{"id":19992,"date":"2008-06-25T00:00:00","date_gmt":"2008-06-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-afro-brasileira-da-conferencia-nacional-dos-bispos-do-brasil-cnbb-e-os-agentes-de-pastoral-2\/"},"modified":"2008-06-25T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-25T03:00:00","slug":"pastoral-afro-brasileira-da-conferencia-nacional-dos-bispos-do-brasil-cnbb-e-os-agentes-de-pastoral-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-afro-brasileira-da-conferencia-nacional-dos-bispos-do-brasil-cnbb-e-os-agentes-de-pastoral-2\/","title":{"rendered":"Pastoral Afro-Brasileira da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e os Agentes de Pastoral"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Para responder aos desafios da situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, marginaliza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o em que se encontram os\/as negros\/as em nosso Pais, em especial dentro da Igreja, a linha 2 da CNBB de ent\u00e3o, promoveu diversos encontros a partir de 1977, visando uma reflex\u00e3o, que fosse levada \u00e0 Confer\u00eancia de Puebla. Nasceu, assim, o Grupo &#8220;Tarefa&#8221; para assessoria \u00e0 CNBB.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esses dados, foram levados pelos repens\u00e1veis da linha 2, nas reuni\u00f5es de Buenos Aires e Roma, onde se elaborou o \u201dPanorama Mission\u00e1rio da Igreja na Am\u00e9rica Latina\u201d, incorporado no documento de trabalho de Puebla. Este documento, na XVII Assembl\u00e9ia da CNBB (1979), chamou a aten\u00e7\u00e3o dos Bispos sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde o dia primeiro de setembro de 1978, na sede da CNBB, em Bras\u00edlia, onde aconteceu o encontro de estudiosos preocupados com a evangeliza\u00e7\u00e3o do povo negro, concretizou-se o desejo de muitos\/as negros\/as de descobrir o que poderia fazer. Podemos dizer, nasceu a Pastoral Afro-brasileira (PAB), na sede da CNBB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Houve uma reuni\u00e3o de um grupo de agentes de pastoral negros que se realizou nos dias 13 a 15 de fevereiro de 1980, em Cap\u00e3o Redondo, SP, na Casa de Encontros e Retiros das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de Jesus Crucificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Emerge uma nova consci\u00eancia. a partir das palavras consideradas inspiradas e inspiradoras do ent\u00e3o Presidente da Linha 2: \u201cSe o problema \u00e9 dos negros, deve ser resolvido pelos pr\u00f3prios negros\u201d. Nesta reuni\u00e3o, de 19 de junho de 1980, esse Grupo Tarefa, compreende que \u00e9 necess\u00e1rio deslanchar, abrir horizontes numa vis\u00e3o mais ampla, ir al\u00e9m do religioso-confessional, para refletir sobre sua situa\u00e7\u00e3o enquanto negros\/as, na vida eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No primeiro Encontro Nacional de agentes de pastoral negros\/as realizado em Bras\u00edlia de 5 a 7 de julho de 1981, foi criado o \u201cGrupo de Uni\u00e3o e Consci\u00eancia Negra\u201d. Esse nome foi aprovado por esta Assembl\u00e9ia com 42 votos (entre 60 participantes) entre tr\u00eas nomes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 1981, na XIX Assembl\u00e9ia da CNBB, as quest\u00f5es afro-brasileiras foram novamente apresentadas a Episcopado, que reiterou seu empenho de dar aten\u00e7\u00e3o particular \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos afro-brasileiros\/as em sua atividade evangelizadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com todo o empenho dos\/as agentes para uma resposta adequada, por parte da Igreja, a situa\u00e7\u00e3o afro-brasileira no Pa\u00eds e na Igreja, n\u00e3o recebeu a devida aten\u00e7\u00e3o evangelizadora e libertadora, como tamb\u00e9m Puebla confessa (nos. 8 e 40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ampliada a coordena\u00e7\u00e3o, buscaram solu\u00e7\u00f5es adequadas para o estudo e aprofundamento das v\u00e1rias dimens\u00f5es da hist\u00f3ria do povo africano, al\u00e9m de outras atividades, tais como as comemora\u00e7\u00f5es e celebra\u00e7\u00f5es do 20 de novembro, Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, realizados nos lugares mais diversificados. A pessoa de Zumbi, como her\u00f3i da ra\u00e7a negra e os Quilombos dos Palmares passam a ser alvos referenciais. Nasceram assim, v\u00e1rios grupos e foram se expandindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes da cria\u00e7\u00e3o da Pastoral do Negro\/a, consagradas de v\u00e1rias Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas j\u00e1 vinham se reunindo a fim de refletir sobre o racismo na Vida Religiosa, como tamb\u00e9m o COMINA\/POM. N\u00e3o podemos esquecer os momentos coletivos conscientizadores, a Missa dos Quilombos (22\/11\/l981), que questionou a posi\u00e7\u00e3o de poderio e domina\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira e da Igreja, com rela\u00e7\u00e3o aos povos negros e a religi\u00e3o africana trazida pelos escravos para o Brasil. Foi marcante o poema-ora\u00e7\u00e3o \u201cMariama\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A CNBB, a partir da reuni\u00e3o de 30 e 31 de outubro de 1982, em S\u00e3o Paulo, assume para o quadri\u00eanio 1983-8987, diretrizes pastorais para a linha 2 \u2013 A\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria: Di\u00e1logo e Cultura Afro-brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os\/as leigos\/as, religiosos\/as e presb\u00edteros continua uma insatisfa\u00e7\u00e3o por n\u00e3o ter uma pastoral. Em 1983, na Catedral da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, durante uma ordena\u00e7\u00e3o, houve um grito prof\u00e9tico para a cria\u00e7\u00e3o da Pastoral do Negro. Houve uma grande repercuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Marco relevante conquistado pelos\/as agentes de Pastoral negro, foi a Campanha da Fraternidade (CF) de 1988, cujo tema, por estes, foi: \u201cPovo Negro, um clamor de justi\u00e7a\u201d. A CNBB indicou e ficou assim o tema: \u201cFraternidade e o Negro\u201d e o lema: \u201cOuvi o clamor deste Povo\u201d. Foi um tema pol\u00eamico. Provocou muitas discuss\u00f5es e, at\u00e9 mesmo, algumas dioceses n\u00e3o seguiram o lema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Toda este descri\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 para mostrar que os\/as leigos\/as negros\/as estiveram desde o in\u00edcio presente, atuantes e uma for\u00e7a viva. Portanto, na diversidade da experi\u00eancia crist\u00e3 cat\u00f3lica a igreja vai sendo enriquecida pela contribui\u00e7\u00e3o dos afros brasileiros. Desde d\u00e9cada de oitenta, vem acontecendo \u00e0 caminhada dos apns &#8211; agentes de pastoral negros &#8211; s\u00e3o leigos e leigas que vivem o compromisso de batizados prestando servi\u00e7o nas diferentes a\u00e7\u00f5es da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Organizaram-se como agentes negros, em 1983, n\u00e3o a partir de uma perspectiva sect\u00e1ria, mas para aprofundar a sua perten\u00e7a a Igreja como membros de uma tradi\u00e7\u00e3o que \u00e9 milenar. Ser negro e ser cat\u00f3lico n\u00e3o \u00e9 visto como contradi\u00e7\u00e3o mais como enriquecimento e compromisso crist\u00e3o. Outra caracter\u00edstica dos apns \u00e9 a sua atua\u00e7\u00e3o nos diversos setores da sociedade o que sugere o di\u00e1logo ecum\u00eanico e com outras entidades da sociedade civil que tem um compromisso com o povo negro em geral. H\u00e1 25 anos, buscam fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es negras. No in\u00edcio eram leigos\/as, religiosos\/as, presb\u00edteros juntos. A medida que os Apns, sentiram, como os outros grupos que faziam parte do Grupo Uni\u00e3o e Consci\u00eancia Negra, sentiram a necessidade de momentos espec\u00edficos, de reflex\u00e3o, de encontro, de conviv\u00eancia, de projetos e de parcerias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A rela\u00e7\u00e3o doa Apns com a PAB, e vise-versa, \u00e9 que esta, \u00e9 uma inst\u00e2ncia de articula\u00e7\u00e3o e \u00e9 um esp\u00edrito que deve penetrar em todos os lugares onde t\u00eam afro-brasileiros, atrav\u00e9s da pr\u00e1tica evangelizadora desse grupo. \u201cA PAB surgiu depois de um longo processo de conscientiza\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es de negros\/as que assumem viver sua f\u00e9 na Igreja, mas levando em conta a realidade da popula\u00e7\u00e3o afro-brasileira\u201d (Documento 85, CNBB, Bras\u00edlia, 2003, nos. 1, 60, p\u00e1gs 11e 38).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os Apns nasceram na Igreja e est\u00e3o articulados a PAB, fazendo parte, desde o in\u00edcio, do Grupo de Reflex\u00e3o Teol\u00f3gica, juntamente com outros grupos. Participam ativamente nos Encontros das Entidades Negras Cat\u00f3licas (CONENC), organizado pela PAB. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o positiva, fraterna e de parceria. Tem sido, h\u00e1 muitos anos, um parceiro fundamental na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que garantam o direito humano, inclusive o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada, al\u00e9m de atividades, com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais e raciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente os Apns tem uma coordena\u00e7\u00e3o em n\u00edvel nacional. Nos estados e regionais tamb\u00e9m existem organiza\u00e7\u00f5es que buscam assumir a mesma perspectiva de a\u00e7\u00e3o evangelizadora atrav\u00e9s da experi\u00eancia cultural africana. Respondem aos compromissos das dioceses e regionais. Aqui se inserem tamb\u00e9m aqueles negros e negros que fazem parte das Irmandades, confrarias, congados, formas espec\u00edficas de viver a f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m de augurarmos \u00eaxitos, crescimento e compromisso neste jubileu dos Apns, desejamos que continuem sendo, entre n\u00f3s, um processo de aprendizado, de a\u00e7\u00f5es coordenadas e interativas, aprendermos a negociar nossas id\u00e9ias e a\u00e7\u00f5es de uma maneira mais harm\u00f4nica e conjunta, trabalhando a uni\u00e3o e as diferen\u00e7as numa mesma mesa; estarmos juntos nas grandes lutas do nosso povo para a implementa\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o da Lei 10.639, o sistema de cotas, buscarmos com as juventudes negras o seu espa\u00e7o de protagonismo, a aprova\u00e7\u00e3o do Estatuto da Igualdade racial, acompanhar a Secretaria Especial de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial e \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Palmares. Se n\u00e3o houver cumplicidade entre as entidades negras, n\u00e3o vamos aprender a trabalhar coletivamente. Juntos podemos ter mais ousadia, al\u00e9m da indigna\u00e7\u00e3o. Estamos num ano eleitoral: vamos trabalhar juntos para candidaturas e plataformas partid\u00e1rias compromissadas. Como celebrar os 120 anos da chamada Aboli\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Parab\u00e9ns! Vamos somar esfor\u00e7os na dire\u00e7\u00e3o de objetivos comuns, mesmo se houver uma sadia tens\u00e3o democr\u00e1tica, como express\u00e3o do pluralismo afro.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Pe. Jurandyr Azevedo Araujo, sdb,<br \/>Mestre em Educa\u00e7\u00e3o, Psic\u00f3logo Clinico, Psicopedagogo,<br \/>Assessor da Pastoral Afro-brasileira da CNBB<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para responder aos desafios da situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, marginaliza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o em que se encontram os\/as negros\/as em nosso Pais, em especial dentro da Igreja, a linha 2 da CNBB de ent\u00e3o, promoveu diversos encontros a partir de 1977, visando uma reflex\u00e3o, que fosse levada \u00e0 Confer\u00eancia de Puebla. 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