{"id":20518,"date":"2009-04-29T00:00:00","date_gmt":"2009-04-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/migrantes-itinerantes-e-refugiados-preocupam-a-igreja-diz-dom-mauricio-grotto\/"},"modified":"2009-04-29T00:00:00","modified_gmt":"2009-04-29T03:00:00","slug":"migrantes-itinerantes-e-refugiados-preocupam-a-igreja-diz-dom-mauricio-grotto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/migrantes-itinerantes-e-refugiados-preocupam-a-igreja-diz-dom-mauricio-grotto\/","title":{"rendered":"\u201cMigrantes, itinerantes e refugiados preocupam a Igreja\u201d, diz dom Maur\u00edcio Grotto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O bispo respons\u00e1vel pelo Setor de Mobilidade Humana da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Botucatu (SP), dom Maur\u00edcio Grotto de Camargo, em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 29, na 47\u00aa Assembleia dos Bispos, que acontece em Itaici, munic\u00edpio de Indaiatuba (SP), chamou a aten\u00e7\u00e3o da imprensa para as quest\u00f5es migrat\u00f3rias no pa\u00eds.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O arcebispo relacionou as v\u00e1rias formas de migra\u00e7\u00f5es que com destaque para as causas. \u201cNo Brasil h\u00e1 cerca de 300 mil migrantes, aproximadamente. E essa mobilidade acontece por fatores diversos: viol\u00eancia, pobreza, situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, falta de oportunidade para pesquisa e desenvolvimento profissional\u201d, pontuou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Citando n\u00fameros, dom Maur\u00edcio afirmou que as migra\u00e7\u00f5es e imigra\u00e7\u00f5es do mundo j\u00e1 ultrapassam 200 milh\u00f5es de pessoas. Uma popula\u00e7\u00e3o do tamanho do Brasil de migrantes, itinerantes e refugiados. Desses, 80% corresponde a mulheres. S\u00f3 no Brasil esse n\u00famero corresponde a 50 mil pessoas, principalmente vindas da Am\u00e9rica Latina. \u201cO Brasil \u00e9 atingido ativamente pelo tr\u00e1fico de pessoas. Esse \u00e9 o terceiro maior neg\u00f3cio il\u00edcito do mundo, atr\u00e1s somente do tr\u00e1fico de drogas e armas, chegando a atingir crian\u00e7as, jovens e idosos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O tr\u00e1fico de pessoas levadas para a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 outro dado apresentado pelo arcebispo que, segundo ele, \u00e9 camuflado pela imprensa no Brasil. Dom Maur\u00edcio afirmou que \u00e9 mais f\u00e1cil a imprensa do nacional mostrar as mazelas do exterior do que as suas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" alignright size-full wp-image-1996\" style=\"float: right\" src=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/img49f8cc8009565.jpg\" width=\"345\" height=\"230\" \/>Questionado sobre de que forma a crise econ\u00f4mica contribui para o tr\u00e1fico de pessoas, dom Maur\u00edcio disse que os desdobramentos da crise em outras \u00e1reas influenciam no aumento desse neg\u00f3cio ilegal. \u201cA pobreza influencia a mobilidade humana e o tr\u00e1fico de pessoas; isso porque as desespera e faz com que se tornem presas f\u00e1ceis de serem enganadas com propostas que nem precisam ser mirabolantes. Basta oferecer um emprego e um bom sal\u00e1rio que as pessoas j\u00e1 se deixam enganar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para dom Maur\u00edcio, essa crise n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mica. Ele afirmou que trata-se de um colapso que tem como ponto central a economia, mas atinge outras \u00e1reas sociais. \u201c\u00c9 um ponto final de crises anteriores, como a crise cultural, humana e \u00e9tica. Chegamos a isso por falta de \u00e9tica, sobretudo\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Grupos \u00c9tnicos<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">O arcebispo de Botucatu tamb\u00e9m deu \u00eanfase aos grupos \u00e9tnicos atingidos pela migra\u00e7\u00e3o. Como exemplo, ele citou os povos ind\u00edgenas e africanos. \u201cEsse tr\u00e1fico tem 500 anos. Ou seja, quando chegaram os portugueses aqui se encontravam 6 milh\u00f5es de ind\u00edgenas. Hoje temos pouco mais de 350 mil que lutam por terras e sua cultura. Da mesma forma, os africanos n\u00e3o foram libertados com a Lei \u00c1urea, em 1888, mas ficaram sem pai nem m\u00e3e, perdidos no Brasil. A verdadeira liberdade da Lei foi concedida a elite fundi\u00e1ria brasileira que se libertou porque o trabalho do africano estava custando caro. O imigrante italiano foi trocado pelo escravo negro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dom Maur\u00edcio acrescentou que os afrodescendentes continuam perdidos no Brasil. Para ele, os dados da popula\u00e7\u00e3o negra de hoje refletem os escravos africanos de ontem. \u201cSe olharmos para a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, podemos constatar que 80% s\u00e3o de afro-descendente; n\u00e3o por ser afro, mas porque eles foram literalmente exclu\u00eddos, abandonados, sem que lhes descem possibilidade de vida digna. Os negros que conseguiram fugir antes da Lei \u00c1urea, est\u00e3o hoje em quilombolas e ainda lutam para ter suas terras regularizadas pelo Governo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para tratar das imigra\u00e7\u00f5es e tr\u00e1fico de pessoas com foco nos grupos \u00e9tnicos, dom Maur\u00edcio citou que a Igreja se apoia no trabalho desenvolvido pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI); na Pastoral Afrobrasileira e na Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Gripe Su\u00edna<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cPor enquanto n\u00e3o adotamos uma postura oficial porque ainda n\u00e3o h\u00e1 certeza de que esse v\u00edrus tenha chegado ao Brasil\u201d. Foi assim que respondeu o arcebispo quando questionado sobre a possibilidade da influ\u00eancia de imigrantes transmitirem a Gripe Su\u00edna que j\u00e1 infectou 114 pessoas em oito pa\u00edses e matou oito em 11 pa\u00edses de quatro continentes. Para dom Maur\u00edcio, os principais respons\u00e1veis pela infec\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o os imigrantes, mas os turistas que s\u00e3o os que \u201cmais viajam\u201d. Ele chamou os turistas de \u201coutra classe de migrantes\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Documento e Encontro Nacional<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">O Setor de Mobilidade Humana da CNBB prepara um Documento sobre a realidade da Migra\u00e7\u00e3o. Dom Maur\u00edcio disse que o texto est\u00e1 em pleno processo de produ\u00e7\u00e3o e que o material n\u00e3o se trata de um texto de den\u00fancia, mas de \u201cum instrumento de trabalho para a Igreja, que vai conter a geografia da Mobilidade Humana, no Brasil e a partir do Brasil, os documentos da Igreja e a B\u00edblia e orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para as par\u00f3quias e as dioceses\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O arcebispo ainda informou que entre os dias 16 e 18 de setembro acontece em Bras\u00edlia o 3\u00ba Encontro Nacional das Pastorais da Mobilidade Humana, no qual o Setor pretende lan\u00e7ar o documento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bispo respons\u00e1vel pelo Setor de Mobilidade Humana da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Botucatu (SP), dom Maur\u00edcio Grotto de Camargo, em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 29, na 47\u00aa Assembleia dos Bispos, que acontece em Itaici, munic\u00edpio de Indaiatuba (SP), chamou a aten\u00e7\u00e3o da imprensa para as &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/migrantes-itinerantes-e-refugiados-preocupam-a-igreja-diz-dom-mauricio-grotto\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">\u201cMigrantes, itinerantes e refugiados preocupam a Igreja\u201d, diz dom Maur\u00edcio Grotto<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":20519,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[766,921],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/20518"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=20518"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/20518\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/20519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=20518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=20518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=20518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}