{"id":19980,"date":"2008-06-25T00:00:00","date_gmt":"2008-06-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-caminhada-da-pastoral-afro-brasileira-2\/"},"modified":"2008-06-25T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-25T03:00:00","slug":"a-caminhada-da-pastoral-afro-brasileira-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-caminhada-da-pastoral-afro-brasileira-2\/","title":{"rendered":"A caminhada da Pastoral Afro-Brasileira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A pastoral afro-brasileira \u00e9 uma boa not\u00edcia constru\u00edda ao longo de muitos anos, atrav\u00e9s do esfor\u00e7o dos diferentes agentes de pastoral cat\u00f3licos que, em nome da sua f\u00e9, procuraram encontrar espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o e testemunho na vida e na miss\u00e3o da Igreja. Neste caminho os agentes tinham a certeza da sua perten\u00e7a a uma Igreja, a uma comunidade de f\u00e9. Tinham tamb\u00e9m a convic\u00e7\u00e3o da perten\u00e7a a um grupo cultural: os afro-brasileiros. Atrav\u00e9s deste texto o leitor ter\u00e1 um breve hist\u00f3rico da presen\u00e7a dos afro-brasileiros nesta na\u00e7\u00e3o e da sua atua\u00e7\u00e3o na Igreja. No encontro com a f\u00e9 crist\u00e3, apesar da sombra do escravismo, os negros e negras brasileiros foram aprendendo o sentido da perten\u00e7a \u00e0 Igreja cat\u00f3lica. A partir do sentido de perten\u00e7a perceberam a necessidade de contribuir com a Igreja com os valores e riquezas da tradi\u00e7\u00e3o africana. Estava preparado o caminho para a estrutura\u00e7\u00e3o da pastoral afro-brasileira que hoje \u00e9 significativa para os negros e negras cat\u00f3licos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O texto que segue traz presente um breve hist\u00f3rico da presen\u00e7a dos negros no Brasil. A seguir enfocar\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o deste povo com a Igreja Cat\u00f3lica. Por fim ser\u00e1 descrita a iniciativa de estruturar um trabalho pastoral voltado especificamente aos afro-brasileiros, o que culminar\u00e1 com a cria\u00e7\u00e3o da pastoral afro-brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste caminhar muitas sementes foram lan\u00e7adas, muitos frutos foram colhidos. Contudo, continuam sendo de suma import\u00e2ncia o apoio e incentivo, de parte de toda a Igreja, \u00e0s iniciativas dos diversos agentes de pastoral negros que vivem a sua experi\u00eancia de f\u00e9 nas tantas comunidades espalhadas pelo Brasil. Eles t\u00eam uma hist\u00f3ria, s\u00e3o diferentes, mas proclamam a mesma f\u00e9.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">1- Hist\u00f3rico<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A Hist\u00f3ria dos afro-brasileiros convida a todos para uma reflex\u00e3o cada vez mais oportuna e necess\u00e1ria sobre a presen\u00e7a deste grupo em terras brasileiras, por ter sido um povo que contribuiu significativamente com a estrutura\u00e7\u00e3o s\u00f3cio, pol\u00edtico, econ\u00f4mico e cultural da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A decis\u00e3o de povoar as terras brasileiras e de dar um passo al\u00e9m do extrativismo, caracter\u00edstica dos primeiros anos da coloniza\u00e7\u00e3o, implicou em uma outra decis\u00e3o, trazer os povos africanos para assumirem o trabalho nas lavouras de cana de a\u00e7\u00facar e no aparato que esta exigia[1].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O passado dos afro-brasileiros pode ser compreendido a partir de tr\u00eas vertentes: a primeira refere-se ao processo escravagista, a chamada escravid\u00e3o moderna que era diferente da escravid\u00e3o de acento tribal. A escravid\u00e3o moderna se intensificou no s\u00e9culo XVII e proporcionou uma transforma\u00e7\u00e3o radical no continente africano. Os pa\u00edses africanos, que perderam seus membros para as lavouras do novo mundo, at\u00e9 hoje se ressentem desta ferida aberta[2]. Perderam o que era a sua maior riqueza, a sua gente[3]. Os que foram for\u00e7ados a deixarem as terras africanas, al\u00e9m de perderam a refer\u00eancia estruturante de suas vidas: a terra, o povo, os costumes, a tradi\u00e7\u00e3o religiosa, chegaram ao ex\u00edlio como n\u00e3o-gente e n\u00e3o-cidad\u00e3os. A lei estava do lado do Senhor do Engenho. Lutar pela a liberdade significava ir contra a lei. Da\u00ed a escravid\u00e3o moderna ser lida como uma das chagas que marcaram o in\u00edcio do ciclo econ\u00f4mico do Brasil no per\u00edodo colonial e imperial. Foram tr\u00eas s\u00e9culos de experi\u00eancia escravocrata[4].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda vertente diz respeito ao fato da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas sobre as inten\u00e7\u00f5es abolicionistas de muitas pessoas ligadas ao Segundo Imp\u00e9rio[5]. Mas tamb\u00e9m se compreende que a \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d respondia a uma exig\u00eancia da economia mundial, exig\u00eancia esta que o Brasil j\u00e1 demorava a atender. Nesse caso desconfia-se de uma aboli\u00e7\u00e3o de fundo eminentemente altru\u00edsta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m dos motivos da \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d[6], que n\u00e3o ser\u00e3o expostos neste texto, \u00e9 conveniente compreender as conseq\u00fc\u00eancias que ela trouxe para os negros que se tornaram ex-escravos. N\u00e3o foram criadas condi\u00e7\u00f5es na sociedade para absor\u00e7\u00e3o dos negros que deixavam as lavouras com as quais seus ex-senhores n\u00e3o tinham mais nenhuma forma de compromisso. As leis anteriores: \u201cventre-livre\u201d e \u201csexagen\u00e1ria\u201d, j\u00e1 geraram exclu\u00eddos, pois n\u00e3o havia uma pol\u00edtica de inclus\u00e3o desses grupos, primeiramente as crian\u00e7as e idosos e depois todos os alforriados pela Lei \u00c1urea.Os negros \u201clibertos\u201d se viram diante de uma sociedade despreparada para acolh\u00ea-los e desprotegidos quanto a pol\u00edticas de inclus\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ideologia que deu sustenta\u00e7\u00e3o ao escravismo no passado, impediu aos negros a oportunidade de viverem como cidad\u00e3os da na\u00e7\u00e3o brasileira. Ela tornou natural o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o que s\u00e3o realidades anti-humanas, anti-naturais e, conseq\u00fcentemente, anti-evang\u00e9licas. No que diz respeito \u00e0 economia, os grupos negros se configuraram como reserva de m\u00e3o de obra ou como executores de of\u00edcios desprestigiados aos olhos da popula\u00e7\u00e3o de origem europ\u00e9ia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As disparidades entre a popula\u00e7\u00e3o negra e a branca no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, emprego, padr\u00e3o salarial, moradia e outras necessidades fundamentais, s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancias do processo hist\u00f3rico secular de nega\u00e7\u00e3o de oportunidades aos afro-brasileiros[7] de exerc\u00edcio da cidadania. Os negros tiveram que aprender muito sobre deveres, mas pouco sabem e pouco s\u00e3o informados sobre direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A terceira vertente diz respeito \u00e0 resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra[8]. Os negros n\u00e3o aceitaram passivamente a escravid\u00e3o. No tempo do escravagismo os \u201cquilombos\u201d eram constru\u00eddos como um espa\u00e7o de resist\u00eancia ao modelo escravista. Mas tamb\u00e9m a dan\u00e7a, a religiosidade, a cultura, ajudavam a suportar os reveses e manter viva a dignidade e o sentido da vida. No tempo p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o do \u201cmorro\u201d, as confrarias, as irmandades, a comunidade, compreendidos como \u201cquilombos modernos\u201d, eram o lugar da sobreviv\u00eancia, da acolhida aos maltratados pela sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje, por tr\u00e1s das manifesta\u00e7\u00f5es da cultura africana, habitando os espa\u00e7os geogr\u00e1ficos urbanos, encontra-se a \u201csanta teimosia\u201d em resistir e buscar caminhos de sobreviv\u00eancia em um ambiente social hostil que ainda n\u00e3o aceita e acolhe os afro-brasileiros[9]. A resist\u00eancia da sociedade \u00e9 relevada pela acolhida e aconchego dos novos quilombos das cidades. Estas experi\u00eancias de resist\u00eancia t\u00eam ajudado os negros a compreenderem o valor do seu lugar em uma p\u00e1tria que ainda n\u00e3o \u00e9 a sua p\u00e1tria, pois ainda est\u00e3o em busca da cidadania plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, a caminhada \u00e1rida da popula\u00e7\u00e3o afro-brasileira, desde o per\u00edodo colonial, n\u00e3o diminui o significado das contribui\u00e7\u00f5es dadas por este grupo para a consolida\u00e7\u00e3o de um povo formado por diferentes etnias. Este \u00e9 o retrato do retrato do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em termos de economia foram tr\u00eas s\u00e9culos de suor e esfor\u00e7o nas lavouras de cana e caf\u00e9, na minera\u00e7\u00e3o e nos diferentes of\u00edcios geradores de riqueza e renda. A presen\u00e7a na economia permitiu a participa\u00e7\u00e3o em outras dimens\u00f5es da vida brasileira tais como a m\u00fasica, a alimenta\u00e7\u00e3o, a leitura, a vis\u00e3o de mundo, a religiosidade e o jeito de celebrar e viver a f\u00e9[10]. Mesmo que o advento da escravid\u00e3o tenha significado uma viol\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao povo negro, esta n\u00e3o impediu que os afro-brasileiros, pela sua dinamicidade e resist\u00eancia, impregnassem de valores o solo brasileiro, n\u00e3o s\u00f3 pelo suor e o sangue, mas tamb\u00e9m pela riqueza cultural, o que tamb\u00e9m influenciou a vida eclesial[11].<\/p>\n<h4>2- Os negros e a Igreja<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Escrever sobre os afro-brasileiros presentes na Igreja implica em fazer a recorda\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria dos negros do Brasil. Esta \u00e9 a raz\u00e3o da mem\u00f3ria antes mencionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A sociedade que fez a op\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pelo escravagismo buscou um s\u00f3lido conjunto de justificativas para tal orienta\u00e7\u00e3o. As justificativas da escravid\u00e3o, de origem filos\u00f3fica, biol\u00f3gica e at\u00e9 mesmo teol\u00f3gica, geraram uma orienta\u00e7\u00e3o preconceituosa e discriminat\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura dos povos oriundos da \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja encontrou dificuldades em apontar um outro caminho. O projeto colonial embasado na economia escravagista foi hegem\u00f4nico. N\u00e3o teria durado tr\u00eas s\u00e9culos se tivesse enfrentado uma resist\u00eancia mais consistente. A Igreja n\u00e3o o questionou de uma forma incisiva[12] e em diversas situa\u00e7\u00f5es compactuou com a escravid\u00e3o[13]. Um exemplo desta dificuldade: ainda hoje h\u00e1 poucas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas oriundas da cultura afro-brasileira. H\u00e1 uma causa hist\u00f3rica para esta dificuldade[14]. N\u00e3o h\u00e1 como negar certo estranhamento entre os afro-brasileiros e a Igreja, mesmo que os negros tenham sido os primeiros batizados do continente latino-americano e do Brasil [15].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, se percebe, no passado e hoje, muitas iniciativas de apoio, reconhecimento e solidariedade \u00e0 caminhada dos negros em terras brasileiras. Tais iniciativas est\u00e3o em sintonia com compromisso do mission\u00e1rio Pedro Claver, o santo que se fez negro no meio dos negros. O pr\u00f3prio Zumbi dos Palmares foi acolhido por um padre que o educou at\u00e9 a juventude. Os Franciscanos do Rio de Janeiro[16] acolhiam escravos idosos impossibilitados de trabalhar. Ao menos tinham uma morte digna. Muitos bispos e padres, ao seu modo, procuraram ajudar os negros e negras escravizados. V\u00ea-se que Igreja procurou arrefecer, mesmo sem o questionar de forma incisiva, o impacto do projeto escravagista sobre os negros. As iniciativas de apoio aos negros foram constantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No s\u00e9culo passado a Confer\u00eancia de Puebla (1979) sugeria \u00e0 Igreja o compromisso para com os negros, pois ali era visto tamb\u00e9m o rosto de Cristo sofredor[17]. A Confer\u00eancia de Santo Domingo (1992), com aten\u00e7\u00e3o especial voltada \u00e0s culturas presentes no Continente Latino Americano, dedicou aten\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos afro-americanos[18]. O documento Ecclesia in Am\u00e9rica tamb\u00e9m refor\u00e7a o compromisso para com os afro-americanos e sugere o desafio da forma\u00e7\u00e3o de agentes de pastoral competentes capazes de fazer uso de m\u00e9todos j\u00e1 legitimamente inculturados na catequese e na liturgia. Tal orienta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m faz refer\u00eancia aos povos ind\u00edgenas[19].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o dizia o profeta Isa\u00edas (Is11, 1s), h\u00e1 um broto nascendo e que nos faz acreditar na vida. No caso dos afro-brasileiros existiram muitos brotos. Estes brotos, porque cuidados e amados, geraram plantas, projetos, deram um aporte para a cidadania civil e eclesial reivindicadas pelos negros[20]. As Confer\u00eancias de Medell\u00edn em 1968, Puebla em 1979, Santo Domingo em 1992 e mais recentemente Aparecida, aconteceram pelo sopro do Esp\u00edrito, iluminaram o compromisso efetivo da Igreja como o povo latino americano. Este compromisso foi assumido tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao povo negro e permanece no horizonte evangelizador da Igreja[21]. Era o alimento necess\u00e1rio para os brotos que surgiam, a renova\u00e7\u00e3o diversa e ampla como inspirou o Esp\u00edrito Santo (At 2, 1ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade de 1988 foi um referencial importante nesta caminhada. Respondeu aos anseios da comunidade negra cat\u00f3lica e significou uma nova forma de rela\u00e7\u00e3o. Viu-se que nas comunidades havia uma presen\u00e7a significativa da popula\u00e7\u00e3o negra. Muitos agentes de pastoral e lideran\u00e7as diversas eram descendentes de africanos. Para isto fazia-se necess\u00e1rio o despojamento dos preconceitos e atitudes discriminat\u00f3rias que tamb\u00e9m estavam nas lideran\u00e7as, nos padres, nos religiosos e religiosas. O convite \u00e0 convers\u00e3o feito por Jo\u00e3o Batista \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Palestina (Mt 3,2) foi feito tamb\u00e9m pelos negros \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica nas suas diferentes comunidades. No caso, a convers\u00e3o implica no reconhecimento da alteridade, a presen\u00e7a diferente, n\u00e3o menos crist\u00e3 e comprometida com o Reino, apenas diferente[22].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda hoje colhemos os frutos deste \u201cano da gra\u00e7a\u201d para a Igreja e para o povo negro. Permanece o desafio de continuar a abertura \u00e0 cultura e a riqueza do povo negro[23]. Uma abertura que far\u00e1 da Igreja mais plural e mais prof\u00e9tica, pois \u00e9 companheira na luta pela cidadania plena[24]. A Igreja, desde seus prim\u00f3rdios, n\u00e3o \u00e9 formada por uma s\u00f3 cultura, \u00e9 pluri-etnica. \u00c9 sempre desafiada a enriquecer-se, mais ainda, acolhendo os dons e a riqueza da cultura afro-brasileira. Convoca seus membros a estar a servi\u00e7o do povo de Deus, em comunh\u00e3o com toda a humanidade, sem exclus\u00e3o, buscando a liberta\u00e7\u00e3o, \u00e0 caminho do Reino definitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em comunh\u00e3o com a miss\u00e3o da Igreja no Brasil os afro-brasileiros assumem as Diretrizes e as Linhas de A\u00e7\u00e3o, contribuindo com a a\u00e7\u00e3o evangelizadora na incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho. Cremos na presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, protagonista primordial da evangeliza\u00e7\u00e3o. O sopro divino abre caminho neste projeto justo e necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja no Brasil, a partir de uma releitura hist\u00f3rica e prof\u00e9tica assume um compromisso alvissareiro: \u201cpromover os valores culturais do povo afro-brasileiro e a sua religiosidade, respeitando a sua forma de ser e agir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As iniciativas abaixo descritas revelam a concretude deste compromisso que se aprofunda.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3- A Pastoral afro-brasileira<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A pastoral afro-brasileira nasceu da necessidade de dar uma organicidade as diferentes iniciativas dos negros cat\u00f3licos que marcam presen\u00e7a na vida e miss\u00e3o da Igreja. Tamb\u00e9m \u00e9 fruto da consci\u00eancia das necessidades que v\u00e3o surgindo a partir do aprofundamento do compromisso com a caminhada das comunidades negras. A pastoral \u00e9 compreendida como zelo apost\u00f3lico para como o povo, sobretudo para com os povos pobres e os abandonados. Assim, as diversas iniciativas dos negros cat\u00f3licos encontram na pastoral afro-brasileira um espa\u00e7o de reflex\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo voltados para a vivacidade e dinamicidade da a\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja[25]. A pastoral afro-brasileira integra a Comiss\u00e3o Episcopal para o Servi\u00e7o da Caridade, da Justi\u00e7a e da Paz e as demais Pastorais Sociais da CNBB e tem um Bispo como referencial. Existem outros grupos de a\u00e7\u00e3o que est\u00e3o ligados \u00e0 pastoral afro-brasileira. Vejamos:<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3.1- Agentes de pastoral negros \u2013 APNS<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Na diversidade da experi\u00eancia crist\u00e3 cat\u00f3lica a Igreja vai sendo enriquecida pela contribui\u00e7\u00e3o dos afro-brasileiros. Desde a d\u00e9cada de oitenta vem acontecendo a caminhada dos APNS \u2013 agentes de pastoral negros \u2013 s\u00e3o leigos e leigas que vivem o compromisso de batizados prestando servi\u00e7o nas diferentes a\u00e7\u00f5es da Igreja. Organizaram-se como agentes negros n\u00e3o a partir de uma perspectiva sect\u00e1ria, mas para aprofundarem a sua perten\u00e7a \u00e0 Igreja como membros de uma tradi\u00e7\u00e3o que \u00e9 milenar. Para estes agentes, ser negro e ser cat\u00f3lico n\u00e3o \u00e9 contradi\u00e7\u00e3o, mas enriquecimento e compromisso crist\u00e3o. Outra caracter\u00edstica dos apns \u00e9 a sua atua\u00e7\u00e3o nos diversos setores da sociedade[26], o que sugere o di\u00e1logo ecum\u00eanico e o di\u00e1logo com outras entidades da sociedade civil que tem um compromisso para com o povo negro em geral. Os apns t\u00eam uma equipe de coordena\u00e7\u00e3o nacional. Nos regionais e estados tamb\u00e9m existem organiza\u00e7\u00f5es que buscam assumir a mesma perspectiva de a\u00e7\u00e3o evangelizadora atrav\u00e9s da experi\u00eancia cultural africana. Respondem aos compromissos das Dioceses e Regionais. Aqui se inserem tamb\u00e9m aqueles negros e negras que fazem parte das Irmandades, Confrarias, Congados, as formas espec\u00edficas de viver a f\u00e9 cat\u00f3lica. Este grupo celebra, em 2008, 25 anos de caminhada.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3.2\u2013 Grupo de religiosos e religiosas negros e ind\u00edgenas \u2013 GRENI<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 caminhada da CRB \u2013 Confer\u00eancia dos Religiosos do Brasil. \u00c9 uma organiza\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 vida da Igreja e assume a especificidade de enriquecer a m\u00edstica e espiritualidade da vida religiosa com os elementos pr\u00f3prios das tradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e africanas. Neste sentido o Greni tem sido um espa\u00e7o de incentivo, sobretudo das culturas de origem africana, visando a uma melhor acolhida e a uma maior presen\u00e7a de afro- descendentes nas comunidades religiosas[27].<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3.3 \u2013 Articula\u00e7\u00e3o de Bispos, Presb\u00edteros e Di\u00e1conos Negros \u2013 Instituto Mariama<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A caminhada dos bispos, padres e di\u00e1conos negros come\u00e7ou em 1988. O Instituto Mariama \u00e9 a entidade que representa oficialmente esta articula\u00e7\u00e3o de alcance nacional. Tem entre as suas finalidades colaborar para com a forma\u00e7\u00e3o dos agentes de pastoral negros, em especial dos bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos negros cat\u00f3licos do Brasil para que sejam solid\u00e1rios possam estar presentes em meio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais fragilizada, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o integral de crian\u00e7as, jovens e adultos[28]. O encontro anual do Instituto Mariama acontece a cada ano em uma cidade diferente. Comumente o encontro \u00e9 dividido em um momento de estudo de tem\u00e1tica ligada ao minist\u00e9rio presbiteral e \u00e0 caminhada da Igreja. Tamb\u00e9m \u00e9 reservado um dia para o recolhimento na perspectiva em aprofundar a m\u00edstica e a espiritualidade do presb\u00edtero negro. Nestes encontros refletimos a caminhada do Instituto e sua miss\u00e3o junto \u00e0 Igreja e aos irm\u00e3os e irm\u00e3s afro-brasileiros.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3.4 \u2013 Grupo Atabaque &#8211; Cultura Negra e Teologia<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">O grupo Atabaque \u00e9 formado por te\u00f3logos e outros intelectuais que se prop\u00f5em a refletir as quest\u00f5es de negritude ligadas \u00e0 teologia. \u00c9 um grupo ecum\u00eanico. Sua sede situa-se em S\u00e3o Paulo. Tem prestado uma significativa contribui\u00e7\u00e3o em termos de reflex\u00e3o da cultura negra na sua rela\u00e7\u00e3o com a teologia.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3.5- Congresso Nacional das Entidades Negras Cat\u00f3licas \u2013 CONENC<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Este congresso acontece a cada dois anos. Tem amplitude nacional e conta com representantes dos regionais da CNBB. O \u00faltimo Congresso aconteceu na cidade de Salvador. Tema: Pastoral afro-brasileira: identidade e miss\u00e3o. Lema: Mais negros (as), mais mission\u00e1rios (as).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">3.6- Encontro de Pastoral Afro-Americana e Caribenha -EPA<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Este encontro acontece de tr\u00eas em tr\u00eas anos congregando os agentes de pastoral do Continente Latino Americano e Caribe. O \u00faltimo encontro aconteceu em novembro de 2006 na Venezuela. O tema de reflex\u00e3o foi a situa\u00e7\u00e3o da juventude negra latino americana e caribenha. O pr\u00f3ximo acontecer\u00e1 em 2009 no Panam\u00e1. \u00c9 convocado e coordenado pela Secretaria de Pastoral Afro-Continental do CELAM (SEPAFRO-CELAM)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estas diferentes inst\u00e2ncias de participa\u00e7\u00e3o, no Brasil e no continente latino americano t\u00eam ajudado significativamente os negros e negras cat\u00f3licos a compreenderem o valor do seu espa\u00e7o na vida da Igreja. \u00c9 importante, na comunidade, e tem seu valor nos outros espa\u00e7os de vida eclesial. Destas iniciativas pastorais nasceram e foram se estruturando diferentes grupos espec\u00edficos que tem atuado de forma efetiva nos diferentes espa\u00e7os.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">4- Contribui\u00e7\u00e3o da Pastoral Afro-brasileira da CNBB<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Completando vinte anos de exist\u00eancia a pastoral afro-brasileira, assumida pela CNBB como um setor pr\u00f3prio, reconhece o protagonismo dos afro-brasileiros na Hist\u00f3ria da Igreja no Brasil. A experi\u00eancia est\u00e1 sendo maravilhosa e j\u00e1 tem gerado alguns avan\u00e7os significativos:<\/p>\n<ol>\n<li>o n\u00edvel de consci\u00eancia do Ser pessoa e pessoa negra, assumindo as ra\u00edzes \u00e9tnicas e culturais;<\/li>\n<li>o desenvolvimento do senso cr\u00edtico nos aspectos social, pol\u00edtico, religioso e cultural;<\/li>\n<li>a solidariedade entre os grupos negros e n\u00e3o negros, intensificando o di\u00e1logo religioso no macro ecumenismo;<\/li>\n<li>a exist\u00eancia do GRT &#8211; grupo de reflex\u00e3o teol\u00f3gica;<\/li>\n<li>a instala\u00e7\u00e3o do secretariado de pastoral afro-brasileira na CNBB com a ajuda significativa da CRB nacional;<\/li>\n<li>a realiza\u00e7\u00e3o do CONENC \u2013 Congresso Nacional das Entidades Negras Cat\u00f3licas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">A realidade social nos desafia ao an\u00fancio da Boa Not\u00edcia, nesta sociedade onde impera a viol\u00eancia, o desemprego, a fome, o analfabetismo, a perda da identidade, tendo como resultado a exclus\u00e3o, a esperan\u00e7a amea\u00e7ada. As v\u00edtimas desta realidade dif\u00edcil, em sua maioria s\u00e3o os negros. Acreditamos teimosamente na concretiza\u00e7\u00e3o do sonho de uma sociedade livre, sem escravos e nem senhores, para que se possa reconstruir o Quilombo P\u00e1scoa, onde todos s\u00e3o tratados com igualdade, onde todos participam. O Projeto da pastoral afro-brasileira \u00e9 uma proposta de constru\u00e7\u00e3o da cidadania plena para todos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">5- Desafios \u00e0 Pastoral Afro-Brasileira<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">5.1- Fomentar e fortalecer os grupos de base nas comunidades. O melhor caminho da evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o compromisso mission\u00e1rio dos negros e negras que assumem seu compromisso de batizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5.2- Incentivar a solidariedade e o di\u00e1logo com as inst\u00e2ncias da sociedade civil que representam o povo negro e outros grupos solid\u00e1rios que lutam e se comprometem com a recupera\u00e7\u00e3o da dignidade dos afro-brasileiros. A luta pela cidadania \u00e9 ainda um desafio presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5.3- Vivenciar a liturgia das comunidades com esp\u00edrito crist\u00e3o e evangelizador. A liturgia \u00e9 sempre de louvor, ora\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o da vida. A seriedade e sobriedade na prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 compromisso de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5.4- Assumir os desafios que a Confer\u00eancia de Aparecida prop\u00f5e para a Igreja especialmente o Projeto da Miss\u00e3o Continental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5.5- Incentivar as voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas que acenam para uma perspectiva mais diversa de vida eclesial[29].<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">6- Import\u00e2ncia da contribui\u00e7\u00e3o do Episcopado Brasileiro<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A Confer\u00eancia de Aparecida, no seguimento das Confer\u00eancias anteriores, refor\u00e7ou a necessidade de se apoiar as diferentes iniciativas de inclus\u00e3o dos afro-brasileiros na vida e miss\u00e3o da Igreja. O Documento renova o \u00e2nimo das comunidades negras. Nesse sentido \u00e9 muito importante que os Bispos ap\u00f3iem e incentivem \u00e0s iniciativas que est\u00e3o acontecendo nas Dioceses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos lugares em que a caminhada ainda \u00e9 embrion\u00e1ria ou n\u00e3o h\u00e1 a consci\u00eancia eclesial, uma palavra e gesto de apoio podem ser determinantes. O secretariado de Pastoral Afro-brasileira da CNBB est\u00e1 inteiramente a servi\u00e7o dos Regionais e das Dioceses que desejarem alguma orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois de vinte anos da Campanha da Fraternidade sobre o povo negro nada mais que justo que as Dioceses prestem esse servi\u00e7o ao povo empobrecido e vivam os objetivos da pr\u00f3pria CNBB, incluindo a op\u00e7\u00e3o preferencial da Igreja. Um olhar mais atento \u00e0 realidade ainda marcada pelo empobrecimento, pelo preconceito e pela discrimina\u00e7\u00e3o, revela que a contribui\u00e7\u00e3o do Episcopado ser\u00e1 fundamental para ao desenvolvimento da pastoral ainda mais intenso da pastoral afro-brasileira.<\/p>\n<h4 align=\"right\">Pe. Ari Ant\u00f4nio Reis<\/h4>\n<h4 align=\"right\">Pe Jurandir Azevedo Ara\u00fajo<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Autores:<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 8pt\">Pe Ari Ant\u00f4nio dos Reis: Presb\u00edtero da Diocese de Passo Fundo, mestre em teologia pastoral pela Pontif\u00edcia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, professor licenciado do Instituto de Teologia e Pastoral de Passo Fundo, assessor nacional da pastoral afro-brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 8pt\">Pe Jurandir Azevedo de Ara\u00fajo sdb: Presb\u00edtero Salesiano, mestre em educa\u00e7\u00e3o, psic\u00f3logo cl\u00ednico e psicopedagogo. Atualmente responde pelo setor de leigos da Inspetoria S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco-MG. Membro do Secretariado de Pastoral afro-continental \u2013 SEPAFRO-CELAM.<\/span><\/p>\n<h4>Bibliografia:<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 8pt\">AZZI, Riolando. Teologia cat\u00f3lica na forma\u00e7\u00e3o da sociedade colonial brasileira. Petr\u00f3polis: Vozes. 2005. BEOZZO, Jos\u00e9 Oscar. As Am\u00e9ricas Negras e a Hist\u00f3ria da Igreja: quest\u00f5es metodol\u00f3gicas. Revista Religi\u00e3o e sociedade n\u00ba 10, novembro de 1983, P 65-82.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 8pt\">CHIAVENATO, J\u00falio Jos\u00e9. O negro no Brasil. S\u00e3o Paulo: Brasiliense. 1986.<br \/>\nCELAM. Conclus\u00f5es de Medell\u00edn. 2 Ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1975.<br \/>\nCNBB. Estudos da CNBB 85: pastoral afro-brasileira: S\u00e3o Paulo. Paullus, 2002<br \/>\n________Puebla. A evangeliza\u00e7\u00e3o no presente e no futuro da Am\u00e9rica Latina.7\u00aa- ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1987.<br \/>\n________Conclus\u00f5es de Santo Domingo. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1994.<br \/>\n________Documento de Aparecida: Texto conclusivo da V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2007.<br \/>\nCNBB. Ouvi o clamor deste povo. Campanha da Fraternidade. CPP, Bras\u00edlia, 1988.<br \/>\n________Estudos da CNBB 85: pastoral afro-brasileira: S\u00e3o Paulo. Paullus, 2002<br \/>\nGORENDER, Jacob. A escravid\u00e3o reabilitada. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica.1991.<br \/>\n___________.O escravismo colonial. S\u00e3o Paulo: Abica 1978.<br \/>\nIMA &#8211; Instituto Mariama. Estatuto da articula\u00e7\u00e3o de bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos negros do Brasil.<br \/>\nJOAQUIM, Maria Salete. O papel da lideran\u00e7a religiosa feminina na constru\u00e7\u00e3o da identidade negra. S\u00e3o Paulo: Fapesp-Pallas.1996.<br \/>\nLOPEZ, Maricel Mena e NASH Peter Theodore. Abrindo sulcos: para uma teologia afro-americana e caribenha. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal. 2004.<br \/>\nIANNI, Oct\u00e1vio. As metamorfoses do escravo. S\u00e3o Paulo: Hucitec.1998.<br \/>\nROWER. Frei Bas\u00edlio. O Convento de Santo Ant\u00f4nio do Rio de Janeiro. Petr\u00f3polis: Vozes, 1945.<br \/>\nSILVA, Ant\u00f4nio Aparecido. Existe um pensar teol\u00f3gico negro. S\u00e3o Paulo: Paulinas 1998.<\/span><span style=\"font-size: 8pt\">SILVA, Eduardo. As Cam\u00e9lias do Leblom e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura: uma investiga\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria e cultura. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2003.<br \/>\n[1] Os povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m foram envolvidos no processo escravagista. A vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos negros era de cunho comercial. Aproveitava-se o trabalho na lavoura e tamb\u00e9m o com\u00e9rcio tripartite.<br \/>\n[2] Cf. Julio J. CHIAVENATO. O negro no Brasil, p. 48.<br \/>\n[3] Jo\u00e3o Paulo II. Discurso aos afro-americanos. Conclus\u00f5es de Santo Domingo, p. 258.<br \/>\n[4] Tal empreendimento econ\u00f4mico exigiu uma ideologia de justifica\u00e7\u00e3o. Era necess\u00e1rio encontrar bons argumentos para justificar a escravid\u00e3o. Tais argumentos foram bem constru\u00eddos a ponto de fazerem da escravid\u00e3o e posteriormente a discrimina\u00e7\u00e3o fen\u00f4menos tidos como naturais e n\u00e3o constru\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\n[5] Alguns personagens desta \u00e9poca passaram para a Hist\u00f3ria como batalhadores pela causa abolicionista. Citamos Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, Joaquim Nabuco entre outros. Alguns abolicionistas pregavam tamb\u00e9m o ideal de tornar o Brasil menos negro, a chamada ideologia do branqueamento. Ver: CNBB. Ouvi o clamor deste povo, par\u00e1grafos 56 e 57.<br \/>\n[6] Sobre o movimento abolicionista sugerimos ler: Eduardo SILVA. As Cam\u00e9lias do Leblom e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura: uma investiga\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria e cultura. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2003.<br \/>\n[7] Computados os registros estat\u00edsticos, revelou-se o quadro persistente de dram\u00e1tica inferioridade do segmento negro em face do segmento branco da popula\u00e7\u00e3o brasileira, com rela\u00e7\u00e3o a grau de instru\u00e7\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o profissional e n\u00edvel de rendimentos. Ver Jacob GORENDER. A escravid\u00e3o reabilitada, p. 11.<br \/>\n[8] Cf. Conclus\u00f5es de Santo Domingo, n. 246.<br \/>\n[9] Cf. DA 89<br \/>\n[10] CF. DA 56<br \/>\n[11] CNBB. Ouvi o Clamor deste povo. N\u00fameros 60 ss.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt\">[12] Jo\u00e3o Paulo II \u2013 Carta aos afro-americanos in Conclus\u00f5es de Santo Domingo p. 258.<br \/>\n[13] Cf. Documento de Puebla 8. Tamb\u00e9m. CNBB. Ouvi o clamor deste povo. n. 70s.<br \/>\n[14] Sobre o tema ver: Jos\u00e9 Oscar BEOZZO. As Am\u00e9ricas Negras e a Hist\u00f3ria da Igreja: quest\u00f5es metodol\u00f3gicas. Revista Religi\u00e3o e sociedade n\u00ba 10, novembro de 1983, p. 80.<br \/>\n[15] Estudos da CNBB n\u00famero 85 \u2013 pastoral afro-brasileira<br \/>\n[16] Cf. Frei Bas\u00edlio ROWER. O Convento de Santo Ant\u00f4nio do Rio de Janeiro. Petr\u00f3polis: Vozes, 1945.<br \/>\n[17] Cf. Documento de Puebla p. 34<br \/>\n[18] Cf. Conclus\u00f5es de Santo Domingo. n. 249.<br \/>\n[19] C. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Eccl\u00e9sia in Am\u00e9rica n. 64.<br \/>\n[20] CF. DA 75<br \/>\n[21] CF. DA 533<br \/>\n[22] Cf. DA n. 99, 532.<br \/>\n[23] Cf. DA n. 533.<br \/>\n[24] Cf. DA n. 96.<br \/>\n[25] Cf. DA n. 97.<br \/>\n[26] Cf. Pe. Ant\u00f4nio Aparecido da SILVA. Comunidade Negra: desafios atuais e perspectivas, p. 39.<br \/>\n[27] CF. CRB Nacional \u2013 GRENI. Ternura e resist\u00eancia: presen\u00e7a afro na vida consagrada, p. 5. O Documento de Aparecida, no n\u00famero 94, ressalta a import\u00e2ncia de incentivar voca\u00e7\u00f5es oriundas das culturas ind\u00edgenas e dos afro-americanos.<br \/>\n[28] Cf. Estatuto da articula\u00e7\u00e3o de bispos, presb\u00edteros e di\u00e1conos negros do Brasil, artigo III, par\u00e1grafo III.<br \/>\n[29] Cf. Santo Domingo n. 80 e Documento de Aparecida n. 94<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pastoral afro-brasileira \u00e9 uma boa not\u00edcia constru\u00edda ao longo de muitos anos, atrav\u00e9s do esfor\u00e7o dos diferentes agentes de pastoral cat\u00f3licos que, em nome da sua f\u00e9, procuraram encontrar espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o e testemunho na vida e na miss\u00e3o da Igreja. 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