{"id":20134,"date":"2016-01-12T00:00:00","date_gmt":"2016-01-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-pastoral-carceraria-quer-ouvir-o-clamor-que-ecoa-por-detras-das-grades-afirma-dom-guilherme\/"},"modified":"2016-01-12T00:00:00","modified_gmt":"2016-01-12T02:00:00","slug":"a-pastoral-carceraria-quer-ouvir-o-clamor-que-ecoa-por-detras-das-grades-afirma-dom-guilherme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-pastoral-carceraria-quer-ouvir-o-clamor-que-ecoa-por-detras-das-grades-afirma-dom-guilherme\/","title":{"rendered":"\u201cA Pastoral Carcer\u00e1ria quer ouvir o clamor que ecoa por detr\u00e1s das grades\u201d, afirma dom Guilherme"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Dom Guilherme Werlang apresenta miss\u00e3o e desafios da Pastoral Carcer\u00e1ria<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para o Servi\u00e7o da Caridade, da Justi\u00e7a e da Paz da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Guilherme Ant\u00f4nio Werlang, em entrevista ao programa de televis\u00e3o Igreja no Brasil, falou sobre o trabalho realizado pela Pastoral Carcer\u00e1ria nos pres\u00eddios e com as fam\u00edlias dos encarcerados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na primeira parte da entrevista, dom Guilherme destaca o trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o, os desafios e comenta sobre a proposta de Justi\u00e7a Restaurativa, que \u00e9 uma das bandeiras da Pastoral Carcer\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Guilherme, para ficarmos por dentro da realidade, qual \u00e9 o trabalho que \u00e9 feito pela Pastoral Carcer\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Guilherme Werlang:\u00a0<\/strong>A Pastoral Carcer\u00e1ria da Igreja Cat\u00f3lica fundamenta-se no evangelho de Jesus Cristo escrito por Mateus, no capitulo 25, vers\u00edculo 36, onde Jesus diz: \u201cEu estava preso e voc\u00ea veio me visitar\u201d. Ent\u00e3o, o fundamento desse trabalho \u00e9 ir \u00e0queles nossos irm\u00e3os, \u00e0quelas nossas irm\u00e3s que est\u00e3o encarcerados por alguma raz\u00e3o de delitos, de crimes, de coisas erradas que praticaram na vida, pelas quais foram condenados. Infelizmente muitos ficam muito tempo presos antes de serem condenados e, ent\u00e3o, a Pastoral Carcer\u00e1ria quer ouvir o clamor, ouvir o grito que brota, que ecoa por detr\u00e1s das grades. A Pastoral Carcer\u00e1ria, dentro dos c\u00e1rceres, faz ora\u00e7\u00f5es, celebra\u00e7\u00f5es, anuncia a palavra de Deus, especialmente mostrando um Deus pronto a perdoar, a ser misericordioso. A Pastoral Carcer\u00e1ria quer ser presen\u00e7a de Jesus Cristo, presen\u00e7a da Igreja e olhar especialmente para que os direitos humanos, a dignidade humana do encarcerado seja tamb\u00e9m respeitada, porque isso n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa de dizer que ele n\u00e3o fez nada de errado. Tem pessoas que confundem isso, porque, por maior que seja o delito que ele tenha cometido, por mais gente que ele tenha prejudicado, ele precisa ser respeitado enquanto ser humano, ele permanece ser humano, ele permanece nosso irm\u00e3o, ela permanece nossa irm\u00e3, permanecem filhos e filhas de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Nesse contexto de evangeliza\u00e7\u00e3o e de promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana das pessoas encarceradas, quais s\u00e3o os principais desafios enfrentados pela Pastoral Carcer\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Guilherme Werlang:<\/strong> S\u00e3o tantos os desafios que a Pastoral Carcer\u00e1ria tem, que eu poderia apenas, em um espa\u00e7o t\u00e3o curto quanto \u00e9 esse nosso Programa, elencar alguns, por exemplo: o pr\u00f3prio sistema carcer\u00e1rio brasileiro em si j\u00e1 \u00e9 o maior de todos os desafios; a superlota\u00e7\u00e3o dos nossos pres\u00eddios, das nossas delegacias provis\u00f3rias, eu mesmo visito c\u00e1rceres, eles ficam literalmente empilhados, ent\u00e3o esse \u00e9 um desafio, porque tira toda dignidade, ele fere de morte a dignidade humana; outro grande desafio que n\u00f3s temos, n\u00e3o s\u00f3 da Pastoral Carcer\u00e1ria, mas a Pastoral enfrenta isso de uma forma especifica, \u00e9 que mais ou menos 60% dos presos s\u00e3o jovens de 18 a 29 anos e, desses jovens, a grande maioria absoluta s\u00e3o pobres e s\u00e3o negros. Ent\u00e3o, como n\u00f3s quereremos fazer aquele ditado de um Deus que \u00e9 justo, de um Deus que \u00e9 misericordioso quando basta voc\u00ea ir l\u00e1?! Voc\u00ea n\u00e3o precisa falar com ningu\u00e9m, basta olhar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma outra quest\u00e3o: de 1990 a 2014, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria cresceu no Brasil em 575%. Veja o que significa isso, como fazer uma Pastoral vendo isso? Outro grande desafio: os c\u00e1rceres s\u00e3o verdadeiras universidades de fabrica\u00e7\u00e3o de criminosos. Tem pessoas que cometeram pequenos delitos e est\u00e3o l\u00e1 dentro misturados com outros que j\u00e1 s\u00e3o profissionais do crime. A Pastoral Carcer\u00e1ria enfrenta esse desafio de como anunciar o evangelho, numa universidade do crime que \u00e9 hoje o sistema carcer\u00e1rio brasileiro. Al\u00e9m disso, o preconceito que a sociedade brasileira tem em rela\u00e7\u00e3o ao preso, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas fam\u00edlias, o desafio de como trabalhar com as fam\u00edlias que foram v\u00edtimas das agress\u00f5es, das viol\u00eancias, por fim, como fazer uma reinser\u00e7\u00e3o, como o preso n\u00e3o ficar revoltado e ficar mais violento do que ele era antes de entrar no c\u00e1rcere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>E uma proposta defendida pela Pastoral Carcer\u00e1ria &#8211; o papa Francisco, inclusive, tem falado sobre isso &#8211; \u00e9 a Justi\u00e7a Restaurativa. Como funciona este m\u00e9todo? \u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dom Guilherme Werlang:<\/strong> Alguma parte dos telespectadores certamente j\u00e1 ouviu falar ou conhece a Justi\u00e7a Restaurativa. Mas a grande maioria dos brasileiros nunca ouviu falar de Justi\u00e7a Restaurativa. A nossa justi\u00e7a, naquilo que diz respeito ao encarcerado, ao sistema prisional brasileiro, \u00e9 uma justi\u00e7a punitiva e vingativa. Ora, com uma justi\u00e7a punitiva e vingativa voc\u00ea n\u00e3o consegue recuperar ningu\u00e9m! A justi\u00e7a restaurativa acontece especialmente em pa\u00edses europeus e africanos. Impressionante, mais tem v\u00e1rios pa\u00edses africanos que j\u00e1 est\u00e3o trabalhando a Justi\u00e7a Restaurativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fundamentalmente, ela se baseia no princ\u00edpio de recupera\u00e7\u00e3o, de restaura\u00e7\u00e3o por meio de trabalhos comunit\u00e1rios. Voc\u00ea trabalha na Justi\u00e7a Restaurativa o restaurar &#8211; a pr\u00f3pria palavra diz &#8211; restaurar a pessoa que cometeu o delito por meio de trabalhos comunit\u00e1rios compensat\u00f3rios total, quando \u00e9 poss\u00edvel, ou parcial, de acordo com o crime, para ele pr\u00f3prio e para as v\u00edtimas, para as fam\u00edlias ou pessoas que foram v\u00edtimas da agress\u00e3o. Ent\u00e3o, restaurar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pagar uma pena, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazer uma vingan\u00e7a. \u201cVoc\u00ea fez isso, agora voc\u00ea vai sofrer, voc\u00ea merecer apodrecer dentro do presidio!\u201d, como \u00e9 infelizmente a linguagem de muita gente do Brasil. E o pior \u00e9 que muitos deles que se dizem crist\u00e3os e crist\u00e3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos Estados Unidos e no Canada, os c\u00e1rceres de l\u00e1 est\u00e3o muito longe da Justi\u00e7a Restaurativa. A reincid\u00eancia nos Estados Unidos e no Canad\u00e1 passa de 40, 50% em crimes de quem cumpre a justi\u00e7a tradicional, enquanto nos pa\u00edses europeus e da \u00c1frica, onde a Justi\u00e7a Restaurativa funciona relativamente bem, especialmente na Su\u00ed\u00e7a, e em alguns outros lugares, a reincid\u00eancia cai de mais de 50% para 16%. Ent\u00e3o, veja bem: n\u00f3s precisamos lutar, a Pastoral Carcer\u00e1ria em nome da Igreja Cat\u00f3lica no Brasil luta para que n\u00f3s possamos aperfei\u00e7oar e implantar em muitos lugares a Justi\u00e7a Restaurativa ao inv\u00e9s da punitiva, vingativa e uma justi\u00e7a mais baseada no \u00f3dio do que propriamente na justi\u00e7a e na restaura\u00e7\u00e3o e na recupera\u00e7\u00e3o do apenado e daquele que sofreu a viol\u00eancia praticada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda e \u00faltima parte da entrevista\u00a0estar\u00e1 dispon\u00edvel na quinta-feira, dia 14 de janeiro. O bispo responde quest\u00f5es sobre a mulher presa e os projetos nocivos de privatiza\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O programa Igreja no Brasil vai ao ar semanalmente nas emissoras de TV de inspira\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Guilherme Werlang apresenta miss\u00e3o e desafios da Pastoral Carcer\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":20135,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[767,766],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/20134"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=20134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/20134\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/20135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=20134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=20134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=20134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}