{"id":20401,"date":"2010-05-24T00:00:00","date_gmt":"2010-05-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-dos-nomades-emite-nota-em-celebracao-ao-dia-nacional-dos-ciganos\/"},"modified":"2010-05-24T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-24T03:00:00","slug":"pastoral-dos-nomades-emite-nota-em-celebracao-ao-dia-nacional-dos-ciganos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pastoral-dos-nomades-emite-nota-em-celebracao-ao-dia-nacional-dos-ciganos\/","title":{"rendered":"Pastoral dos N\u00f4mades emite nota em celebra\u00e7\u00e3o ao Dia Nacional dos Ciganos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Nesta segunda-feira, 24, comemora-se o Dia Nacional do Cigano, celebrado oficialmente no pa\u00eds desde 2006 quando, por decreto presidencial, foi institu\u00eddo em reconhecimento \u00e0 import\u00e2ncia da contribui\u00e7\u00e3o da etnia no processo de forma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e da identidade cultural brasileira.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para celebrar da data, o presidente da Pastoral dos N\u00f4mades, da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiu uma nota onde ressalta a import\u00e2ncia social e cultural do povo n\u00f4made. \u201cPovo de Deus que \u00e9 itinerante pelo mundo e pelas estradas da vida. Fazendo mem\u00f3ria desse Povo de Deus de outrora, que \u00e9 o mesmo de hoje, a Igreja se adapta aos novos desafios, aos sinais do tempo para acolher, evangelizar e mostrar que eles s\u00e3o dignos do Reino, porque s\u00e3o herdeiros da Gra\u00e7a, filhos da promessa, lembrando a figura de Abra\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Leia abaixo a \u00edntegra da Carta aos Ciganos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>24 de Maio dia Nacional do Cigano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mestre Onde Moras? ( Jo 1,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja de Deus \u00e9 ao mesmo tempo M\u00e3e e Mestra, Senhora e Rainha, Tenda e Lugar da B\u00ean\u00e7\u00e3o. Por isso mesmo, ela \u00e9 a forte express\u00e3o do abra\u00e7o acolhedor do Pai que indiscriminadamente acolhe a todos. E Deus n\u00e3o abandona nunca seu povo. Porque \u00e9 Pai, \u00e9 Amor, \u00e9 Miseric\u00f3rdia, \u00e9 Perd\u00e3o. Neste dia, quero lembrar que a Igreja acolhe esse Povo de Deus que \u00e9 caminheiro, que montou sua tenda no deserto, que se refugiou em terra estrangeira, que fugiu do inimigo para n\u00e3o negar a f\u00e9, e que sacrificou a pr\u00f3pria vida para ganh\u00e1-la, de acordo com as narrativas do Antigo Testamento. Povo de Deus que \u00e9 itinerante pelo mundo e pelas estradas da vida. Fazendo mem\u00f3ria desse Povo de Deus de outrora, que \u00e9 o mesmo de hoje, a Igreja se adapta aos novos desafios, aos sinais do tempo para acolher, evangelizar e mostrar que eles s\u00e3o dignos do Reino, porque s\u00e3o herdeiros da Gra\u00e7a, filhos da promessa, lembrando a figura de Abra\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos falando de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, ciganos, Ciganas e circenses e parquistas. Por motivos ou necessidades diferentes, buscando ou fugindo, eles est\u00e3o sempre na estrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Pastoral dos N\u00f4mades \u00e9 a express\u00e3o concreta de nosso tempo, para acolher essa parcela do Povo de Deus, sendo sinal referencial, e nosso referencial \u00e9 Cristo, Aquele que acolhe, orienta e conduz todos \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. (Cf. 1Tm 2,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente, muitos dos povos itinerantes desenvolveram um modo de vida; outrora esse modo de vida muitas vezes lhes foi imposto por diversas situa\u00e7\u00f5es de desconforto e risco. Todos n\u00f3s, nos prim\u00f3rdios de nossa caminhada sobre a terra, \u00e9ramos n\u00f4mades, porque busc\u00e1vamos o alimento, e n\u00e3o o produz\u00edamos; hoje, muitos dos povos migrantes e itinerantes o s\u00e3o pela mesma car\u00eancia, ou seja, pela distribui\u00e7\u00e3o desigual das riquezas, que os leva a nada ter e ter de sair em busca da subsist\u00eancia. Outros, mais afortunados, desenvolveram a subsist\u00eancia atrelada ao modo de vida itinerante, e com isso despertaram a desconfian\u00e7a dos homens que, mais felizes, encontraram as suas terras prometidas, e nelas se estabeleceram. Dessa reflex\u00e3o resta \u00f3bvio que a responsabilidade entre uns e outros \u00e9 real, assim como \u00e9 incontroversa a responsabilidade da Igreja, M\u00e3e de todos, para a todos fornecer a evangeliza\u00e7\u00e3o, o Cristo que \u00e9 a lanterna que ilumina os caminhos tanto quanto ilumina a casa, o cajado do caminheiro tanto quanto o esteio da casa. Assim, para todos a luz do Cristo, da qual somos humildes guardi\u00e3es e transmissores, h\u00e1 de ser levada a todos os povos, e se h\u00e1 de pensar qu\u00e3o importante, se n\u00e3o mais importante, para os que trilham caminhos sempre novos e desconhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Recordemos sempre que a Igreja toda \u00e9 mission\u00e1ria, e que a miss\u00e3o \u00e9, sobretudo a irradia\u00e7\u00e3o da Gl\u00f3ria de Deus. A Igreja come\u00e7ou com os ap\u00f3stolos, dois a dois, enviados pelo Cristo, renunciando a si mesmos e partindo sem bagagem ou pertences, para salvar o mundo, (Cf. Mt 10,5; Lc 9,2; c 6,7; Jo 20,21). Por isso, respeitando as suas origens, precisa estar aberta para acolher, ouvir e depois proclamar as gl\u00f3rias de Deus, a todos os homens cuja vida \u00e9 caminhar. Ouvir e proclamar as grandes obras realizadas por Deus e ao mesmo tempo ser convertida e reunida de novo na f\u00e9 (EN).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pela experi\u00eancia da catolicidade, a Igreja deve se tornar, ou voltar a ser, ela pr\u00f3pria cigana, ela pr\u00f3pria, itinerante, ela pr\u00f3pria imigrante, para que eles possam ser Igreja. N\u00e3o podemos compactuar com atitudes de desrespeito \u00e0 dignidade humana, de incoer\u00eancia no tratamento interpessoal, marginaliza\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o da cultura, exclus\u00e3o da religi\u00e3o e tantas outras posturas contradit\u00f3rias \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, que foram praticadas em muitos per\u00edodos da Hist\u00f3ria. Tudo isso foi alimentado pela ignor\u00e2ncia dos valores \u00e9ticos e crist\u00e3os, pela aus\u00eancia de referenciais que extinguissem as diferen\u00e7as, diminu\u00edssem as dist\u00e2ncias e, sobretudo evidenciassem com maior afinco os sinais de perten\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o dessa por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus que caminha, com essa Igreja que tamb\u00e9m \u00e9 peregrina na Hist\u00f3ria, caminhando para a Eternidade com Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Exatamente no \u00e2mbito da Hist\u00f3ria, temos a oportunidade de vislumbrar os in\u00fameros testemunhos dados pela Igreja no processo de incultura\u00e7\u00e3o dos costumes e das tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o podemos perder de vista a prioridade da evangeliza\u00e7\u00e3o, da presen\u00e7a e da partilha proporcionada pela Igreja junto aos n\u00f4mades, da mesma forma que essa prioridade n\u00e3o pode ser transformada em assistencialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Receber sem reservas. Dar especial aten\u00e7\u00e3o ao h\u00f3spede. Dar o melhor conforto. E por fim, proporcionar ao h\u00f3spede sentar e partilhar a mesa. A mesa como centro da fam\u00edlia, como lugar da partilha do p\u00e3o, da doa\u00e7\u00e3o m\u00fatua, da intimidade e principalmente da identifica\u00e7\u00e3o e do reconhecimento. (Cf. Lc 24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem acolhe deve ser sinal da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus para o acolhido e quem \u00e9 acolhido deve ser sinal de Deus para quem acolhe.<br \/>\nUm r\u00e1pido olhar sobre a trajet\u00f3ria desses povos nos mostra alguns elementos muito fortes que marcaram esse caminho nem sempre confort\u00e1vel, nem sempre humano, de ser cidad\u00e3o do mundo. Talvez o grande problema tenha sido gerado pelos padr\u00f5es que adotamos, para definir no vi\u00e9s da hist\u00f3ria o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado, enquanto que a Igreja quis sempre acolher incondicionalmente. A ignor\u00e2ncia das diversas manifesta\u00e7\u00f5es culturais, al\u00e9m da rejei\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica ao desconhecido, gera o preconceito contra os povos itinerantes e a sua conseq\u00fcente marginaliza\u00e7\u00e3o. A espiritualidade crist\u00e3, nessa mesma linha, nos mostra em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es b\u00edblicas que o homem que caminha em busca de Deus ou com Deus \u00e9 um constante itinerante no crescimento espiritual (cf. Salmo 119).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O homem moderno, acomodado ao seu modo de vida mais confort\u00e1vel que nunca, mais estacionado em padr\u00f5es de conveni\u00eancia que de realiza\u00e7\u00e3o, de status que de valores reais, rejeita o desconhecido, rejeita aquele povo ou aquele indiv\u00edduo que pode ser, pela sua chegada simplesmente, motivo de transforma\u00e7\u00e3o, ensejo para evolu\u00e7\u00e3o a um novo e desconhecido caminho. Por isso a rejei\u00e7\u00e3o por parte de quem est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es, daquele que vem em busca de aux\u00edlio. Essa atitude \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de tudo o que a Igreja prega, porque nega a acolhida, nega o encontro, nega a fraternidade, que s\u00e3o os valores contidos nos ensinamentos do Cristo, os \u00fanicos, realmente, que valem a pena, e pelos quais vale a pena morrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a pr\u00f3pria vida crist\u00e3 \u00e9 caminhar da terra para a luz, do h\u00famus para o esp\u00edrito, do conhecido para o desconhecido inef\u00e1vel, h\u00e1 de se respeitar o povo que caminha, o povo que ainda busca, e que ainda \u00e9 o mais vivo exemplo dos caminhos do homem para Deus.<br \/>\nPor fim, conhecedores que somos, atrav\u00e9s do testemunho b\u00edblico, dos documentos da Igreja e da pr\u00f3pria catequese din\u00e2mica atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, de que esses povos cruzaram o caminho do descr\u00e9dito \u00e0 confian\u00e7a, fizeram-se conhecidos, conquistando um lugar no seio da Igreja, de onde na realidade nunca estiveram ausentes, porque filhos de Deus, e que assumiram essa f\u00e9 tamb\u00e9m pela acolhida da palavra de Deus, e crescem no Brasil visivelmente, enfim, conscientes de tudo isso, entendemos que assim estamos realizando verdadeiramente a catolicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E, apenas para confirmar um elo que na verdade nunca deixou de existir, lembremo-nos que o povo de Deus, deixando a comodidade da escravid\u00e3o no Egito, levou consigo, por anos e anos de deserto, a at\u00e9 que sua transforma\u00e7\u00e3o fosse consumada, a Arca da Alian\u00e7a. Levou consigo, vagando pelos caminhos, a sua f\u00e9, a sua riqueza, o seu Deus. Porque o Deus, o amor, a f\u00e9 dos homens, n\u00e3o dependem das casas nem das cidades; a sua verdadeira morada \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Salve 24 de maio , dia do Cigano, de Nossa Senhora Auxiliadora, Santa Sahra Cali.<br \/>\nEun\u00e1polis, 24 de Maio de 2010.<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><strong>Dom Jos\u00e9 Edson\u00a0 Santana Oliveira.<\/strong><br \/>\n<strong> Bispo diocesano e presidente Nacional\u00a0 da Pastoral dos N\u00f4mades.<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta segunda-feira, 24, comemora-se o Dia Nacional do Cigano, celebrado oficialmente no pa\u00eds desde 2006 quando, por decreto presidencial, foi institu\u00eddo em reconhecimento \u00e0 import\u00e2ncia da contribui\u00e7\u00e3o da etnia no processo de forma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e da identidade cultural brasileira.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":20402,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[812,766],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/20401"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=20401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/20401\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/20402"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=20401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=20401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=20401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}