 50 e 60 do s\u00e9culo 20. Na verdade, os tempos se tornaram maduros para uma nova consci\u00eancia hist\u00f3rica e eclesial: primeiro, pela emerg\u00eancia de um novo sujeito social na sociedade brasileira, o sujeito popular, que ansiava \u00e0 participa\u00e7\u00e3o; segundo, pela emerg\u00eancia de um novo sujeito eclesial, portador de uma nova consci\u00eancia na Igreja. Ele ansiava participar ativa e corresponsavelmente da vida e da miss\u00e3o da Igreja. Esse sujeito provoca novas descobertas e convers\u00f5es pastorais (CNBB 25,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nelas se revigoravam ou restauravam as rela\u00e7\u00f5es de reciprocidade, de modo a favorecer a reconstru\u00e7\u00e3o das estruturas da vida cotidiana, do mundo da vida, em um contexto social adverso. A intera\u00e7\u00e3o entre a CEB enquanto organismo eclesial e a comunidade local de vizinhos \u00e9 uma das grandes contribui\u00e7\u00f5es da Igreja \u00e0 conquista dos direitos de cidadania em nosso Pa\u00eds. Ao acolher pastoralmente a popula\u00e7\u00e3o rural ou migrante em capelas e sal\u00f5es improvisados nos quais elas se sentissem \u201cem casa\u201d, a Igreja lhes ofereceu uma possibilidade de organizar-se autonomamente, quando as empresas e os poderes p\u00fablicos s\u00f3 viam nela o potencial de m\u00e3o-de-obra a ser empregada no processo de industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">A experi\u00eancia dos Intereclesiais<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Os Encontros Intereclesiais das CEBs s\u00e3o patrim\u00f4nio teol\u00f3gico e pastoral da Igreja no Brasil. Desde a realiza\u00e7\u00e3o do primeiro, em 1975 (Vit\u00f3ria \u2013 ES), re\u00fanem diversas dioceses para troca de experi\u00eancia e reflex\u00e3o teol\u00f3gica e pastoral acerca da caminhada das CEBs. Foram doze encontros nacionais, diversos encontros de prepara\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias inst\u00e2ncias (par\u00f3quias, dioceses, regionais) e, desde a realiza\u00e7\u00e3o do 8\u00ba Intereclesial ocorrido em Santa Maria \u2013 RS (1992), s\u00e3o realizados semin\u00e1rios de prepara\u00e7\u00e3o e aprofundamento dos temas ligados ao encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Manifesta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel da eclesialidade das CEBs, os Encontros Intereclesiais congregam bispos, religiosos e religiosas, presb\u00edteros, assessores e assessoras, animadores e animadoras de comunidades, bem como convidados de outras igrejas crist\u00e3s e tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Neles se expressa a comunh\u00e3o entre os fi\u00e9is e seus pastores.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Espiritualidade e viv\u00eancia eucar\u00edstica<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO Conc\u00edlio Vaticano II, eminentemente pastoral, provocou um grande impacto na Igreja. Suas grandes id\u00e9ias-chaves trouxeram a fundamenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica para a intui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 sentida na pr\u00e1tica, de que a renova\u00e7\u00e3o pastoral deve se fazer a partir da renova\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria e de que a comunidade deve se tornar instrumento de evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d. (CNBB 25,11)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A exig\u00eancia do Vaticano II \u00e9 de raz\u00e3o estritamente teol\u00f3gica, de ordem trinit\u00e1ria. A ess\u00eancia \u00edntima de Deus n\u00e3o \u00e9 a solid\u00e3o, mas a comunh\u00e3o de tr\u00eas divinas Pessoas. A comunh\u00e3o \u2013 koinonia, communio \u2013 constitui a realidade e a categoria fundamental que permeia todos os seres e que melhor traduz a presen\u00e7a do Deus-Trindade no mundo. \u00c9 a comunh\u00e3o que faz a Igreja ser \u201ccomunidade de fi\u00e9is\u201d. Por isso, o Vaticano II faz derivar a uni\u00e3o do Povo de Deus da unidade que vigora entre as tr\u00eas divinas Pessoas (LG 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Trindade nos coloca, desde o in\u00edcio, no cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de comunh\u00e3o. O Papa Jo\u00e3o Paulo II, falando aos bispos em Puebla, em 28 de janeiro de 1979, proclamou: \u201cNosso Deus em seu mist\u00e9rio mais \u00edntimo n\u00e3o \u00e9 uma solid\u00e3o, mas uma fam\u00edlia&#8230; e a ess\u00eancia da fam\u00edlia \u00e9 o amor\u201d. A comunh\u00e3o e a comunidade devem estar presentes em todas as manifesta\u00e7\u00f5es humanas e em todas as concretiza\u00e7\u00f5es eclesiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso mesmo, a Eucaristia est\u00e1 no centro da vida de nossas comunidades de base. \u00c9 o sacramento que expressa comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o de todos e todas, como numa grande fam\u00edlia, ao redor da Mesa do Pai. H\u00e1 comunidades que recebem a comunh\u00e3o eucar\u00edstica gra\u00e7as a presen\u00e7a do Sant\u00edssimo no local ou pelo servi\u00e7o de um ministro extraordin\u00e1rio da sagrada comunh\u00e3o. Como nossas CEBs, em sua maioria, \u201cn\u00e3o t\u00eam oportunidade de participar da Eucaristia dominical\u201d, por falta de ministros ordenados, \u201celas podem alimentar seu j\u00e1 admir\u00e1vel esp\u00edrito mission\u00e1rio participando da \u2018celebra\u00e7\u00e3o dominical da Palavra\u2019, que faz presente o mist\u00e9rio pascal no amor que congrega (cf. 1 Jo 3, 14), na Palavra acolhida (cf. Jo 5, 24-25) e na ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria (cf. Mt 18,20)\u201d (DAp 253).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A realidade das CEBs se expressa na liturgia e tamb\u00e9m na diaconia e na profecia. A diaconia educa, cura as feridas, multiplica e distribui o p\u00e3o e chama para a solidariedade e a comunh\u00e3o. A profecia anuncia o des\u00edgnio de Deus e denuncia os abusos, a mentira, a injusti\u00e7a, a explora\u00e7\u00e3o e exige a convers\u00e3o. Por isso, sofre persegui\u00e7\u00e3o, difama\u00e7\u00e3o, morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos duas testemunhas recentes desse duplo minist\u00e9rio dos disc\u00edpulos e disc\u00edpulas de Jesus Cristo: Dra. Zilda Arns e Irm\u00e3 Dorothy Stang. H\u00e1 muito conhecidas por nossas comunidades pobres pelo Brasil afora, elas inspiraram a a\u00e7\u00e3o das CEBs. Elas entregaram a vida e nos deixaram seu testemunho de f\u00e9 e amor aos pobres, fracos, desamparados e discriminados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta espiritualidade tamb\u00e9m possibilitou a produ\u00e7\u00e3o de uma rica manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica em nossas comunidades \u2013 m\u00fasicas, poesias, pinturas, s\u00edmbolos \u2013 t\u00edpicos da pr\u00e1tica religiosa e cultural de nosso povo, e que tamb\u00e9m s\u00e3o instrumentos de evangeliza\u00e7\u00e3o e de miss\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Viv\u00eancia e An\u00fancio da Palavra de Deus e o Testemunho de f\u00e9<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;A Palavra se fez carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo 1, 14). A acolhida da Palavra de Deus e a viv\u00eancia comunit\u00e1ria da f\u00e9 s\u00e3o indissoci\u00e1veis nas CEBs. A B\u00edblia faz parte do dia-a-dia da comunidade, estando presente nos grupos e pastorais, nas liturgias e na forma\u00e7\u00e3o, na reza e nas a\u00e7\u00f5es que visam superar as desigualdades e injusti\u00e7as da sociedade brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o espa\u00e7os privilegiados de leitura b\u00edblica nas CEBs os c\u00edrculos b\u00edblicos e grupos de reflex\u00e3o. Neles o povo se coloca como sujeito eclesial, assume seu lugar na comunidade e na sociedade. O protagonismo dos leigos nas CEBs \u00e9 express\u00e3o viva de uma Igreja que se renova animada pelo Esp\u00edrito Santo, \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de que no discipulado est\u00e3o surgindo novos minist\u00e9rios e servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO minist\u00e9rio da Palavra exige o minist\u00e9rio da catequese a todos porque \u2018fortalece a convers\u00e3o inicial e permite que os disc\u00edpulos mission\u00e1rios possam perseverar na vida crist\u00e3 e na miss\u00e3o em meio ao mundo que os desafia\u2019\u201d (DGAE 64; DAp 278c). A vida em comunidade j\u00e1 \u00e9 uma forma de catequese. Ela predisp\u00f5e para o aprofundamento da f\u00e9 e da vida crist\u00e3 por meio do minist\u00e9rio da catequese e tamb\u00e9m pelo testemunho fraterno de seus membros.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Solidariedade e servi\u00e7o<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Alimentadas pela Palavra de Deus e pela viv\u00eancia de comunh\u00e3o, as CEBs promovem solidariedade e servi\u00e7o. Reunindo pessoas humildes, as CEBs ajudam a Igreja a estar mais comprometida com a vida e o sofrimento dos pobres, como fez Jesus. Elas manifestam, mais claramente, que \u201co servi\u00e7o dos pobres \u00e9 medida privilegiada, embora n\u00e3o exclusiva, do seguimento de Cristo\u201d (DP 1145).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais ainda, o surgimento das CEBs, junto com o compromisso com os mais necessitados, ajudou a Igreja a \u201cdescobrir o potencial evangelizador dos pobres\u201d, primeiro, porque interpelam a Igreja, chamando-a \u00e0 convers\u00e3o; segundo, porque \u201crealizam em sua vida os valores evang\u00e9licos da solidariedade, servi\u00e7o, simplicidade e disponibilidade para acolher o dom de Deus\u201d (DP 1147). As voca\u00e7\u00f5es religiosas e sacerdotais despertadas pelas CEBs sinalizam vitalidade espiritual, comunh\u00e3o eclesial e um novo est\u00edmulo de consagra\u00e7\u00e3o a Deus.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">A forma\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sua experi\u00eancia j\u00e1 amadurecida, as CEBs querem ser Igreja como o Conc\u00edlio Vaticano II desejou: uma Igreja toda ministerial a servi\u00e7o do Reino de Deus. A forma\u00e7\u00e3o do disc\u00edpulo mission\u00e1rio come\u00e7a dentro delas pela experi\u00eancia de um encontro feliz e alegre com a pessoa de Jesus, sua vida e seu destino. Como Jesus convocou disc\u00edpulos e disc\u00edpulas para estarem com ele, do mesmo modo, ele convoca tamb\u00e9m hoje disc\u00edpulos e disc\u00edpulas para estarem com ele e dele aprenderem o amor ao Pai, a fidelidade ao Esp\u00edrito e o compromisso para a transforma\u00e7\u00e3o do mundo em mundo de irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por sua capacidade de cuidar da forma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria comunidade e de olhar, com compaix\u00e3o, a realidade, as CEBs podem e devem ser cada vez mais escolas que ajudam \u201ca formar crist\u00e3os comprometidos com sua f\u00e9; disc\u00edpulos e mission\u00e1rios do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, at\u00e9 derramar o sangue, de muitos de seus membros\u201d (DAp 178).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">A participa\u00e7\u00e3o nos movimentos sociais, de cidadania, de defesa do meio ambiente em vista da constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">No que diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o das CEBs com a dimens\u00e3o sociopol\u00edtica da evangeliza\u00e7\u00e3o, o S\u00ednodo sobre A Justi\u00e7a no Mundo, de 1971, j\u00e1 tinha afirmado que \u201ca a\u00e7\u00e3o pela justi\u00e7a e a participa\u00e7\u00e3o na transforma\u00e7\u00e3o do mundo nos aparecem claramente como uma dimens\u00e3o constitutiva da prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, isto \u00e9, da miss\u00e3o da Igreja pela reden\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano e a liberta\u00e7\u00e3o de toda situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o\u201d (introd.). Em vista disso, a Igreja no Brasil exorta as CEBs e demais comunidades eclesiais a se manterem fi\u00e9is \u00e0 pr\u00f3pria f\u00e9, no conte\u00fado e nos m\u00e9todos, na busca da liberta\u00e7\u00e3o plena, superando a tenta\u00e7\u00e3o \u201cde reduzir a miss\u00e3o da Igreja \u00e0s dimens\u00f5es de um projeto puramente temporal\u201d (CNBB 25,64ss; Cf. EN 32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o das CEBs com os movimentos populares na luta pela justi\u00e7a, o documento 25 da CNBB afirmava que elas \u201cn\u00e3o podem arrogar-se o monop\u00f3lio do Reino de Deus\u201d. Na verdade, a CEB deve tomar consci\u00eancia de que, \u201ccomo Igreja, \u00e9 sinal e instrumento do Reino, \u00e9 aquela pequena por\u00e7\u00e3o do povo de Deus onde a Palavra de Deus \u00e9 acolhida e celebrada nos sacramentos &#8230; sobretudo na Eucaristia\u201d (70ss). As CEBs buscam, sim, a \u201ccolabora\u00e7\u00e3o fraterna com pessoas e grupos que lutam pelos mesmos valores\u201d (73).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As CEBs t\u00eam despertado em muitos dos seus membros a espiritualidade do cuidado para com a vida dos seres humanos, de todas as formas de vida e a vida do Planeta Terra. A espiritualidade do cuidado tem motivado o surgimento de gestos e atitudes \u00e9ticas de respeito, de venera\u00e7\u00e3o, de ternura, de coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, de parceria, que promovam a inclus\u00e3o de todos e de tudo no mist\u00e9rio da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As CEBs promovem a participa\u00e7\u00e3o ativa de seus membros nos grupos de economia popular solid\u00e1ria, resgatando o sentido origin\u00e1rio da economia como a atividade destinada a garantir a base material da vida pessoal, familiar, social e espiritual. Contribui assim para que o trabalho humano, al\u00e9m de ser o lugar de edifica\u00e7\u00e3o da dignidade humana e promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social, seja tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Esp\u00edrito de abertura ecum\u00eanica e di\u00e1logo interreligioso<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma das dimens\u00f5es da espiritualidade cultivadas pelas CEBs \u00e9 a do di\u00e1logo ecum\u00eanico e interreligioso, que se d\u00e1 pela abertura ao mundo do outro, promovendo a unidade na diversidade e buscando as semelhan\u00e7as na diferen\u00e7a.  Esta espiritualidade dialogal tem sido assumida pelas CEBs como uma miss\u00e3o de fraternidade crist\u00e3, numa atitude de profundo respeito \u00e0s demais manifesta\u00e7\u00f5es religiosas, em busca da comunh\u00e3o universal.  Essa espiritualidade nasce do desejo expresso por Jesus: &#8220;Que todos sejam um!&#8221; (Jo 17,21)<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Forma\u00e7\u00e3o de rede de comunidades<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Os membros das CEBs s\u00e3o disc\u00edpulos de Cristo e ajudam a formar outras comunidades. Em meio a grandes extens\u00f5es geogr\u00e1ficas e populacionais, a comunidade eclesial de base requer que as rela\u00e7\u00f5es sejam de fraternidade, partilha de vida, de bens e da pr\u00f3pria experi\u00eancia de f\u00e9. Ela deve provocar um encontro permanente com a Palavra de Deus e celebrar na liturgia, na alegria e na festa, a salva\u00e7\u00e3o que Jesus Cristo nos trouxe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A experi\u00eancia da f\u00e9 e da participa\u00e7\u00e3o faz amadurecer a comunidade eclesial de base, e lhe confere caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de modo a lev\u00e1-la a um relacionamento fraterno de igualdade com as demais comunidades pertencentes \u00e0 mesma par\u00f3quia. Com isso, a matriz-paroquial ganha maior relev\u00e2ncia pastoral na medida em que passa a exercer a fun\u00e7\u00e3o de articuladora das comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Exortamos que a par\u00f3quia procure se transformar em \u201crede de comunidades e grupos, capazes de se articular conseguindo que seus membros se sintam realmente disc\u00edpulos mission\u00e1rios de Jesus Cristo em comunh\u00e3o\u201d (DAp 172), tendo por modelo as primeiras comunidades crist\u00e3s retratadas nos Atos dos Ap\u00f3stolos (At 2 e 4). Assim, a par\u00f3quia ser\u00e1 mais viva, junto com suas comunidades, coordenadas por leigos ou leigas, por di\u00e1conos permanentes, animadas por religiosos e religiosas, e que tenham no Conselho Pastoral Paroquial, presidido pelo p\u00e1roco, seu principal articulador pastoral.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Conclus\u00e3o<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Em comunh\u00e3o com outras c\u00e9lulas vivas da Igreja, comunidades de disc\u00edpulos e disc\u00edpulas geradas pelo encontro com Jesus Cristo, Palavra feito carne (cf. Jo 1,14), como s\u00e3o os movimentos, as novas comunidades, as pequenas comunidades, que integram a rede de comunidades que a par\u00f3quia \u00e9 chamada a ser, reafirmamos aqui o que est\u00e1 escrito no Documento 25 da CNBB: \u201cAo concluir estas reflex\u00f5es, desejamos agradecer a Deus pelo dom que as CEBs s\u00e3o para a vida da Igreja no Brasil, pela uni\u00e3o existente entre os nossos irm\u00e3os e seus pastores, e pela esperan\u00e7a de que este novo modo de ser Igreja v\u00e1 se tornando sempre mais fermento de renova\u00e7\u00e3o em nossa sociedade\u201d. (94)<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Bras\u00edlia-DF, 12 de maio de 2010<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Dom Geraldo Lyrio Rocha<br \/>Arcebispo de Mariana<br \/>Presidente da CNBB<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Dom Luiz Soares Vieira <br \/>Arcebispo de Manaus <br \/>Vice-Presidente da CNBB<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Dom Dimas Lara Barbosa<br \/>Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro<br \/>Secret\u00e1rio-Geral da CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o \u201cAs Comunidades Eclesiais de Base\u201d, diz\u00edamos em 1982, constituem \u201cem nosso pa\u00eds, uma realidade que expressa um dos tra\u00e7os mais din\u00e2micos da vida da Igreja (&#8230;)\u201d (Comunidades Eclesiais de Base na Igreja do Brasil, CNBB, doc. 25,1). 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